Aiden continuou inquieto durante o restante da tarde. Volta e meia aparecia no corredor, na torcida de ver a chegada de Chase. Quando a noite chegou, ele não aguentou de ansiedade e foi até o quarto do irmão. Mas parou logo na porta, pensando se poderia estragar tudo. Mesmo sendo improvável, não tinha como saber se Chase e Celine não estavam ali. Então ele bateu na porta ao lado, encontrando um Travis quase despido, exceto pela toalha que cobria a linha abaixo da cintura.
— Ah... É... Chase... Chase voltou sozinho?
— Sim. Pode bater na porta.
— O-obrigado.
Aiden tinha ficado extremamente nervoso ao se deparar com os músculos do lado de fora de Travis. Nunca tinha o imaginado daquela forma, com tantos atributos musculosos e um volume tão...
— Aiden?
Chase abriu a porta. Aiden tinha batido na porta, mas ficara com os pensamentos presos na imagem que vira a segundos atrás. Não era a primeira vez que via cenas do tipo, mas não estava preparado para aquilo.
— É... Eu posso entrar?
— Sim.
Ele entrou, tentando manter a mente no lugar. Havia algo muito importante em jogo.
— Então, conseguiu encontrá-la?
— Sim. Mas se quer saber, não vou dizer nada do que aconteceu ou como vai achá-la.
— Ah, qual é!
— Não tive ajuda pra isso, amanhã você se vira.
— Ok, tudo bem. Mas foi bom? Ela ainda é uma mulher atraente que esconde muito bem em seus terninhos?
Chase não tinha gostado muito da forma como seu irmão havia pronunciado aquelas palavras, se referindo a ela como um objeto a ser apreciado e degustado, mas concordou com um aceno de cabeça. Talvez ele devesse ter pensado naquilo tudo antes de propor uma aposta daquelas.
Aiden observou a inquietude do irmão, sua falta de entusiasmo. Normalmente Chase estaria rasgando elogios para sua acompanhante, fazendo teatro com cada sorriso que tenha conseguido tirar de sua conquista e se vangloriando por ter a confiança de sua pretendente, mas ele estava calado, absorto. Talvez o resultado daquele dia não tenha sido como ele esperava. Provavelmente tinha sido mais difícil conquistar a atenção de sua chefe do que ele imaginava. Ou isso ou ele estava incomodado com alguma coisa.
— Está tudo bem, Chase?
— É claro.
O Barnes mais velho já tinha tomado banho e estava de cueca quando abriu a porta para o irmão. Enquanto Aiden parecia prestes a perceber o que estava rolando, ele vestia uma calça.
— Não parece. Você não tá falando muito.
— Sabe o que é, eu tô cansado. Não tem ideia de como foi difícil procurar aquela mulher e depois conquistá-la. E aturar ela também não foi fácil. Muito trabalho, você vai vê.
Aiden acreditou naquilo, tanto que saiu do quarto preocupado se indagando sobre como encontraria e faria para ela confiar nele.
Já Chase, ficou arrependido de cada palavra que havia dito. Mais uma vez, ele tinha mentido. Mas a pior parte era que sabia que aquele era apenas o primeiro dia e precisaria fazer aquilo muitas vezes ainda.
No dia seguinte, Aiden tinha planos para acordar um pouco cedo e se arrumar. Acontece que ele tinha dormido muito mal e quando finalmente pegou no sono, já era de dia. Ele levantou correndo quase meio dia, se arrumando muito rápido e saindo correndo do hotel. Não tinha nem ideia de por onde começar.
Ele iniciou uma corrida na praia próxima do hotel, na esperança de encontrá-la, mas não deu certo. Depois passou nos principais restaurantes, olhando por todos os lados antes de sentar em uma mesa. Acabou não sentando em nenhuma, até chegar às 14h e ele desistir de procurá-la de barriga vazia.
A tarde, Aiden ficou vagando pela ilha, em busca do seu bilhete premiado que ele teria de conquistar. Ele desistiu no final do dia, concluindo que não a encontraria mais.
