Até logo

1861 Words
Já haviam se passado algumas semanas desde o ocorrido com Parker, ele tinha retornado a poucos dias e parecia bem. Jesse pouco falou comigo, não sabia bem o porquê e também era bom para mim, conseguia me concentrar mais no trabalho, mesmo que por vezes me pegava o encarando. Não sabia o que era ter sentimento por alguém a muito tempo, e era bem difícil lidar com isso agora, sem nem saber como agir e entender melhor. As coisas estavam ficando mais intensas e não ajudava muito Parker reparar tanto. Cheguei cedo na delegacia, peguei um café e Jesse estava em sua mesa, deu um sorriso de modo disfarçado para mim e eu retribui. Fui para minha mesa e não levou dois segundos para o Parker vir até minha mesa - Nada passa batido por você? - perguntei rindo e ele negou. - Não, e eu esperei muito por isso - sorriu. - Como assim? - Torci tanto para você e Jesse ficarem logo - quase cuspi meu café e ele gargalhou. - Não estamos juntos - ele me encarou confuso. - Não… você não está me entendendo… - gritou Jesse no telefone, me estiquei para ver e ele já estava saindo. - O que houve? - perguntou Parker olhando para Jesse. - Eu não sei - balancei os ombros. Parker me olhou curioso e eu continuei confusa. Saímos para um chamado, Parker e eu ficamos interrogando algumas testemunhas que estavam presentes no ocorrido do fato ou que residiam próximos, demorou algumas horas para que conseguíssemos terminar e retornar para delegacia exatamente na hora do almoço, quando subimos todos estavam, exceto Jesse. - Cadê o Jesse? - perguntou Parker para Kyera. - Pediu para avisar que iria dar uma saída - disse Kyera e Parker fez sinal para acompanhar ele. - O que foi? - perguntei assim que entramos na cozinha. - Jesse vai jogar a carreira dele fora - eu o encarei. - Está falando do Robert? - ele assentiu. - Como sabe? - Outra hora te conto, você cuida do nosso caso. Eu vou tirar Jesse disso. Eu sabia que custaria minha posição de chefe da inteligência, mas Jesse era parte da família e Eu sabia que jamais mataria alguém. Sabia tudo sobre o caso e que ele continuava vigiando extraoficialmente, mesmo com todos os avisos que recebia dos seus superiores. - O que tá rolando entre vocês dois? - perguntou Parker. - Nada - falei firme ele me olhou desconfiado. - Alice sabe que n******e se envolver com ele, mesmo que eu apoie, isso custaria sua carreira aqui. - disse ele quase num sussurro. - Eu sei Parker, eu juro que não tem nada acontecendo. E outra, para ajudar ele provavelmente vai custar isso que construí aqui. - Sei que vai fazer isso independente do que eu diga… - o interrompi. - Sim, vou fazer, porque ele faz parte da minha equipe, assim como fiz aquilo por você, porque é meu melhor amigo. - Eu sei, então o que precisar, me diga. Tinha o pressentimento que um dia isso aconteceria, então eu peguei o caso e analisei tudo que havia. Pedi para o Jeff, técnico da inteligência para rastrear o telefone da Robert e verificar todas conversas, de forma extraoficial, estava a muito tempo cuidando disso. Enquanto analisada os documentos recebi um e-mail da procuradoria, tinha levado Jesse e ficaria suspenso até terminarem uma apuração dos fatos que envolviam Robert, ele tinha denunciado Stockler por perseguição. - Pessoal, preciso fazer uma coisa. Cuidem desse caso juntos! - apontei para o quadro. - Onde vai? - Jessica me encarou. - Jesse está suspenso e estão loucos para prendê-lo. Não posso deixar. - coloquei o casaco e Parker seguiu Jessica até mim. - Queremos ajudar. - os encarei. - Irão me ajudar terminando esse caso, é simples e estão perto de fechar. Jeff me passou a atual localização de Robert e Jesse já estava sendo levado à delegacia para prestar seu depoimento. Segui Robert o resto da tarde toda e não havia nada suspeito, ele estava sozinho em casa e entrei quando a porta estava destrancada. O mesmo estava sentado no sofá da sala assistindo futebol e a casa estava um lixo, cheia de garrafas de cerveja espalhadas e fedia muito. - Ponha as mãos onde eu possa ver. - enquanto eu apontava a a**a para o mesmo, virou-se nervoso e me encarou. - Quem é você? n******e entrar na minha casa. - De pé logo. - balancei a a**a em sinal para que ficasse em pé. - Eu não fiz nada! - engrossou a voz. - Acha que vai me meter medo? Eu sei o que fez Robert, e você vai falar. - Quem é você? - Alguém que vai fazer você confessar. Ele tentou avançar para cima de mim e disparei em uma de suas pernas, contive o sangramento e o coloquei em uma cadeira. Enquanto ele gritava com dor e me chamava de maluca, conectei o pen drive no computador e Jeff começou a fazer backup para ver se conseguíamos algo. - Olha, meu subordinado está acessando tudo no seu computador. Poderia nos poupar do trabalho e falar sobre - ele riu sarcástico. - Jesse é um louco que me persegue. E você, sua p**a… - o interrompi dando um soco em seu rosto. - O que aconteceu com Serena? - puxei seu rosto para que me encarasse. - Você n******e fazer isso. Não irei falar. - Ou você me fala logo, ou posso torturar você até que diga o que