Na terra

1045 Words
O vento era sentido pela pele de Ming, os outros carros pareciam estar parados, ficavam para trás como num cenário de filme de terror. Não havia muita coisa que fizesse o líder da Tríade tremer, mas imaginar Linda ferida estava no topo da sua lista. Odiava ter que ceder ao que ele considerava fraqueza, sempre acalmou as necessidades do corpo com belas mulheres que estavam dispostas a sеxο sem compromisso, ou por dinheiro, algumas vezes desejou ser cuidado, achava uma vontade infantil, escondia no seu peito e afogava em bebida e cigarros os sentimentos que não considerava úteis. Estava assim, dirigindo... o ponteiro do velocímetro tremendo no limite do carro, um cigarro no canto dos lábios e um cantil de inox cheio de whisky, a bebida queimava a garganta, mas não conseguia competir com o medo que o homem sentia. Se culpava por estar colocando os seus próprios planos em risco por uma mulher que nem conhecia direito, na mesma proporção que se culpava por não ter feito nada antes, por não ter impedido aquele casamento, poderia com uma ordem determinar a morte daqueles homens e tomar para si a mulher que queria, começaria uma guerra, a organização de Ivan não se resumia ao condomínio em que morava com alguns soldados seletos e suas famílias, havia milhares de outros agrupamentos como aquele. Não fez nada, assistiu Linda, deslumbrante, caminhar até um homem que não era ele, era capaz de sentir novamente a dor que atingiu sua alma naquele momento. A velocidade, o medo, o ciúme e, também a bebida o fizeram cometer alguns erros e deixar um rastro de confusão, acidentes e buzinas pela rodovia, não se importou, o seu único objetivo era resgatar a filha do seu inimigo, por mais incoerente que isso pudesse parecer. - Fala comigo, Linda, só me diz que está bem. Falou sozinho depois de lembrar o dia em que a conheceu, um vestido de festa, os cabelos longos em um alinhamento perfeito que contrastavam com a cor da roupa e só tinham com curva o formato dos sеiοs e a voz efusiva em um elogio espontâneo. Ming estava conversando com o conselheiro, não eram amigos, longe disso, mas desde que começou a negociar com a máfia americana ele havia sido o seu ponto focal, sabia tudo sobre o homem e o escolheu, por isso, no entanto após algumas conversar o líder chinês havia aprendido a respeitar Apollo, gostava da forma prática com que ele lidava com o mundo, só não apreciou a mesma praticidade quando o conselheiro americano arranjou o casamento da filha para afastá-la. Ela entrou no escritório apressada, queria falar algo com o pai, mas os olhos se cruzaram com os de Ming. O líder da Tríade havia pedido autorização para abrir a camisa e os músculos do corpo acostumado ao exercício chamaram a atenção de Linda. - UAU! Foi tudo o que ela disse, mas abriu um sorriso que em seguida se fechou quando ela mordeu o lábio inferior sujando os dentes com o batom. Ele teria respondido a mesma coisa se fosse transparente com o que sentiu, mas guardou tanto o elogio quanto o sentimento acalorado que atingiu seu peito ao ser admirado por uma mulher com aquele tipo de beleza. Na época, chegou a gostar de ser um “prisioneiro”, lhe concedia um status tão miserável que lhe deu a certeza de que Linda estava realmente o elogiando, não era busca pelo poder, nem pelo dinheiro, se sentiu visto pela primeira vez e se viciou no sentimento. ******* Enquanto isso, a filha de Apollo mantinha a barra da blusa no rosto tentando estancar o sangue que escorria pelo nariz, a dor parecia embaralhar a visão, ou talvez fossem as lágrimas, não sabia dizer, as mensagens que trocou com Ming irritaram o marido e ele reagiu batendo várias vezes com a cabeça de Linda no painel do carro que os levaria para a Lua-de-mel. O vento no rosto não era o bastante para secar as lágrimas, nem a certeza de que estava sozinha ao lado de um monstro podia tirar de Linda o desejo de voltar para os braços de Ming, quando chegaram a propriedade rural que serviria de berço para sua noite de núpcias tentou correr, fugir, nunca tinha sido tocada intimαmente por um homem, mesmo com o corpo pedindo pelos toques de Ming, ela tinha impedido que ele continuasse, agora sabia que não havia escolha, corria enquanto a mente lhe arremessava para as palavras rudes de Anderson. “­É a minha cadelinha, agora, primeiro vou fοdеr todos os seus buracos e quando estiver frouxa, te deixo presa em algum lugar para servir aos meus homens.” Tinha medo do seu futuro, mas também se arrependia de não ter se entregado a Ming, de não ter reservado para si mesma o direito de escolher quem seria o primeiro, ter uma lembrança boa para abrigar a mente quando tivesse que aceitar os toques do marido. Havia sido criada em meio a cuidado, proteção e amor, assistindo a mãe ser quase idolatrada por Apollo, sonhou com algo assim, mas agora estava deitada na terra, com seu corpo exposto, Anderson a alcançou e cortou sua blusa já ensopada pelo sangue e suor. Tentou lutar, se debateu, os raios de sol feriam seus olhos, mas era a imagem do marido sobre seu corpo falando obscenidades que a enojavam o que mais a assustava. Havia sonhado com a primeira vez, com como seria o homem que a conquistaria, nos beijos que deveriam ser tão quentes a ponto de fazê-la não se importar com a dor que sabia que sentiria. Apenas sonhos, o dono desses beijos não era o homem que estava sobre ela, a pessoa que fazia o seu corpo reagir e a sua intimidαde molhar estava longe dali, ela acreditava que provavelmente bebendo, ou com alguma outra mulher nos seus braços, talvez cortejando Lis, a ex-mulher que ela imaginava ainda ser dona do coração do líder chinês. Virou o rosto e tocou a terra, lembrou que a irmã disse gostar do cheiro ao ser possuída na mata pelo marido, a única diferença era que Solar se entregava a Dragón por amor e o Mexicano tinha um cuidado com a esposa que Linda jamais receberia de Anderson.
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