Capítulo 13: Mergulho

2415 Words
Aiden conseguiu dormir durante algumas horas, mas quando acordou, ficou inquieto. Não tinha ideia do que iria fazer para conquistá-la. Ela era uma mulher atraente, inteligente e divertida, de acordo com seu próprio irmão, e ainda que ela fosse o tipo dele, não tinha ideia de como atrai-la. E sua preocupação era que Chase a conhecia. Dois meses era tempo suficiente para conhecê-la, mesmo que ela não tivesse aberto qualquer margem para uma relação além da profissional. Ainda sim, ele estaria com a vantagem. A lancha ficou ancorada. Todos caíram na água e depois de mais algumas breves instruções, eles estavam prontos para mergulhar. O pessoal começou o mergulho e antes de irem, Chase segurou na mão dela e a puxou para perto. — Escuta, pode ser difícil no começo, mas lembre que eu estou aqui, ok? Eu sei que não nos conhecemos, mas pode confiar em mim, senhora Whitney. Celine podia dar uma lição de moral a ele sobre o senhora ou simplesmente se aventurar naquela loucura e viver o que seria uma das experiências mais incríveis da sua vida. Ela escolheu a segunda opção. Além do mais, quando ele dizia daquele jeito, não parecia tão ruim como de costume. Ela apenas concordou com um aceno, então ambos respiraram fundo, puseram seus respiradores e mergulharam. Celine teve dificuldade em se acostumar a respirar pela boca, ao invés do nariz, mas ela seguiu todas as orientações que lhe foi passada e conseguiu manter o controle da respiração. Era muito importante que ela mantivesse o controle, pra que não ficasse ansiosa e respirando rápido demais, o que faria seu tanque de oxigênio acabar mais rápido. Chase já tinha feito alguns mergulhos como aquele, então ele fez questão de não largar a mão dela e conduzi-la para o mais fundo que era permitido. Em pouco tempo, eles começaram a avistar de longe os corais e os mais diversos tipos de peixes. Celine nem mesmo sabia para onde olhar com tanta atividade marinha. Alguns animais não eram permitidos o toque, então ela só pegou naqueles que os instrutores sinalizavam que era permitido, ou mesmo os que eles tocavam. Chase já tinha feito mergulhos como aqueles dezenas de vezes, quase se tornando um profissional da área, no entanto, nenhum parecia ter tido tanta importância. Talvez porque desta vez ele não estivesse sozinho. Eles passaram por uma turma grande de peixes palhaços e logo se aproximaram dos recifes de coral, que abrigava desde espécies pequenas e delicadas, como crustáceos e esponjas, até tartarugas, arraias e tubarões-baleia. Durante aquele breve tour, eles não encontraram nada grande além das arraias. Ela ficou impressionada com a visão que conseguia ter e com a beleza dos mares. Eles permaneceram explorando um pouco mais sem se afastar de onde o barco tinha ficado. Logo precisaram retornar. E enquanto voltavam pra cima, Celine deu algumas olhadas para baixo, quase nas profundezas, e prometeu a si mesma que não permitiria que ninguém tirasse a chance dela fazer aquilo de novo. E que a partir daquele dia, ela buscaria viver novas experiências e não pensar tanto no trabalho. Havia um mundo imenso que ela precisava conhecer e aquele lugar seria apenas o começo. Celine voltou para o barco algum tempo depois. Ela não tinha ideia de que horas eram, mas parecia que tempo nenhum tinha sido suficiente pra aquela experiência. Existia um mundo embaixo d'água que os registros de uma câmera não eram capazes de captar com tanta emoção. Chase retornou em seguida, subindo no barco e tirando a máscara. Ele passou a mão em seu cabelo molhado e sorriu para Celine, que ainda respirava ofegante, voltando a respirar com o nariz. O instrutor deu a todos toalhas pra se secar. Chase sentou ao lado dela, ainda absorvendo a experiência, sem querer quebrar o clima. Ela simplesmente deu um sorriso para ele e encostou a cabeça em seu ombro, durante a viagem calma de volta pra terra firme. — Tem um restaurante ótimo aqui próximo, quer ir? Chase a convidou, depois que agradeceram e se despediram do pessoal. — Vamos, estou faminta. Eles caminharam um pouco até chegar no restaurante, mas foram barrados na entrada. — Desculpe senhor, não pode ficar sem camisa. — Ah, sim, claro. Você entra e fica aí. Eu volto em um pulo. — Tem certeza? Podemos ver outra opção. — Não precisa. Eu já volto. Chase praticamente correu até seu hotel. Desta vez, ele usou uma das bicicletas dispostas no restaurante, para chegar lá. Ofegante, ele jogou a bicicleta na entrada e subiu até o quarto. Ao entrar, Travis estava deitado em sua cama, com uma toalha na cabeça. — Já? Não encontrou ela? — Sim! Na verdade sim! Não