Capítulo Cinco

1041 Words
Dante A noite estava quieta demais. No mundo em que vivo, o silêncio raramente significa paz. Ao contrário, é o prelúdio do caos. Eu estava no terraço da Villa Rossi, olhando para as luzes de Palermo, a cidade que meu pai governou com mãos de ferro e carisma até sua morte. Agora, aquele peso estava sobre mim. Don Dante Rossi. O título ainda era novo, mas o poder, esse sempre esteve em minhas veias. Giuseppe, meu consigliere e o homem mais confiável ao meu lado, surgiu na porta com passos silenciosos. Ele carregava um olhar preocupado, o que nunca era bom. — Dante, temos um problema, — ele disse, direto como sempre. — Diga, Giuseppe. — Virei-me para ele, acendendo um cigarro com calma. A fumaça sempre ajudava a mascarar a tempestade dentro de mim. — Informações de última hora. Os Caruso estão se movendo. Parece que planejam algo grande. Caruso. O nome me fez ranger os dentes. Eles sempre foram um espinho no lado da nossa família, mas desde a morte de meu pai, tinham se tornado mais ousados. — Movendo-se onde? — perguntei, soltando uma lufada de fumaça no ar. Giuseppe hesitou por um momento, o que não era de seu feitio. — Temos indícios de que querem atacar aqui, na villa. O riso escapou de mim antes que eu pudesse evitar. Não um riso de humor, mas de incredulidade. — Eles têm coragem de atacar a casa dos Rossi? Acham que podem me intimidar com isso? Giuseppe aproximou-se, a expressão grave. — Dante, não subestime o desespero deles. Desde que assumiu, você os enfraqueceu. Isso é um ato de desespero, mas homens desesperados são os mais perigosos. Assenti lentamente, ponderando suas palavras. Ele tinha razão. No xadrez, um rei encurralado ainda pode causar estragos antes de cair. — Chame os homens. Quero a villa protegida. Ninguém entra ou sai sem minha ordem. — Já está sendo feito. Mas, Dante... e se isso for uma distração? Olhei para ele, os olhos estreitos. — Explique. — Se eles nos fizerem concentrar aqui, podem atacar em outro lugar. Nossos armazéns no porto, talvez. Giuseppe sempre pensava além do óbvio. Era isso que o tornava indispensável. — Envie homens para o porto também. Mas quero atenção redobrada aqui. Se os Caruso vierem para a villa, quero que saiam em sacos plásticos. Entendido? Ele assentiu e saiu para executar as ordens. Eu permaneci ali, encarando a cidade. A fumaça do cigarro se dissipava no ar noturno, mas a tensão não. *** Pouco depois da meia-noite, ouvi o som. Primeiro, foi um estalo distante, algo que só alguém acostumado à violência reconheceria. Depois, gritos e o eco de tiros. — Estão aqui! — um dos homens gritou ao invadir o salão onde eu estava. Levantei-me imediatamente, pegando a pistola que sempre estava ao alcance da mão. Giuseppe apareceu logo atrás dele, com uma escopeta nas mãos. — Eles vieram mesmo. Mais de uma dúzia, pelo menos, cercando a propriedade. — Cretinos, — murmurei. — Acham que podem entrar na casa dos Rossi como ratos? Vamos mostrar a eles o erro. Fomos para o corredor principal, onde nossos homens já estavam em posição. Os Caruso não tinham sutileza, mas vinham com força. Estavam tentando quebrar as janelas e forçar a entrada pelas portas laterais. — Segurem a linha! Não deixem nenhum bastardo passar! — gritei, enquanto tiros ecoavam pelo salão. Giuseppe posicionou-se ao meu lado, disparando com precisão. Cada movimento dele era calculado, eficaz. — Dante, estão tentando flanquear pela esquerda! — Leve quatro homens e proteja aquele lado! Eu cuido daqui. Giuseppe hesitou por um momento. — Tem certeza? — Você me conhece, Giuseppe. Não sou tão fácil de derrubar. Vá. Ele assentiu e saiu correndo, levando os homens com ele. A luta era feroz. Os Caruso haviam trazido bons atiradores, mas os Rossi eram leais e bem treinados. Cada centímetro da villa era defendido como se fosse o próprio coração da família. No meio do caos, vi um homem tentando invadir pelo salão principal. Ele parecia ser um dos líderes do ataque, gritando ordens aos outros. Mirei nele e puxei o gatilho sem hesitar. O som seco do disparo foi seguido por seu corpo caindo pesadamente. — Alguém mais quer brincar? — gritei, a voz cheia de desafio. Os Caruso hesitaram, mas apenas por um momento. Eles eram muitos e estavam determinados. — Don Rossi! Virei-me para ver Giuseppe voltando, com sangue no rosto, mas sem ferimentos graves. — A ala esquerda está segura. Mas eles trouxeram reforços. Precisamos reagrupar. — Então vamos dar um fim a isso, Giuseppe. Vamos mostrar que quem desafia os Rossi paga o preço. Ele sorriu, um sorriso frio e cheio de determinação. — Sempre ao seu lado, Dante. Sempre. A batalha continuou por quase uma hora, mas lentamente, a vantagem começou a virar para o nosso lado. Os Caruso, percebendo que não poderiam nos derrotar, começaram a recuar. Enquanto eu caminhava pelo salão principal, agora cheio de marcas de tiros e sangue, vi um dos homens deles ainda vivo, ferido no chão. Aproximei-me, a arma em mãos, e ajoelhei ao lado dele. — Quem enviou você? — perguntei, minha voz baixa, mas cheia de ameaça. Ele cuspiu no chão, o olhar cheio de ódio. — Você sabe quem. Don Caruso vai acabar com você. Sorri, mas não havia humor naquele gesto. — Diga a ele que estou esperando. E que, da próxima vez, traga mais homens. Vai precisar. Levantei-me e, sem hesitar, puxei o gatilho. Giuseppe veio até mim, limpando a escopeta. — O que fazemos agora? Olhei ao redor, para o estrago, para os homens que haviam lutado e morrido por mim naquela noite. — Reforce a segurança. Quero mais homens aqui e no porto. E mande uma mensagem para os Caruso. Quero que saibam que hoje foi apenas o começo. Eles atacaram meu lar, Giuseppe. Agora, eu vou destruir o deles. Giuseppe assentiu, mas havia algo nos olhos dele, uma mistura de orgulho e preocupação. — Você está pronto para a guerra, Dante? Porque é isso que vai acontecer. Olhei para ele, a determinação queimando em meu peito. — Giuseppe, meu pai sempre disse que o poder tem um preço. Hoje, nós começamos a cobrar.
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