CAPÍTULO 3

3309 Words
Você, alguma vez, já ficou cara a cara com o perigo? A contingência iminente de que algo errado venha a acontecer, bem ali, bem na sua frente. Um vulcão ativo próximo ou uma turbulência, a qual você simplesmente não pode deixar para trás, sair correndo em busca de ajuda ou algum meio de proteção; você está sozinho, e nada além do perigo pode consumir o seu corpo enquanto você está prestes a ser atacado. Com medo, sem medo... Não importa. Não há uma saída. Por mais paranoico que seja, Louis passava exatamente por essa situação. Mesmo com um revólver de alto calibre em seus bolsos, a mente de um gênio treinado para encontrar falhas em meio aos muros indestrutíveis construídos por criminosos... Ele estava bem debaixo do nariz de Harry Styles, o perigo em carne e osso. Estava brincando com sua hostilidade e não poderia mais escapar, uma vez que já tivesse entrado no plano. Enganar quem nunca foi enganado. — O senhor, por acaso, sabe com quem está falando? — Praticamente rugiu, roubando o licor do mais velho e bebendo-o todo de uma só vez. Queria marcar sua posição. Mostrar quem era quem; quem mandava em quem. — Sim, eu sei... você é Harry Styles. E eu sou Louis Tomlinson. Naquele momento, por mais que Styles tentasse manter a pose, não pôde deixar de mostrar a perplexidade em seus olhos, abismado com o quão rude e abusado o pequeno homem a sua frente conseguia ser, mesmo possuindo uma feição tão doce, de fato escondendo o diabinho que era, sem medo algum em estar brincando com o fogo. Enquanto Louis, que por um momento deixou-se perder nas esmeraldas verdes que o encaravam de volta, apenas voltou a si quando sua mente engenhosa fez o favor de lembrá-lo do porquê de estar ali. Aliás, flertar com o inimigo não se enquadrava em nenhum dos motivos. Talvez a sensualidade ajudasse, mas talvez apenas o fizesse de palhaço, quando o Styles poderia muito bem ser um homofóbico, brincando com ele. Bem, pelo menos era o que Louis temia. Por mais afiado que fosse, ele ainda era muito inseguro de si mesmo. — Já que sabe meu nome e quem eu sou, também deveria saber sobre meu profissionalismo, Louis Tomlinson. — Não quebrando o contato visual, Harry diminuiu um pouco mais a distância entre os dois corpos que pareciam mais como ímãs àquele ponto, dizendo o nome do policial no mesmo sotaque francês que Louis usara anteriormente, e sentindo a tensão entre os dois aumentar cada vez mais e mais. — Eu não brinco em trabalho. — Terminou, ríspido. — Em momento algum eu duvidei do seu profissionalismo, Styles. Só estou dizendo que essa joia é mais falsa que nota de três dólares. E quer saber? Se você quer passar vergonha vendendo essa porcaria, o problema já não é meu... — Revirou os olhos e voltou a falar com o barman, pedindo mais outro licor e exigindo que o mesmo colocasse o anterior na conta do gângster, o que apenas atiçou ainda mais a aversão do maior por Louis. — Pois então, me prove que a joia é falsa. Posso te pagar quantas bebidas desejar, se estiver certo. Sem hesitar, Louis encarou satisfeito o maior por apenas alguns minutos, antes de pegar a joia da caixinha onde antes estava, tirar uma caneta dos bolsos de seu terno social e aproximar a tampa em direção à corrente "de ouro". No mesmo instante em que foram aproximadas, ambas se atraíram, enquanto Louis olhava vitorioso para o gângster, e esse começava a tamborilar os dedos nervosamente no balcão, convencido de que Tomlinson estava certo o tempo todo, mas não querendo admitir isso tão fácil e presenciar o ego do pequeno atrevidinho aumentar ainda mais. — Essa tampa tem algo chamado íman, conhece? — Mesmo não olhando para Harry, Louis sorriu com a provável imagem do gângster se remoendo de raiva pelo tom sarcástico que o policial usava em toda e qualquer palavra direcionada a ele. E continuou. — O ouro verdadeiro não é atraído por íman. No entanto, o ouro falso ou os metais