Capítulo Cinco

1739 Words
Romeu estava casual. Exatamente como Carolina o tinha visto hoje mais cedo, bom, exceto pelas gotas d'água caindo do seu cabelo cacheado e os pés descalços. Se ela tivesse como escolher, teria escolhido o chefe de hoje de manhã. Era muito mais sexy ser recebida pelo Romeu de cabelo pingando água e descalço do que ele d- Carolina parou de andar, balançando a cabeça para que esses pensamentos caíssem por sua orelha até o chão. O que ela estava pensando? Era seu chefe, pelo amor de Deus! — Está tudo bem? — Romeu perguntou, parando junto com ela. Pereira arregalou os olhos, engolindo em seco o terror que sentia naquele momento. Os olhos verdes dele estavam escuros e sua barba por fazer a distraiu por alguns segundos. — Sim, estou bem — ela disse simplesmente, erguendo os ombros como se estivesse tudo bem, mas não estava. Romeu levantou uma sobrancelha, sem acreditar muito na palavra da sua estagiária, no entanto, assim como mais cedo, decidiu não falar nada. Ele voltou a andar e Carolina o seguiu, em silêncio e focando sua mente a olhar para as costas altas e muscul- Não, ela não podia focar nisso! Sua sorte era que finalmente tinham chegado em seu escritório. Ele indicou a cadeira em frente para sua mesa super organizada e esperou que ela se sentasse para fechar a porta e fazer o mesmo. Um cavalheiro, com certeza. Um silêncio se formou por alguns segundos, eles se olhavam e Romeu tinha um sorriso no rosto — ele sempre tão carismático. — O que achou dos gêmeos? — perguntou, ajeitando-se na cadeira. — Você gostou deles? Carolina riu, abaixando os olhos para logo depois levantar o rosto com um sorriso. Romeu a observou com atenção, achando adorável o jeito dela ficar tímida. — Eles são lindos — disse a loira com os olhos brilhando. — O Bernardo é a sua cara. Romeu sorriu grande, seus olhos se fechando no processo. Ela tinha mesmo elogiado o seu chefe de forma indireta? Carolina esperava que ele não tivesse entendido o que estava nas entrelinhas. No entanto, o moreno tinha percebido sim o que não foi dito em palavras. — Ele realmente é a minha cara — admitiu o pai babão, passando a mão no cabelo. — Já o João tem a minha personalidade, agitado demais até para dormir. — Não vou negar que ele demorou um pouquinho a mais para dormir do que o Bernardo, mas foi tranquilo. — Romeu assentiu, sorrindo por saber exatamente a complicação que era fazer seu filho dormir. — E para comer? O lanche da manhã e o almoço? Nesse ponto, Carolina se encolheu. Ela não tinha ficado para dar o almoço para os gêmeos e talvez isso fosse uma complicação com o seu, duplamente, chefe. Talvez ela devesse ter ficado até o final, mesmo com o insuportável do seu filho mais velho lhe importunando. O segundo erro logo no primeiro dia e já estaria desempregada de novo. Ô, vida. Ó, céus. — O lanche foi normal, eles comeram tudo direitinho. O João tem um apetite muito bom. O Bernardo que pareceu ser mais enjoadinho para comer. — Romeu, mais uma vez assentiu, concordando com a percepção da mais nova sobre seus filhos. — Mas o almoço não cheguei a dar. Eu cozinhei a abóbora para fazer um purê e bem na hora o seu filho mais chegou — se limitou a dizer só isso. Não podia mentir dizendo que Eduardo tinha falado que dava conta do recado. Nem que tinha saído correndo do seu apartamento para fugir do insuportável que ele chamava de filho. Ele não falava nem seu nome certo, pelo amor de Deus! — Ah, Eduardo deve ter dado então — disse ele, sem a menor ideia do que se passava na mente da loira. — Ele está acostumado e um tanto revoltado com essa tarefa. Romeu parecia um pouco conturbado com esse assunto, mas nada que uma boa conversa não resolvesse, afinal, se morava debaixo do seu teto, tinha que viver sob suas regras. Eduardo já estava velho demais para continuar morando com seu progenitor. No entanto, viveu sete anos morando no Canadá e agora que estava de volta há um ano e dez meses, estava se reerguendo para morar sozinho novamente. Não era um assunto fácil de se lidar, contando as várias brigas que tiveram apenas por tocar no assunto. Romeu não podia e não queria ter que expulsar o filho, então, nada mais justo do que ele ajudar a cuidas dos irmãos mais novos. Esse era o acordo. — Não me surpreende — resmungou a loira, só notando que tinha dito isso em voz alta quando era tarde demais. Romeu ergueu uma sobrancelha e um sorriso se fez presente nos lábios finos do mais velho, que achou graça da sinceridade dela. — Quer dizer... pela idade dele, deve ser difícil ter que ficar em casa cuidando de dois bebês. A não ser que ele seja pago por isso... Carolina se embaralhou na resposta, falando qualquer coisa que se passava em sua cabeça e, graças a Deus, tinha sido coerente no que dizia. Se ela sabia quantos anos aquela praga tinha? Óbvio que não. Mas que ele parecia ser mais mimado que a gatinha da sua prima, era uma certeza. No