Capítulo 56 — O Encontro das Rainhas

767 Words
O sino da porta tocou quando Helena entrou na cafeteria principal da rede Café do Luar. Não havia fotógrafos, não havia assessores, apenas clientes comuns espalhados pelas mesas, saboreando cappuccinos e bolos frescos. Ela avançou pelo salão com sua postura rígida, salto alto ressoando no piso de madeira. Ana estava atrás do balcão, supervisionando o movimento. Usava um vestido preto simples, avental elegante e o crachá que estampava seu nome em letras douradas. Quando ergueu os olhos e viu Helena, o coração bateu mais forte — mas não de medo. De determinação. — Helena Castro… — disse, com um sorriso irônico. — Que honra. Veio tomar um café? A mãe de Miguel franziu o cenho, a voz carregada de veneno. — Não se faça de engraçadinha. Vim te dar um aviso. Ana saiu de trás do balcão e caminhou até a mesa mais reservada, convidando-a a sentar-se. — Pois então sente. Eu adoro ouvir avisos, especialmente quando vêm de pessoas que já não têm tanto poder quanto imaginam. Helena engoliu a provocação, mas não perdeu o tom de ameaça. — Você pode enganar esse público com seus cafés e seus sorrisos, mas eu sei quem você é. Sei de onde veio. Você é uma ninguém, Ana. E se ousar cruzar o meu caminho ou destruir a imagem do meu filho, eu vou acabar com você. Ana apoiou as mãos na mesa, inclinando-se para frente. Os olhos faiscavam. — Helena, você já tentou acabar comigo uma vez. E falhou. A mais velha arqueou as sobrancelhas, surpresa. — Do que está falando? — Daquela noite. — Ana abriu o celular, deslizou a tela e deixou o ícone de gravação em destaque. — Lembra quando você entrou no meu apartamento e me ameaçou de morte? Quando disse que mataria meu filho se eu não desaparecesse? Eu gravei tudo. O sangue sumiu do rosto de Helena. — Você está blefando. — Teste. — Ana colocou o fone de ouvido, apertou “play”. A voz de Helena ecoou, baixa mas clara: “Se ousar dizer que o filho é de Miguel, eu acabo com você e com essa criança.” Helena empalideceu, as mãos tremendo sobre a bolsa de couro. Ana desligou o áudio e sorriu. — Portanto, da próxima vez que pensar em me ameaçar, lembre-se: eu tenho provas. E se eu quiser, amanhã cedo estará em todas as manchetes. A matriarca tentou recuperar a postura, mas a filha da cafeteria não parava. — E tem mais. — Ana cruzou os braços. — Você não me mete mais medo, Helena. Porque sei que você está falida. Os olhos de Helena se arregalaram. — Fontes seguras me contaram — continuou Ana, fria. — Que você vive de mesada salarial imposta pelo próprio Miguel. Não é mais a rainha das finanças, não é mais a mulher que todos temiam. É apenas uma sombra do que já foi. Cada palavra caía sobre Helena como uma sentença. — Então, se você tiver um pingo de juízo, nunca mais tente me humilhar ou ameaçar. Porque, desta vez, quem vai sair humilhada será você. Helena levantou-se abruptamente, a cadeira arrastando no chão. O rosto estava rígido, os olhos marejados de raiva. — Você não sabe com quem está mexendo, Ana. Ana sorriu, firme. — Sei, sim. Estou mexendo com alguém que perdeu as rédeas. Aqui, quem manda na minha vida sou eu. Por um instante, Helena quis gritar, mas não havia voz. Apenas a sensação de estar sendo derrotada em território inimigo. Ela pegou a bolsa, caminhou até a saída. A cada passo, sentia os olhares dos clientes. Não porque sabiam quem era, mas porque podiam sentir sua energia quebrada. Pela primeira vez, Helena Castro saiu de um lugar não como a figura poderosa que sempre fora, mas como alguém menor, arrasada. Do lado de fora, dentro do carro, ela finalmente deixou as lágrimas escorrerem. Nunca em sua vida havia sido confrontada daquela forma. Nunca alguém tivera coragem de enfrentá-la e vencê-la de maneira tão limpa, tão direta. A única pessoa que poderia ajudá-la agora era Miguel. Mas como dizer ao próprio filho que a mulher que ele tentava esquecer não só estava de volta, mas também tinha nas mãos uma arma capaz de destruir tudo? Helena apertou os punhos, ordenando ao motorista: — Leve-me até meu filho. Preciso falar com Miguel. E, enquanto o carro arrancava, ela sabia: o jogo tinha mudado. Ana já não era mais a ameaça silenciosa. Era uma força real. E, no fundo, Helena temia que Miguel não estivesse disposto a lutar contra essa força… mas ao lado dela.
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