Capítulo 10

2317 Words
Respirei fundo, olhando para mansão vitoriana. Precisava ter outro jeito. Outro modo de resolver tudo aquilo. Eu não entendia porque Caitlyn havia me expulsado tão facilmente. Talvez, ela quisesse se livrar de mim há anos e agora encontrou a oportunidade perfeita. Quanto a Tomas, ele não fizera nada, nem ao menos viera atrás de mim na faculdade. - Vai entrar ou vai ficar ai fora o dia inteiro? - perguntou Kaelus, parando no meio da escada da varanda. Eu fiz uma careta. Não queria entrar e nem ficar perto dele. Algo estava errado e eu não sabia o que era. - Eu acho que é melhor eu voltar. Talvez, eu consiga falar com Caitlyn - disse, mas me sentia impotente diante da situaçao. Não havia mais solução para meu dilema. Ou eu ficava com Kaelus ou dormia no carro. A primeira opção parecia vantajosa. Ele me fitou, sem qualquer sentimento. Era impassível como sempre. - Você não quer sair da sua ignorância, Agnes? - ele perguntou - Sair desse mundo que só trouxe a você infortúnio e tristeza? Caitlyn é uma mulher mesquinha e egoísta, pouco se importa com você. Suspirei, cansada. O que ele sabia sobre Caitlyn, afinal? Nem nos conhecíamos de verdade. Ela devia estar irritada e chateada comigo. Era isso. Iria acabar se arrependendo da sua decisão apressada de me colocar para fora de casa. - Kaelus, você não sabe nada sobre mim - eu disse, em tom cortante - Eu vou tentar ligar para ela agora e ver o que posso fazer. Kaelus deu de ombros, entrando na casa. Eu digitei o telefone dela, na tela do celular e esperei. Só caia na caixa postal. Sentei-me nas escadas da varanda e esperei ela me retornar. "Oi, sou eu. Poderíamos conversar? Sei que estava brava comigo hoje de manhã e peço desculpas por Tomas." Enviei a mensagem e esperei. Pensei em tudo que havia passado durante minha vida. Era como se sempre buscasse aprovação de Caitlyn. Desde que perdi Katherine, eu morei com Caitlyn, pisando com cuidado, tentando esconder minhas emoções e pensamentos. Sabendo que certas coisas que eu dissesse a fariam me olhar com horror. Eu já havia visto tantas coisas antes de ingerir os remédios antipsicóticos e contei muito do que vi para ela. Mas, aprendi a guardar para mim tudo isso, devido a uma visita que fizemos ao irmão dela. Ela me levou para visita-lo em New Orleans. Ele sempre ia até Lígo e levava seus filhos. Eu tinha alguém para fazer amizade, mas eles nunca me davam uma chance. Eu sempre acabava brincando sozinha no final das contas. Já tio Donovan era um homem comum e gentil. Eu gostava dele, mas Caitlyn sempre tentou me afastar do convívio familiar, como se não me quisesse por perto. Aquilo me magoava muito. Em uma primeira visita e única que fizemos a casa dele, no estilo vitoriano, muito parecida com a de Kaelus, eu vi uma pessoa pendurada por uma corda, na sala de estar. Eu gritei muito e contei para tio Donovan. Ele foi até a sala, claramente achando engraçado o que disse. Disse que não havia nada e que eu precisava parar de ver tantos filmes de terror. Eu insisti muito que havia visto alguém. Meus dois primos, sabendo disso, pregaram um peça comigo de noite. - Vem Agnes, vamos até a varanda - Jonathan dissera naquele dia. Eu saí da casa e fui para a varanda. Estava muito escuro e minha visão estava prejudicada pela falta de luz naquele local. Senti que alguém colocou um saco sobre minha cabeça e gritei. Alguém me segurou pela cintura e me levantou, me erguendo do chão. Senti alguém envolver minha perna e um pedaço de corda foi amarrado nos meus tornozelos. Depois, me colocaram no chão e amarram meus pulsos. Fui carregada, como se fosse um saco de batata por duas pessoas. Eu sabia que eram Jonathan e Craig. Eles eram altos e um pouco mais velhos que eu na época, quando tinha quatorze anos. Suas risadas os denunciaram. Senti-me tão humilhada e não entendia o motivo para tanta hostilidade. Fui deixada em algum lugar próximo a casa. Era no meio das árvores, pois havia escutado galhos se partido e não demorou tanto tempo para chegarmos lá. Escutei as vozes deles, dizendo o quanto eu era estranha e uma aberração, que eu iria passar a noite na floresta, para ver os fantasmas que gostava tanto de dizer que via. Eles tiraram o capuz e saíram correndo como dois covardes. Fiquei sentada, ainda