banhados a ouro, sim. Isso aqui é sans vergogne falso. — Agora, meu amigo Styles, eu te aconselho a agir com o tal professionnalisme que diz ter, presenteando sua mulher, ou sei lá. Talvez ela acredite que isso aqui é ouro digno dela e... — Prestes a terminar o que dizia, Louis foi interrompido por uma gargalhada alta e, ao mesmo tempo, rouca, quase contagiante se quando ele tivesse franzido a testa para Harry, confuso, não tivesse descoberto que era ele o dono da risada patética que ecoava pela boate, atraindo o olhar de todos ali, inclusive o dos bêbados mais perdidos de si mesmos. — O quê? — Talvez eu pudesse realmente seguir o seu conselho, senhor Tomlinson. Claro, se eu tivesse uma mulher ou gostasse do que ela teria para mim. — Disse Styles, lento e pausadamente, aproximando seu corpo ao do menor com cada vez mais conduta e ciência de que em breve o homem estaria implorando pelos seus lábios nos dele. Porém, Louis só pôde formar um belíssimo 'O' com os lábios, corando violentamente com a ideia de ter flertado o tempo todo com um pervertido safado e, como se aquilo não pudesse ficar pior, criminoso. — Pena que eu não gosto de franceses. — Hum... Pois eu fico feliz em saber. Não gosto de britânicos. — Revirou os olhos, dando de ombros e provando mais um pouco do seu licor, sabendo que aquele poderia ter sido motivo de briga se ele realmente fosse francês e não gostasse de britânicos. Porém, isso com certeza não o impedia de ser tão esquentado e cheio de si quanto os franceses, tanto a ponto de esquecer que deveria enrolar o Styles por mais um tempo até descobrir qualquer coisa relacionada à sua máfia, e assim poder voltar para casa com uma missão cumprida. Com isso, levantou-se do banquinho quase que brutalmente, prestes a sair daquela boate e jogar tudo pelos ares, mas sentindo o olhar do maior o queimar com ainda mais intensidade.  As grandes mãos de Harry — se é que não podiam ser apelidadas como garras — agarraram o pequeno e delicado braço do menor, com força suficiente para fazê-lo sentar-se novamente no banquinho. Dessa vez, numa distância capaz de misturar a respiração acelerada de ambos os homens. Louis podia ver sua morte e sua história através das esmeraldas diante de si. Complexidade e mistério. — Ainda não terminei as coisas com você, Tomlinson. — Àquele ponto, a voz rouca soou mais como algo palpitante para os ouvidos de Louis, que não conseguia sequer piscar os olhos, hipnotizado pela beleza de Harry e ao mesmo tempo tão aflito com a proximidade dos dois. Só pôde normalizar a frequência dos batimentos cardíacos quando sentiu seu braço ficar livre do aperto anterior, conseguindo perceber quando o Styles parou de fitá-lo e olhou ao redor da boate, procurando por algo ou alguém... Louis não tinha certeza. Por aquele tempo, só conseguiu arrumar as mangas do seu terno já amassado e cheirando a álcool, pelo menos tentando recompor-se do choque que era ficar tão próximo de Harry Styles. Focalizando melhor a situação e seguindo o olhar do gângster, ele percebeu o mesmo trocando olhares com um dos "cachorrinhos" que havia chego com ele há algum tempo, o loiro, que apesar de assumir posição de segurança no outro lado da boate, tinha um sorriso malicioso brincando em seus lábios, ora olhando para Harry, ora olhando para o Tomlinson. — Espere aqui. Eu já volto. — Harry disse simples e claro, antes de levantar-se e misturar-se com o aglomerado de pessoas dançando na pista, fazendo com que Louis o perdesse de vista e só voltasse a vê-lo quando já estava do outro lado da boate, exatamente falando com o tal garoto loiro que ainda sorria para Louis e vez ou outra assentia para o que o Styles dizia. O policial sentia a curiosidade tomar conta de si mesmo, cada vez mais. Poderia ter o seguido; aliás, deveria. Mas apenas continuou ali, parado, observando tudo, atentamente, do banquinho, bebendo seu licor aos poucos e reorganizando