Capítulo 4: A Aposta

2231 Words
Chase realmente sentia algo dentro dele renascer. Seu peito ainda estava afogado em dor e ele não gostava da ideia de trabalhar, pelo menos, não até conhecer a mulher que lhe ensinaria tudo o que era necessário naquele ramo. Era estranho pensar aquilo, pensar em Celine de qualquer outra forma. Eles tinham tido uma convivência muito breve anos atrás e ela não parecia estar tão atraente quanto naquele instante. Era como se tivesse atingido o auge da sua beleza, ainda que fosse capaz de trazer mais sensualidade e experiência para qualquer homem que a tivesse nos anos seguintes. Seu pai sempre lhe mencionava com muito carinho e Grace também tinha apreço por ela, mas ninguém tinha mencionado as maçãs altas de seu rosto e sua pele bronzeada e sem rugas aparentes, e também o rosto oval que tinha uma beleza singular, ou mesmo seus olhos marrons escuro que carregavam uma energia que parecia capaz de sugá-lo. Além de tudo isso, ela tinha lábios grandes e finos que lhe imploravam pelo seu toque e também seios fartos que nem mesmo aquele terninho discreto era capaz de esconder. Chase estava decepcionado que todos haviam lhe escondido o diamante que tomava conta de sua futura empresa. — Senhor Raymond... Começou, advertindo-o. — Ah, me desculpe diretora Whitney. Ouvi-lo pronunciar seu sobrenome a deixava ligeiramente desconfortável, mas não de uma forma repulsiva e sim agradável. Havia algo no tom de voz profundo dele que a fazia se sentir uma garota novamente. Ela precisava conter isso, afinal era uma mulher casada. E muito bem casada. — Bom, nos vemos amanhã, então? — É claro. Estou ansioso para começar esse trabalho. — Tenho certeza que aprenderá muito por aqui. — Sim, aprender... Chase complementou, com a voz lenta, e se levantou. Ela fez o mesmo e o cumprimentou. A mão macia e forte dela apertando a mão suada de nervosismo, deu a ele a única sensação de toque que teria durante longos meses. Celine ignorou o arrepio que percorreu seu corpo quando suas mãos se tocaram. Ela engoliu em seco a tensão que emanava de seu corpo e certamente tinha a ver com o calor que fazia e não com o rapaz que trabalharia pra ela pelos próximos três meses. Quando ele saiu, ficou pensando se isso seria um problema. Mas devia ser apenas o calor do momento e a excitação de trabalhar com alguém de áurea diferente. Uma pessoa que não chegou bajulando-a e a enchendo de elogios como se ela fosse uma criança que precisava ter o ego alimentado ou ser mimada. Quando o expediente acabou, ela retornou para casa. Alguma coisa tinha se acendido, pois a vontade que não teve para fazer sexo pela manhã, surgiu como um raio quando ela chegou em casa. — Victor? Meu amor, está em casa? Ela subiu as escadas e o encontrou ajeitando a gravata no quarto. — Oi, como foi seu dia? Ela foi até ele para beijá-lo. Suas mãos já estavam segurando seu paletó, com total intenção de tirá-lo, mas ele deu um passo pra trás e se inclinou para um selinho rápido. Celine ficou sem entender nada com seu movimento. Seus lábios ficaram parados no ar, esperando por mais. Porém ele não parecia estar tirando a roupa. — Tudo ótimo, como sempre. — Vai sair? Pensei em preparar algo especial pra nós. — Eu preciso ir em uma reunião agora de noite e não posso desmarcar. Você sabe como são esses políticos e empresários, não gostam quando remarcam nada. Agenda lotada, essas coisas. A agenda dele também vivia lotada para ela, que da mesma forma tinha suas ocupações e nunca reclamava. No entanto, era frustrante chegar em casa e seu marido já está saindo a trabalho novamente. Não era como se Victor Meyer, um advogado de renome e com família prestigiada, precisasse de se matar de trabalho. — Ah, claro. Ela ficou lá, parada como uma pessoa sem a menor importância, vendo ele pentear os cabelos lisos e castanho. Não era a primeira vez, claro, aquilo tinha acontecido dezenas de vezes, mas de repente, tinha ganhado um significado maior. Ela estava toda empolgada e a fim de esquentar as coisas entre eles e parecia que tinha tomado um banho de água fria com pedras de gelo dentro. Ou talvez ela estivesse finalmente dando importância pra aquilo e percebendo que ambos viviam demais para o trabalho e menos