Lúcifer
Sonhei com ela e acordei de p*u duro — a mina ainda tava dormindo do meu lado, que droga!
Desde que aconteceu aquilo com ela, a gente não transa e eu nem insisto. Quero que ela tenha o tempo dela!
Levantei da cama e fui ao banheiro tentar baixar ele, mas não abaixava de jeito nenhum!
Escovei os dentes e voltei para o quarto — ela tava acordando e sorriu quando me viu.
Luna: Bom dia.
Lúcifer: Só se for pra você. — brinquei.
Luna: O que foi?
Lúcifer: Olha como você me deixou! — apontei para o meu “amiguinho” e ela sorriu.
Luna: Mas eu não fiz nada! — faz carinha de santinha e eu sorrio.
Lúcifer: Vai abaixar ele pra mim né?
Luna: Não sei, vou pensar! — se faz de difícil com cara de safada. Eu não aguento e vou pra cima dela beijando-a, mas ela se assusta e se afasta.
Lúcifer: Tá tudo bem? — pergunto preocupado.
Luna: Tá sim, é só que... — fala com os olhos cheios de lágrimas.
Lúcifer: Tá tudo bem, princesa. Se você não tá à vontade pra fazer isso agora, tá tudo bem, tá?
Luna: Desculpa. — deixa uma lágrima cair.
Lúcifer: Não precisa pedir desculpas não pô. — ela vem até mim e eu faço carinho nela.
Ficamos ali um tempo até ela levantar para ir ao banheiro. Ela toma banho e a gente desce para tomar café.
(...)
Luna
Eu não sei o que deu em mim — acho que o jeito bruto que ele veio pra cima de mim me lembrou um pouco do cara lá...
Depois de tomar café, ele saiu pro trabalho e eu me arrumei para o meu. Vou ficar como atendente na loja da Ray; o Lúcifer não queria que eu fosse, não sei o motivo, mas é muito melhor que ficar largada em casa sem fazer nada e sem dinheiro.
Chego lá e ela estava sentada no caixa.
Ray: Chegou cedinho.
Luna: Claro! — sorrio.
Ray: O Lúcifer sabe né?
Luna: Não, vou ficar enfornada em casa não, amiga. Ele não quer porque fala que “mulher dele não precisa trabalhar”, mas nem mulher dele eu sou!
Ray: Tá certíssima, amiga! Vai depender de macho não! — ri pela forma que eu falei — Já encontrou o Furacão?
Luna: Não, amiga. Já colamos papéis no morro todo com a fotinha dele e nada. — falo desanimada.
Ray: Mas vai dar certo, amiga. Vão achar ele e vão te entregar.
Começou a chegar clientes, então começamos a trabalhar. A loja era bem movimentada, acho que por conta do baile de sábado.
Ray: Tem roupa pra fotografar ainda, amiga. — fala e eu concordo com a cabeça.
Luna: Quer que eu fotografe agora?
Ray: Pode ser!
Fui ao trocador e coloquei uma roupa, depois fui até a Ray para fechar o zíper.
“Eu quero esse modelo!” — fala uma menina apontando pra mim.
Ray: Temos na cor rosa, preto e branco. — fala olhando para a menina.
“Eu quero esse rosa.” — fala apontando para a roupa que eu usava.
Ray: Bom, é tamanho único — vou pegar um pra você. — sai para o estoque.
“Nossa, você realmente é bonitinha. Pena que esse relacionamento não vai durar.” — fala com cara cínica e eu fico sem entender.
Luna: O que?
“Você sabe, você e o Lúcifer. Fique sabendo que ele vai ser meu! E não é você que vai mudar isso.” — fala toda cheia de si.
A menina deve ter uns 15 anos ou menos e tá falando isso — não vou nem retrucar pra não ficar feio pra mim. Apenas olhei ela com desdém e neguei com a cabeça.
“Custe o que custar.” — completa.
Ray: Aqui, 59,90. — volta com o conjunto nas mãos.
“Vai ser no débito.” — passa o cartão e sai com a sacolinha.
Ray: Tá tudo bem, amiga?
Luna: Tudo. Como é o nome daquela menina?
Ray: Joelma. Por quê?
Luna: Nada não. Muito gente boa ela né?
Ray: Às vezes... Essa menina é bem difícil!
Luna: Não achei não. — falei normal — Vou fotografar. Se precisar de mim, pode chamar.
Fui para o trocador e comecei a fotografar as peças. A Ray me ajudou com algumas e logo voltamos a trabalhar atendendo o pessoal.