as ideias, ou tudo que acontecera até ali. Não entendia ao certo o que o gângster queria dizer com "Eu não terminei as coisas com você, Tomlinson". Ansiou por interpretar aquilo como uma oportunidade e tanta para infiltrar-se cada vez mais na rede de crimes do Styles. Apesar do medo. Em questão de minutos, o cacheado estava de volta, diante de Louis, fitando-o ainda sem dizer nada, permitindo que o Tomlinson tivesse uma visão quase que purificante do corpo alto e definido que o maior tinha. Ele era o triplo de Louis. Intimidante, no mínimo. — Agora me siga. Sem perguntas. — De surpresa, puxou as mãos do menor com a mesma facilidade que se puxa uma folha de caderno, e logo já o guiava através da multidão para a saída da área vip. Conforme desciam, Louis não podia evitar o tremor de suas mãos, as quais eram rodeadas pela mão maior de Harry, conforme o levava para o andar de baixo em pulos apressados a cada degrau da longa escadaria espiral, com o mesmo olhar morto e sombrio desde que Louis o vira passar pela entrada do espaço vip. Enquanto isso, o policial repetia um mantra de que estava ali apenas pelo trabalho. Que ele tinha segurança o suficiente e, principalmente, conhecimento, caso Harry tentasse algo contra ele. Porém, quanto mais repetia o mantra para si, mais o desespero se alastrava e aquele sentimento de perigo o tomava por inteiro. Medo. Angustia. Só piorava com tantas pessoas o encarando e murmurando coisas inaudíveis em relação ao gângster mais perigoso da Inglaterra e um total desconhecido. Olhares de pena; dó. — Ei, Styles! Já pode me soltar, suas mãos estão me machucando! — Louis grunhiu, freando os passos quando, em retorno à sua resposta, o maior apenas segurou suas mãos com ainda mais firmeza, ordenando que os seguranças abrissem passagem para ele e Louis atravessarem a porta de saída e darem de cara com a rua movimentada. A lua pairava acima de ambos, servindo como mais um detalhe para o cenário aterrorizante da noite. Alguns homens ricos e finos ainda circulavam por ali, exibindo seus carros caros e em alta velocidade; as luzes chamativas atraindo mais público, mesmo sendo tarde. Sheffield não dormia, afinal. — A noite é uma criança. — Disse Harry, a baforada de ar frio se misturando com a respiração acelerada de Louis, que ainda olhava atônito para todo e qualquer movimento do cacheado, esperando que ele dissesse ao menos o lugar para onde o estava levando. Mas, pelo contrário, Harry voltou a arrastá-lo para um horizonte desconhecido, atravessando a rua com um pouco mais de conduta e cuidado, abrindo a porta de um Chevy Malibu creme — incrivelmente, o único estacionado em uma esquina tão movimentada —, esperando o Tomlinson adentrá-lo, quase deixando escapar um risinho quando o pequeno atrevidinho arregalou os olhos para ele, se recusando a entrar. — Pare de brincadeira, Harry. O que vai fazer? Me matar aí dentro? Mas que p***a, eu te ajudei agora há pouco! — Lembra do que eu disse lá em cima, na boate? Sem perguntas. — E empurrou o corpo menor para o banco do passageiro, fechando a porta com força e dando a volta até a porta contrária, entrando no carro e ligando o aquecedor como quem não quer nada, antes de começar a rir. Simplesmente. Rir. — O quê? — Louis praticamente gritou, já com uma das mãos agarrando a arma em seus bolsos, preparado para qualquer coisa a partir dali. — Você tinha que ver a sua cara, Tomlinson. Está morrendo de medo. — Claro que eu estou me borrando de medo. Você sai por aí me arrastando, como se eu fosse seu chiot ou sei lá que merde. E, veja só, agora eu estou na p***a do seu carro! — Medo você deveria ter, com certeza, Louis. Eu sou perigoso. — Harry correu as mãos pelos seus cachos desajeitados, arrumando a bandana de modo que a mesma segurasse os fios que antes caíam em seus olhos. Ainda sentindo o olhar do menor preso em si, deu um longo suspiro e voltou a encará-lo. — Te trouxe até aqui para resolvermos o negócio da joia. Até porque, ninguém me engana. E o homem que me vendeu essa porcaria vai pagar por isso, assim como todos os que tentam me enganar. Aliás, eu gosto de uma platéia. Hoje você será a minha platéia, como forma de agradecimento.  