cap 11 meu irmão

1352 Words
Luna Termino de arrumar toda a casa e já me sinto melhor. Pensei bastante sobre tudo e até conversei sozinha — isso não pode se repetir. Estou demonstrando muita fraqueza, me sentindo m*l por cada coisa e não posso continuar assim. A última vez que aconteceu algo parecido, uma ex-amiga minha usou tudo o que sabia contra mim, me fudendo dos pés à cabeça. Desde aquele dia prometi não ser mais essa pessoa, e vou manter minha palavra! A partir de agora, não vou mais deixar que me vejam como coitadinha, vista com pena. Terminei o banho, fui almoçar uma comida que havia esquentado, lavei a louça e liguei para o meu pai perguntando como a mãe estava. Ele falou que ela voltaria para casa hoje mesmo e que, quando chegasse, me contaria mais detalhes. Espero que desta vez ele conte tudo! Em meio aos meus pensamentos, lembrei do que minha mãe havia falado sobre eu ter dois irmãos. Preciso descobrir mais sobre eles e já sei quem pode me ajudar. (...) Cheguei em frente à boca e os vapores me olharam surpresos; alguns até mostraram olhares de maldade, mas sinceramente, não ligo para isso. — Tá fazendo o quê aqui? — escuto uma voz e olho para trás, vendo que é o MT saindo de dentro do local. — Luna: O Lúcifer tá aí? — pergunto séria, e ele murmura apenas um "vem". Passo por todos aqueles homens e entro em uma salinha, onde vejo Lúcifer sentado em uma mesa com algumas folhas espalhadas e um cigarro de maconha aceso. — Lúcifer: O que você tá fazendo aqui? — pergunta sério. — Aqui não é lugar pra você. — Luna: Preciso conversar com você. — falo com tom sério. Ele dá um sinal com a cabeça e o MT e o Faísca saem da sala. Depois, aponta para uma cadeira, indicando que eu me sente, apaga o cigarro e guarda-o em uma gaveta. — Lúcifer: Fala. — diz, curioso. — Luna: Você sabe alguma coisa sobre o meu irmão? — ele parece surpreso com a pergunta. — Lúcifer: Não. — Luna: Não mente, Lúcifer, por favor. — Lúcifer: Quem deveria falar sobre isso era o seu pai. — responde de forma grossa. — Luna: Mas ele não vai contar nada. — ele respira fundo e, depois de um breve silêncio, fala. — Lúcifer: Eu só sei sobre o mais velho. E ele está mais perto do que você imagina. — Luna: Fala logo, Lúcifer. — Lúcifer: Só vou te dizer onde sua vó mora — lá você descobrirá o que precisa saber. — fala, olhando para um papel sobre a mesa e entregando-o a mim. — Tá aí. Agora vá embora, pois aqui não é lugar pra você. Saio de lá e passo pelos meninos sem dizer nada. Um pouco mais adiante, encontro um senhor e pergunto onde ficava aquele endereço; ele responde que é na rua de cima, à esquerda. Seguo o caminho que me indicou e, no final da rua, vejo uma casinha pequena e bem humilde — o número era exatamente o mesmo do papel. Logo, bati na porta. — Oi, tudo bem? — uma senhorinha aparece na porta. — Luna: Olá, tudo bem sim. A senhora é família de algum Daniel? — perguntei, e ela fica tensa. — Quem é você? — pergunta desconfiada. — Luna: Meu nome é Luna. — ela fica ainda mais tensa, o que me deixa muito nervosa. — Você é filha de quem, minha filha? — Luna: Do Pedro e da Diana. Eles já moraram por aqui e... — antes que eu termine, ela pula em meu colo me dando um forte abraço. — Meu Deus! Eu não acredito que seja você, princesa! Quando foi embora, era tão pequenininha. Sempre soube que um dia iria te encontrar! Ela me solta e eu olho para ela confusa. — Luna: A senhora quem é? — perguntei. — Sua vó materna pelo lado do pai, mãe do seu pai. Entre, minha filha. Quer um bolinho? Acabei de tirar um