Luna
Lúcifer: Tô cheio! – fala com a mão na barriga
Luna: Vou pegar o pudim então
Lúcifer: Epa! – levanta e pega um prato pequeno, pedindo um pedaço
Luna: E é por que estava cheio!
Comemos e ficamos conversando na sala, todos juntos.
Lúcifer: Vamos pra sua casa?
Luna: Tenho que levar a Marina pra passear, prometi a ela.
Lúcifer: Vamos, acho que ela nem se lembra!
Marina: Vamos, titia? – fala vindo com uma mochila nas costas
Luna: Ou não. – rimos
Carla: Vão pra onde?
Luna: Ela me pediu pra dar uma volta com ela. Tudo bem por você? – O Júlia e Carla concordam com a cabeça
Marina: Tchau pessoal, depois eu volto – dá tchau e saímos
Fomos andando pela rua, não fazia ideia de onde era a casa daquela criança. Andamos duas ou três ruas e vejo um tumulto – muitos moradores na frente de uma casa. Logo uma mulher me vê e vem correndo até mim.
Pelo amor de Deus, ela vai fazer alguma coisa com a criança! – fala desesperada
Fico sem reação e me aproximo com a Marina no colo, vendo baterem na porta da mulher e de lá dentro saírem vários gritos. Vejo a professora da Marina e peço para ela ficar com a menina enquanto eu vou ver o que era.
Peço para um dos seguranças arrombarem a porta e entrar comigo. Fomos caminhando até um quarto, onde uma mulher batia em uma criança com um pedaço de madeira.
EM UMA CRIANÇA!
O segurança foi pra cima dela e a jogou no chão, deixando-a imóvel. Me aproximei da criança, que gritava para não matar a mãe dele, e peguei ele no colo com o consentimento dele. Saio de lá com a criança que chorava muito.
Lúcifer: O que tá acontecendo aqui? – fala expulsando todo o povo que estava em volta da casa
Luna: Depois explico. Onde fica o postinho?
Lúcifer: A duas ruas, mas hoje é domingo e...
Luna: Não importa. Pega a Marina com a professora, chama todos os médicos aqui do morro e manda ir pro posto.
Montei na moto do Faísca e fomos para o postinho. Chegando lá, já tinha alguns médicos chegando. Logo socorreram a criança e Lúcifer chega com a Marina no colo.
Marina: Ele tá bem, titia? O José tá bem? – fala preocupada
Luna: Mas não era o José.
Marina: É sim! Eu vi ele!
Luna: Ele tá bem, meu amor, não precisa ficar preocupada não.
Podem vim aqui? – aparece um menino de jaleco
Levanto e vou até lá.
Ele lesionou o braço, perdeu sangue por conta do corte profundo na testa, e estava um pouco desnutrido e com anemia – vai precisar de doação de sangue. – fala simples
Luna: Aqui não tem?
Não. O tipo dele é O-. Sabemos porque ele é cadastrado aqui no postinho.
Luna: Onde retira?
A pessoa doadora não pode ter comido, bebido ou...
Luna: Tá, eu sei!
Droga!
O menino já está bem, só vai precisar ficar em observação e tomar uma bolsa de sangue. Depois pode levar ele pra casa. – um outro médico chega falando
Lúcifer: Vou levar a Marina pra casa. Eu resolvo aqui. – fala e eu concordo
Saio com a Marina, que estava bem sonolenta. Coloco ela no colo e ela deita a cabeça em meu ombro, cochilando. Vou para a casa da Carla e entrego a menina no colo dela, depois volto para o postinho – ficava a apenas uma rua daí.
Luna: Como ele tá? – falo quando vejo Lúcifer sentado
Lúcifer: Ele tá tomando a bolsa de sangue. Deslocou o braço, mas já está melhor. – fala me olhando
Luna: E ela? – pergunto séria
Lúcifer: Tá lá na salinha. Tão dando um trato nela.
Luna: Eu quero ir lá. – falo e ele n**a com a cabeça
Lúcifer: Você não vai. A última vez que foi fez merda, não vai mais.
Luna: Ok então. – dou de ombros
Eu vou sim!
Lúcifer: Você não vai, Luna! Eu não quero você lá! – me olha sério
Luna: Eu não vou, Lúcifer!
VOU SIM!
Aquela filha da p**a tá fudida na minha mão – como que faz isso com uma criança?!
Lúcifer: Eu vou lá dar um trato nela, fica aqui e não saia! – fala sério
Dou de ombros e espero ele sair. Logo vou atrás do médico e dou o meu número para quando o menino ficar melhor ele me ligar.
Saio do postinho e vejo um moto-táxi, pedindo para ele me deixar no topo do morro. Ele faz isso e desço da moto pagando.
Logo caminho até a porta, vendo dois seguranças lá. Olham um para o outro e vão para frente da porta, me impedindo de passar.
Luna: Eu vou entrar.
– O chefe falou que...
Luna: Eu mando no chefe de vocês. – falo séria
Eles ficam no mesmo lugar.
Não podemos deixar você entrar. Ele vai matar a gente!
Luna: Vocês deveriam ter medo de mim, não dele. – olho p**a pra eles, que saem da frente
Entro de vez na sala e todos me olham. Ela sorri, parecia drogada – mas nada justifica fazer aquilo com uma criança!
Chego perto dela e seguro no maxilar com muita força, fazendo ela me olhar.
Luna: Então você gosta de bater em criança, né? – ela ri
– O filho é meu e eu faço o que eu quiser com ele!
Luna: Gosta de bater nele? Gosta de ouvir o teu filho gritar por socorro? Agora quem vai gritar é você! – larguei o rosto dela com brutalidade
– Vai bancar a irmã protetora agora? Você nunca quis saber dele!
Fico em choque por descobrir o que eu já desconfiava, mas não vou deixar transparecer.
Luna: Isso não é verdade. Nunca soube desse menino. Mas agora que sei, vou fazer de tudo para protegê-lo!
Fui até um canto da sala e peguei um pedaço de madeira, sorrindo ao ver ela me olhar com medo.
Que sensação boa...
Luna: Gosta de bater com p*u? – ela tenta soltar as mãos – Soltem ela! – falo e os seguranças me olham confusos – Soltem! Eu quero ver ela enfrentar alguém do tamanho dela
Por favor, não faz isso! Me perdoa!
Luna: Perdoar? Você tem que pedir isso ao seu filho, não a mim! – eles soltam ela, que tenta correr
Ando atrás dela e dou a primeira paulada em suas pernas, fazendo-a cair no chão. Ela gritou de dor – logo dei outra no braço, outra nas costas... Em todos os lugares do corpo, menos na cabeça. Não quero que ela morra ou desmaie agora.
Ela gritava de dor e isso só me deu mais vontade de bater mais. Sinto mãos em mim me tirando de lá e gritando comigo, mas eu só conseguia olhar e achar prazer naquilo.
O que está acontecendo comigo?