Capítulo VII — A Coroa Que Se Curva ao Amor

690 Words
O castelo ainda cheirava a fumaça e sangue seco quando o sino da torre soou, chamando a corte. Você estava sentada na cama, o corpo exausto, o filho adormecido em seus braços. A pequena vida respirava tranquila, alheia ao caos que quase o roubara do mundo. Theodor observava a cena em silêncio. Nunca fora um homem de fé… mas ali, ajoelhado diante de vocês dois, ele acreditou em algo maior do que poder. — Eles vão tentar tirar isso de nós — você disse em voz baixa. — O título. O direito. Ele. Theodor ergueu o olhar, os olhos decididos. — Então vão ter que passar por mim. Ele se inclinou e beijou a testa do bebê. — Ninguém ousa tocar no que é meu. ⸻ O salão da corte estava lotado. Os nobres murmuravam, inquietos, quando Theodor entrou carregando o filho nos braços. Você vinha logo atrás, amparada, mas ereta. O silêncio foi absoluto. — O que significa isso? — perguntou Lorde Wulfric, levantando-se lentamente. Theodor caminhou até o centro do salão. — Significa que o Norte tem um herdeiro. — Um bastardo! — alguém gritou. O som de metal ecoou quando Theodor desembainhou a espada e a cravou no chão de pedra. — Mais uma palavra… O olhar dele percorreu o salão. — …e você sai daqui sem língua. Ninguém ousou falar. — Este é meu filho. A voz firme. — Gerado dentro de um casamento legítimo. n****o apenas pela minha covardia. Você sentiu o coração falhar. Ele se virou para você. — Eu falhei com minha esposa. Respirou fundo. — Mas não vou falhar com meu sangue. — A lei exige um reconhecimento formal — disse Wulfric, tenso. — Então aqui está. Theodor retirou o anel do próprio dedo e o colocou na mesa do conselho. — Diante da corte e dos deuses, eu reconheço este menino como meu herdeiro legítimo. Silêncio. — E declaro que qualquer ameaça contra ele é traição ao ducado. Um murmúrio atravessou o salão. — E quanto à tentativa de assassinato? — perguntou um nobre. — Quem ousaria atacar o próprio herdeiro do Norte? Theodor virou-se lentamente. — Alguém que lucraria com sua morte. Ele fez um gesto. Os guardas arrastaram um homem algemado para o centro do salão. — Lorde Wulfric. O choque foi imediato. — Isso é uma mentira! — Wulfric gritou. — Cartas seladas. Theodor jogou pergaminhos aos pés dele. — Pagamentos. Ordens. Datas. Você sentiu o estômago embrulhar. — Você queria o ducado sem sucessor. A voz de Theodor era fria como o Norte. — E estava disposto a m***r uma criança para isso. Wulfric caiu de joelhos. — Foi política! — gritou. — Nada pessoal! O salão gelou. — Errado. Theodor se aproximou. — Foi pessoal no momento em que você ameaçou minha família. — Qual é a sentença? — perguntou o conselheiro Heinrich. Theodor não hesitou. — Morte ao amanhecer. O traidor foi levado. E o Norte respirou. ⸻ Naquela noite, você estava novamente nos aposentos quando Theodor entrou em silêncio. Ele parecia diferente — mais leve, apesar do peso da decisão. — Você não precisava fazer tudo isso — você disse, com a voz suave. — Eu precisava. Ele sentou-se ao seu lado. — Passei tempo demais vivendo como se amar fosse fraqueza. Você o observou em silêncio. — Eu não sei se sei ser duquesa outra vez. Ele sorriu de leve. — Então seja apenas você. Theodor tocou sua mão. — Eu não prometo perfeição. Os olhos dele encontraram os seus. — Mas prometo presença. Escolha. Verdade. Você sentiu as lágrimas virem. — Eu ainda tenho medo. — Eu também. Ele entrelaçou os dedos nos seus. — Mas, desta vez, enfrentamos juntos. Você encostou a testa na dele. — Não por dever. Sua voz tremia. — Mas porque queremos. Ele a beijou — não com urgência, nem desespero. Mas com promessa. O bebê se mexeu entre vocês. Theodor sorriu. — Ele mudou tudo. — Ele nos salvou — você respondeu. Lá fora, o inverno começava a ceder. E, pela primeira vez, o Norte não era feito apenas de gelo. Era feito de amor escolhido.
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