Júlia narrando
Depois de sair do apartamento chamo por um carro de aplicativo com destino ao aeroporto que não fica tão longe; assim que chego vou até um canto e ligo para minha tia Rita que a pouco mais de um ano se mudou para São Paulo, conto por cima sobre o que ocorreu, totalmente aérea devido a adrenalina que corre pelo meu corpo, após alguns minutos em linha dicido que vou para sua casa no próximo voo... assim que chego na casa da minha tia sou recebida por um abraço cheio de consolo e preocupação, ao entrarmos tomo um banho junto com o Théo e depois de enfim conseguir fazer ele dormir me junto a minha tia para contar tudo o que aconteceu.
Tia Rita- Mas é agora Júlinha, o que você vai fazer?- ela me.pergunta com um semblante preocupado
Júlia- sinceramente eu não sei tia, eu estou com medo, eu agi em legítima defesa, mas minha palavra não vai ter muito valor, afinal de contas o Gustavo é filho do governador, eu estou com tanto medo.- Falo chorando, sabendo que estou sem saída, e que vou acabar pagando pelo que fiz.
Tia Rita- Queria poder te ajudar a sair dessa situação minha filha, mas sabemos que aqui será o primeiro lugar aonde vão te procurar, não sabe?- minha tia fala com grande pesar em sua voz, sei que ela seria capaz de tudo para me proteger, e por esse motivo não posso manter ela no meio dessa bagunça que fiz.
Júlia- Eu já sei o que vou fazer tia, vou voltar pro Rio.- falo limpando minhas lágrimas com o dorso da mão
Tia Rita: Como assim voltar pro Rio Júlia, você prometeu nunca mais pisar no morro desde que tudo aconteceu, e agora quer voltar pra lá em cima dessas circunstâncias.
Júlia- Exatamente tia, lá eu e meu filho estaremos seguros, além do mais eu tenho minha casa lá, mesmo com tudo o que aconteceu lá é minha melhor opção no momento e talvez nem seja algo a longo prazo.- falo me levantando recolhendo minhas coisas
Tia Rita- Tudo bem eu concordo com isso, mas se acalme, não aja de cabeça quente, durma um pouco com o Theozinho pra descansar e amanhã cedo você parte, você vai com meu carro assim não haverá registro seu no aeroporto.
Júlia- Perfeito tia, muito obrigada por me ajudar e por não me julgar.- falo arrancando minha tia apertado.
Acordo com meu celular tocando e quando vejo o nome na tela meu coração gela na mesma hora, o nome do Governador Antônio pisca na tela, com as mãos trêmulas seguro o celular até ele parar de tocar, em seguida vejo que há diversas mensagens.
WhatsApp on:
Governador: Sua vagabunda, sempre soube que você não estaria a altura do meu filho.
Governador: Você pode se esconder até no inferno que irei te achar, e você vai pagar pelo que fez ao meu filho.
Governador: Reze para que meu filho fique bem, ou irei acabar com sua vida de um forma muito pior, sua v***a.
Governador: Irei te torturar das piores formas possíveis, e terei o prazer de te matar, sem nenhum remorso de deixar esse bastardo órfão.
Governador: Sua p**a, irei acabar com sua vida e isso é uma promessa.
Olho todas essas mensagens com um nó na garganta, só de pensar na influência do governador me dá mais medo ainda, pois sei que por de baixo dos panos ele é muito mais que um político corrupto; em um movimento rápido me coloco de pé colocando uma roupa, saio pela casa indo em direção ao quarto da minha tia que acorda assustada ao ver me semblante.
Júlia- Tia, eu preciso sair daqui agora o governador já sabe do que aconteceu, e é questão de tempo até me encontrarem aqui.- Falo praticamente correndo sem nem respirar
Tia Rita- Então se apresse minha filha, arrume as coisas no carro vou fazer um sanduíche pra você e o Théo comerem no caminho.
Saio pegando nossas bolsa e colocando no carro, pego o Théo no colo que ainda dorme profundamente e o coloco na cadeirinha que por sorte tinha na casa da minha tia, depois de o prender na cadeirinha, vou até minha tia te abraçando apertado.
Júlia- Obrigada pela sua ajuda tia, eu nunca vou esquecer o que está fazendo por nós. - falo olhando pro carro aonde meu filho dorme tranquilo.
Tia Rita: Você não precisa me agradecer Julinha, fique tranquila vai dar tudo certo, não se esqueça de me ligar assim que parar em algum lugar, vai me mantendo informada da sua localização tudo bem?
Júlia: tudo bem, eu te amo tia, fica com Deus.- Lhe dou outro abraço apertado e entro no carro e vou dirigindo de volta pro mesmo lugar aonde jurei nunca mais pisar.