amarrada e chorei a noite toda. Escutava a floresta conversar comigo aquele dia. Algo parecia me acalmar e me acalentar. E me senti mais segura ali do que na casa do meu tio, ou em qualquer outro lugar. No dia seguinte, eu fui encontrada pelo tio Donovan. Eu contei o que houve e ele parecia incrédulo quanto aos seus filhos terem feito isso. Ele não disse nada, apenas pediu para que eu e Caitlyn fôssemos embora. Donovan não acreditava em mim, afinal. Mas, eu vi seu olhar. Parecia entre confusão e vergonha. Ele sabia que eu estava falando a verdade, somente não queria admitir. Não havia percebido que a noite havia caído. O céu estava n***o, coberto de nuvens. A porta da varanda se abriu e o gato de Kaelus saiu e se esfregou em minha perna. Escutei os passos dele sobre a madeira e vi suas botas pararem ao meu lado, no degrau. Olhei para cima e pude ver ele estava com um cigarro na mão. - Escuta, você precisa entrar, Agnes - ele disse, com uma nota de preocupação - Precisa descansar. Amanhã veremos o que você pode fazer da sua vida. Por enquanto, fique aqui. Eu respirei fundo. Não conseguia confiar nas pessoas. Não conseguia entender por que sempre que eu confiava, elas me traiam. - Eu não quero entrar agora - disse, mas por dentro, eu queria entrar. Estava cansada de ficar do lado de fora, com o vento gelado batendo sobre meu rosto. - Vamos, Agnes. Vá descansar - ele me estendeu a mão. Levantei-me do degrau com sua ajuda e ficamos frente a frente. Senti sua energia percorrer meu corpo. Era estranho estar com ele tão perto assim. Ele deu um passo para trás e se virou, como se eu o tivesse queimado ou algo assim. Entrou na casa, sem me esperar e fiz o mesmo. - Sabe onde é o quarto, Agnes? - ele perguntou, parando no arco que dividia a entrada da casa e a sala de estar. - Sim. - Boa noite, então - ele disse, entrando na sala. Suspirei e subi as escadas, com o gato preto atrás de mim. Abri a porta branca, a última do corredor e ele entrou comigo. Fechei a porta e o peguei no colo. Ele ronronou, como sempre. - Que nome eu dou para você? - eu perguntei, acariciando a cabeça dele. Levantei-o para cima, para examina-lo e descobri que era uma fêmea. Ela me olhava com os olhos intensos e amarelados - Ravena. Acho que combina com você. Tem a cor de um corvo. Dei um beijo na testa de Ravena e a coloquei no chão. Só depois lembrei que deixei minha mala do carro. Quando ia sair do quarto, a vi parada do lado de fora, no corredor. Devia ser cortesia de Kaelus. Comecei a pensar que ele estava se tornando diferente para mim. Mesmo o conhecendo há poucos dias. Ele podia ser enigmático, cheio de segredos, mas começava a simpatizar com ele. Suspirei, cansada. O que ele sabia sobre Caitlyn, afinal? Nem nos conhecíamos de verdade. Ela devia estar irritada e chateada comigo. Era isso. Iria acabar se arrependendo da sua decisão apressada de me colocar para fora de casa. - Kaelus, você não sabe nada sobre mim - eu disse, em tom cortante - Eu vou tentar ligar para ela agora e ver o que posso fazer. Kaelus deu de ombros, entrando na casa. Eu digitei o telefone dela, na tela do celular e esperei. Só caia na caixa postal. Sentei-me nas escadas da varanda e esperei ela me retornar. "Oi, sou eu. Poderíamos conversar? Sei que estava brava hoje de manhã e peço desculpas por Tomas." Enviei a mensagem e esperei. Pensei em tudo que havia passado durante minha vida. Era como se sempre buscasse aprovação de Caitlyn. Desde que perdera Katherine, eu vive com ela, pisando com cuidado, tentando esconder minhas emoções e pensamentos. Sabendo que certas coisas que eu dissesse a fariam me olhar com horror. Eu já havia visto tantas coisas antes de ingerir os remédios antipsicóticos e sempre contei para ela. Mas, aprendi a guardar para mim tudoisso, devido a uma visita que fizemos ao irmão dela. Ela me levou para visita-lo em New Orleans. Ele sempre ia até Lígo e levava seus filhos. Eu tinha alguém para fazer amizade, mas eles nunca me davam uma chance. Eu sempre acabava brincando sozinha no final. Já tio Donovan era um homem comum e gentil. Eu gostava dele, mas Caitlyn sempre tentou me afastar do convívio familiar, como se não me quisesse por perto. Aquilo me magoava muito. Em uma primeira visita e única que fizemos a casa dele, no