Estava pronta com um vestido verde esmeralda com alças finas mais solto que a Kath havia me emprestado. Fiz uma maquiagem que era simples, contando somente com batom, blush e rímel. Deixei os cabelos soltos e para os pés uma sandália estilo rasteirinha. Eu estava meio ansiosa nunca havia ido em uma festa dessas. Mas Kath estava completamente certa. A gente trabalhava muito e quase não tinha hora para se divertir e ter lazer. E por isso, parece que estavámos fazendo algo errado nesse momento, de tanto que era algo incomum.
Eram raros esses momentos.
E por isso eu até estava com uma ponta de animação. Mas com certo receio.
Kath chegou com o Uber. E quando já estavámos quase chegando na festa me lembrei que não tinha pego meu casaco jeans. Era uma noite bem gelada. Era tudo culpa dessa minha cabeça esquecida...
Mas tudo bem porque eu não pretendia ficar tanto tempo assim lá. Eu prometi a mim mesma que iria me divertir e após isso iria para o meu pequeno lar.
A casa era imensa, tanto que eu achei ser possível me perder lá dentro. Havia pessoas demais para todo lado. Essas estavam dançando, bebendo, festejando, jogando beer pong e até se pegando nos cantos da casa. Kath saiu me puxando para a parte externa da casa onde ficava a piscina gigante e tinha muitas pessoas ali também dançando e bebendo.
Ela parou no lugar assim que viu um dos caras daquela outra noite, o cara que ela jogou suco de melancia...
Oh não...
Por dentro eu estava rindo da situação. Os dois estavam se encarando e ela apenas revirou os olhos, arrumou o decote do vestido e fez um sinal com a cabeça.
Era até engraçado ver a Kath assim.
- Vamos pegar bebidas.... já vi um mau elemento ali... - e eu gargalhei.
- Tá bem, vamos. - apenas a segui.
Comecei a beber ponche enquanto Kath foi jogar com algumas pessoas.
Eu nunca nem havia experimentado aquela, mas era boa. Eu já havia experimentado bebidas mais fortes no bar. Então aquela bebida era até razoável.
Fui para o interior da casa que estava muita cheia e estava dançando quando sem querer deixei cair um pouco de ponche no meu vestido. Que droga!
E com isso aproveitei que queria ir ao banheiro, então subi as escadas da casa. Onde podia ver que havia algumas pessoas se pegando. Até na escada? Meu Deus que fogo que esse povo tem. Era até perigoso cair ali.
A música era tão alta que era quase impossível alguém me escutar pedindo licença aqui e ali. Ri desse meu pensamento e continuei procurando pelo banheiro, que era do lado esquerdo. Descobri depois que perguntei para uma garota que saía de um quarto arrumando seu sutiã. Um corredor imenso se mostrava a seguir pra mim, um leve arrepio correu pela minha espinha e acelerei meus passos. Alguns quartos obviamente estavam trancados pelo barulho que vinha de dentro. Após alguns segundos pude enfim enxergar o banheiro no canto. Estava bem escuro.
Quando finalmente coloquei a mão na maçaneta e girei, fui empurrada com tudo para dentro do banheiro por mãos fortes.
Tudo escuro.
Não conseguia enxergar, e o pânico tomou conta de mim e não era por causa da escuridão e sim porque havia alguém ali comigo. E que havia trancado a porta.
Certa disso, o desespero começou a se fazer presente. A sensação de um bolo na garganta estava me fazendo ficar com dificuldade para respirar. Quem estava fazendo aquilo? Que tipo de brincadeira chata e i****a era aquela?
Tateei alguma parede para chegar na porta mas esbarrei em alguém.
Comecei a gritar...
Pedir ajuda...
Até que a luz do banheiro foi acesa...
Quem era...
Eu não sabia quem era, não tinha ideia. Ele tinha uma expressão perversa em seu rosto, que pra mim era um completo desconhecido. Nunca havia visto na vida aquele homem. Era alto, cabelos escuros bem cortados, branco, olhos claros, não era muito forte e uma tatuagem de águia no pescoço.
Ele se aproximou e eu comecei a gritar cada vez mais alto por ajuda.
- Eu não sei quem é você e porque diabos está fazendo isso... mas por favor abre essa porta.- implorei com a voz quase falhando.
- Você é linda demais para estar desacompanhada, meu doce. - disse e eu revirei os olhos.
- Eu vou chamar a polícia seu i*****l! - disse tentando não demonstrar nenhuma fraqueza.