tenho tempo, mas está tudo maravilhoso. Ele correu até o closet e pegou uma camisa, aproveitou também para trocar a bermuda que estava úmida. — Entendi. Sinceramente não sei se quero saber. — Travis, precisa me ajudar. Vai no hotel deles e descobre se o tal do Victor está no quarto. — Qual é o hotel deles? E o quarto? — Só dá o nome que vai saber. Eu não sei qual é o hotel, mas é muito perto daqui. Vou descobrir e mando por mensagem. Ele pôs uma sandália de couro e saiu quase que correndo do hotel. Aiden estava voltando do restaurante do hotel quando avistou o irmão saindo correndo pelo saguão. Sua orelha coçou de curiosidade, mas ele não podia sair dali. Quebrar as regras era algo que o faria um perdedor automaticamente, de acordo com o manual que ambos criaram quando eram menores. Celine entrou no restaurante vestindo a saída de praia e com a toalha em volta de sua cintura. Essas peças e todas as suas outras coisas tinham ficado com o pessoal da recepção do projeto de mergulho. Ela ainda estava com parte do corpo úmido quando sentou em uma das cadeiras. Seu cabelo estava totalmente molhado, mas não tinha perdido o aspecto natural e elegante. Seu celular vibrou em algum momento e, enquanto ainda o esperava, ela resolveu atender. — Oi mana! — Não me livro mesmo de você, não é? — Sem chance bebê. Então, como está tudo aí? — Acredita que o Victor ficou chateado e não quis sair do hotel? Selma não queria dizer, mas parecia que ele tinha outros planos que não envolviam sua irmã. Ela apenas meneou a cabeça, sem surpresa. — Ele disse o porquê? Ela resumiu a situação do café da manhã e Selma logo sacou que era uma jogada. Ele apenas aproveitou a situação para poder se livrar da irmã e fazer sabe Deus o quê. Ela ficava furiosa com a situação, e querendo dar uns tapas na cara da irmã pra vê se acordava. — Ele está sendo muito infantil. Mas tenho certeza que amanhã vocês irão aproveitar muito. — É, acho que sim. Enquanto estava tomando um sol, conheci um cara. Ele é muito bonito, inteligente e divertido. Me levou para um mergulho. Foi incrível, Sel. Nem consigo acreditar que estive tão perto de tantos seres vivos hoje. — Espera, volta a fita. Ele é bonito? Muito bonito, Celine? — Só ouviu isso? — Essa é a parte mais importante aqui, mana. — Você sabe que mesmo o Victor sendo um idiota... — Arg, eu sei. Pior que sei. Mas só acho que devia aproveitar. Chase deixou a bicicleta na porta do restaurante novamente e entrou, sorrindo, com a respiração pesada. Ele avistou Celine em uma mesa próxima da entrada e foi até lá. — Não tenho nada pra aproveitar. Só somos... — Oi, demorei? Oh, desculpa, está ocupada? Ele estava tão vidrado em chegar lá que não tinha reparado que ela estava com o telefone levemente erguido, aparentemente em uma chamada de vídeo. — Esse é o... Celine desligou, antes que a irmã dissesse mais do que deveria. — É só minha irmã. Queria saber como estão as coisas, nada demais. Pela primeira vez em muito tempo, ela se pegou nervosa com aquela situação. — Espero não estar atrapalhando nada. — Não, fique tranquilo. — Que bom. Então, já pediu alguma coisa? — Você está bem? Parece que correu uma maratona. — Eu estou, é que... Bom, eu disse que não conseguia ficar perto de mulheres bonitas por muito tempo sem me tremer todo. Celine deu risada abaixando a cabeça. Ele dizia tantas coisas que quase a fazia acreditar. — Você é divertido, Steven. Tem certeza que é 100% hetero? Sem ofensa, mas... — Na verdade eu sou bi. Espero que não faça diferença pra você. Chase quase nunca falava da sua sexualidade fora de seu círculo familiar e de amizade, porque a maioria das pessoas tem o costume ligeiro de fazer perguntas bobas e outras ficavam com receio de se envolver com um homem assumidamente bissexual. Pra maioria, ele era sinônimo de infidelidade. Certo que Chase não era um homem de muitos compromissos, mas quando fora casado, jamais pensou ou tocou em outra pessoa além de sua esposa. Ele podia ser um pegador quando solteiro, mas era extremamente leal a qualquer tipo de relacionamento duradouro que mantinha. — Não faz diferença alguma. Eu sou pan, inclusive. Mas quase nunca falo disso. Chase ficou boquiaberto quando ela anunciou. Em todas aquelas semanas juntos, ele nem mesmo desconfiava que ela fazia parte do vale. Isso o deixou severamente intrigado e ainda mais curioso, pois podia conhecer um lado de Celine que ela jamais tenha revelado para pessoas próximas, como seu pai. Alberto nem sonhava com isso e ele tinha certeza, ou o pai não teria permitido que ela assumisse a empresa. Seu pai era um bom homem, por assim dizer, mas levemente antiquado