O menino desceu as escadas devagar, com medo de cair. O duque já estava impaciente.
-Vamos - Falou levantando daquele sofá, que na sua opinião estava em péssimas condições.
-Tchau, senhora Anastácia. Eu quero avisar a senhora, eu vou morar na fazenda, eu consegui um emprego. A senhora acredita que eu andei dentro de um carro?...
-Vinícius, não precisa falar nada a ela. Já disse que vai embora, agora ande.
-Sim senhor. Tchau dona Anastácia, és muito simpática, espero vê-la por aí! - Falou sorrindo para a senhora que o olhava com aquele olhar de "que garoto estranho".
No caminho de volta o duque manteve-se em silêncio, enquanto Vinícius contava tudo que tinha visto durante sua viagem.
-Quando eu entrei no trem, meus pés tremeram - Ele riu baixo - Eu sentei, todo mundo ficou me olhando, eu não sei o motivo. Ninguém de lá de casa nunca viajou, acho que eles sabiam, né? - Ele passou a mão no cabelo - Eu uma vez, achei um rato desse tamanho - Fez um sinal com a mão - Ele me mordeu bem aqui - Ele mostrou o braço. Doeu muito, nossa....
-Essa é a casa, o que acha?
-Nossa. Isso tudo? Maior que a minha outra casa. Me diz, senhor. Eu vou ficar sozinho aí? - Perguntou o menino que tinha medo de tudo.
-É, não quero ninguém aí além de você.
-Tem certeza que não posso ficar na pensão, senhor? - O duque o olhou com raiva.
-Venha - Pegou no braço do menor e o levou até a casa principal (o palacete da família). Subiram as escadas e próximo ao fim do corredor, entraram em um quarto. - Então você dorme aqui, não fale que não, ok?
-Dormir na sua casa, senhor? - Perguntou Vinícius - Todo mundo que trabalha pro* senhor, dorme aqui é? Por isso sua casa é desse tamanhão?
-Não, só você mesmo quem vai dormir.
-Só eu?
-Sim, agora para de perguntar. Você não fica quieto nunca?
-Desculpe, senhor.
-Vou tomar um banho, tem o festival hoje a noite para ir.
-Espero que se divirta, senhor. Bem muito! - Sorriu o garoto.
-Você vai. - Falou o duque - Dê-me esta bolsa. - O menino assim o fez. O duque, sentou-se na cama e tirou tudo de dentro. - Você nem tem roupa, como vai hoje?
-Eu acho que é melhor eu não ir, senhor. - Disse ele simples - Quando eu receber eu compro uma roupa e a gente vai ao festival.
-Você só recebe daqui a um mês, Vinícius. Festivais são em apenas algumas datas, não tem festival todos os dias. Aliás, seu salário não daria para comprar uma roupa decente.
-Lá em casa, a gente tinha metade do que eu vou receber e a gente tinha roupa sim, senhor. Olhe para mim! Eu me visto muito bem, viu.
-Não se veste não. Suas roupas são remendadas e outra coisa, estão sujas!
-Eu lavo sempre, eu não tive tempo ainda, senhor. Eu cheguei hoje.
-Eu vou dar um jeito. - O duque saiu do quarto, deixando o menino sozinho.
A cama era gigantesca, muito maior do que a da pensão e muito maior do que a que dormia com seu irmão. Haviam diversos travesseiros ali, era tão bom. O quarto era muito grande. Ele começou a andar no quarto, ali tinha um guarda-roupas vazio, um criado-mudo, uma penteadeira, e tinha uma porta, além da de entrada e quando entrou percebeu que tinha um banheiro. "Meu Deus, um banheiro em um quarto? Muito chique!"
Um tempo depois, quando já estava prestes a escurecer, Alberto adentra o quarto. O menino estava olhando o teto, deitado na cama e estava sorrindo. "Garoto esquisito". Ele não havia notado que o duque tinha entrado, o que este aproveitou para observar aquele menino...Tão lindo, ele sentia a necessidade de ter aquele menino para si. "Ele precisa ser meu, meu..."
- Vinícius?
-Senhor - O outro se sentou na cama. - O que aconteceu?
-Eu achei umas roupas de quando eu tinha 16 anos, devem servir em você. - Ele entrou algumas peças de roupa para o outro. - Vista-se que vamos sair.
O menino começou a se despir na frente do Duque, ele não via nada demais em se vestir na frente dele, ele fazia isso na frente do seu irmão, o que seria diferente?
O duque, percebendo isso, ficou atento. O menino tirou a blusa, depois o short e lá estava ele. "Que corpo lindo", pensou o duque. Se vestiu e as roupas serviram bem. Estava lindo. - Eu não sei colocar essa cordinha não, senhor. - Falou mostrando a gravata.
-Deixe que eu coloque - E assim ajeitou a gravata no pescoço do menor. Quando por ventura de sua ação em colocar a gravata nele, acabou tocando sua pele ele se arrepiou. Ele sentia seu m****o duro dentro da calça social e odiava não poder fazer o que bem quisesse com aquele menino, ali e agora...Na verdade ele poderia, não? Pensou bem nisso...Tinha um festival, talvez depois.
-Pronto! - Ali tem um espelho - O menino foi até o espelho e se olhou, ele sorriu. - Obrigado, senhor. - Fez uma careta para si mesmo no espelho. - Eu estou tão diferente - Riu ainda mais - Acho que eu estou igual as pessoas que andam de carro.