entanto, isso deu uma ideia para Romeu. Talvez, bem talvez mesmo, se o filho firmasse um compromisso em cuidar dos irmãos, ele até poderia pagar um salário para o mais novo. Seria perfeito para ambos. Carolina cuidaria deles pela manhã, Eduardo pela tarde e ele mesmo e Roberta cuidariam pela noite. Quer dizer, se Roberta estivesse no clima. Havia algumas semanas que ela estava estranha, sempre com dor de cabeça para cuidar dos filhos e só dava o leite materno quando estava afim — sorte que eles não dependiam da boa vontade dela para alimentar as crianças. Romeu não sabia ou entendia o que se passava naquela cabeça ruiva. E, às vezes, nem queria saber. Já tinha alguns meses em que estavam estranhos um com o outro — desde que os gêmeos nasceram, tudo tinha mudado. Romeu balança a cabeça, deixando esse assunto de lado. Esse não era o momento ou local para decidir qualquer coisa sobre seu casamento. — Você me deu uma ótima ideia! — Jura? — ela se espantou, revisando o que tinha falado que pudesse tê-lo ajudado. — Que bom. Romeu Paiva abriu um sorriso de tirar o fôlego de qualquer mulher — e homem —, criando algumas borboletas no estômago da loira, que sempre se sentia tímida quando ele dava esse sorriso que mostrava todos os seus dentes retos e brancos. — Obrigado! — ele agradeceu, fechando os olhos enquanto sorria daquele jeito. — Agora vamos aos negócios! Chegar em casa era tão gratificante quanto ir dormir. Já se passavam das dez e meia e tudo o que Carolina queria era um bom banho quente para se encolher na sua coberta quentinha e dormir. Ainda mais porque tinha que acordar cedo amanhã — o segundo dia do trabalho novo. Ela m*l podia esperar para cuidar daquelas criaturinhas mais lindas de novo. Seu celular apitou uma mensagem nova e Carolina teve preguiça de pegar o celular antes de tomar seu banho quentinho. E foi isso que ela fez. A água pelando caía por seus cabelos e costas, lavando todo o suor acumulado do dia. Não era recomendado lavar o cabelo de noite, mas naquele momento, Carolina não se importava nem um pouco com isso. Se acordasse com ele todo embaraçado era só fazer um coque no alto da cabeça e estava pronta para sair. Sua aula do dia tinha sugado todo o resto de energia que ela tinha ao responder um questionário enorme que valia ponto. Sua sorte era que podia fazer consulta no caderno e tudo o que ela fazia nas aulas era anotar qualquer e toda respiração dos professores. Pelo menos estava com o sentimento de dever cumprido. Tinha cuidado dos gêmeos com excelência — anotando mentalmente para dar almoço a eles um pouco mais cedo, para não ter o risco do insuportável falar qualquer coisa negativa ao seu respeito ao seu pai —, terminado uma revisão de um livro que estava que, agora, estava pronto para os últimos detalhes para ser lançado e o questionário feito com sucesso. Todas as tarefas do dia foram concluídas. Era tão bom poder deitar a cabeça no travesseiro sabendo que tinha feito tudo com excelência, não deixando nada para depois ou sem terminar. Era uma poucas coisas que deixava a loira satisfeita consigo mesma. Assim que vestiu a sua camiseta de time da Argentina e uma calcinha, pronta para dormir, seguiu para a sala em busca do celular que apitava loucamente. Carolina tinha certeza de que era Brenda com um interrogatório sobre o primeiro dia de trabalho — claro que Roger não ficaria para trás nisso, ajudando a encher seu celular com inúmeras mensagens no grupo interno deles. Sua cachorra! Cadê você?? - Brenda Para de xingar a mulher, ela deve estar morta depois de um cheio de trabalho para fazer. - Roger Obrigada, Roger. Você está sempre me defendendo. Eu não ligo! Ela não deve me ignorar dessa forma! - Brenda Nos ignorar, né? - Roger Não em um dia tão importante para nossa pequena grande mulher. (emoji de carinha chorando) - Brenda Ela deve estar cansada e dormiu antes de ver o celular. Tenha calma, mulher! - Roger ... (Brenda está digitando) Era um drama e tanto esse dos amigos. Tinham se falado antes mesmo dela sair da faculdade. Que carência era essa?? Carolina não sabia dizer. Estou viva, parem de encher meu saco! Estou indo dormir. - Carolina NÃO SE ATREVA! - Brenda HAHAHAHAHA Podemos falar disso amanhã? Estou muito cansadinha. - Carolina Sua sorte é que vamos nos encontrar amanhã a noite ou você já estaria morta nesse exato momento. - Brenda Deixa de atazanar a mulher Sua chata - Roger OLHA AQUI SENHOR ROGER PHILIPE DA SILVA - Brenda E depois disso Carolina saiu do aplicativo e apagou a tela do celular. Não estava com energia o suficiente para ver esses dois brigando por nada mais uma vez. Agora, encolhida debaixo do cobertor, o cabelo molhado esparramado no travesseiro, Carolina fechou os olhos e não demorou nem mesmo cinco minutos para dormir, entrando no mundo dos sonhos imediatamente. Amanhã seria um novo dia.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD