Past

4003 Words
Louis POV I'm like a crow on a wire You're the shining distraction that makes me fly home Harry Styles tinha esse problema: ao mesmo tempo que eu sentia que sabia tudo sobre ele, ele ia lá e mudava completamente o princípio. Quando fui designado ao caso dele, há cinco anos atrás, ele era apenas mais um espertinho querendo aparecer. O complexo de "deus" dele era algo tão icônico e óbvio que nem precisaria ser um especialista profiler para perceber aquilo. Ele era jovem, estava se divertindo e tendo o dobro da diversão no momento em que percebeu que, se quisesse, poderia fugir da justiça para sempre. Sabia que iria pegá-lo num deslize eventualmente, mas ele era escorregadio. Lembro de ter chegado tão perto dele uma vez, mas tão perto, que poderia jurar que senti o cheiro dos cabelos dele passando por mim. Ele não tinha rosto no começo, não era ninguém e poderia ser qualquer um. Mas sentado naquele carro, dirigindo pra casa com ele ao meu lado, me fazia pensar que eu não poderia mais ter a petulância de dizer que o conhecia: ele não era mais o mesmo, ele não pensava igual e, certamente, aquele beijo foi a última coisa que imaginei que fosse acontecer entre nós. Sim, sempre foi pessoal, ambos tornamos a caça um do outro pessoal. A verdade era que Harry Styles tinha uma vantagem sobre as outras pessoas ao meu redor: ele conhecia pontos fracos que nem eu mesmo sabia que tinha. Eu não sei porque o beijei de volta, não sei porque simplesmente estou indo pra casa quando claramente poderia estar a caminho de Belmarsh para colocar ele lá de volta. Minha relação com ele se estreitou em dois dias o que demorou meses para ser construída da base. Num dia, eu estava com minha arma apontada para a cabeça dele e, cinco anos depois, ele estava na minha cozinha fazendo o jantar. Isso é fodido, cara, é fodido. Num dia, penso que provavelmente ele irá fugir e me obrigar a atirar nele e, cinco anos depois, está desfilando de toalha dentro do meu apartamento, com os cabelos molhados e aquele sorriso... Ah! Aquele sorriso que me faz ter vontade de beijá-lo a cada segundo de vida. Eu não estava preparado para isso e nem para essa onda que me atingia ao tê-lo ali, perto, me provocando e se mostrando em partes que eu não conhecia e era aquilo, justamente o que eu não sabia sobre ele, o que me fazia esvair da sanidade mental que me restava. Nenhuma palavra. Nada. Ele não disse nada. Nem posso acreditar que passamos quinze minutos no carro e ele não disse uma palavra sequer. Vi os olhares dele, vi que ele parecia ensaiar dizer alguma coisa, vi o medo naqueles mares verdes que eram os olhos dele quando se cruzavam com os meus em algum sinal vermelho. Vi o receio, vi ele morder o lábio, vi ele enrolar o cabelo no dedo de um jeito charmoso quando apoiou o cotovelo na janela. Sou apenas um engenheiro de computação, não sou profiler, não sei dizer como ele se sente, ele precisa falar comigo. Sei que nosso passado foi tortuoso e extremamente intenso, mas não consigo não me ater ao fato de que, quando o conheci, quando passei a conversar por telefone, a negociar — muitas vezes até sem o conhecimento da Polícia Metropolitana — eu já tinha criado um laço de cumplicidade com aquele homem e não tinha percebido. Aquilo era perigoso e acabava tanto comigo, que me recusei a visitá-lo na prisão durante todo o tempo que ele estava lá. Entramos em casa, joguei as chaves do carro na cômoda perto da porta e ele a fechou. Tirou os sapatos, fiz o mesmo. Passei pelo corredor e andei até a sala de estar, já abrindo meu uísque porque nem fodendo eu teria aquela conversa sóbrio. Servi uma dose sem gelo e bebi de uma vez, servi-me novamente e virei-me para conversar com ele finalmente e o vi ali, mais vulnerável agora do que quanto eu tinha uma arma apontada pra cabeça dele. Ele parecia fazer um monólogo intenso em sua mente, como se sua razão brigasse com sua emoção. — Quer uma bebida? — Ofereci por cortesia, ele não me parecia ser o tipo de cara que bebia uísque, mas naquelas circunstâncias, nem minha garrafa de vinho mais cara iria me ajudar. — Não, Louis. — A voz dele era um sussurro de medo de tão grande que me fez pensar que eu realmente deveria parecer assustador pra ele naquele momento. Até o fato dele me chamar de "Louis" constantemente, como se realmente gostasse de pronunciar o meu nome, não estava mais me afetando tanto. — Styles, se acha que vai fazer joguinhos comigo, pode esquecer. — Comecei da forma menos agressiva que consegui, mas pela expressão dele, ele claramente não gostou de ouvir aquilo. — Você não se cansa? — O tom dele não era de deboche ou sarcasmo, era curioso. Ele era quem parecia cansado, provavelmente por isso perguntou aquilo. — De se defender de mim sempre, de correr quando chego perto... Você sabe muito bem o que aconteceu na época em que você estava atrás de mim, Louis... — Ele dizia como se tudo fosse óbvio, mas eu de fato não sabia direito do que ele estava falando. Passamos muito tempo afastados, eu não sabia onde ele queria chegar com aquilo. — Styles, eu... — Pára de me chamar assim! — Ele me interrompeu levantando a voz, aquela voz rouca. Não que eu realmente fosse me calar, mas seu timbre mudou tanto naquele momento, ele assumindo o controle daquela forma... Me assustava. — Eu não sou mais seu criminoso procurado, não sou mais aquele estranho que você conheceu uma parte apenas... Eu sou Harry, Louis. Me chamo Harry e, caso você não tenha notado, sou louco por você. Não que eu realmente pudesse sentir, mas tive certeza absoluta que meu coração parou de bater por um segundo. Descompassou, tive certeza. Agarrei forte o copo de bebida porque o senti escorregar da minha mão. Aquilo não era real, não estava acontecendo, eu não podia acreditar. — Pare de mexer com a minha cabeça. — Disse apoiando-me no encosto do sofá. Tomei o restante do uísque e, sim, eu estava me servindo de novo. Não olhei nos olhos dele, mas tive certeza que ele desaprovava a terceira dose e também o que eu disse. — Não estou, Louis, não estou. — Ele se aproximou de um jeito tão perigoso que me fez duvidar se era a bebida que estava mesmo correndo no meu sangue ou era só aquele cheiro dele, o toque de suas mãos agora nos meus ombros. Era físico, eu não conseguia me conter com toque. Provavelmente por isso eu, particularmente, não gostava de pessoas encostando em mim no geral. Mas se tratando de Harry, era algo inacreditável. Eu queria poder dizer a ele que acreditava — como acreditei anos antes em muitas coisas que ele disse. Não que tivessem sido mentiras, mas não achava possível que nada daquilo pudesse ser de fato real, eu não queria deixar ele mexer comigo, era totalmente inapropriado. — O que quer de mim? — Perguntei já preparando-me para pegar outra dose de bebida, mas fui impedido por ele. Ele segurou meu pulso tirando o copo da minha mão. Normalmente eu não permitira aquele tipo de atitude, mas estava me sentindo relaxado e, por uma razão que eu não sabia exatamente qual era, estava dando espaço e liberdade simplesmente porque era tão bom tê-lo por perto, que m*l conseguia me reconhecer. — Quero que me escute. — Ele disse tão perto do meu rosto, sussurrando, que ainda sentia o cheiro do chiclete vindo de sua boca. Eu não tinha problemas em ouvi-lo, era meu cérebro que não se aquietava. — Vamos fazer isso pessoalmente dessa vez para variar. — Ele concluiu e eu, claro, entendi o que ele quis dizer. .x.1D.x. Harry POV I'm like a boat on the water You're the rays on the waves that calm my