Já faz algum tempo que estou na estrada e agora resolvi parar em um posto de conveniência para comer algo reforçado e alimentar o Théo que se manteve quietinho desde que tudo aconteceu, embora tenha apenas 4 anos meu bebê é inteligente o suficiente pra saber que as coisas não estão normal, agora estou o observando comer sua comida e pensando no que devo fazer ao chegar ao morro, decido então ligar para minha amiga, sei que ela vai me ajudar a superar isso.
ligação on:
Camilla: Nossa, que milagre é esse você me ligando, ainda mais essas horas. - minha amiga já atende a ligação com um bom humor de dar inveja
Júlia: Cami, eu preciso de ajuda. - Falo sendo direta pois nesse momento a última coisa que posso é perder tempo
Camila: Que voz é essa Júlia? O que esta acontecendo? O Théo está bem? Me fala o que aconteceu? - Fala rápido demais com preocupação em sua voz
Júlia: Eu não posso explicar agora, mas tudo o que você precisa saber é que estou voltando pro Rio com o Théo, eu estou na estrada indo de carro, por favor vai até minha casa e vê se está tudo em ordem, sei que sua mãe sempre vai lá limpar pra mim, mas dá uma geral pra mim por favor? prometo que quando chegar te explico tudo.
Camila: está bom, vou descer pra fazer isso agora, mas só me diga que você e o Théo estão bem? sei que algo muito grave aconteceu pra você está voltando assim do nada, aliás como vai explicar seu retorno pra você sabe quem?
Júlia: Nós estamos bem, será que tem como você me encontrar na barreira quando eu chegar ou pedir ao Ws pra liberar minha entrada?
Camila: Ta bom, me passa sua localização em tempo real que vou te acompanhado e vou cuidar de tudo aqui pra quando vocês chegarem.
Júlia: Obrigada amiga, eu te aviso, agora vou desligar pra seguir viagem.- Falo desligando o celular e após pagar pelo que consumimos e encher o tanque pego a estrada novamente.
Algumas horas depois estou em frente a entrada do morro, de longe vejo alguns vapores na contenção e a nostalgia desse lugar me faz arrepiar, acelero o carro até aonde consigo quando um dos vapores vem até carro batendo no vidro fazendo sinal para aue eu abaixe.
Vapor: Vai aonde princesa? é moradora nova? Patrão não passou nada que ia chegar morador novo.
Júlia: vou pra minha casa, e não sou moradora nova, na verdade eu morava aqui e fiquei um tempo fora e agora estou voltando.
Vapor: pow gata vou ter que confirmar com o patrão, posso te deixar subir assim não, vou desenrolar isso ae com o patrão.-ele fala se afastando e pegando o radinho, como está longe não consigo ouvir o que ele fala.
Vapor: Ae não consegui falar com o patrão, mais o Ws tá encostando aqui pra ver essas ideia aí.
Eu confirmo com a cabeça, e saio do carro ficando encostada no mesmo esperando. Não acredito que a Camila não avisou pro Ws que eu viria, agora entendi porque fui barrada. Coisa de 5 minutos vejo uma moto se aproximando e falar com o vapor que me barrou.
Ws: então você é a moradora nova?
Júlia: melhor dizendo a moradora antiga que voltou- falo levantando a cabeça e vendo a cara de surpresa do Weslley.
Ws: p***a, eu não acredito, você voltou baixinha- ele diz me dando um abraço.
Eu apenas retribuo, quando eu me envolvi com o terrorista o ws se tornou um grande amigo, como um irmão pra mim, mas com o passar do tempo perdemos contato, ele e a Camila tem um lance a anos, mas nunca se assumem e como sei que ele é melhor amigo do Bruno, pedia a ela pra não dizer nada sobre mim, pois sei que ele contaria ao Bruno e não queria que ele soubesse de nada relacionado a mim.
Júlia: pois é, eu resolvi voltar.
Ws: É bom te ter de volta baixinha, depois que foi embora se esqueceu que tinha amigos aqui- ele fala fazendo um biquinho e mesmo com a cabeça a mil consigo sorrir.
Júlia: Eu havia me esquecido como você é dramático, será que tem como me liberar? estou dirigindo a horas doida por um banho e aquele carinha ali também. - falo olhando pra dentro do carro, Ws segue meu olhar e seu semblante é de puro espanto.
Ws: p***a, você tem um pivete?
Júlia: Sim, esse é o Théo, meu filho.- Falo rindo
Ws: c*****o, como a Camila me escondeu isso? eu sabia que você não deixava ela me falar de você, mas nem uma notícia dessa cara.- fala realmente surpreso.
Júlia: Melhor assim, você é muito fofoqueiro.- Assim que eu acabo de falar vejo uma moto se aproximar, e droga, eu não acredito era ele, e p***a ele continuava lindo, na mesma hora eu me repreendo por esse pensamento, droga Júlia você não pode pensar assim.