Lúcifer
Acordo com ela ainda deitada ao meu lado e sorrio olhando-a dormir, mas logo o meu radinho tocou.
Radinho ligado
— Chefe, na escuta?
— Lúcifer: Fala.
— Tem um problema aqui na casa do Foguete.
— Lúcifer: Resolve aí.
— Acho melhor você vir resolver. O bagulho tá loco aqui. — falou, e vejo a princesinha se mexer e me olhar com os olhos entreabertos, sorrindo.
— Lúcifer: Falo depois. — desliguei o radinho.
Radinho desligado
Luna: Tudo bem? — fala, sentando-se.
— Lúcifer: Tudo. Vou na boca. — falo, levantando e dando um beijo na testa dela, e olho-a envergonhado por ter agido no automático.
Ela sorri, concordando com a cabeça, e sai de lá subindo as escadas. Tomei um banho no meu quarto e me troquei, colocando uma bermuda preta e uma regata branca no ombro. Coloco minhas correntes, perfume e desço, não vendo mais a princesinha por lá.
Essa menina mexeu comigo desde que a vi naquele dia — não só pela sua beleza, mas não sei... Ela tem algo a mais. Não sei se é só o seu jeito de "santinha", mas há algo que me atrai cada vez mais a ela. Ontem a beijei porque não consegui aguentar só olhá-la e não tocá-la. Vou tomar cuidado para que não aconteça novamente, para não dar problema.
Cheguei na casa do Foguete e o chão estava todo coberto de sangue — não havia ninguém lá. Os vizinhos escutaram gritos durante a madrugada, mas do nada pararam; ficaram preocupados e chamaram alguns vapores que estavam por perto. Eles devem saber o que aconteceu, porque nem o carro estava mais por aqui.
— Lúcifer: Limpem tudo. Não quero que a princesinha veja essa cena quando chegar. — falei depois de olhar toda a casa e não encontrar ninguém.
Liguei para o Foguete e, depois de muito tempo chamando, ele atendeu.
Ligação ligada
— Lúcifer: Que p***a foi essa aqui?
— Foguete: Depois que você saiu, eu discuti com ela e fui embora com raiva. Quando voltei, ela já estava no chão sangrando. — fala com desespero.
— Lúcifer: Como assim sangrando?
— Foguete: Não sei, ela estava caída e tinha muito sangue no chão. Só peguei ela e levei para o hospital.
— Lúcifer: Ela já está bem?
— Foguete: Está fazendo alguns exames. Não conta nada para a Luna, ela é muito sensível.
— Lúcifer: Ela está na minha casa, como que não vou contar nada para ela? Ela vai querer voltar para casa!
— Foguete: Faz alguma coisa aí, irmão. O que der pra você fazer. Agora tenho que ir.
Ligação desligada
Droga! Não vou conseguir esconder nada daquela loirinha — ela é muito insistente!
Voltei para casa e me deparei com a minha mãe, que me olhava estranho.
— Lúcifer: Ju, foi o quê, coroa?
— Carla: Coroa é tua mãe! Espero que você não esteja brincando com a menina. Ela já passou por muita coisa esses dias.
— Lúcifer: Foi só um beijo, mãe. Depois a gente deitou para dormir.
— Carla: Foi só um beijo para ela? Ou só um beijo pra você? — fala séria, e eu fico calado.
(...)
Luna
Olho para o lado e vejo o Furacão dentro de um carrinho de bebê, com Mariana empurrando-o até mim.
— Mariana: Olha como o meu filho é lindo, titia! Vou levá-lo para passear...
Só assim percebi que ele estava com uma chupeta na boca.
— Luna: Como que você conseguiu? — rio.
— Mariana: Vamos, filho? — fala, levando-o pela casa.
Rio e volto a arrumar a sala junto das meninas. Os meninos só ajudaram a bagunçar e foram embora, dando desculpas para não ajudar a arrumar.
— Luna: Acho que vou para casa. — falo ao terminar, e Lúcifer entra me olhando tenso.
— Lúcifer: Não, fica só mais um pouco.
— Luna: Por quê? Tenho que ver os meus pais — eles não deram notícias desde aquela briga. — falei, juntando minhas coisas.
— Lúcifer: Preciso falar com você. — fala, respirando fundo.
Largo minhas coisas e vou com ele até o lado de fora da casa, olhando confusa.
— Luna: Se for falar do beijo de ontem, tá...
— Lúcifer: Não é isso. — me interrompe. — Ontem os seus pais brigaram e o seu pai saiu de casa. Quando voltou, a sua mãe estava deitada no chão e... — para de falar.
— Luna: Pode falar...
— Lúcifer: Ela estava cheia de sangue ao redor dela. O seu pai levou-a para o hospital e até agora não sei mais de nada.
Fico calada, apenas concordando com a cabeça, e entro com a cabeça baixa.
— Carla: Tudo bem, menina? — fala, me olhando preocupada.
— Luna: Tá sim, tia. — sorrio falsamente.
— Carla: Eu falei pra você não fazer m*l a essa menina, Diego! Parece que você não me escuta! — falou brava, indo bater nele, que estava logo atrás de mim.
— Luna: Não, ele não fez nada. — ela para e me olha, tentando entender alguma coisa. — Tia, só vou tomar um banho no quarto da Ju, tá?
— Carla: Ela está tomando banho lá e a Ray no banheiro normal. Mas pode ir no quarto do Lúcifer.
— Lúcifer: Vamos lá. — fala, indo na frente, e eu sigo ele com a bolsa nas mãos. — Não fica assim, tá? Ela vai ficar bem, não se preocupa. — Concordo com a cabeça.
Ele me mostra as coisas e, então, fecho a porta do banheiro, entro no box e desabo junto da água do chuveiro.
Parece até que eu não tenho paz. Desde que pisei aqui, só sinto tristeza, medo e raiva. O único lugar onde me sinto bem é com o pessoal aqui — é como se o peso de cada um fosse dividido e os seis ajudassem a carregar juntos...
Terminei o banho, me troquei colocando um shorts jeans branco e uma blusinha rosa, finalizo o meu cabelo rapidinho e saio já pronta.
Desço as escadas com a bolsa nas costas e vejo o pessoal na sala conversando.
— Ju: Já vai, amiga?
— Luna: Vou sim, tenho que resolver algumas coisas... — falei, e ela concorda com a cabeça.
— Lúcifer: Eu te levo.
— Luna: Não precisa, é aqui na rua mesmo. — rio sem graça. — Tchau, gente, tenham um bom dia todos! — sorrio e pego o Furacão no colo, saindo da sala.
Fui caminhando até casa e, chegando lá, vi alguns meninos que, quando me viram, ficaram com cara de assustados.
— Luna: O que vocês estão fazendo aqui?
— O chefe pediu pra limpar tudo aqui. — fala, levantando um pano cheio de sangue.
— Luna: Pode deixar que eu limpo.
— Mas o Lúcifer disse...
— Luna: Pode deixar que eu limpo, depois falo com o Lúcifer. — falo, e ele concorda, saindo com o outro.
Coloco a mochila na cama e o Furacão no chão, pego muitos produtos de limpeza, pano de chão, balde com água, vassoura e um rodo. Tirei os sofás da sala, colocando-os na garagem, liguei o som com Poesia Acústica 6 e fui lavar toda a casa.