mind Certo, ele vai surtar a qualquer momento. Eu tenho certeza. c*****o, o que tem de errado comigo? Que ideia estúpida de beijá-lo! Meu Deus, ele realmente deve achar que perdi meu amor pela vida e vai me matar e jogar meu corpo no Tâmisa. Ele tem a p***a de uma arma na cintura... Eu devo ser muito i****a mesmo. Bem, na pior das hipóteses ele vai me prender de novo... Não sei, não sei. Minha cabeça vai explodir e ele sequer disse uma p***a de uma palavra. Será que ele está pensando em formas de acabar comigo e fazer parecer acidente? Desde que fechei a porta do apartamento, estou sem ação. Eu não sei se devo sentar, se devo ir pro meu quarto de hóspedes, não sei se devo deixá-lo sozinho, não sei o que ele quer. Talvez se eu sair, ele vai ficar mais a vontade. Talvez eu sugira um banho... Talvez eu possa seguir ele até o chuveiro... É, Harry, ele vai te matar mesmo, então melhor aproveitar enquanto pode. Até porque se a boca dele é deliciosa daquele jeito, m*l posso imaginar como deve ser o resto... Ótimo, pelo menos ele foi pegar uma bebida, claramente quer se acalmar. Eu vou ficar aqui, quietinho por alguns segundos e, se ele continuar sem dizer nada, eu vou pro quarto. Meu Deus, como esse homem está lindo, como ele é lindo... Observo-o mesmo de costas e vejo que o terno está um pouco amassado e era provavelmente culpa minha. Eu estava arrependido de o ter encurralado daquela forma, mas eu estou quase certo que faria de novo sem pensar se pudesse. Aquele apartamento estava tão silencioso que acho que conseguia ouvir o meu próprio coração bater. — Quer uma bebida? — A voz dele fez tanto eco naquela sala enorme que me acordou de uma forma bastante surpresa. A bebida o acalmava, mas comigo faria exatamente o contrário, eu iria acabar o levando pra cama em meia hora. Bem... Talvez então uma dose seria mesmo uma boa ideia... Foco, Harry, fica focado no problema. Não distrai. — Não, Louis. — Respondi me aproximando dele aos poucos, só pra testar, mas ele não estava me mandando embora ou pedindo que eu saísse de perto, mas mesmo assim eu andava devagar, eu não tinha esquecido dessa vez que ele andava armado. Acho que ele está me dando essa a******a, acho que finalmente quer conversar... Finalmente vou poder dizer a ele como me sinto. — Styles, se acha que vai fazer joguinhos comigo, pode esquecer. — E lá vinha ele com aquela desconfiança eterna comigo. Sim, ele tinha mesmo motivos, eu não era nenhum exemplo de cidadão britânico, mas como era possível que ele não visse? Ele correspondeu quando o beijei e foi... Cara, foi louco demais! Ele beija tão gostoso... Ok, foco. Respirei fundo, não tinha mesmo muitas formas de provar a ele como eu nunca tinha esquecido de nada que dissemos no passado. Louis era aquele homem que construiu muros pra se proteger ao invés de pontes para se conectar. Mas m*l sabia ele que eu tinha um martelo gigante e iria quebrar um por um daqueles tijolos, nem que me cansasse ou até mesmo me machucasse no processo. Por ele valeria a pena, e dessa vez eu não iria estragar tudo. Ele estava bem aqui do meu lado e, apesar de estar na defensiva como sempre, ao menos ele estava ali. — Você não se cansa? — Eu não quis soar agressivo, eu realmente queria saber. Porque viver daquela forma, sempre desconfiado, sempre procurando o que estava errado, sempre esperando o pior, me parecia ser psicologicamente cansativo e nem um pouco compensador. — De se defender de mim sempre, de correr quando chego perto... Você sabe muito bem o que aconteceu na época em que você estava atrás de mim, Louis... — Na minha memória ainda estava bem vívida a nossa conexão, as nossas conversas no telefone até tarde da noite ainda quando ele não sabia onde eu estava. Talvez ele não quisesse pensar a