preciso ou posso facilitar muito sua vida dentro da prisão. - fingi um sorriso. - Não tenho porque ir preso. - recebi mensagem de Jeff falando que tinha tudo já. - Acho que tem sim Robert. Quando finalmente consegui fazer Robert confessar, o levei preso e o deixei na delegacia. Hawk já estava me esperando na sala dele com uma expressão séria e parecia com raiva, tinha recebido uma mensagem do Jeff informando que precisavam me tirar de Jersey o mais rápido possível. - Não precisa falar Hawk. - Preciso sim senhorita Hank. Você estava fazendo um ótimo trabalho nesta unidade. Meu superior disse que se metesse nesse caso do Stokler perderia seu lugar. - Eu sei senhor Hawk. - Eu agradeço por ter livrado Stockler de ir para prisão, senhorita Hank. - Mas Shaw me quer, não é? - Ele tem um serviço para você e também preciso que se afaste por esse tempo Alice. Quando terminar o serviço, quero que volte para essa unidade, mas fará parte da equipe e não a comandará mais. - Certo, senhor. Pegarei minhas coisas amanhã cedo. Obrigado. Subi no quinto andar e vi todos felizes e abraçando Jesse, ele parecia feliz também. Não quis interromper o momento então desci e busquei uma caixa, quando subi novamente a maioria já estava saindo. - Conseguimos fechar o caso do tráfico. - Jessica me informou sobre o relatório. - Como conseguiu livrar o Jesse? - Nada demais. Tenham um bom feriado. - sorri. - E Jessica, não conta que resolvi isso - ela apenas assentiu. - Acho que te devo um pedido de desculpas - eu a encarei confusa. - Aquela vez no caso do Parker, sempre te julguei m*l, mas hoje vi você arriscar tudo pela segunda vez por um de nós. - Faria isso por qualquer pessoa que fosse da minha equipe - sorri. - É bom ter você conosco, chefe. Parker, Jessica, Kyera e Matthew foram embora e me passaram os relatórios para que eu assinasse. Peguei toda a papelada da minha mesa e assinei, despachei para onde devia ir e comecei a pôr minhas coisas na caixa, vi que Jesse ainda estava na sua mesa com uma pasta. - Vai mudar de mesa? - ele se aproximou. - Não. - sorri. - seja bem vindo de volta aliás. Que bom que conseguiu se livrar. - Obrigado. Mas estou mais feliz que Robert finalmente está pagando pelo seu crime. Onde vai? - Jesse… - suspirei. - meu superior tem um trabalho para mim. Não sei quanto tempo vou ficar fora… - ele me interrompeu. - Mas e tudo isso ? - ele apontou para o local todo. - Eu vou ser substituída Stockler. E se eu voltar, não comandarei mais a unidade. Espero que continuem o trabalho que fizemos aqui, e nunca deixem o Hawk mudar este local. Eu lutei muito por esse andar. - rimos. - Vai pra casa Jesse, precisa descansar e ter um bom feriado. - Preciso perguntar, sobre nós… - o interrompi. - Jesse eu preciso ir. - Certo, tchau Alice. Espero que volte logo. - ele sorriu e saiu. - Jesse… - tentei falar mas ele já tinha ido. Terminei de por minhas coisas na caixa e me sentei pela última vez na minha cadeira e suspirei para que não começasse a chorar. Aquela unidade sempre tinha sido meu sonho e agora teria que deixá-los, sei que poderia voltar, mas assim como, poderia demorar apenas alguns meses, também poderia demorar um ano ou mais. Fui para casa e comecei a fazer as malas, ajeitar tudo que precisaria levar e dos meus passaportes com identidades falsas. Shaw só me chamaria para um trabalho dessa forma se fosse algo sério e que seria necessário disfarces e infiltrações. Tomei um banho e vesti meu pijama social de seda que era super confortável e comecei a preparar algo para jantar. Provavelmente seria uma última noite de folga de trabalho e tudo mais. A campainha tocou e fui atender. - O que faz aqui Jesse? - o encarei sem entender. - Queria falar com você. - ele parecia intimidado e estava com frio. - Tudo bem, entra. - dei espaço e o mesmo me acompanhou até a cozinha onde estava. - Quer uma cerveja? - ele apenas acenou e eu lhe alcancei uma da mesma que eu estava bebendo. - É estranho ver você tão caseira, de pijama e fazendo jantar. - rimos e senti minha bochecha queimar de vergonha. - Estamos acostumados a nos ver somente no trabalho. Poucas vezes nos vimos fora. - Sim, eu me lembro. Alice, quanto tempo vai ficar fora? - Não sei Jesse. Meu superior me chamou e eu preciso ir, isso pode demorar dias, meses ou anos. - Anos? - Sim. - seus olhos pareciam estar escondendo algo. - Jesse n******e contar a ninguém. Ninguém pode saber onde estou, é um perigo até para você saber. Se alguém perguntar, diga que não sabe de nada. - Claro. Mas Alice… - ele levantou e se aproximou de mim. - Eu… - falava quase em um sussurro. - não posso deixar você ir sem antes disso. - ele me puxou e beijou. Era um beijo esperado e tinha muito d****o nele. - Jesse… - Eu o afastei ofegante. - Não podemos. - falei apreensiva, tentando controlar meus desejos. - Porque você não quer. - disse ele decepcionado e eu não o olhei nos olhos. - Precisa ir agora. - falei e o acompanhei até a porta. - Não é porque não quero. - sussurrei assim que fechei a porta
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