Capítulo 5: Confidencial

1863 Words
Chase não tinha uma resposta adequada. Não sabia mais como se portar mediante as ordens que precisava obedecer. Regras que deveria seguir. E até questões morais as quais deveria saber, como por exemplo, não entrar na sala da sua chefe sem a permissão. — Me desculpe, diretora, não foi minha intenção invadir sua privacidade ou algo do tipo. Eu sou um pouco novo nisso, espero que possa me desculpar. — Tem um pequeno manual no contrato que foi enviado por e-mail, sugiro que leia. Ela caminhou até sua cadeira. Chase não conseguiu desviar os olhos do seu corpo escultural nem mesmo quando ela sentou e ficou encarando-o. — Senhor Neil? Fui clara? — Ah, sim, claro. Eu vou ler sim. — Eu sei que pode parecer um pouco de rigidez excessiva, mas acredite, você vai entender que regras são importantes e mantém isso em ordem. Claro que meus funcionários têm mais liberdade do que o normal para algumas coisas, porém o mínimo de controle é importante. — E o que seria essas coisas? — Eles param para o almoço a hora que querem. Escolhem seu turno, tem liberdade para mostrar suas ideias e podem abusar de sua criatividade, desde que não causem nenhum problema ou passem por cima de ordens pré estabelecidas. Tem algumas outras coisas, mas aos poucos você saberá tudo. Chase estava ficando satisfeito em ver que havia uma áurea mais leve naquela empresa do que em qualquer outra. A princípio talvez não pareça muito diferente ou especial, mas a maioria no mundo corporativo não lhe dá chances de explorar seu lado criativo e expandir suas ideias com tanta liberdade, assim como fazem questão de cronometrar cada detalhe da vida do funcionário. Aquela conversa estava estimulando-o a pensar em ideias para deixar aquele ambiente mais moderno, saudável e agradável quando ganhasse a aposta e assumisse a empresa. — Ficarei atento a tudo isso, com certeza. — Ótimo. Bom, temos dois eventos importantes na mesma semana. O meu último estágiario mexeu na minha agenda e deixou as coisas muito bagunçadas, será preciso fazer alguns milagres. — Vocês não têm, tipo, outras pessoas que realizam esses eventos? — Sim, claro, temos alguns profissionais excelentes aqui. Mas somos um time grande, senhor Raymond Neil. Há pessoas que cuidam exclusivamente da escolha de flores, jarros e tipos de escultura que devem ter. Outras que trabalham na escultura particular de cadeiras ou mesas de madeira, que são pedidos muito comuns em eventos de grande porte. Há também quem cuida do buffet, escolhendo e provando a dedo cada prato a ser servido dias antes. E claro, contratando os melhores chefes para cada especialidade. Temos também estilistas de renome que exigem assistentes a todo momento e, muitas vezes, esse é um detalhe que dá muito trabalho. Imagina vestir 100 pessoas que vão a um baile de gala de famosos? Pessoas como Angelina Jolie, Michael B. Jordan, Selma Hayek. Alguns têm seus próprios estilistas, mas oferecemos todos os tipos de serviços aqui. Não era à toa que seu pai precisava que ele aprendesse com a melhor. Era coisa demais para memorizar e trabalhando com algo mais específico, talvez fosse difícil compreender a escala de trabalho que era oferecida ali. Pelo que tinha escutado falar antes, algumas daquelas pessoas organizavam vários eventos na mesma semana, sempre com um cuidado rigoroso. — Uau, nossa, não sabia que era assim. Quer dizer, é muito mais gente do que eu pensava. — Bom, há casos e casos. Nós já fizemos casamentos de diversos famosos e pessoas milionárias, políticos, empresários, etc. E as vezes o trabalho é bem mínimo, independente do custo. Outros que exigem muito mais. Nós organizamos diversos eventos de televisão. Muitas vezes cuidamos dos designers de programas de televisão que vão ao ar todo dia. Construímos também condomínios e casas de luxo com uma enorme equipe de arquitetos e construtores especializados. — Isso vai além do que eu esperava. Celine deu de ombros, voltando seu olhar para o computador, mas sem perder o fio da meada em suas palavras. — É como disse, nós criamos memórias aqui. E isso fica pra sempre. Quando alguém vem até nós, lhe oferecemos os melhores serviços do Hemisfério. Alguns são produzidos exclusivamente por mim, mas estes são raros. Esses dois que precisarei fazer, são desse tipo. Teremos um desfile com centenas de famosos envolvidos e depois um casamento de duas celebridades também. — E quem seriam? Indagou, com a voz curiosa. Celine deu um sorriso de canto, tentando conter sua empolgação. — Eles não querem vazamento, por isso essa informação só será dada pra equipe no dia. — Mas você sabe quem são, não é? — Logicamente. — Então não poderia me contar? Ela balançou a cabeça, parecendo indignada. Aquele rapaz realmente não sabia de nada daquele mundo de celebridades. — Claro que não. Existe um contrato de fidelidade, tipo advogado e cliente, compreendeu? Não poderia, de forma alguma, revelar isso a qualquer pessoa. — Vocês levam isso a sério mesmo. — É claro. Se trata de vidas. E de seus futuros. — Mas ninguém os vê entrando? Não comentam? — Temos a modalidade onde realizamos uma visita exclusiva e confidencial na casa do cliente ou nos falamos por telefone e formalizamos tudo por e-mail. E claro, temos uma garagem privativa e até mesmo um heliponto, que permite a chegada diretamente a minha sala sem que ninguém além da minha assistente veja. Chase estava assustado e surpreso, nem mesmo podia