respeito, mas ele dividiu comigo uma parte dele que nunca havia mostrado a ninguém... E isso numa época em que ele conhecia apenas minha voz. Seu rosto sisudo estava em todos os jornais e na TV constantemente e, quando eu falava com ele, a única coisa em que pensava era em como aquela voz soaria pessoalmente e em qual era o impacto daqueles olhos que mudavam de cor no sol. — Styles, eu... — E lá vinha ele me chamando pelo sobrenome de novo. Aquela maldita mania que o impedia de se aproximar, querendo mostrar que não tinha i********e comigo para me chamar pelo primeiro nome, quando ele sabia muito bem que aquilo estava longe de ser verdade. Nos conhecíamos tão bem que ele sabia que me enfezava quando ele fazia aquilo e, provavelmente era por isso que fazia. — Pára de me chamar assim! — Eu não tive a intenção de parecer agressivo e nem de falar mais alto. Mas não consegui controlar. — Eu não sou mais seu criminoso procurado, não sou mais aquele estranho que você conheceu uma parte apenas... Eu sou Harry, Louis. Me chamo Harry e, caso você não tenha notado, sou louco por você. — Não sei no que é mais difícil de acreditar, se é no fato de que eu realmente disse aquilo ou de que ele realmente pareceu finalmente acreditar em mim por um segundo quando olhava nos meus olhos. — Pare de mexer com a minha cabeça. — Ele finalmente disse e sua voz era quase inaudível. Eu senti ele perder um pouco das forças, fosse pela bebida, fosse pelo que eu disse. Vi sua testa começar a brilhar com o suor que escorria, provavelmente o uísque elevou a temperatura do corpo dele... Aquele corpo que eu m*l conseguia ficar perto sem tocar novamente... E lá estava ele, bebendo de novo. — Não estou, Louis, não estou. — Toquei seus ombros, eu estava desesperado pra que ele acreditasse em mim. Ele tremeu mas não me impediu, o que já era um bom sinal. Cara, como ele estava quente! Como ele estava tenso, eu queria abraçá-lo, queria fazer tudo que fosse possível para aproveitar aquela chance de estar perto dele. O cheiro dele era uma delícia, queria tocar qualquer parte do corpo dele, queria poder dizer tudo que eu sentia... Era a primeira pessoa na minha vida inteira que eu conseguia confiar e amar. — O que quer de mim? — No momento em que o vi desarmado perguntando aquilo, soube que era a brecha que eu precisava, ele iria me ouvir, ele tinha que me escutar. Eu queria esclarecer as coisas, m*l conseguia me controlar com o desejo que tinha de tê-lo em meus braços depois de esperar por uma chance apenas durante anos. Sabia que poderia ser um movimento perigoso, mas não deixei que ele pegasse outra dose. Primeiro porque não acho que seria saudável ter um agente da Scotland Yard bêbado no mesmo cômodo que eu, instável do jeito que era. Ele não disse nada quando tirei o copo de sua mão e a segurei logo em seguida por alguns segundos. O contraste de saber que o corpo dele estava quente mas as mãos frias era um claro sinal de nervosismo, mas a cada toque meu ele parecia relaxar um pouco mais, o que era tudo que eu queria. — Quero que me escute. — Cheguei mais perto dele, mostrando que eu não representava qualquer tipo de ameaça ao dizer aquilo. Com Louis, meus movimentos precisavam mesmo ser calculados. — Vamos fazer isso pessoalmente dessa vez para variar. — Eu disse com um breve sorriso, como se quisesse mostrar a ele que tudo estava bem, tudo ficaria bem. x.x.x FLASHBACK And, yes, I let you use me from the day that we first met But I'm not done yet Falling for your fool's gold Assim que Louis chegou em casa, pensou que deveria começar a se desligar desse caso envolvendo Harry Styles. Já estava há dois meses atrás dele e sentia que as coisas estavam saindo do limite. Não via Eleanor há quase três dias e m*l conseguia conversar