O que Aiden nem fazia ideia, era que os planos para Celine se alteraram. Primeiro, ela passou duas horas esperando na porta do hotel, na tentativa de reencontrar um certo mergulhador. Mas ele não apareceu. Celine deixou um recado para o gerente do hotel, só para o caso de algum Stevenson Jones aparecer. Logo nos primeiros minutos depois de sua saída, Victor desceu para ir de encontro a sua outra amante. Como ele estava saindo pela área de serviços, não encontrou sua esposa no saguão.
Ela então decidiu fazer uma caminhada pela praia, seguida de um almoço rápido no restaurante do próprio hotel. Naquele dia, ela resolveu que ficaria pela área da piscina dali mesmo. Mas antes, retornou ao quarto, na esperança de convencer seu marido a acompanhá-la. E então, a surpresa. Victor não se encontrava em seu quarto. Ela decidiu que não iria se preocupar com aquilo, apenas retornou pra área da piscina.
Aproveitando o dia com o tempo mais nublado, ela apenas deu alguns mergulhos na piscina e ficou relaxando em uma das espreguiçadeiras, enquanto lia. Provou diversos aperitivos servidos pelo hotel e tirou a tarde toda pra finalizar o livro "Morte no Nilo".
Enquanto isso, Chase não conseguiu fazer nada. Travis ficou com ele o tempo todo, tentando colocar algum filme para distrai-lo, pedindo alguma comida e bebida diferente a cada meia hora, na tentativa fracassada de animar seu amigo.
Ele tinha receio que Aiden fosse mais autêntico, que não usasse tantas mentiras como ele precisou usar, e que isso fosse suficiente para conquistar a confiança e o desejo dela.
— Não devia ficar assim, Chase. Ela não vai cair na lábia dele.
— O Aiden pode ser bem persuasivo quando quer.
— Mesmo assim. Ela é uma mulher fiel. Sinceramente, não acho que ela vai cair na sua, quanto mais na dele. Mas ainda sim, se ela fosse trair ou dar o troco no marido com alguém, com certeza seria você.
— Por que acha isso?
— Porque é o irmão mais gato.
Chase deu um sorriso fraco, tentando encontrar algum ânimo. Aquela angústia toda estava deixando-o deprimido e incomodado com seus reais sentimentos. Aqueles mesmos que ele não queria pensar.
— Se bem que a Grace é linda pra caramba. E o Aiden não é de se jogar fora.
Travis pensou um pouco alto demais, porém como tinha imaginado, aquilo conseguiu arrancar uma pequena risada de Chase.
— A Grace saberia o que fazer uma hora dessas.
— Se contar pra ela, sabe o que vai acontecer. Ela e a Celine sempre se gostaram muito. Ela ficaria puta da vida com o que vocês estão fazendo.
— Ela vai ficar, quando descobrir. Ah, que merda! Por que inventei de fazer uma aposta?
— É o que tô me perguntando desde o início.
Travis sabia que sua missão ali era fazer o amigo se sentir melhor, talvez menos culpado, porém não conseguia de forma alguma concordar ou defendê-lo em uma situação daquela. Ele bem que tentava ajudar, porém não conseguia. Mas talvez aquilo fosse bom, talvez a culpa fizesse com que Chase percebesse os erros que estava cometendo e tentasse consertá-los. Ainda tinha tempo.
Havia coisas mais importantes que ele deveria estar se preocupando, como a doença de seu pai e seu casamento arranjado. Mas ele simplesmente não conseguia. E provavelmente por esse motivo seu pai tenha lhe feito tantas exigências para assumir a empresa. Ele não tinha mesmo responsabilidades e qualquer senso de racionalidade. Alberto estava certo em querer que o filho mudasse, talvez só não tivesse feito isso da melhor forma possível.
O dia terminou com Aiden frustrado, furioso por ter perdido um dia inteiro a procurando e falhando miseravelmente. Nem mesmo tivera a chance de se divertir em meio àquela busca desenfreada. Ele retornou ao seu quarto de hotel, cabisbaixo, exausto e com fome. Sua cama parecia convidativa, então ele deitou e relaxou. Pediu algo para comer depois e adormeceu vendo TV.
Chase continuou inquieto. Começou a roer as unhas e quase foi ao quarto do irmão várias vezes, com o intuito de saber se tinha encontrado com ela e o que teriam feito. Mas teria de esperar até o dia seguinte. Ele acabou dormindo quando a exaustão o dominou.