para si mesmos. Claro que, no caso do Victor, seu trabalho não era relacionado a seu escritório de advocacia ou qualquer coisa do tipo. Ele adorava inventar aquelas desculpas de jantar de negócios para poder aproveitar a noite em algum hotel cinco estrelas com uma amante diferente em cada ocasião, sem que sua excelentíssima esposa soubesse. Ele saiu sem formalidades, dando apenas um beijo em sua bochecha e prometendo não deixar que os rapazes fizessem ele ficar bêbado e voltar tarde para casa, como ocorrera diversas vezes antes. Celine voltou para seu quarto quando ele saiu. Passando as mãos nos braços e sentindo-se sozinha na enorme casa, ela providenciou um banho quente na banheira e tentou relaxar por algumas horas, enquanto seu marido não chegava. O que antes eram minutos, se tornaram horas intermináveis. Ela tinha começado uma leitura e passou tanto tempo, que ela chegou na página final, com a pele enrugada e a água fria. Finalmente saiu, irritada, pois já passava da meia noite. Não iria fazer que nem muitas de suas colegas que preferem esperar o marido acordadas. Victor sabia que isso não combinava com ela. Ainda assim, para dormir foi um problema. Levou mais uma hora ou duas rolando pela cama, até que o cansaço do corpo falou mais alto e os olhos se fecharam por algumas horas. Quando ela conseguiu levantar da cama, seu esposo não tinha retornado ainda. Furiosa, ela ligou para ele, que naturalmente, não atendeu ao telefone. Seu extinto dizia que não devia ficar brava, afinal algo poderia ter acontecido. Mas sua mãe sempre dizia que notícia ruim chegava logo e, de alguma forma, ela pressentia que Victor não tinha tido qualquer problema de saúde para não ter chegado em casa ainda. No entanto, alguma coisa tinha acontecido e ele explicaria isso quando voltasse. A vantagem de ser a diretora executiva, era que você podia chegar atrasada sem dar satisfações a ninguém, com exceção claro, no caso de reuniões marcadas com sócios ou clientes. Então, quando ela finalmente conseguiu chegar na empresa, todos se surpreenderam com seu atraso. Durante anos, ela tinha sido extremamente pontual. Por vezes, passava horas a mais na empresa e mesmo assim, chegava cedo no outro dia. Mas Celine não tinha o mesmo gás de antes e, sinceramente, não precisava ter. Felizmente, ela sabia bem compensar qualquer horário perdido. — Deseja alguma coisa, diretora? Sua secretária, Mia, indagou enquanto ela caminhava até a sala. — Tente ligar para o escritório do meu marido e veja se já teve notícias dele. Caso não, me avise. — Precisa de um pouco de café? — Sempre preciso. Celine entrou em sua sala e um homem de cabelo grande e sorriso encantador estava sentado no sofá, logo ao lado da porta. — Bom dia, diretora. Espero ter... — Nunca entre na minha sala sem minha permissão. Chase ficou calado, sem saber o que dizer de primeira. Costumava sempre saber o que dizer ou fazer para agradar uma mulher, mas Celine Avis Whitney não era uma mulher fácil de agradar e ele já devia saber disso. No dia anterior quando chegou em casa, sua mente se projetou o tempo todo no olhar e no toque dela. Durante o jantar, sua mente estava divagando naquela entrevista e ele quase não tocou em nada. Seus irmãos estavam cabisbaixos, graças a má notícia que o pai havia dado a eles mais cedo. Horas mais tarde, Aiden apareceu em seu quarto. — Ei, tá legal? O rapaz parou na porta, de braços cruzados. Ele tinha herdado vários traços da mãe, principalmente a beleza natural e o olhar calmo e profundo, de quem sabia mais de você do que você mesmo. — Essa história toda... Bom, difícil ficar. — É, eu sei. Chase tirou a camisa e começou a arrumar o cabelo em frente ao espelho. — Cadê a Grace? — Conversando com o papai. — Isso ainda parece loucura. — Pois é. Eu fiquei sabendo que vai trabalhar com a Celine, é verdade? Chase parou e encarou o irmão, deixando um sorriso escapar. — Sim, mas ela não sabe que sou eu. — Não te reconheceu? — Eu estava de peruca e com óculos enormes. Invenção do papai. Aiden riu, quase perdendo o ar só de imaginar a cena. — Não acredito que perdi isso. O irmão mais velho deu de ombros, voltando a pentear seus fios. — Além do mais, a gente se viu bem pouco. Eu mesmo não sabia que