A verdade não apareceu como revelação súbita. Ela veio em fragmentos. Pequenas peças que, isoladas, pareciam irrelevantes, mas que, juntas, formavam um desenho impossível de ignorar. Eu não buscava provas. Buscava coerência. E a coerência começou a emergir nos lugares onde Arthur acreditava que ninguém olharia. Foi numa tarde comum que tudo começou a se alinhar. Arthur havia saído cedo, deixando o escritório destrancado. Não era descuido. Era arrogância. Ele acreditava que eu tinha parado de procurar. A calmaria o tinha convencido de que eu estava domada. Entrei no escritório sem pressa. Não mexi em gavetas. Não toquei em nada que deixasse vestígio físico. Apenas observei. Pastas empilhadas, contratos recentes, relatórios financeiros. Tudo impecável demais. Limpo demais. Havia uma