estilo vitoriano, muito parecida com a de Kaelus, eu vi uma pessoa pendurada por uma corda, na sala de estar. Eu gritei muito e contei para tio Donovan. Ele foi até a sala, claramente achando engraçado o que disse. Disse que não havia nada e que eu precisava parar de ver tantos filmes de terror. Eu insisti muito que havia visto alguém. Meus dois primos, sabendo disso, pregaram um peça comigo de noite. - Vem Agnes, vamos até a varanda - Jonathan dissera naquele dia. Eu saí da casa e fui para a varanda. Estava muito escuro e minha visão estava prejudicada pela falta de luz naquele local. Senti que alguém colocou um saco sobre minha cabeça e gritei. Alguém me segurou pela cintura e me levantou, me erguendo do chão. Senti alguém envolver minha perna e um pedaço de corda foi amarrado nos meus tornozelos. Depois, me colocaram no chão e amarram meus pulsos. Fui carregada, como se fosse um saco de batata por duas pessoas. Eu sabia que eram Jonathan e Craig. Eles eram altos e um pouco mais velhos que eu na época, quando tinha quatorze anos. Suas risadas os denunciaram. Senti-me tão humilhada e não entendia o motivo para tanta hostilidade. Fui deixada em algum lugar próximo a casa. Era no meio das árvores, pois havia escutado galhos se partido e não demorou tanto tempo para chegarmos lá. Escutei as vozes deles, dizendo o quanto eu era estranha e uma aberração, que eu iria passar a noite na floresta, para ver os fantasmas que gostava tanto de dizer que via. Eles tiraram o capuz e saíram correndo como dois covardes. Fiquei sentada, ainda amarrada e chorei a noite toda. Escutava a floresta conversar comigo aquele dia. Algo parecia me acalmar e me acalentar. E me senti mais segura ali do que na casa do meu tio, ou em qualquer outro lugar. No dia seguinte, eu fui encontrada pelo tio Donovan. Eu contei o que houve e ele parecia incrédulo quanto aos seus filhos terem feito isso. Ele não disse nada, apenas pediu para que eu e Caitlyn fôssemos embora. Donovan não acreditava em mim, afinal. Mas, eu vi seu olhar. Parecia entre confusão e vergonha. Ele sabia que eu estava falando a verdade, somente não queria admitir. Não havia percebido que a noite havia caído. O céu estava n***o, coberto de nuvens. A porta da varanda se abriu e o gato de Kaelus saiu e se esfregou em minha perna. Escutei os passos dele sobre a madeira e vi suas botas pararem ao meu lado, no degrau. Olhei para cima e pude ver ele estava com um cigarro na mão. - Escuta, você precisa entrar, Agnes - ele disse, com uma nota de preocupação - Precisa descansar. Amanhã veremos o que você pode fazer da sua vida. Por enquanto, fique aqui. Eu respirei fundo. Não conseguia confiar nas pessoas. Não conseguia entender por que sempre que eu confiava, elas me traiam. - Eu não quero entrar agora - disse, mas por dentro, eu queria entrar. Estava cansada de ficar do lado de fora, com o vento gelado batendo sobre meu rosto. - Vamos, Agnes. Vá descansar - ele me estendeu a mão. Levantei-me do degrau com sua ajuda e ficamos frente a frente. Senti sua energia percorrer meu corpo. Era estranho estar com ele tão perto assim. Ele deu um passo para trás e se virou, como se eu o tivesse queimado ou algo assim. Entrou na casa, sem me esperar e fiz o mesmo. - Sabe onde é o quarto, Agnes? - ele perguntou, parando no arco que dividia a entrada da casa e a sala de estar. - Sim. - Boa noite, então - ele disse, entrando na sala. Suspirei e subi as escadas, com o gato preto atrás de mim. Abri a porta branca, a última do corredor e ele entrou comigo. Fechei a porta e o peguei no colo. Ele ronronou, como sempre. - Que nome eu dou para você? - eu perguntei, acariciando a cabeça dele. Levantei-o para cima, para examina-lo e descobri que era uma fêmea. Ela me olhava com os olhos intensos e amarelados - Ravena. Acho que combina com você. Tem a cor de um corvo. Dei um beijo na testa de Ravena e a coloquei no chão. Só depois lembrei que deixei minha mala do carro. Quando ia sair do quarto, a vi parada do lado de fora, no corredor. Devia ser cortesia de Kaelus. Comecei a pensar que ele estava se tornando diferente para mim. Mesmo o conhecendo há poucos dias. Ele podia ser enigmático, cheio de segredos, mas começava a simpatizar com ele.
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