Capítulo 20
Narrativa do Autor
Quinze dias se passaram. Esmeralda e Mabel estavam se preparando para a viagem à Itália. Muitas coisas elas tinham que resolver por lá. Fizeram suas malas — ao todo, quatro malas cada uma. Documentos tudo ok.
Disfarçadamente, Esmeralda ligou para o aeroporto perguntando a que horas sairia o voo para a Itália, só para ver se eles davam alguma informação. A atendente do outro lado perguntou:
— A senhora que vai viajar ou quer saber do voo de alguém?
— Eu gostaria de saber do voo de alguém — Esmeralda simulou.
A mulher respondeu:
— Não podemos passar essa informação. Só para a própria pessoa que vai viajar.
— Tudo bem, obrigada.
Ela desligou. Ali, descobriu que Falcão não teria como saber se ela iria para a Itália ou não.
Foi para o banheiro tomar seu banho, ajeitou tudo, ligou para o proprietário do apartamento e avisou que ficaria mandando o aluguel de lá, pagando as contas de luz, condomínio e água direitinho. Era só ele mandar por e-mail todas as contas. O dono do apartamento aceitou na hora e fecharam negócio.
Ela pediu também ao porteiro que a esposa dele fosse, de vez em quando, regar as plantas e abrir um pouco as janelas para entrar ar, além de fazer uma limpeza periódica para que a casa não ficasse fedendo.
As moças se ajeitaram, chamaram o Uber e foram para o aeroporto internacional do Rio de Janeiro. Chegando lá, sentaram na sala VIP, onde ficam poucas pessoas. Elas beberam um chazinho, comeram um biscoito. Mabel estava assustada porque nunca tinha viajado de avião — seria sua primeira vez.
Quando deu a hora, chamaram no alto-falante o horário do voo. Elas se levantaram e seguiram com as malas de mão, porque as malas de bagagem já estavam embarcadas. Foram em direção ao avião, conferiram tudo e subiram.
Ali começava a viagem para resolver tudo da máfia: o que tinham que fazer, o que ela queria e o que não queria.
Enquanto isso, no Rio de Janeiro
Falcão e seu amigo Medusan estavam para cima e para baixo no morro à procura das duas fujonas. Falcão esteve duas vezes na casa de Dona Marina perguntando a mesma coisa. Ela respondeu exatamente o que tinha dito na primeira vez:
— Eu estava dormindo. Não vi nada. Só sei que elas saíram dizendo que iam para o baile, me abraçaram, me beijaram e dali nunca mais eu as vi. Sei que foram para o baile porque estavam arrumadas. Elas não tinham mala. As coisas delas estão todas aí. Eu não tenho por que mentir.
Falcão olhou para o amigo:
— Vamos embora, irmão. Aqui nós não vamos arrumar nada.
Ele começou a botar pessoas no asfalto para procurar as meninas, mas não iam achar porque elas não saíam do apartamento. E Dona Marina, com o celular escondido, sempre mandava mensagem para elas dizendo onde eles estavam e o que estavam fazendo. Só não dizia que eles estavam na orgia porque ela não via — mas todos os dias tinha orgia na casa de Medusan, só ele, Falcão e quatro ou cinco mulheres. Então eles não estavam sentindo tanta falta assim, pensava Dona Marina.
"Essa parte eu não vou contar para as meninas. Deixa que eles brinquem, deixa que se divirtam. Minhas meninas estão longe e não vão ver isso."
A amiga da Mabel chegou à casa de Dona Marina e perguntou, disfarçadamente:
— Mabel tá aí?
— Não, ela não está. Tem quinze dias que foi para o baile e não voltou mais. Já estou até preocupada — respondeu Dona Marina.
A menina olhou e perguntou:
— Tem certeza que a senhora não sabe?
Dona Marina se irritou, porque Falcão também tinha perguntado a mesma coisa.
— Claro que eu tenho certeza! Por que você tá me perguntando isso?
— É porque ela deixou esse celular lá em casa dizendo que ia embora. Mandou eu entregar para a senhora quando a poeira baixasse. Agora me diz… a senhora sabe pra onde ela foi?
Dona Marina, desconfiada, respondeu:
— Não sei. Só sei que ela foi embora daqui do morro. Agora… pra onde foram, eu não sei. Você tem o número dela pra entrar em contato?
— Não, não tenho. Ela falou que, quando entrasse em contato comigo, eu falava com você.
— Tá certo. Agora dá licença que vou arrumar a casa.
Dona Marina entrou, fechou a porta e sentiu algo falso naquela mulher.
"Essa menina não é amiga da minha Mabel."
Quando subiu para o quarto de Esmeralda, olhou pela varanda e viu a menina conversando com Medusan e Falcão, muito alegre para quem dizia estar preocupada com Mabel.
Dona Marina foi ao seu esconderijo, pegou o número da filha e enviou a seguinte mensagem:
Mensagem ON
Oi, minha filha, espero que esteja bem. Você disse pra sua amiga que vocês iriam pra Itália ou que ficariam quinze ou vinte dias no Brasil, não sei? Sei que você vai ler essa mensagem e vai se perguntar por quê.
Ela esteve aqui hoje me perguntando se eu sabia pra onde vocês foram. Claro que eu respondi que não. Falei a mesma coisa que falei pra Falcão: que eu dormi, e quando acordei vocês não estavam mais em casa.
Aí ela perguntou se eu não sabia nem pra onde vocês tinham ido. Eu falei que não. Que eu sabia a mesma coisa que ela sabia: que vocês fugiram do Falcão.
Por favor, não ligue pra ela e nem diga onde você está. Ela estava conversando com Medusan e Falcão com uma i********e que eu nunca vi. Não dá confiança. Se ela perguntar onde você está, não diz. Diz que tá em qualquer lugar, menos na Itália.
Se eu fosse você, nem ligava pra ela, porque ela não sabe seu número. Ela me entregou o telefone que vocês deixaram na casa dela. Não dê mole pra essa garota. Ela não gosta de você.
Beijo da mamãe. Dá um beijo grande na Esmeralda. Diz pra ela tomar cuidado com meu netinho ou netinha.