Ana não esperava ver Helena tão cedo depois do encontro na cafeteria. Mas, naquela noite, quando desceu do ônibus e entrou na rua estreita que levava ao seu prédio, viu um carro preto parado ao lado da calçada. O vidro abaixou lentamente, revelando o rosto impecavelmente maquiado da matriarca. — Entre — ordenou Helena, num tom que não admitia recusa. — Não tenho nada pra falar com você — Ana disse, tentando seguir adiante. — Então eu falo — Helena retrucou, abrindo a porta do banco de trás. — Cinco minutos. Ou pode se arrepender pelo resto da vida. O tom gelado fez Ana hesitar. Por instinto, entrou. --- O carro deslizou por ruas silenciosas até parar em um estacionamento vazio. Helena desligou o motor e virou-se para encará-la. — Vou ser muito clara, Ana — começou, o olhar duro com

