Sanguinário Narrando A fúria era um gosto de metal na boca, um calor que começava no estômago e subia, fechando a garganta. Depois do telefonema, o quarto não era mais um quarto, era uma jaula. A imagem da Ketlin saindo de mãos dadas com o velho desgraçado do Lucas queimava atrás dos meus olhos, mais nítida que qualquer memória da noite passada. Me vesti na velocidade da raiva. Bermuda, camiseta preta – não dava tempo de frescura. Enquanto calçava o tênis, peguei o rádio da cintura e apertei o botão. Rádio On — Guga, cê tá onde? A resposta veio quase na hora, o som do vento no fundo. — Subindo pra boca agora, chefe. Aconteceu alguma coisa? A voz dele, firme, me trouxe um pouco de chão. Mas era um chão de concreto, pronto pra pisar forte. — Vou dar um pulo no asfalto e volto logo —