com ela no telefone, estava constantemente ocupado e, naquele dia mesmo, havia inclusive esquecido de comer alguma coisa. Só lembrou quando seu estômago começou a doer a ponto de realmente incomodá-lo. Tirou a gravata e a camisa, abriu as calças e ligou a televisão. O sapatos haviam ficado na porta e as meias também. Por acaso, quando ligou o aparelho, algum casal fazia sexo em alguma novela pedante da TV aberta britânica. Pensou em sair pra jantar, Londres era linda e quente naquela época do ano. Ouviu a vibração de toque de seu celular tocar longe. Não era seu celular da agência, era seu celular pessoal. Pensou em não atender — provavelmente seria Eleanor e mais uma "DR" via telefone que sempre duravam horas. Nem tinha atendido ainda e, só de imaginar, já estava cansado. Levantou-se a contragosto e voltou a buscar seu terno, que estava jogado sobre a poltrona. No bolso interno sacou o celular e encarou a tela a fim de saber de quem se tratava, mas o número aparecia bloqueado. Sua intuição apitou naquela hora, pensou em Harry Styles. — Tomlinson. — Ele atendeu profissional e curioso. — Boa noite, agente. — A voz de Harry Styles era juvenil, cordial e, mesmo sem ver ou fazer qualquer ideia, Louis sabia que ele estava sorrindo. — Styles. — Louis já conhecia bem aquela voz, tinha várias gravações telefônicas na agência com ele, de conversas e negociações que tentaram ao longo do mês, mas era a primeira vez que Louis falava com ele sem pessoas por perto e sem qualquer tipo de equipamento de gravação. — Como conseguiu esse número? — Eu acabei de roubar 50 milhões de dólares de dois bancos internacionais de Londres, não acho que conseguir seu telefone pessoal é um grande problema pra mim. — Ele respondeu rindo, fingindo uma prepotência que nem tinha. Tudo pra ele era simplesmente tão divertido que Louis perguntava-se por vezes se aquele homem tinha alguma noção real do que de fato fazia. — É, faz sentido. — O agente respondeu achando graça da naturalidade que Harry falava de números e dinheiro como se falasse de pontos num jogo qualquer. — Por que está me ligando? — Senti sua falta essa semana, você não ligou. — Harry respondeu e Louis teve vontade de desligar o telefone: estava cansado demais para aqueles joguinhos de Harry. — Achei que tinha desistido de me achar. — Não acho que a agência me dará sossego até que não te encontre. — Louis jogou-se no sofá, fechou os olhos e desligou a televisão. — Onde você está, Styles? — Até parece que vai ser fácil assim. — Ele riu do outro lado da linha, mas Louis não achou graça. — O que quer então? — Louis realmente estava desarmado àquela altura. Logicamente que seu trabalho exigia uma pressão diária sobre crimes cometidos, mas Harry não era um homem violento. Ele parecia razoável, parecia realmente não ser capaz de fazer nada r**m, talvez era apenas um sujeito ganancioso, o que Louis precisava admitir que era um pouco estranho, já que não parecia combinar com a personalidade dele que um homem como ele precisasse de tanto dinheiro. — Queria ouvir sua voz... Longe dos bipes dos rastreios de ligação que vocês fazem no escritório. Queria conversar com você apenas. Só você. — Styles dizia com uma sinceridade capaz de colocar a prova o próprio julgamento sensato de Tomlinson. — Vi sua entrevista hoje sobre mim na televisão. Na manhã daquele dia, Louis participou de um talk-show popular na Inglaterra, falou sobre seu trabalho, sobre as investigações e, sim, muita curiosidade foi feita em cima de Harry Styles. Louis foi bombardeado de perguntas sobre ele vindas da platéia e do próprio apresentador do programa. — Ah é? — O agente disse e agora parecia ligeiramente interessado na conversa. — O que achou? — Fiquei surpreso sobre o quanto sabe sobre mim. — Harry