04. Cativo em seus olhos

1151 Words
As lágrimas escorriam descontroladamente pela face de Amélia, não haviam lenços no mundo que pudessem secá-las. Perguntava-se o tempo todo, como uma mulher que carregou o mundo em suas costas foi parar numa situação daquelas. A verdade é que não se pode carregar o mundo. Nem mesmo o próprio atlas o suporta em seus pés, treme, vacila, mais cedo ou mais tarde o mundo do deus que segura os céus tenderia a desabar. Tiraram a mulher de dento da casa, sedada e amarrada em uma maca hospitalar. Amélia tinha os melhores contatos que alguém poderia ter. O que não era de se estranhar, principalmente se tratando da mulher considerada a voz dos anos 50. Exigiu que uma amiga de longa data acompanhasse pessoalmente o estado de Carmen, a mesma pediu que a internassem imediatamente. — Ela está num caso grave se desnutrição. Isso causou uma pneumonia, não sei como ela conseguiu resistir. — Ela é a mulher mais forte que conheço! — Amélia disse com firmeza, seus cabelos até balançaram levemente em volta dos seus ombros. — Não importa quanto tempo vai levar, ou quanto irá custar, apenas salve ela! Saiu da sala, o salto tintilava ao bater no chão, olhou para Carter, procurando não recrimina-lo pela demora em comunicar a ela sobre o estado de saúde de Carmen. Mesmo assim não conseguiu evitar que seus olhos heterocromáticos levassem até Carter uma tremenda discordância. — Ela vai ficar internada aqui, Carter... Sem visitas! — Sem visitas? Num hospital como este? Quanto isso vai... Ela o fuzilou com os olhos, sua voz saiu como um rugido, bateu um dos pés no chão, bradando contra ele, mas sem expressar uma única palavra. — Nunca mais me pergunte isso! — Mas... — Não se fala mais sobre isso, Carter! Se tornar a me questionar sobre dinheiro, vou me sentir insultada! Agora quem se sentia insultado era ele. Sua mãe, os gastos que ela causava, deveriam ser responsabilidade dele. Mas àquela mulher... O pulso firme dela, conseguia ser mais forte do que a teimosia dele. O que havia nela? — Por que não posso ver minha mãe? — A médica me disse que a imunidade de sua mãe está baixa demais para receber visitas. — Respirou fundo, levou as mãos ao cabelo, o prendendo perfeitamente no alto da cabeça. — Então? Tem mais perguntas ou vai fazer o favor de me seguir até em casa? Carter apenas sorriu, não entendeu o motivo do sorriso, mas julgou que aquela seria a melhor resposta que poderia dar. Conhecia o gênio de Amélia, tão impulsiva, tão... Suspirou ao pensar naquilo, ela o tirava do sério, com seu jeito severo e um tanto quanto controlador de ser. A seguiu calado, atentando-se em manter os olhos colados na barra da saia preta da mulher poderosa que estava a sua frente. Não deveria subir mais os olhos, aquilo o deixaria descontrolado, e manter o controle era um dos princípios de Carter naquele dia. Mas ela estava tão atraente com um vestido preto, desenhando suas curvas, sabia que debaixo dele tinha um espartilho, que fazia com que os s***s dela quase saltassem para fora. Como era bela. Monumentalmente bela! Ela era como a mais doce sinfonia, fisgando cada um ao seu redor com aquela beleza e presença arrebatadora. Adentram no carro, o motorista já estava a espera de ambos os dois. Carter desejou que a viagem durasse pouco tempo, pois ficar preso dentro de um carro fechado com aquela mulher, seria genuinamente tentador. As portas se fecharam,ela se sentou cruzando as pernas, havia uma f***a na saia que mostrava suas coxas ao se sentar. Carter pode jurar que aquilo seria uma espécie de provocação. O pensamento passou por sua mente com uma velocidade assombrosa, e se desfez em seguida, o jovem ainda desejava ter controle sob seu instintos. Pode jurar que vira de relance o olhar do motorista indo em direção aos dois, em seguida fechou uma janela que separava os bancos da frente dos de trás. Agora não haviam olhares, em nenhum dos lados. — Gosta do que vê, Carter? — Amélia... —Ele tentou protestar. Falhou miseravelmente. — Sei que estava olhando para elas! São belas, não? Ele limpou a garganta, em saber se respondia a pergunta ou não. — Ora, Carter... — Ela sorriu, curvando seu corpo na direção dele, Carter não tento fugir, apenas não soube que tipo de reação teria naquele momento. Tentou não pensar no futuro, apenas no agora. — Somos adultos. E eu sei quando um homem lança olhares devoradores para mim. — aquele par de olhos... Nada escapava deles. — Deseja me devorar, Carter? Ele engoliu em seco. — Intensamente. — Respondeu sem pensar duas vezes. A voz forte, saiu pela garganta emanada de certeza e excitação. Tomou a mão dele, levando-a para suas curvas. Surpreendeu-se ao sentir o toque forte em sua cintura. Aos poucos a mão foi descendo até seus quadros, a medida que seus rostos iam se aproximando. Ela tomou a iniciativa de colocar-se por cima dele, o observou com uma exuberância arrebatadora. Os lábios dela tinham o sumo gosto do orvalho, sedentos por algo que a muito desejava. Era um beijo intenso, carregado pela lasciva que controlava as corpo daquela mulher. Ele queria arrancar dela todo o tecido que cobria sua pele, queria lança-la no acento de couro do carro e devora-la, saboreando cada pedaço de seu corpo. Sentindo o doce prazer que queria possui-la. — Amélia... — Balbuciou, deliciando-se com os beijos que ela dava. Encontrando sua língua várias vezes, sentindo-se cada vez mais tentado dentro daquela fantasia. Era intenso demais, extintivo demais. Tudo nela parecia agradável, tudo que ela proporcionava naquele momento estava sendo bom. Queria joga-la nos bancos daquele carro, despi-la completamente e födê-la arduamente. As mãos dele começaram a subir pelas coxas dela, sentindo a pele fria por debaixo do tecido de cetim caro. Os lábios dele passavam pelo pescoço dela, beijava, descia até os ombros e voltava para a boca. Queria aquilo mais do que tudo naquele momento. Talvez nunca em toda sua vida, tivesse dado beijos tão ardentes quanto aquele. Porém, ela, com um sorriso malicioso nos lábios, o deixando em meio a loucura, se afastou. — O que houve? — Estamos quase chegando. Droga! — pensou Carter. — Aquela viagem de carro poderia sim ter sido infinita. — Se continuássemos, não sairíamos deste carro tão cedo! — Ela falava com uma certeza grandiosa em seus lábios. — Como pode afirmar isso com tanta dominância? Amélia Montenegro apenas sorriu, ajeitou os longos cabelos, em seguida passou a mão por sua saia, colocando-se no lugar que estava antes. O carro parou de andar, o motorista abriu a porta do lado dela e estendeu a mão para que ela saísse. Ela continuava deslumbrante, tão cheia de si, tão intocada. Carter nem podia acreditar que sentiu o corpo dela tão perto do seu. Aquela mulher era inimaginável.
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