Capítulo 8

1081 Words
Nikolay  Eu não precisei usar minha arma. Viktor estava sentado na minha cozinha, franzindo a testa com um copo de uísque nas mãos. — Nossa, como eu precisava de uma bebida — Ele parecia não ter ouvido Alina falando. — Estou tendo um encontro com alguém em casa. — Desculpe interromper, então. — Ele derramou um pouco de uísque no copo de Alina e tomou um gole. — Você não deveria vir à minha casa sem avisar. — Você não deveria ter matado Maxim. Ele se virou, mas eu fui mais rápido. Levantei a arma e mirei no rosto dele antes que ele pudesse reagir. — Relaxe — eu disse, olhando fixamente para ele. Se quisesse matá-lo, poderia fazê-lo agora. Mas eu não queria. Gostava dele. — Matar um dos nossos não seria interessante. — Eu não percebi que era Maxim até que fosse tarde demais. Pensei que ele era outra pessoa atacando ela. — E você interveio para ajudar? — Ele colocou sua arma gentilmente no balcão e cruzou os braços sobre o peito. — Eu entendo que Maxim era um pedaço de merda e talvez o homem mais e******o que já existiu, mas você ainda não deveria tê-lo matado. — Como eu disse, não percebi quem era até depois de quebrar o crânio dele. — Abaixei a arma um pouco, mas não a guardei. — Vi a garota sendo atacada. E você sabe como eu sou. Ninguém mata alguém antes de mim. Então eu intervir e parei. — Acho tudo isso difícil de acreditar. — O que você acha que aconteceu, então? Mantive minha voz perfeitamente firme. Se eu mostrasse qualquer sinal de fraqueza ou indicasse que estava mentindo, Viktor notaria. Aquele bastardo era inteligente e observador, e eu não conseguiria blefar para sair dessa se não fosse perfeito. — Você não gosta quando alguém mexe nas suas vítimas. Todos sabemos disso. Exceto que você sabia que era Maxim tentando matar a garota, e ainda assim interveio e acabou com ele. Era bom. Ele acreditava em metade da minha história, pelo menos. A outra metade não importava, contanto que ele não achasse que eu estava tentando protegê-la. E que não descobrisse que ela estava na minha casa. — Não deixo ninguém se meter com minha vítima. Maxim deveria saber disso bem. — Nós não dissemos a ele que você já foi mandando para cuidar dela. Suspirei e inclinei a cabeça. — Isso explica os métodos dele. — Maxim era burro, como eu disse. — Viktor esfregou o rosto, algo raro para ele. — Acho que consigo dizer isso para o Pakhan. Ele pode te deixar escapar, mas mandará outra pessoa para acabar com a garota. — Diga a ele que será um grande erro. — Seu orgulho vai te matar. — Meu orgulho é o que me mantém relevante. Dei um passo à frente e abaixei a arma ainda mais. Viktor nem sequer vacilou, continuando a me observar friamente, como se eu não fosse o único armado ali. Ele me conhecia, sabia que tipo de homem eu era e sabia que, se eu o quisesse morto, ele estaria morto. — Não posso prometer que o Pakhan vai recuar, mas vou dizer a ele o que você disse. Mas, Nikolay, nós queremos que a garota morra, e queremos isso logo. Sem mais atrasos. — Eu a matarei quando estiver pronto. — Aposto que sim. — Viktor levantou as mãos. — Vou pegar minha arma e ir embora agora. Você vai atirar em mim? — Não, não vou. Pegue devagar. Ele obedeceu, pegou sua arma gentilmente e a empurrou de volta para o cós da calça. O cano sequer se moveu em minha direção. Quando a arma foi guardada, ele passou por mim e voltou para o corredor. — Lembre-se do que eu disse. Mate a garota e acabe com essa farsa estúpida. — Quando eu estiver pronto. Ele abriu a porta e saiu. — Ah, e Viktor? Se você entrar na minha casa sem bater de novo, eu atiro em você da próxima vez. Ele apenas assentiu uma vez e fechou a porta atrás dele. Tranquei o ferrolho de cima e olhei para as escadas. — Você pode vir aqui embaixo agora. Alina olhou em volta, com os olhos arregalados. — Como você sabia que eu estava aqui? — Você respira muito alto. Você tem sorte que o Viktor pensou que eu tinha uma convidada aqui. Ela desceu os degraus descalça. — Por que eles me querem morta? — ela perguntou. — Eu não entendo o que fiz com a família Starkov. — Eu não sei, mas tenho alguns palpites. Pode estar relacionado ao seu irmão ou, talvez, o Pakhan vá agir contra os Petrovs. — Pensei que havia uma trégua em toda a cidade. Quer dizer, eu sei que os Leones estão tendo sua pequena guerra civil, mas ainda é estranho. — Tréguas só importam se as pessoas envolvidas não forem um bando de psicopatas sedentos por poder e sangue. Suspirei e finalmente guardei minha arma. — Vamos, vou fazer algo para você comer. — Você cozinha? — Ela piscou rapidamente e inclinou a cabeça. — Só para você, princesa. Coloquei minha mão na parte inferior de suas costas e a guiei em direção à cozinha. — Espero que você goste do tradicional ensopado de beterraba russo. Ela fez uma careta. — Você está falando sério? — Claro que não. Sente-se, vou fazer um macarrão para você. Ela suspirou, mas obedeceu, jogando os pés na cadeira ao lado dela. Ela assistiu enquanto eu me andava na cozinha, falhando ao procurar alimentos em meus mantimentos escassos. Eu teria que ir às compras em breve. Era estranho sentir essa necessidade de cuidar dela. Eu nunca tinha experimentado isso antes em todo o meu tempo morando aqui. Mulheres iam e vinham, mas eu nunca dava a mínima se elas estavam com fome, cansadas ou qualquer outra coisa, contanto que eu conseguisse o que queria delas e elas fossem embora sem lutar. Com Alina, no entanto, era diferente. Eu desejava que ela estivesse saciada, protegida. Desejava cuidar dela como um cachorrinho obcecado e apaixonado. Era bom, e era nojento. Mas, pelo menos, eu sabia que ela me daria o que eu queria, mais cedo ou mais tarde. Não importava o quanto ela fingisse, o quanto resistisse, seus lábios me diziam a verdade, e sua b****a era tudo o que eu precisava para me convencer. Ela era minha. Só ela que não entendia ainda.
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