O celular de Alicia vibrava sem parar naquela manhã de sábado.
Lucas havia deixado três mensagens e dois áudios enquanto ela ainda bocejava e se espreguiçava sob os lençóis bagunçados do quarto.
“Bom dia, minha ruiva… Espero que tenha dormido tão bem quanto eu dormi sonhando com você.”
“Quero te levar pra jantar hoje. E depois… bem, se você me deixar, posso te fazer esquecer qualquer outro homem do mundo.”
Ela sorriu sozinha. Ainda sentia os músculos das pernas tremendo da noite anterior.
Lucas era insistente, quente e doce. Um tipo de calor diferente. Ele olhava como se ela fosse a única mulher da Terra, e a maneira como a tocava… era como se quisesse curá-la de tudo que Rafael havia quebrado.
Mas Rafael ainda estava ali. Como uma sombra.
Ela se levantou e seguiu para a cozinha. A babá já preparava o café da manhã, e Manu assistia desenho, largada no sofá.
— Dormiu bem? — perguntou a babá, entregando-lhe uma xícara de café com leite.
— Até demais. Lucas me cansou.
— Ui — a babá riu. — E o professor bonitão? Nada?
— Nada. Ele só aparece pra me olhar como se fosse me devorar… e depois finge que nem me conhece.
— Homens — a babá revirou os olhos. — Vai entender.
—
Naquela tarde, Alicia encontrou Júlia, Mel e Pedro no café em frente à faculdade. Já era tradição deles se reunirem ali aos sábados.
— E o Lucas? — perguntou Júlia, de sobrancelha arqueada.
— Mandou umas mil mensagens — Alicia disse, rindo. — Disse que quer me levar pra jantar.
— E você vai? — perguntou Pedro, mexendo no capuccino.
— Acho que sim. Ele é fofo.
— E gostoso — completou Mel, fazendo todos rirem.
— Mas não é o professor — provocou Júlia.
Alicia encarou o café.
— Não… não é.
— Ainda tá pensando no Rafael? — Pedro perguntou, curioso.
— Ele mora do lado da minha casa, Pedro. É impossível não pensar. Às vezes… eu me pego olhando pra janela dele. E quando ele aparece, meu corpo inteiro reage.
— E quando o Lucas te toca? — perguntou Mel.
— Eu gosto. Gosto muito. Mas é diferente. Com o Rafael… é como se meu corpo não fosse mais meu.
—
Enquanto isso, Rafael estava com o pai. O senhor de olhos cansados e olhar perdido o fitava com doçura.
— Você parece triste hoje, filho.
— Tô bem, pai — mentiu Rafael.
Estava longe de estar bem.
A imagem de Alicia cavalgando Lucas ainda queimava em sua mente. Ele precisava dela. Mas não podia demonstrar. Já havia se envolvido com uma aluna antes e… o final havia sido trágico.
Não podia repetir aquilo.
Mesmo que o desejo estivesse o matando por dentro.
—
No fim da tarde, Alicia se preparava para o jantar.
Vestiu um vestido preto curto, justo no corpo, decotado nas costas. Colocou salto, batom vermelho e o perfume preferido de Lucas.
Mas quando passou pelo corredor e viu a janela de Rafael aberta… sentiu algo estranho.
Como se estivesse traindo alguém.
Alguém que nunca foi dela.
—
O restaurante era chique, e Lucas tinha reservado uma mesa especial só pra eles.
Durante o jantar, ele foi doce, educado, atencioso. Fazia piadas, tocava a mão dela por cima da mesa, elogiava cada detalhe.
— Eu gosto de você, Alicia. Gosto de verdade. E não vou desistir fácil.
Ela corou.
— Eu também gosto de você, Lucas.
Ele sorriu.
— Posso te beijar agora?
Ela assentiu.
O beijo foi quente, profundo, cheio de promessa.
—
Na volta, ele estacionou o carro na frente da casa dela.
— Posso subir?
Ela hesitou. Depois assentiu.
Subiram. Alicia tirou os saltos, deixando-os no canto da sala.
— Quer algo pra beber?
— Só você.
Ela riu, mas antes que pudesse responder, Rafael enviou uma mensagem.
Desce. Agora. Preciso falar com você. Vem até minha casa.
Alicia sentiu o coração disparar.
— Tudo bem? — perguntou Lucas.
— É… é só minha babá. Coisa rápida.
Ela saiu, atravessou o jardim e bateu na porta de Rafael.
Ele abriu com os olhos dilatados. Antes que ela pudesse falar, ele a puxou pela cintura e a beijou com uma brutalidade que arrancou o ar de seus pulmões.
— Você me chamou pra isso?! — ela disse, empurrando-o. — Achei que tinha acontecido alguma coisa.
— Aconteceu. Eu fiquei louco.
Ela arfava.
— Você tá louco mesmo.
— Eu preciso de você, Alicia. Fica aqui comigo.
Ela hesitou. Mas o olhar dele implorava.
Subiram para o quarto.
E ali, naquele lugar escuro e perigoso, Rafael mostrou a ela o outro lado do desejo.
Prendeu seus pulsos.
Beijou-a como se fosse morrer.
A fez gritar.
A fez implorar.
A fez gozar três vezes antes de sequer tirar a calça.
Ele era rude. Selvagem. c***l. Mas nunca forçado. Cada limite era respeitado. E cada toque fazia seu corpo inteiro estremecer.
— Tá vendo? — ele disse ao pé do ouvido. — Só eu sei fazer isso com você.
Ela não respondeu.
Porque era verdade.
—
Mas na manhã seguinte, ele foi frio. Duro. Ignorou ela na faculdade. Não respondeu mensagem.
Como se a noite anterior não tivesse acontecido.
Alicia voltou pra casa e Lucas estava lá, brincando com Manu na sala.
— Você tá linda hoje — ele disse.
Ela sentiu os olhos marejarem.
Por que o amor sempre escolhia machucá-la?