imaginar que a empresa de seu pai tinha criado um modelo de exclusividade a prova de falhas tão bom. Muitos locais como aqueles tinham essa confidencialidade, claro, mas vez ou outra rolava algum vazamento. E apesar de não ser muito antenado no mundo dos famosos, não se recordava de nenhuma notícia sobre vazamento que tenha envolvido a empresa. Certamente seu pai teria arrancado os cabelos se algo do tipo fosse noticiado. — Cacete, vocês pensaram em tudo mesmo. Mas assim, sua assistente...? — A Mia? Ela está sob contrato. Além do mais, confio bastante nela. Trabalha há bastante tempo aqui. Quase tanto quanto eu e se dedicou muito. Um dia espero poder promovê-la, mas até lá, sou dependente daquela mulher. — Diretora, preciso dizer, estou impressionado com seu trabalho. Sua mente é brilhante. Nunca tinha visto um sistema tão único e seguro como este... Chase usou uma voz um pouco mais lenta, dando sensualidade em cada palavra que saía de sua boca. Celine estava focada demais no computador para prestar atenção na tentativa frustrada de conquista de Chase. — Obrigada. Mas algumas ideias foram dadas por outros funcionários, os créditos são deles também. — Claro, claro. Mas há alguma coisa... — Imagino que seja bom em projetar coisas. Lugares, sabe. Ela o interrompeu, intercalando o olhar entre a tela do computador e o papel, enquanto escrevia alguma coisa. — Bom, eu fiz faculdade de arquitetura e... — Ótimo, isso deve ajudar. Preciso saber quanto espaço vou precisar pra esse desfile. Tem uma lista no seu e-mail com as dimensões de tudo que deve ser usado, de acordo com o padrão de desfiles, é só analisar e fazer alguns cálculos. Consegue? — Claro, eu... — Perfeito. Preciso disso em uma hora. Estarei em uma reunião. Pode deixar em cima da minha mesa quando terminar. A Mia deve te mostrar o ambiente onde vai ficar. Ela levantou e saiu, sem dar a ele chance de dizer mais nada. Chase ficou incomodado novamente, por não ter nem mesmo despertado nada dentro dela. — Diretora Whitney? Sem resposta. A empresa disse que não sabe onde ele possa estar. A secretária dele informou. Mia comunicou, quando Celine saiu da sala e parou de frente pra ela. — Ah, que merda. Acha que eu deveria ficar preocupada? — Eu acho que não. Ele deve estar bem. Só dormiu demais em algum lugar. Celine não era do tipo ciumenta ou possessiva, mas começava a se questionar onde ele poderia ter dormido tão bem que passou do horário. — Estarei em reunião. Mostre a salinha do senhor Raymond. E me avise se tiver qualquer novidade. Ela caminhou até a sala de reuniões, repleta de dúvidas, se perguntando principalmente se conseguiria prestar atenção em qualquer coisa dita por qualquer um dos acionistas idiotas e arrogantes. Sem saber se seu marido estava bem, duvidava muito que fosse útil aquela tarde. Mas precisava dar um jeito nisso. Sabia que todos ali só esperavam que ela falhasse uma única vez para jogá-la aos leões. E por mais que Alberto seja um homem que se tornou um amigo, ela sabia que, pelo bem dos negócios, ele a jogaria para os leões e ainda os faria usar seus ossos como palito de dente. A única coisa que ele apreciava mais do que o trabalho, era sua família. A perda da esposa o desequilibrou e ela temia que o mesmo acontecesse com ela. Chase estava andando de um lado a outro, na sala de Celine, no telefone. — Você fez o quê? — Não, sem sermão agora Travis. Você precisa me ajudar. Eu só fiz uma tentativa, mas geralmente minha voz sensual deixa qualquer pessoa hipnotizada. — Isso é um exagero. — Ah, você acha? Bom, eu podia testar com você. Ele deixou as palavras saírem lentamente de sua boca, com rouquidão, quase como se estivesse sussurrando no ouvido de Travis. O amigo deu um suspiro. Ele odiava quando Chase o provocava daquele jeito. — Humm, okay, talvez funcione. Mas ela é a Celine. Não acredito que fez uma merda de apostas dessas. — Eu tenho três meses, okay? É tempo mais do que suficiente para conquistar uma mulher. — Meu amigo, você está acostumado a conquistar alguém no segundo drink. Acontece que Celine Avis Whitney não é uma pessoa chegada a bebidas fortes. — É, você está certo. — Vai precisar ir com muita calma. Primeiro, trate de conhecê-la. Ouvi-la um pouco mais. Seja prestativo. Mulheres como ela gostam de pessoas que dão seu melhor no trabalho, sem medo de se arriscar, que mostram serem competentes e que no final da noite, ainda tenha disposição pra uma boa foda. — c*****o, você devia ensinar pros heteros a arte da conquista. Travis deu uma risada do outro lado da linha. Chase finalmente sentou, na cadeira que ficava de frente pra mesa da Celine. — Não, eles usariam pra coisas nojentas, em geral. Você é metade hetero e olha a merda que está fazendo. — Eu sou Bi, é um outro patamar, meu amigo. — Enfim, isso não importa. Eu acho isso uma tremenda idiotice. Você vai se machucar e machucar ela também. Mas quando você quebrar seu coração, ainda estarei aqui, pra te dar umas boas palmadas. E também um abraço. — Obrigado amigo. Eu sei que você me acha um babaca agora... Alguém deu dois toques na porta e abriu. Era Mia Hopkins, secretária da Celine. — Você está sendo mesmo. Ele a ignorou, terminando sua fala. — Mas obrigado por me ajudar mesmo assim. — O que a gente não faz pelos amigos? — Eu preciso ir. Nos falamos mais tarde. — Boa sorte aí. Ele desligou e se virou pra Mia. — Vou te mostrar seu espaço.
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