8

1026 Words
A secretaria da Excelência Academia ficava em um prédio amplo e sofisticado, com paredes de mármore polido e vitrais que refletiam a luz dourada do sol da tarde. O silêncio ali dentro era absoluto, quebrado apenas pelo som dos passos dos alunos e funcionários que se movimentavam com discrição. Eva sentia o peso daquele lugar enquanto caminhava ao lado de Luca e Sofia, seu coração batendo um pouco mais rápido do que gostaria de admitir. O ambiente exalava uma frieza calculada, como se apenas aqueles que realmente pertencessem a esse mundo pudessem se sentir à vontade ali. Quando finalmente chegaram ao balcão de atendimento, uma mulher de meia-idade, de cabelos grisalhos impecavelmente presos em um coque e óculos de aro fino, os recebeu com um olhar clínico e profissional. Seu nome, indicado por uma pequena placa dourada sobre a mesa, era Sra. Whitmore. "Eva Portinari?" A mulher confirmou, olhando para a tela de um computador de última geração. "Sim," Eva respondeu, mantendo a postura ereta. "Você foi admitida como estudante residente, então seu apartamento já foi designado," a mulher continuou, sem demonstrar emoção. "Aqui está seu cartão de acesso." Ela entregou um cartão magnético preto, com o brasão da academia gravado em dourado. "Com ele, você poderá pagar pela cantina, lanchonete e lojas do campus. Todas as transações aqui são feitas exclusivamente através do sistema da escola." Luca pegou o cartão das mãos de Eva e o analisou antes de devolvê-lo. "Você não precisa se preocupar com limites de gastos," disse ele. "Aja como uma Portinari que agora é." Eva assentiu, segurando o cartão com firmeza. "Também esta é sua chave," a Sra. Whitmore prosseguiu, entregando a ela uma chave prateada. "Diferente de muitas academias, aqui cada aluno tem um pequeno apartamento individual, com quarto, sala, cozinha e banheiro. Existem quatro edifícios residenciais destinados aos alunos, mas eles não são separados por gênero." Sofia e Eva trocaram um olhar surpreso. "A Excelência Academia espera que todos os seus alunos sejam maduros e responsáveis por suas próprias ações," a mulher continuou, ajustando os óculos. "Não nos envolvemos em assuntos pessoais entre estudantes. Entretanto, se uma aluna engravidar, ela e o pai da criança serão automaticamente expulsos da instituição. Portanto, aconselhamos que as alunas utilizem anticoncepcionais." O silêncio que se seguiu foi desconfortável. Sofia piscou rapidamente, parecendo incapaz de acreditar na naturalidade com que a mulher dizia aquilo. "Isso é uma escola ou uma casa de perdição?" Murmurou baixinho, mas não baixo o suficiente para que Luca não ouvisse. Luca, por sua vez, tentou conter um sorriso enquanto balançava a cabeça. "Que clima, hein?" Sofia lançou-lhe um olhar fulminante. "Se perverterem minha filha, a culpa será sua!" Eva sentiu as bochechas queimarem de vergonha . "Mãe!" Protestou, mas Sofia manteve a expressão rígida. Luca então olhou diretamente para Eva, o tom de sua voz mais sério quando disse: "Queria, não se envolva com ninguém, está bem? Ou sua mãe vai me matar." Eva sorriu, escondendo o desconforto que sentia. "Não se preocupe." A verdade era que, mesmo se quisesse se envolver com alguém, não via sentido nisso. No fundo do seu coração, ainda se guardava para Carlos, embora cada vez mais começasse a duvidar que um dia voltaria a vê-lo. ◇ Foram acompanhados por um funcionário da escola até o edifício onde ficava o apartamento de Eva. O prédio era impressionante, com uma fachada de vidro e aço, elevadores modernos e corredores silenciosos. O funcionário os guiou até uma porta numerada no terceiro andar e, com um gesto, indicou que Eva poderia entrar. Ao girar a chave e abrir a porta, deparou-se com um espaço surpreendentemente sofisticado para uma residência estudantil. O apartamento era bem iluminado, decorado de forma minimalista, mas elegante. O chão de madeira polida contrastava com as paredes brancas e os móveis modernos. A sala possuía um sofá confortável e uma pequena mesa de estudos próxima à janela panorâmica, que oferecia uma vista incrível da paisagem ao redor. O quarto era aconchegante, com uma cama grande e armários embutidos. A cozinha, ainda que compacta, estava totalmente equipada com eletrodomésticos de última geração. O banheiro era revestido de mármore claro, e Eva percebeu que, pelo menos nesse aspecto, teria conforto. Ela caminhou lentamente pelo apartamento, absorvendo tudo. Por um momento, sentiu um aperto no peito ao perceber que, pela primeira vez, estaria completamente sozinha. "É... um pouco solitário," murmurou, virando-se para Luca e Sofia. Sofia suspirou, se aproximando para ajeitar uma mecha do cabelo de Eva com carinho. "Se quiser voltar para casa nos finais de semana, pode vir sempre que desejar." Luca, por sua vez, cruzou os braços, observando tudo ao redor. "Sabe," ele disse, com um meio sorriso, "se aos dezessete anos eu tivesse um apartamento assim, acho que nunca teria saído dele." Eva riu levemente, mas a despedida iminente começou a pesar. Sofia segurou as mãos da filha com força. "Se precisar de alguma coisa, me ligue, está bem?" Sua voz já soava carregada de emoção. Eva assentiu, tentando segurar as próprias lágrimas. "Eu sei, mãe." Luca colocou a mão no ombro de Eva e apertou de leve. "Seja forte, querida. E lembre-se, você é uma Portinari agora." Ela engoliu em seco e sorriu. "Eu sei." Sofia, incapaz de segurar as emoções, abraçou Eva com força, demorando-se mais do que o normal. "Minha menina..." murmurou, sua voz embargada. "Eu vou ficar bem, mãe," Eva garantiu, tentando parecer confiante. Luca então bagunçou levemente o cabelo dela, sorrindo de um jeito que tentava esconder a preocupação. "E não se esqueça, nada de se envolver com garotos." Eva sorriu, brincando: "E se ele for milionário e herdeiro de um império?" Luca riu, balançando a cabeça. "Nesse caso, considere-o, mas me apresente primeiro." A despedida foi difícil. Sofia ainda olhou para trás algumas vezes antes de desaparecer pelo corredor, e Eva ficou ali, parada na porta do apartamento, sentindo o peso de sua nova realidade. Quando finalmente fechou a porta, suspirou fundo. Estava sozinha agora. Ela se jogou no sofá e encarou o teto. Uma nova vida estava apenas começando. O que ela não sabia, porém, era que seu passado estava mais próximo do que jamais imaginara.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD