Os dias começaram a passar.
Lentos… difíceis… solitários.
Mas Camila não desistiu.
Depois de procurar muito, ela conseguiu um trabalho em uma pequena lanchonete.
Nada sofisticado.
Mas era digno.
E era dela.
Ela limpava mesas, atendia clientes, sorria mesmo quando estava cansada… tentando esquecer a dor que carregava.
Mas tinha uma coisa que ela não conseguia esquecer.
Victor.
Todos os dias, ela tentava ligar.
Chamava.
Chamava.
Chamava…
E nada.
Então mandava mensagens:
“Amor, desde que eu cheguei você nem sentou pra conversar comigo…”
“Por favor, retorna minha ligação…”
“Eu tô com saudade…”
Visualizado.
Sem resposta.
Aquilo doía.
Mas ela insistia.
Porque amava.
—
Um dia, enquanto limpava uma mesa…
Ela sentiu.
Aquela presença.
Virou devagar.
E o coração disparou.
— Victor…
Ele estava ali.
Impecável como sempre.
Como se nada tivesse acontecido.
Ela caminhou até ele, com os olhos cheios de perguntas.
— Por que você me escondeu?
Ele suspirou, aproximando-se.
E então… tocou o rosto dela com delicadeza.
— Desculpa, princesa… eu não fiz por m*l.
Aquele toque…
Aquele jeito…
Era tudo o que ela queria.
E ao mesmo tempo… tudo o que a machucava.
— A gente pode sair pra jantar hoje? — ele disse, com um sorriso leve.
Ela hesitou por um segundo.
Mas o coração falou mais alto.
— Tá bom… eu saio do trabalho daqui a umas horas.
— Eu te busco no hotel onde você está.
— Tá…
Ele assentiu… e saiu.
Como sempre fazia.
Entrando e saindo da vida dela sem aviso.
—
Mais tarde…
Camila se arrumou com carinho.
Um vestidinho simples… mas bonito.
Soltou o cabelo.
Olhou no espelho.
Tentando se sentir… suficiente.
Minutos depois, ele chegou.
Encostado no carro, com aquele sorriso fácil.
— Você tá bonita.
Ela sorriu, tímida.
— Obrigada… você também.
E então eles saíram.
—
O restaurante não era luxuoso.
Mas, para ela…
Era encantador.
Luzes suaves.
Música baixa.
Um ambiente acolhedor.
— Isso aqui deve ser muito caro… — ela disse, olhando ao redor.
Ele riu de leve.
— Não é não, princesa… pode ficar tranquila.
Ela sorriu.
Ele segurou a mão dela sobre a mesa.
E então…
Ela não aguentou.
— Por que você não tá me atendendo?
Ele ficou em silêncio.
— Por que você não foi me ver?
A voz dela começou a falhar.
— Eu tô sozinha nessa cidade… eu não tenho ninguém… eu vim pra cá pra ficar com você… pra gente casar…
Os olhos dela brilhavam.
— O que tá acontecendo, Victor?
Ele desviou o olhar por um segundo.
Mas logo voltou com aquele sorriso ensaiado.
— Desculpa, meu amor… é muito trabalho no escritório.
Mentira.
— Eu prometo que vou melhorar, tá?
Ela queria acreditar.
Então assentiu devagar.
— Posso te fazer uma pergunta pessoal? — ele disse.
— Pode.
Ele se inclinou levemente.
— Você ainda tá se guardando pra mim?
Ela ficou sem graça.
Mas sorriu.
Doce.
Inocente.
— Sim… você sabe que sim.
Ele sorriu… satisfeito.
— Então a gente podia dormir junto hoje… o que você acha?
Ela recuou levemente.
E balançou a cabeça.
— Não… isso é depois que a gente casar.
— Camila…
— Não, Victor — ela disse, firme, pela primeira vez. — Eu sempre falei pra você… eu só vou ser sua de verdade depois que a gente casar.
Silêncio.
Ele a observou por um instante.
E então… sorriu.
— Tá bom, princesa… eu te respeito.
Mas havia algo naquele olhar.
Algo que não era respeito.
— Então vamos providenciar nosso casamento o quanto antes… — ele completou.
Ela sorriu.
Feliz.
Sem perceber.
Que, mais uma vez…
Ele estava apenas dizendo o que ela queria ouvir.
—
Do lado de fora do restaurante…
Dentro de um carro escuro…
Ele observava.
Os olhos fixos neles.
Cada gesto.
Cada toque.
Cada mentira.
— Chefe… — o segurança disse baixo — quer que a gente intervenha?
Ele não respondeu de imediato.
Os olhos escureceram ao ver Victor segurando a mão dela.
— Ainda não…
A voz saiu baixa.
Controlada.
— Mas já tá na hora de acabar com isso.
E dessa vez…
Não era só interesse.
Era posse.
Era proteção.
Era algo muito mais perigoso.