respondeu num tom um pouco mais íntimo. — É meu trabalho saber sobre você. Não o acho um homem interessante propriamente. — Louis não estava sendo de todo verdadeiro, mas Harry já tinha um ego gigantesco, não havia razões para aumentá-lo mais ainda. O que ouviu em resposta foi uma sonora gargalhada. — Mentira. — Styles ainda ria e o próprio Louis sorriu para si mesmo. Aí estava uma coisa que ele não conhecia sobre Harry: o som de sua gargalhada. — Sei que me acha interessante. — Bem, acredite no que quiser. — Tomlinson agora ajeitou-se no sofá deitando confortavelmente. — Por que está fazendo isso, Styles? Onde está o dinheiro? — Não entendo porque se importam com isso. — Harry dizia quase soando como um adolescente questionador e teimoso. — Esses ricaços tem seguro do dinheiro, todos eles vão receber de volta o que peguei, não é como se fossem sentir falta. — Então está dizendo que fez isso por uma questão moral e de valores? Está com algum tipo de síndrome de Robin Hood? — Louis diz despreocupado. Estava gostando da conversa, estava até sentindo-se mais relaxado. Gostava daquela voz. Aquela risada. E, pela primeira vez, humanizou Harry Styles a ponto de realmente ter uma conversa com ele que não envolvesse calcular onde ele estava e o que fazia. — Bem, preciso ir, Louis. — Ele disse após um breve silêncio entre eles. Tomlinson ficou pessoalmente curioso sobre o que Harry queria fazer com o dinheiro, mas foi a primeira vez que realmente relaxou naquele assunto, pensando que ele talvez tivesse razão. Não que roubar justificasse os fins, mas um dos mistérios que rondava a investigação era o destino do dinheiro e talvez, agora, Louis soubesse o que se passava a respeito na cabeça de Styles. — Quando vou falar com você de novo? — Tomlinson perguntou numa tentativa apenas. Talvez Styles desligasse, talvez nunca mais ligasse, mas ele achou que poderia transformar aquilo em rotina, iria ajudar a pegá-lo cedo ou tarde. — Logo, espero. — E com um sorriso no rosto que Louis sabia que o outro sustentava, Harry desligou o telefone. A partir daquele dia, havia virado rotina eles conversarem todas as noites. Muitas vezes sobre assuntos que Louis nunca havia conversado com outras pessoas antes. Nem tudo envolvia o caso, nem tudo envolvia o que estava acontecendo entre eles. Houveram noites de assuntos pessoais e dois meses se seguiram com conversas e até mesmo risos, brincadeiras e Louis apenas sentia-se motivado a encontrá-lo agora porque queria conhecê-lo de verdade. Tomlison compartilhou coisas de sua vida pessoal descobrindo que Styles era um excelente ouvinte. Soube detalhes da infância de Harry que não tinha encontrado em arquivo algum e soube que, de fato, Harry estava mais perto dele do que ele imaginava. Nada daquelas conversas foram gravadas ou usadas nos depoimentos e no julgamento de Harry quando ele foi considerado culpado. Foi pessoal, foi privado. A conexão deles foi muito além do lado profissional de Louis. Ninguém na agência nunca teve conhecimento sobre aquilo, era uma parte particular de Louis que ele estava disposto — e decidido — a guardar para si mesmo. Suas horas ao telefone com Styles todas as noites despertaram um sentimento até então desconhecido por ele, ele se importava de verdade quando perguntava coisas do tipo "como você está?". Não era apenas cortesia ou polidez, ele realmente queria saber como Harry estava. Styles, por sua vez, foi capaz de conquistar Louis de uma maneira tão simples e pura que tinha certeza estar se apaixonando pelo homem que mais estava se esforçando para vê-lo preso. And I knew that you turn it on for everyone you've met But I don't regret Falling for your fool's gold x.x.x FIM DO FLASHBACK
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