(...)
Estávamos na pausa para o almoço e fomos no Afonso. Chegando lá, os meninos estavam em uma mesa e logo chamaram a gente para lá.
Fizemos o pedido e fomos sentar.
Lúcifer: Iae, princesa. — dá um beijo na minha testa e o meu irmão me encara rápido.
Faísca: Como foi o trabalho hoje, meninas? — pergunta sínico e eu olho sério para ele.
Ray: Foi bom.
Lúcifer: Trabalho? — me olha sério.
Luna: Depois a gente conversa. — cochichei e ele ficou quieto tomando a Coca-Cola — Aí foi bom, conheci mais moradores. Uma menina muito legal chamada Joelma, vocês conhecem? — o Lúcifer se engasga e os meninos ficam tensos — O que foi, Lúcifer? — olho confusa.
Lúcifer: Nada não. Olha a comida de vocês aí. — fala e um menino entrega a comida e sai.
Fiquei calada, só escutando os meninos conversando e comendo. Não entendi porque se assustaram quando ouviram o nome da menina... Acho que tem coisa aí e eu vou descobrir!
Terminamos de almoçar e os meninos levaram a gente de moto de volta para o trabalho.
Lúcifer: O que foi, Luna? — me olha sério quando desço da moto.
Luna: Foi nada, relaxa. — dei um selinho nele no meio da rua e ele me olha surpreso.
Lúcifer: Tenho que ir trabalhar. — me dá um selinho e um beijo na testa e sai com a moto.
Entro na lojinha e assusto ao ver a Ray dar um selinho no MT, que sai com um sorriso no rosto.
Luna: O que foi isso? — rio.
Ray: A vida né. — sorri boba.
(...)
Chego em casa depois do trabalho e vou tomar banho. Depois, vou para o quarto, troco de roupa e passo hidratante no corpo. Tô bem cansada para ir à academia hoje.
Vou para a cozinha e faço um strogonoff de frango com arroz branco. Escuto alguém bater na porta, deixo a comida no fogão e vou ver quem é.
Abro a porta e vejo o Lúcifer com a roupa cheia de sangue — fiquei em choque! Deixei ele entrar e fecho a porta.
Luna: O que foi isso? Você tá bem? — falo preocupada.
Lúcifer: Só vou tomar banho. — ele sobe e eu fico sem entender, mas vou para a cozinha terminar o jantar.
Depois de um tempo, quando a comida fica pronta, ele desce só de shorts fino e vem até a cozinha.
Lúcifer: Que cheiro bom! Tem o que pra comer?
Luna: Strogonoff. — falo e ele abre um sorrisão.
Lúcifer: Coloca o meu prato. — fala beijando o meu pescoço.
Coloco a comida da gente e logo começamos a comer. Depois do jantar, fomos deitar para assistir alguma coisa.
Luna: Por que você chegou daquele jeito? — pergunto olhando pra ele que assistia.
Lúcifer: Não foi nada, só tava torturando um pouco. — continua assistindo.
Luna: Ata. — falo com um pouco de medo — Ei... — ele me olha — Já acharam o Furacão? — perguntei um pouco triste.
Lúcifer: Não... Mas vão encontrar ele. Um cachorro daquele tamanho não vai tão longe. — concordei tentando me convencer.
Ele voltou a assistir e eu não me segurei, tive que perguntar.
Luna: Ei, quem é aquela Joelma? — ele me olha um pouco sem paciência por ter atrapalhado o filme mais uma vez.
Lúcifer: Uma pirralha aí.
Luna: Isso eu sei.
Lúcifer: E o que você quer saber? Fala aí. — ele pausa a TV.
Luna: Você já ficou com ela?
Lúcifer: É uma pirralha, Luna. Eu tenho quase o dobro da idade dela. — fala sério.
Luna: Ata. — virei a cara e peguei o celular. Não gostei da forma que ele falou comigo.
Lúcifer: Por que tá com essas perguntas do nada? — não dou bola e ele toma o meu celular, me fazendo olhar com ódio pra ele — Fala, Luna.
Luna: Ela veio falando um monte pra mim — que a nossa relação não vai durar, que você vai ser dela, umas coisas assim. — falo p**a.
Lúcifer: Tá com ciúmes é? — ri e eu continuo olhando séria pra ele — Amanhã eu resolvo isso. — dá um beijinho na minha testa e me puxa pra ele.
Luna: O que tu sente por mim? — perguntei depois de um tempo e ele me olhou tenso.