Capítulo 18

908 Words
O celular de Alicia vibrava sem parar naquela manhã de sábado. Lucas havia deixado três mensagens e dois áudios enquanto ela ainda bocejava e se espreguiçava sob os lençóis bagunçados do quarto. “Bom dia, minha ruiva… Espero que tenha dormido tão bem quanto eu dormi sonhando com você.” “Quero te levar pra jantar hoje. E depois… bem, se você me deixar, posso te fazer esquecer qualquer outro homem do mundo.” Ela sorriu sozinha. Ainda sentia os músculos das pernas tremendo da noite anterior. Lucas era insistente, quente e doce. Um tipo de calor diferente. Ele olhava como se ela fosse a única mulher da Terra, e a maneira como a tocava… era como se quisesse curá-la de tudo que Rafael havia quebrado. Mas Rafael ainda estava ali. Como uma sombra. Ela se levantou e seguiu para a cozinha. A babá já preparava o café da manhã, e Manu assistia desenho, largada no sofá. — Dormiu bem? — perguntou a babá, entregando-lhe uma xícara de café com leite. — Até demais. Lucas me cansou. — Ui — a babá riu. — E o professor bonitão? Nada? — Nada. Ele só aparece pra me olhar como se fosse me devorar… e depois finge que nem me conhece. — Homens — a babá revirou os olhos. — Vai entender. — Naquela tarde, Alicia encontrou Júlia, Mel e Pedro no café em frente à faculdade. Já era tradição deles se reunirem ali aos sábados. — E o Lucas? — perguntou Júlia, de sobrancelha arqueada. — Mandou umas mil mensagens — Alicia disse, rindo. — Disse que quer me levar pra jantar. — E você vai? — perguntou Pedro, mexendo no capuccino. — Acho que sim. Ele é fofo. — E gostoso — completou Mel, fazendo todos rirem. — Mas não é o professor — provocou Júlia. Alicia encarou o café. — Não… não é. — Ainda tá pensando no Rafael? — Pedro perguntou, curioso. — Ele mora do lado da minha casa, Pedro. É impossível não pensar. Às vezes… eu me pego olhando pra janela dele. E quando ele aparece, meu corpo inteiro reage. — E quando o Lucas te toca? — perguntou Mel. — Eu gosto. Gosto muito. Mas é diferente. Com o Rafael… é como se meu corpo não fosse mais meu. — Enquanto isso, Rafael estava com o pai. O senhor de olhos cansados e olhar perdido o fitava com doçura. — Você parece triste hoje, filho. — Tô bem, pai — mentiu Rafael. Estava longe de estar bem. A imagem de Alicia cavalgando Lucas ainda queimava em sua mente. Ele precisava dela. Mas não podia demonstrar. Já havia se envolvido com uma aluna antes e… o final havia sido trágico. Não podia repetir aquilo. Mesmo que o desejo estivesse o matando por dentro. — No fim da tarde, Alicia se preparava para o jantar. Vestiu um vestido preto curto, justo no corpo, decotado nas costas. Colocou salto, batom vermelho e o perfume preferido de Lucas. Mas quando passou pelo corredor e viu a janela de Rafael aberta… sentiu algo estranho. Como se estivesse traindo alguém. Alguém que nunca foi dela. — O restaurante era chique, e Lucas tinha reservado uma mesa especial só pra eles. Durante o jantar, ele foi doce, educado, atencioso. Fazia piadas, tocava a mão dela por cima da mesa, elogiava cada detalhe. — Eu gosto de você, Alicia. Gosto de verdade. E não vou desistir fácil. Ela corou. — Eu também gosto de você, Lucas. Ele sorriu. — Posso te beijar agora? Ela assentiu. O beijo foi quente, profundo, cheio de promessa. — Na volta, ele estacionou o carro na frente da casa dela. — Posso subir? Ela hesitou. Depois assentiu. Subiram. Alicia tirou os saltos, deixando-os no canto da sala. — Quer algo pra beber? — Só você. Ela riu, mas antes que pudesse responder, Rafael enviou uma mensagem. Desce. Agora. Preciso falar com você. Vem até minha casa. Alicia sentiu o coração disparar. — Tudo bem? — perguntou Lucas. — É… é só minha babá. Coisa rápida. Ela saiu, atravessou o jardim e bateu na porta de Rafael. Ele abriu com os olhos dilatados. Antes que ela pudesse falar, ele a puxou pela cintura e a beijou com uma brutalidade que arrancou o ar de seus pulmões. — Você me chamou pra isso?! — ela disse, empurrando-o. — Achei que tinha acontecido alguma coisa. — Aconteceu. Eu fiquei louco. Ela arfava. — Você tá louco mesmo. — Eu preciso de você, Alicia. Fica aqui comigo. Ela hesitou. Mas o olhar dele implorava. Subiram para o quarto. E ali, naquele lugar escuro e perigoso, Rafael mostrou a ela o outro lado do desejo. Prendeu seus pulsos. Beijou-a como se fosse morrer. A fez gritar. A fez implorar. A fez gozar três vezes antes de sequer tirar a calça. Ele era rude. Selvagem. c***l. Mas nunca forçado. Cada limite era respeitado. E cada toque fazia seu corpo inteiro estremecer. — Tá vendo? — ele disse ao pé do ouvido. — Só eu sei fazer isso com você. Ela não respondeu. Porque era verdade. — Mas na manhã seguinte, ele foi frio. Duro. Ignorou ela na faculdade. Não respondeu mensagem. Como se a noite anterior não tivesse acontecido. Alicia voltou pra casa e Lucas estava lá, brincando com Manu na sala. — Você tá linda hoje — ele disse. Ela sentiu os olhos marejarem. Por que o amor sempre escolhia machucá-la?
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