Já Celine, aproveitou o sol durante toda a tarde e terminou o livro. Ela retornou para o quarto, na esperança de que o marido tivesse voltado e ambos pudessem sair para aproveitar uma noite juntos, no entanto, ele não estava. Ela ficou lá por quase duas horas, arrumando o cabelo cuidadosamente, passando hidratantes em sua pele, tomando um banho quente e relaxante, maquiando um pouco a pele, mas era quase 19h e Victor ainda não havia reaparecido. Ela saiu do hotel e foi sozinha a um restaurante próximo, jantar. Enquanto esperava o pedido chegar, ela ligou para Selma.
— Ei, Celine! Você me ligando uma hora dessas?
— Oi mana. Eu acho que meus planos já eram.
— O que houve?
Celine segurou o choro. Ela estava tentando ser forte, mas aquela rejeição não lhe fazia bem.
— Eu... A ideia era resgatar meu casamento, sabe. Mas esses dois dias o Victor não me deu atenção nenhuma. Nem sequer quis sair comigo.
— Oh, meu amor. Não fica assim. Essas férias são suas. Você é quem deve aproveitar.
— Eu sei, mas não é possível que por causa de uma coisa tão boba ele não queira sair comigo. Isso aqui é tão incrível e ele sequer faz questão de estar comigo. Eu estou sendo boba? Talvez seja minha culpa.
Selma odiava aquele típico padrão de comportamento onde a mulher se submetia tanto e acabava se culpando por alguma coisa ter dado errado. Naquele caso em específico, era difícil expressar a sua irmã sua indignação, porque ela era a verdadeira vítima. Ela sentia que não valia a pena. Que seu marido não tinha interesse suficiente em passar algumas horas ao lado dela. E por não ter sido a mesma mulher que fazia questão de buscar o café do marido todos os dias, quando ela era quem devia estar sendo mimada e curtindo suas férias, ele simplesmente decide que não vai fazer esforço algum por ela.
Porém, no fundo Selma sabia, aquilo era apenas uma desculpa pra verdadeira motivação dele ter ido parar nas Maldivas. Victor nunca quis reviver seu casamento. Ele nem sequer pensava nisso. Seu objetivo provavelmente era a diversão com sua amante. E com todas aquelas coisas acontecendo, não era possível que Celine se mantivesse cega as escapadas dele.
— Você sabe porque eu não sou casada? Eu mantenho meu espírito livre. Se um dia eu encontrar alguém bacana que seja meu companheiro de verdade, que me ajude em cada momento e fase da minha vida, eu serei totalmente dele ou dela. Um casamento é uma parceria meu amor. Não um acordo de escravo e Senhor. Uma coisa é você querer agradar seu marido, fazer uma surpresa, ou até mesmo criar uma rotina de levar café pra ele. Outra é ele achar que isso deve se tornar lei e que a punição para o não cumprimento seja te ignorar. Você é uma mulher forte, inteligente e independente, Celine. Comece a pensar com sua cabeça e a observar as coisas.
Celine respirou fundo, não deixando de absorver as palavras da irmã. Selma tinha total razão sobre tudo que tinha dito. E aquilo só abriu ainda mais as portas que ela estava destrancando.
— Ontem ele chegou com um perfume diferente... Pode ser paranóia minha, não sei. Ele pode ter encontrado alguém e abraçado, e o perfume pegou. Não quero julgar, sabe? Mas ao mesmo tempo, é difícil não pensar o que pode estar acontecendo.
Do outro lado da linha, Selma precisou tirar um pouco o telefone do rosto pra comemorar de alegria. Ela deu um gritinho abafado e quase soltou fogos. Finalmente sua irmã começava a ver os sinais.
— Selma? Você está aí?
— Sim! Ah, me desculpe. Eu não consegui me conter. Celine, há muito tempo que eu desconfio do Victor, mas como não posso provar, fiquei quieta. Agora você mesma pode descobrir.
— Então, você acha mesmo que...
— Sim! Irmã, me desculpe, mas sim. Tenho certeza. Só não sei como ele fez essa situação acontecer aí, na ilha, mas sim.
O mundo de Celine parece que tinha paralisado. Ela não conseguia acreditar. Mas ao mesmo tempo, fazia total sentido. Estava bem na sua frente o tempo todo. Ela claramente estava sendo traída.