Louis sentiu seu estômago embrulhar. Afinal, ele também estava o enganando, não é mesmo? Fingindo ser um i*****l qualquer, quando na verdade era um agente do FBI. Mas era tarde demais para desistir. — Então você me arrastou até aqui, a força, apenas para me dizer que iria se vingar do bastardo que te enganou? Sério, Styles? Era só ter me dito, eu o acompanharia sem problemas. — Soltou um longo e aliviado suspiro, tirando a mão dos bolsos e se acomodando no banco de couro, agora mais tranquilo, conseguindo prestar atenção em coisas mais fúteis, como no cheiro de carro novo impregnado ali. Sem dizer uma só palavra, Styles ligou o motor do carro, cantando os pneus pela rua. Tomlinson apenas o observava. Desde a sua silhueta formada pelos borrões de luz em meio à escuridão noturna, até seus longos dedos envolta do volante, o olhar distante em tons de tristeza que, no fundo, por mais que Louis estivesse interessado apenas na máfia que o gângster comandava, ele sentia necessidade em descobrir o motivo. A razão daquele coração tão frio, a aptidão de um monstro. Ao final de tudo, Harry acabou estacionando seu Malibu em frente a uma loja que vendia bebidas e queijos. O nome do estabelecimento era exibido com orgulho acima da vitrine: Nickolas Grimshaw & Irmãos. Louis já ficara de olho nessa loja antes, desconfiado de aquele ser mais um dos pontos conexos ao tráfico de drogas. E então, ali, quando olhou o relógio, vendo que já era madrugada e ainda assim a loja permanecia aberta, ele só confirmou suas suspeitas. — Escuta, Tomlinson; não faça nada que eu não faria lá dentro, ouviu? — Harry avisou, entrando no estabelecimento com o menor escondido atrás de si. Logo de cara, avistaram um homem de feição cansada e olheiras com manchas afundando seus olhos, largado num sofá de estofado totalmente gasto e estragado. Em uma das mãos, segurava uma garrafa de vinho tinto, e, na outra, um cigarro apagado. — Ora, ora... Harry Styles. Em que posso ajudar? — O homem perguntou, nem sequer reparando na presença do policial. — Ah, Nickolas... Você sabe o que eu quero. — Sexo, de novo? Dinheiro?! — Arqueou as sobrancelhas. — Mas que p***a? Eu te paguei ontem mesmo com aquela joia. De soslaio, Harry virou-se para Louis e pediu para que ele não saísse dali, voltando a atenção para o homem no sofá, aproximando-se do mesmo como quem não quer nada, até agachar-se de frente para ele. O nervosismo transparecia nos olhos do homem. — Eu descobri, Grimshaw. — Oh... — Se remexeu no sofá, visivelmente ciente de que tinha sido pego — Um gângster do alto escalão sujando as mãos, sério? Esperava mais de você, Harold. — Provocou. Harry simplesmente sorriu. Em seguida, desavisadamente, deu-lhe um soco no estômago. O homem se contorceu de dor, arfando com o ataque inesperado, enquanto Louis dava um passo à frente, mas logo freando os movimentos quando o Styles atingiu outro soco em Grimshaw, dessa vez no rosto, fazendo-o derrubar todo o seu vinho no sofá. — Imprestáveis como você acham que são invisíveis como os ratos do esgoto! — Harry cuspiu — Acham que conseguem enganar gente como eu e sair ileso. — Com apenas um golpe, conseguiu quebrar praticamente todos os dentes visíveis do homem. Disparou mais outro chute em seu estômago e, tirando a joia falsa dos bolsos, colocou-a no pescoço de Grimshaw e apertou-a conforme os gritos do homem preenchiam cada vez mais o ambiente. — Agora morra com a p***a da sua joia vagabunda! Louis assistia a tudo quase que mortificado, ciente de que estava diante de mais uma vítima. Mais um coitado que não soube jogar direito e com a pessoa errada — assim como ele. Num piscar de olhos, ele se deu conta de que era um policial, e não estava fazendo merda alguma para evitar mais mortes. Por mais que aquele verme merecesse, Louis racionalizou que não poderia ser tão somente a plateia de Styles. Mais do que um francês petulante e inteligente, ele precisava incorporar um homem de cabeça quente, inconsequente, e nada indefeso.  