ela era tão gostosa. — Sempre foi. Mas agora tá mais. Só não sabia que era seu tipo. Sempre prefere as novas ou novos da sua idade. — Ela não é tão mais velha assim, só alguns anos. E nem parece. Sinceramente, se ela não fosse casada... — Com aquele Victor que trai ela? Eu espero que não durem muito tempo. Chase parou seus movimentos e se virou para o irmão, com o olhar totalmente focado nele e em suas últimas palavras. — Ele trai ela? Ele perguntou, tomando muito cuidado com cada palavra que precisou pronunciar, ainda desacreditado. — Sim, um monte de gente sabe, só ela que não. Ah, você sabe, o corno é o último a saber. Aiden deu uma pequena risada, enquanto Chase ficou olhando para o nada, pensando. Talvez aquilo ajudasse a facilitar as coisas pra ele. Duvidava muito que Celine fosse o tipo de mulher que trairia o marido, mas se soubesse que ele fazia isso há muito tempo, talvez quisesse uma vingança, nem que fosse apenas por uma noite. Para ele, bastava. Uma única noite com ela em seus braços era suficiente para se sentir um homem de poder. Nenhuma outra pessoa iria lhe escapar depois de conquistar a tão desejada, cobiçada e inacessível Celine Avis Whitney. — O quê está se passando na sua cabecinha diabólica, irmão? Indagou Aiden, dando um passo a frente. — Ela precisa saber. — É claro, mas sem provas, é difícil uma pessoa acreditar. — Então preciso criar uma situação de flagra. — Mesmo que isso aconteça, eu duvido que você consiga algo com ela depois. — Por que? — Você mesmo viu, acha que um mulherão daqueles vai dar mole pra você? Principalmente com essa coisa ridícula de peruca e óculos. Não vai colar. Chase ponderou a fala do irmão, tendo que concordar. Com aquele visual, não dava pra Celine levá-lo a sério mesmo que ele comprovasse as traições de seu marido. Ele teria de usar todo seu charme para envolvê-la em sua teia. — E se eu consegui? — No que está pensando? — Proponho uma aposta, irmãozinho. Aiden balançou a cabeça em negação. — Eu até curto, mas isso é brincar com a vida dos outros, Chase. Ele sabia que, para entrar no jogo, a aposta deveria ser alta. E a única coisa que interessava o irmão além de dinheiro, era poder. Qualquer tipo de poder. Não precisava nem mesmo exercê-lo. Ele seria um homem típico com um título, mas que não faria absolutamente nada de diferente com ele. Usaria por puro status e luxúria. — Se até antes do meu casamento, eu não consegui ficar com a Celine, a empresa será sua, depois que papai morrer. A maior porcentagem, no caso. — Mas que merda de proposta é essa? Aiden ficou sério, as sobrancelhas grossas visivelmente surpresas com o que seu irmão estava propondo. Principalmente porque era desejo do pai que Chase tomasse conta de tudo e ele estava, mais uma vez, tratando tudo com certa irresponsabilidade. — Vai ser uma aposta pra valer. Você sabe que sou quase viciado em desafios, Aiden. E você usou as palavras proibidas "eu duvido". Chase tinha um sorriso marcante no rosto, de pura malícia. Aiden ficou olhando pra ele, se perguntando se aquilo era real. — Tá brincando comigo? Você tem noção do que está propondo? Isso não é uma aposta juvenil e ridícula de tirar o BV de alguém como já fizemos inúmeras vezes. Isso é o nosso futuro. — Se você perder, sua porcentagem vem toda pra mim. Além disso, você terá de fazer tudo o que eu quiser por um ano. Aiden não corria de uma aposta. Em toda sua vida, nunca escapou de nada que lhe parecesse vantajoso, com exceção de casos que pudesse ferir verdadeiramente alguém. Ele tinha limites e não era chegado a causar sofrimento exagerado em outra pessoa, no entanto, naquela circunstância, o sofrimento de Celine era inevitável. Ela iria descobrir e pelo menos, daquela forma, talvez ela tivesse algum consolo. — Você é louco. Mas eu também sou. Aiden cuspiu na mão, uma forma de selar o acordo feito entre eles. Chase deu um sorriso e fez o mesmo, apertando a mão do irmão. — Lembrando, você não pode contar. Eu terei até meu casamento pra arranjar como farei isso. — Tudo bem. E não vale apenas beijo, tem que rolar sexo de verdade. A deixe feliz por pelo menos alguns segundos. — Farei isso como ninguém nunca fez, lhe garanto.
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