Capítulo 3

1620 Words
Algumas horas depois… Aqui estou voltando para Neville. Não posso mais fugir, um dia teria que criar coragem para enfrentar meu pai. Preciso ajudá-lo, não posso deixá-lo sozinho. Espero em Deus que tenhamos um novo recomeço. Enquanto atravessava a cidade, pude ver o quanto cresceu e está mais linda. Por alguns minutos, admirei os edifícios imponentes e modernos, que contrastam com as colinas verdes e as montanhas que se sobrepõem, mostrando toda a sua beleza extraordinária. Ao atravessar uma rua bastante movimentada, parei por alguns segundos e, saudosamente, olhei para a grande confeiteira. Lembranças me atingiram, limpei uma lágrima e coloquei o carro em movimento. Conduzir o meu fusquinha por mais alguns minutos, até chegar ao meu destino. O morro da montanha. De Greville a Neville, tudo foi tranquilo. As cidades não são muito distantes uma da outra. Seis horas de carro e duas de voo. Não sei como estão as coisas no morro. Há dez anos, quando minha avó veio me buscar, a situação já não era boa por aqui. Ao adentrar o morro, fui abordado por alguns dos rapazes que estavam na barreira. Reduzir o volume do som e abaixei a capota do automóvel, ao começarem a cair alguns pingos de chuva. Buzinei para ele abrir a barreira, preciso chegar em casa e ir ao hospital ver meu pai. Garoto — Calma, aê, está bem apressadinha, gatinha. Apressa é inimiga da perfeição, já ouviu? Ele se aproximou da minha janela e escorou-se. Folgado, pensei. — Quem é você? Nunca te vi aqui. — Meu nome é Melinda, filha de Yuna e Yuri Saori. Ele me encarou, acho que está estudando os meus traços faciais. Garoto — Você é filha do senhor Yuri? Confirmei de cabeça. — p***a, a sua mãe é uma grande v***a e está com sentença de morte na testa dada pelo nosso chefe. E o Montanha não perdoa ninguém. Franzi a testa em confusão, não sei quem é esse Montanha. Quando minha avó me levou embora, o chefe daqui era um homem horrível chamado “trevoso”. — Muita coisa mudou por aqui, o morro agora tem uma nova chefia. Montanha, anjo da morte ou silencioso. Ele prefere o segundo. Eu abri a boca e fechei, sem saber exatamente o que dizer. — Quantos anos você tem? Perguntei, pois ele parece bastante jovem. Garoto — Por quê? É da polícia, por acaso? Não acha que está perguntando demais, não? Mas fiz apenas uma pergunta, ele que abriu a boca e falou da vida alheia. Quando ele ia dizer outra coisa, alguém o interrompeu. Homem — Quem é essa garota? Está atrapalhando a passagem, p***a! Está repreendido em nome de Jesus! Disse mentalmente. Garoto — É a filha do japonês, Gui. Gui, conheço esse apelido. Se for quem estou pensando. Olhei para o homem na frente do meu fusca e não há resquício daquele rapaz magricela que um dia eu conheci. — Guilherme? Eu indaguei, afastando a cabeça do incherido da janela do meu fusca e coloquei a minha para fora. Guilherme — Melinda? Balancei a cabeça. Ele me olhou sem dizer nada e fez um gesto para o fofoqueiro, que logo me deixou passar. Garoto — Você não comunicou ao chefe, Guilherme. Ele ficará uma fera. Guilherme — Estou comunicando agora, Felipe. Disse com rispidamente. Olhei para Guilherme, totalmente diferente daquele rapaz magricela, que um dia trabalhou para o meu pai e não o reconheci. Bom, não é da minha conta, orarei por eles. Quando arrastei o carro, ouvi um grito… Alguém — SAORIIII! Só existia uma pessoa que me chamava assim, Laís. Ela desceu da moto e saiu correndo para mim. Desci do carro e fiz o mesmo. Abracei minha amiga que eu não via há algum tempo. Começamos a chorar. — Você é falsa! Ela me deu um tapa no braço. — Não deveria nem olhar para a sua cara, Saori. Me trocou por outras, não é? Ela pôs as mãos na cintura e apontou o dedo na minha cintura. — Olhe aqui, Saori, se repetir isso, acabaremos a nossa amizade. Afastei-me dela e a observei de cima a baixo. Laís é reconhecida pela sua beleza natural, com a sua baixa altura, cabelos negros cacheados, olhos castanhos e aqueles lábios de milhões, como ela mesma diz. Quando a família se mudou da Bahia para cá, ela era uma criança. Ela é um ano mais velha, tenho 22 e ela 23. Sempre discutíamos sobre este assunto polêmico. Ela jogava na minha cara que era mais velha e eu, que sou alguns centímetros mais alta. Apreciava cada conversa que tínhamos, pois a maneira como ela fala é divertida e o sotaque é encantador. — Sinto muito, Lai. Mas aconteceram tantas coisas e ainda roubaram meu antigo celular. Além disso, deixei de usar todas as minhas redes sociais. Laís — Você é uma amiga da onça, Saori. Mas amo-te mesmo assim. Sorri. — Tire este sorriso dos seus lábios. Tenho certeza de que a amo por força de uma lei divina. — Tenho um grande amor por você, amiga. A abracei mais uma vez. É tão bom ter alguém em quem você possa depositar confiança. Laís — Sim, agora chega dessa viadagem! Sorri. — Me diga. Qual é o motivo de você estar aqui na barreira? Esses inúteis não estão permitindo a sua entrada? Ela é cria daqui! Você sabe muito bem disso, Guilherme. Ele nos fitou de cima a baixo, se virou e foi embora. Mas o que está acontecendo por aqui? Me perguntei. — O que houve com Guilherme? Por que ele se transformou num ser humano frio? Não se parece em nada com o rapaz que nos dava doces na confeitaria do meu pai. Laís — Vou te atualizar dos babados, amiga. Felipe — Me passa o seu número? Perguntou para a minha amiga. Laís — Vá orar, seu atribulado. Ri, ela continua a mesma. De repente, outro indivíduo apareceu e, assim como o Felipe, eu não o conheço. Rapaz — Subam, estão empatando na passagem. Laís — O que é mesmo, MJ? Baleia que engoliu Jonas. Gargalhei alto. Ao contrário do garoto por nome Felipe, que é magro. O tal MJ é gordinho. — Laís, mantenha a vigilância! Não seja tão louca. Laís — Não sou egito para ficar aturando praga. E vamos subir logo antes que eu fale outra besteira para esse cueca de Golias. — Laís! Mas não aguentei e disparei a rir. — Sua língua está afiada, hein? Laís — Tento ser uma pessoa de Deus, mas os atribulados não colaboram. O homem nos mostrou um olhar c***l. Antes que ela falasse, disse: — Vou ao hospital ver como meu pai está. Dorme lá em casa hoje? Ela franziu a testa e disse: Laís — Seu pai já está em casa, Saori. Ele bebeu muito e passou m*l. Nada de mais, é o mesmo de sempre. — Ligaram e disseram para o pastor que o meu pai estava em estado grave. Laís — Sabe que o povo aumenta, né? Balancei a cabeça, não entendi o porquê de terem dito isso. — Mais tarde, entro pela sua janela. — Gostaria de saber quando aprenderá a usar a porta como uma pessoa civilizada e não a janela como uma criminosa. Ela riu e disse: Laís — Minha casa é quase colada à sua, Saori, e não venha me agoniar. Perdeu o direito. Ela acelerou a moto e passou por mim, rindo com uma expressão mais cínica. O homem me olhou feio, eu entrei no meu Fusquinha e subi o morro. Estou voltando! Ao chegar à minha casa. Passei pelo pequeno portão de madeira e, apressadamente, girei a maçaneta da porta. Fiquei surpreso ao perceber que ela não estava trancada. Quando entrei e fechei a porta, vi foi o meu pai sentado no sofá. O homem na minha frente não é nem sombra do que meu pai foi um dia. Aproximei-me dele e falei: — Oi, papai. Boa tarde! Como o senhor está? Gostaria de abraçá-lo e dizer-lhe que estou aqui e que ele não está mais sozinho. Ele riu, exibindo um sorriso sem graça e de escárnio. Yuri — Veio rir da minha cara? Desdenhar da minha situação? A sua mãe é uma vagabunda e você é igual a ela. Se você tivesse casado, não teria engravidado de qualquer e perdido o filho. Eu não estaria em tal posição, agora. — Por que me culpa, papai? Eu era só uma menina, uma criança! Gritei em meio às lágrimas. — Não sou culpada se a mamãe fugiu com outro. Cada um colhe o que planta. Yuri — Saia da minha casa! Ele gritou e lançou um olhar de nojo sobre mim. Se Deus me permitiu retornar para casa, farei a minha parte. Aproximei-me dele o suficiente e o abracei. Não abandonarei meu pai. Eu não vou ceder ao orgulho e deixá-lo perecer. — Eu te perdou, papai, em nome de Jesus! Eu o amo, não o deixarei sozinho. Estou aqui agora, cuidarei do senhor. Me perdoei se não fui uma boa filha, se falei coisas que o magoaram e feriram o seu coração. Não foi a minha intenção. Ele começou a chorar, mas não retribuiu, o abraçou. Contudo, se levantou, me fazendo cair e disse: Yuri — Você pode ficar, mas trabalhe e compre a sua própria comida. Não sustentarei filha vagabunda. E saiu me dando as costas. Não reconhecia meu pai, não enxergava o senhor Yuri ali. Respirei profundamente e fui até o meu fusca pegar as minhas costas. “Se levante do chão, erga sua cabeça; derrota não é coisa de cristão, Melinda.” Quando me virei para entrar novamente em casa, meu pai estava me observando da janela.
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