do forno agora mesmo. Entro um pouco tensa e me sento no sofá, enquanto ela vai para um corredor. Depois de alguns minutos, volta com um álbum de fotos nas mãos. — Vó: Olha, filha... — diz, mostrando uma foto de duas crianças. — Essa aqui é você e esse é o Daniel. A foto foi tirada dias antes de vocês irem embora. — fala com tristeza no rosto. — Olha essa outra: você, o Daniel e o Diego. Eles cuidavam tão bem de você... Faziam de tudo para te proteger do mundo. — sorri ao olhar para a imagem. Diego... Não seria o Lúcifer? — Luna: Infelizmente não tenho nenhuma lembrança dessa época... — falo, olhando atentamente para as fotos. — Vó: Você era muito nova... — Luna: A senhora pode me contar mais sobre o Daniel? Não me lembro dele quase nada. — Vó: O Daniel sempre foi uma criança sonhadora — queria virar jogador de futebol, andava com uma bola pra cima e pra baixo o tempo todo. Quando você se foi, ele ficou muito triste por perder o contato com você e, quando descobriu o motivo da sua partida, decidiu que iria atrás do Fred. Desde então, não consegui mais segurá-lo — ele só fugia de casa até que se envolveu com coisas erradas. — Luna: Quem é Fred? — Vó: O pai da sua mãe. Ele tentou te sequestrar quando você era pequena. Desde que sua mãe fugiu com o Pedro, ele nunca deixou vocês em paz — chegou a dizer que iria te matar se pudesse. Por isso seus pais foram embora; só não se mudaram de estado porque ficaria muito longe para o seu pai vir ao morro resolver seus assuntos. — Luna: Ele vinha visitar o Daniel? — Vó: Quase nunca. Sempre vinha e voltava rápido demais — quando via o menino, ficava só dez minutos e já ia embora. — Luna: Não acredito nisso... — Vó: O seu pai não é uma pessoa r**m, minha filha. Às vezes precisamos fazer sacrifícios para que as coisas deem certo. E o importante é que você está viva. — Vamos na cozinha pegar um lanchinho para a gente. — diz, segurando minha mão e nos levantando para ir até lá. Quero saber mais sobre tudo isso. — Luna: Por que era tão importante que eu ficasse viva e segura? O que eu tinha de diferente do Daniel para receber toda essa atenção? — Vó: Você é especial — a única filha mulher da família Martins depois de dez décadas. Você é a escolhida. — Luna: Escolhida para quê? — Faísca: Iae, velhinha! — fala alguém entrando na cozinha e parando ao me ver. — Vó: Olha, o Daniel chegou. — Olho para ele e um misto de emoções toma conta de mim — não sei se é felicidade, raiva ou tristeza. Por que ele nunca me contou nada disso antes? — Luna: Você? — ele baixa o olhar. — Você já sabia disso? — Faísca: Sabia. — Luna: Como assim? Passou todo esse tempo e não me disse nada? — Faísca: Eu não tive oportunidade de falar. E se o nosso pai não te contou, é porque não queria que você soubesse! — Luna: f**a-se o nosso pai! A gente tinha o direito de se conhecer. Desde quando você sabia disso? — Faísca: Desde sempre. Nunca fui atrás de você porque ele disse que você não queria saber de mim. — Luna: O quê? Eu nem sabia que tinha um irmão. Só descobri ontem porque minha mãe estava muito abalada e acabou contando. — Faísca: Tá, vamos deixar o passado para trás? Você tá aqui agora e isso é o que importa! — fala, e eu o abraço forte. — Minha irmã tá aqui agora, c*****o! — grita quase em voz alta, e eu sorrio. — Luna: Até anteontem eu achava que era filha única. — ele ri em resposta. Ficamos conversando sobre diversas coisas e depois me despedi, deixando uma promessa à minha avó de que voltaria em breve.
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