O maior acompanhou o outro até a porta.
-Eu vou indo - O duque não queria o deixar ir, ele gostou da companhia do menor. Aliás, ele adorou ficar observando cada parte do corpo daquele menino. Na sua mente, ele queria ver como seria se as roupas sujas e rasgadas do outro não estivessem em seu corpo.
-Espera - Disse o duque Alberto.
-Senhor? - O outro o olhou com dúvidas.
-Você vai a pé para a cidade? - O outro afirma - E vai vir todo dia do mesmo jeito? - o menor afirma de novo - Você sabia que são quase 3 quilômetros até a cidade, fora que lá é bem grande. Está na pensão daquela mulher, então deve andar uns 5 quilômetros de distância.
-Não tem problema senhor, o senhor vai me pagar muito bem. Não tem nada demais eu andar um pouco.
"O que eu vou te pagar, nem compra a roda de um carro" pensou o duque.
-Eu vou te levar! -Afirmou o duque.
-Antes que o outro pudesse falar qualquer coisa, o duque falou - Eu disse que vou levá-lo, não perguntei se quer que eu o leve, eu vou levar e acabou. - O menino o olhava sem entender - Venha. - O menor o seguiu.
Ele parou em frente a um carro preto, ele era lindo. Vinícius estava impressionado.
-Um dia- Começou o menor, atraindo a atenção do duque - Eu andei em um carro. Mas ele era de carga e eu fui na parte de trás, isso é um carro mesmo - Falou passando a mão no carro. Enquanto Alberto apenas o observava. - Eu também já andei de ônibus sabia? E de Trem! - Exclamou como se fosse uma grande conquista.
-Acredito - Alberto queria rir, aquele garoto era muito esquisito, mas era demasiadamente lindo e cativante.
-Onde eu vou senhor? Atrás?
-Pode ir na frente, não tem problema. - Ele nunca deixava ninguém ir na frente, mas ele queria aquele menino lá.
O menino estava mais que animado.
-Você chegou que dia aqui? - Perguntou Alberto, ele não se impotava com nada, mas ele realmente queria saber daquele menino.
-Eu cheguei hoje.
-E já veio procurar emprego?
-Eu só tenho mais 3 dias na pensão. - Sorriu fraco - Era isso ou dormir na rua nos outros dias. Pensando bem, dormir na rua não iria ser difícil, aqui tem bancos na cidade, é iluminado com luz.
O duque apertou o volante, quando pensou na cena do menor sozinho, dormindo na praça. Aquilo o enfureceu por dentro, ele sabia o quão perigosa era aquela cidade, e se fizessem algo aquele menino? Ele teria de matar todos, pensou.
-Você, vai morar na minha casa - Falou o duque. O menor o olhou sem entender - Tem uma casa pequena próximo de onde vai trabalhar, é melhor para você. Ninguém mais mora lá, o antigo morador morreu.
-É assombrado? - Vinícius o questionou, o que fez o outro querer rir - Se for, eu prefiro não ir, senhor. Eu não me dou bem com fantasmas nem nada dessas coisas!
-Não é assombrada, o anestor morava lá, mas ele morreu na casa da mãe dele. - Ele respirou fundo - Você vai para a casa, ok? Eu já decidi e pronto, não me irrita garoto! - Falou o duque se chateando. O menor se lembrou do que seu Amaurilho o havia dito e ele logo concordou rapidamente com o duque, acenando sua cabeça em afirmação. - Você vai pegar suas coisas na pensão e vamos voltar para a fazenda.
-É...- Ele procurava a forma certa de dizer.
-Fale
-Eu já paguei por três dias, ela não devolve o dinheiro.
-É só isso? Eu te dou o dinheiro, não se preocupe com isso.
-Não precisa me dar senhor...
-Eu já disse que vou dar, então aceite de bom grado.
O carro parou na frente da pensão, as pessoas que passavam por ali, pararam para ver o duque. Era estranho ele está acompanhado, principalmente de alguém que se vestia como Vinícius.
-Boa tarde, dona Anastácia. - Disse Vinícius. A velha apenas o olhou, não deu tanta atenção.
-Boa tarde - Falou o duque. A mulher olhou assustada. O que o duque fazia ali, em sua pensão? Ela ajeitou sua roupa. O duque era lindo e ninguém diria o contrário. Aquele rosto quadrado e aquela barba rala o faziam um verdadeiro deus grego.
-Boa, senhor. - Falou a mulher nervosa - O senhor quer algo? Um café ou um suco? - Ofereceu ela.
-Não quero nada - Falou seco - Vamos Vinícius, suba e pegue suas coisas - Falou ele, percebendo que o outro estava distraído olhando para o teto. Em pensamento, Vinícius queria saber apenas como é que eles colocaram uma casa em cima da outra.
O menino saiu do transe e foi pegar suas coisas. Sua bolsa era pequena, suas roupas se resumiam a quatro camisas, uma calça e dois shorts. Ele tinha apenas quatro cuecas e isso já era mais do que qualquer pessoa tinha na sua casa. Sua mãe pegou uma roupa do seu pai, comprou outra e juntou com o que ele já tinha e pronto, ele estava pronto para viajar.