Sônia Leonardo, como sempre, está esperando perto do carro e, quando me sento no banco da frente, por um breve momento sinto um déjà-vu de uma vida passada. Interior caro, perfume caro, mãos no volante e um relógio caro no pulso. E uma sensação enganosa de segurança. Mas tudo passa rápido e penso em frases que podem ser úteis no almoço. Quero reduzir a comunicação apenas a assuntos relacionados com o trabalho. Não tenho nada pessoal para discutir com Aidarov. Aliás, ele dirige o carro em silêncio, só perguntou se a música estava me incomodando. Leonardo entra no estacionamento, viro a cabeça com interesse. Nunca estive aqui, provavelmente é novo. De repente, uma melodia de chamada é ouvida, Aidarov atende a chamada. — Estou ouvindo. Sim. Leandro sabe? Ok, estou a caminho. Ele desliga e