Quando se viu, já estava com um de seus braços agarrado ao ombro do Styles, impedindo-o de continuar com a tentativa animalesca de enforcar o homem já quase morto, a julgar pelas suas condições. Fazia toda a força existente em si para conseguir afastá-lo dali, mesmo estando certo de que mais tarde Harry provavelmente o mataria, porque estava atrapalhando sua diversão. — Ei, ei. Deixe que a plateia resolva isso. — Louis olhou bem no fundo dos olhos verdes, tentando transmitir segurança a qualquer custo. Ainda assim, também continha a doentia diversão de Harry em seus olhos.  Não recebeu uma resposta, mas suspirou aliviado quando viu os músculos do gângster se relaxarem, seus olhos se perdendo nos azuis do Tomlinson. Naquele momento, decifrava os segredos que apenas os olhos são capazes de dizer. Assim, Harry sentia que Louis estava tentando impressiona-lo. Seu sangue latejava de desejo por aquele homem, e, acima de tudo, de curiosidade. — Qual é o seu nome? — Sem aviso algum, partiu para cima do homem já esquecido pelos dois, ainda jogado no sofá e sangrando até o último fio de cabelo. O policial não o machucou — apenas agarrou-o pelas costas do casaco e levantou a cabeça do mesmo para poder sussurrar em seu ouvido — , esperando uma resposta, mesmo sabendo que esta sairia quase estrangulada pela falta dos dentes. — Nick... Nick Grimshaw. — Disse e arfou de dor, uma vez que sentiu as pontadas do machucado em seu rosto começarem a dar sinal. — Escuta, Nick... Nunca mais mexa com o cara ali atrás. — Maneou a cabeça para onde Harry olhava e escutava tudo atentamente, querendo fazer algo, mas acabando por não fazê-lo, se divertindo com a cena. — Ele é Harry Styles, entendeu? Ninguém quer se machucar aqui, então vá embora e eu e você ficamos bem nessa. Ouviu? — Sussurrou, vendo o homem assentir freneticamente. Dito isso, Louis deixou-o respirar e virou-se para o Styles, que tinha um meio-sorriso brincando em seus lábios vermelhos de tanto mordê-los enquanto socava Nick. Tal sorriso, porém, não durou tanto. Logo ele se juntava ao menor, dando um último chute no homem jogado ao chão, antes de arrastar Louis para a saída daquele lugar imundo, com o odor de sangue humano e álcool numa combinação nada agradável. — Mudei de ideia sobre você, Tomlinson. — Disse Harry, vendo o de olhos azuis sentar-se no banco da carona e jogar a cabeça para trás, respirando fundo antes de olhá-lo, confuso. — É um projeto de francês afiado e irritante. Mesmo assim, mais uma vez, foi mais inteligente que eu. Meu impulso nervoso ainda vai me entregar para o FBI. — Ele sorriu para si mesmo, como se a ideia parecesse uma piada. — Ganhou minha confiança. Aproveite isso. — Digo o mesmo sobre você. Sobre ser um britannique afiado e irritante. — Rebateu, vendo um pequeno sorriso surgir nos lábios do maior, que logo voltou a sua feição normal, dirigindo de volta para a boate. Tendo o carro parado, eles se encararam por algum tempo, simplesmente com palavras lhes faltando, ou sem coragem para fazê-las. Louis, perdido nos próprios devaneios, apenas desejava sua cama de hotel, mas sozinho. Já Harry mordia os lábios em um misto de t***o e dúvida, com uma vontade primitiva em terminar a noite com o pequeno atrevidinho diante de si, como sempre fazia todas as noites. Com qualquer um.  Mas Louis não era qualquer um; e essa foi a única razão pela qual Harry escolheu não mexer um músculo sequer para perto dele. A não ser que o de olhos azuis quisesse dar o primeiro passo...
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