em alguns aspectos e não aprovava nenhum pouco seu estilo de vida e principalmente as pessoas com quem se relacionava. No entanto, jamais ousou ameaçá-lo pôr pra fora de cada, cortar algum dos seus cartões ou tentar controlar com quem ele se relacionava. — Sério? Que incrível. É difícil conhecer alguém que entenda. — Eu sei bem como é. As perguntas indesejáveis sempre vem acompanhada logo após o anúncio. Por isso, não falo mais. — Eu sei que parece estranho, mas essas últimas horas me fizeram muito bem. Ela sorriu, sem conseguir se conter. Era estranho, porque ela não o conhecia, mas ao mesmo tempo, ele soava tão familiar e por algum motivo, isso a estava deixando presa a ele. Como se sua maior necessidade naquele momento fosse responder a charada: de onde te conheço e por que me sinto confortável com você? — Obrigada pelo passeio. Sério, foi incrível. Sem você eu já teria voltado para o hotel, frustrada. — Ahn, me desculpe me intrometer, mas por que seu marido não está aqui? Ela resumiu a discussão que eles tiveram pela manhã e Chase gostaria de dar um soco em Victor por magoa-la da daquele jeito por causa de um rabo de saia. — Com o que ele trabalha mesmo? — Ele é advogado. — Eu acho que ele não é muito bom então. — Por que? — Como ele ousa pensar que alguém não poderia querer estar com você? Sair com você? Ver você sorrindo desse jeito? Ele com certeza não é muito bom defendendo o óbvio. Celine ficou indecisa entre tentar entender ou simplesmente achar aquilo a coisa mais legal que alguém tinha dito pra ela nos últimos dias. — Eu não sei se isso fez sentido, mas obrigada. De verdade. Eu sei que está falando isso pra me consolar, mas... — Oh, não senhora. Jamais mentiria pra agradar alguém. Se estou dizendo, é porque é a verdade. Chase não conseguia evitar. Sua habilidade de mentir tinha chegado a um nível que ele não tinha tentado antes: mentir enquanto tentava dizer uma verdade. Ele realmente estava a elogiando, estava sendo sincero quanto a isso, mas ele já mentira diversas vezes para agradar muitas pessoas, inclusive a si mesmo. — Eu vou tentar acreditar em você. — Tudo bem, acha que estou brincando? Vamos ver. Chase era chegado a espetáculos e quando precisava dar um show, qualquer lugar virava seu palco. Ele levantou e foi até uma mesa vazia, começando a subir nela. — Steven... Steven o que está fazendo? Ela indagou, olhando pra ele se erguer na mesa. — Atenção a todos, por favor, me dêem um minuto da atenção de vocês. Havia uma quantidade boa de pessoas comendo e bebendo, afinal, ainda era início de tarde. Todos presentes se voltaram para Chase. — Eu estou aqui com uma pessoa muito especial hoje. Nos conhecemos há pouco tempo, mas sinto que jamais encontrei alguém com uma áurea tão forte e especial. Ela é uma mulher belíssima e muito inteligente. Mas seu marido disse que ela poderia sair sozinha do hotel por que ninguém iria querer estar com ela. Então eu peço a todos, por favor, que conseguirem visualizar a beleza e a força dessa mulher, e que se sentiriam honrados de estar ao lado dela hoje, que batam uma salva de palmas pra essa mulher. Chase começou, dando início a uma chuva de palmas. Se ele tivesse comprado aquelas pessoas, não teria dado tão certo como aquilo. Espontâneamente, a maior parte das pessoas o acompanhou nos aplausos. Ele sabia que nem todos estavam interessados em transar com ela, mas a simples ideia de encantar uma mulher batendo um pouco de palma, era o que motivava parte do público. Celine não sabia onde enfiar a cara quando ele subiu completamente na mesa e começou a falar. De repente, seu coração estava batendo forte e seu rosto nunca esteve tão ardente quanto naquele instante. Quando as pessoas começaram mesmo a aplaudir, o que lhe parecia quase inacreditável, ela cobriu a face e sorrindo, tentou se esconder, mas era impossível. Antes de todos pararem, ela vira que não tinha nada para fazer de diferente, que fosse mudar aquele momento, então apenas ergueu a cabeça com um sorriso enorme, enquanto agradecia as pessoas mais próximas. Chase desceu da mesa cuidadosamente e também agradeceu a todos, sem deixar de aplaudi-la por nenhum segundo sequer. Ele parou ao lado de onde estava sentado e a encarou. Havia um brilho em seu olhar que ele jamais viu antes. Em nenhum momento das últimas semanas. Em nenhum momento de todas as fotos de casamento dela que ele teve acesso. Ou de qualquer outro momento que tenha sido realizador para ela. E naquele instante, ele se condenou, porque queria continuar provocando aquele brilho, até que não pudesse mais respirar.
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