promessas vazias

698 Words
Os dias começaram a passar. Lentos… difíceis… solitários. Mas Camila não desistiu. Depois de procurar muito, ela conseguiu um trabalho em uma pequena lanchonete. Nada sofisticado. Mas era digno. E era dela. Ela limpava mesas, atendia clientes, sorria mesmo quando estava cansada… tentando esquecer a dor que carregava. Mas tinha uma coisa que ela não conseguia esquecer. Victor. Todos os dias, ela tentava ligar. Chamava. Chamava. Chamava… E nada. Então mandava mensagens: “Amor, desde que eu cheguei você nem sentou pra conversar comigo…” “Por favor, retorna minha ligação…” “Eu tô com saudade…” Visualizado. Sem resposta. Aquilo doía. Mas ela insistia. Porque amava. — Um dia, enquanto limpava uma mesa… Ela sentiu. Aquela presença. Virou devagar. E o coração disparou. — Victor… Ele estava ali. Impecável como sempre. Como se nada tivesse acontecido. Ela caminhou até ele, com os olhos cheios de perguntas. — Por que você me escondeu? Ele suspirou, aproximando-se. E então… tocou o rosto dela com delicadeza. — Desculpa, princesa… eu não fiz por m*l. Aquele toque… Aquele jeito… Era tudo o que ela queria. E ao mesmo tempo… tudo o que a machucava. — A gente pode sair pra jantar hoje? — ele disse, com um sorriso leve. Ela hesitou por um segundo. Mas o coração falou mais alto. — Tá bom… eu saio do trabalho daqui a umas horas. — Eu te busco no hotel onde você está. — Tá… Ele assentiu… e saiu. Como sempre fazia. Entrando e saindo da vida dela sem aviso. — Mais tarde… Camila se arrumou com carinho. Um vestidinho simples… mas bonito. Soltou o cabelo. Olhou no espelho. Tentando se sentir… suficiente. Minutos depois, ele chegou. Encostado no carro, com aquele sorriso fácil. — Você tá bonita. Ela sorriu, tímida. — Obrigada… você também. E então eles saíram. — O restaurante não era luxuoso. Mas, para ela… Era encantador. Luzes suaves. Música baixa. Um ambiente acolhedor. — Isso aqui deve ser muito caro… — ela disse, olhando ao redor. Ele riu de leve. — Não é não, princesa… pode ficar tranquila. Ela sorriu. Ele segurou a mão dela sobre a mesa. E então… Ela não aguentou. — Por que você não tá me atendendo? Ele ficou em silêncio. — Por que você não foi me ver? A voz dela começou a falhar. — Eu tô sozinha nessa cidade… eu não tenho ninguém… eu vim pra cá pra ficar com você… pra gente casar… Os olhos dela brilhavam. — O que tá acontecendo, Victor? Ele desviou o olhar por um segundo. Mas logo voltou com aquele sorriso ensaiado. — Desculpa, meu amor… é muito trabalho no escritório. Mentira. — Eu prometo que vou melhorar, tá? Ela queria acreditar. Então assentiu devagar. — Posso te fazer uma pergunta pessoal? — ele disse. — Pode. Ele se inclinou levemente. — Você ainda tá se guardando pra mim? Ela ficou sem graça. Mas sorriu. Doce. Inocente. — Sim… você sabe que sim. Ele sorriu… satisfeito. — Então a gente podia dormir junto hoje… o que você acha? Ela recuou levemente. E balançou a cabeça. — Não… isso é depois que a gente casar. — Camila… — Não, Victor — ela disse, firme, pela primeira vez. — Eu sempre falei pra você… eu só vou ser sua de verdade depois que a gente casar. Silêncio. Ele a observou por um instante. E então… sorriu. — Tá bom, princesa… eu te respeito. Mas havia algo naquele olhar. Algo que não era respeito. — Então vamos providenciar nosso casamento o quanto antes… — ele completou. Ela sorriu. Feliz. Sem perceber. Que, mais uma vez… Ele estava apenas dizendo o que ela queria ouvir. — Do lado de fora do restaurante… Dentro de um carro escuro… Ele observava. Os olhos fixos neles. Cada gesto. Cada toque. Cada mentira. — Chefe… — o segurança disse baixo — quer que a gente intervenha? Ele não respondeu de imediato. Os olhos escureceram ao ver Victor segurando a mão dela. — Ainda não… A voz saiu baixa. Controlada. — Mas já tá na hora de acabar com isso. E dessa vez… Não era só interesse. Era posse. Era proteção. Era algo muito mais perigoso.
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