- Para com isso linda, sei que também vai querer. Posso te proporcionar coisas boas. E coisas boas assim não se recusa. - disse com uma voz tentando ser sedutor.
Meu estômago já estava revirando de nojo que eu sentia daquele babaca. Tentando expulsar da mente o que aquele cara provavelmente queria.
- Socorro alguém me ajuda!!! Me ajuda por favor.... Alguém aí? - Disse indo para a porta socando forte.
Era quase inútil já que a festa estava com um som altíssimo.
- Abre essa porta por favor! Alguém me ajuda! Socorro. Socorro. Socorro!
Ele pegou no meu braço e me encostou na parede me tirando da porta. Grudou sua boca em meus lábios exigindo que eu abrisse a boca, mordi fortemente sua boca já em desespero. Ele revidou me dando uma tapa no rosto. Eu senti a ardência vir com tudo no lado direito do rosto.
Comecei a chorar e a gritar por ajuda ao mesmo tempo. Coloquei minha mão no rosto sentindo a pele ali esquentar. Era cada vez mais crescente o desespero de ter que pensar no que aquele babaca tinha em mente.
- Por favor!!!para. - disse quando ele veio pra cima de mim novamente e começou a beijar meu pescoço enquanto eu tentava o empurrar de todas as formas.
Minha mente viajou tentando não pensar em sua boca encostando em lugares que não deveria. Ele fez um perverso caminho em minha boca, mandíbula e pescoço.
- Não toca em mim, seu doente. – berrei.
Foi quando ouvi um estrondo bem alto na porta. E em seguida mais um estrondo mais forte.
Fechei meus olhos. Meu coração acelerou ainda mais...com medo.
A porta foi arrombada sem nenhuma piedade.
Foquei meus olhos podendo ver aquele mesmo cara. A última pessoa que eu imaginei estar ali. Estava parado com os olhos fixos naquela cena.
Os cabelos claros bagunçados e sua feição refletindo a raiva nunca vista antes por mim em lugar algum ou em seus próprios olhos. O azul prenunciava uma tormenta. Pior que todas as tempestades já vistas no universo. Eu podia sentir.
Ele pegou o outro pela gola da camiseta, sem titubear ou parar pra raciocinar. Ele já havia entendido tudo. No momento, que me viu assustada e aquele pervertido em cima de mim. O arrastou para fora do banheiro e em seguida lhe deu um soco no nariz. Logo deu outro e mais outro ficando em cima do homem o socando. Rapidamente se ergueu e chutou o cara com tanta força em sua barriga que o outro se revirou no chão com dor.
Eu estava estática. Não sabia o que fazer. E talvez, eu nem quisesse fazer nada. Queria que ele apanhasse.
Respirei fundo e pensei que queria correr dali. Eu queria gritar com aquele louco que me agarrou a força.
Mas meus pés estavam grudados assistindo a cena a se desenrolar na minha frente.
Não satisfeito ele ainda deu mais alguns chutes e socos. Até que um cara de boné vermelho virado pra trás, disse algo que não consegui ouvir claramente e o segurou com força.
Quando percebi já tinha algumas pessoas que estavam ali perto vendo o que estava acontecendo, se formou então um aglomerado de pessoas. Alguns incentivavam e outros apenas assistiam. Eu já estava chorando e tremendo, tentando limpar o rosto com o dorso da mão.
O cara do bar se soltou e olhou profundamente em meus olhos. Não sabia o que dizer, então apenas o encarei de volta. Ele parecia perdido e ao mesmo tempo em chamas.
Durou um momento que pareceram horas que eu apenas me abracei.
Seu maxilar cerrado agora contrastava com um olhar mais calmo e postura relaxada.
- Vem comigo. - ele se virou e eu não neguei apenas o acompanhei, não conhecia ninguém ali naquela confusão então o segui. Queria agradecer, mas ao mesmo tempo sabia do seu jeito reservado e i****a de ser.
Então, fiquei em silêncio. Estava me sentindo exposta, só queria fugir dali.
Ele foi na frente e eu o acompanhei descendo as escadas, a festa rolava e eu nem tinha mais visto Kath. Devia estar em algum canto conversando ou se pegando com alguém. Não a julgo. Só prezava pela sua segurança.
Olha o que tinha acabado de acontecer comigo....
Do nada um babaca tarado entrou no banheiro comigo. E eu nem sabia de onde aquele cara havia saído. Provavelmente, estava esperando qualquer garota entrar no banheiro.
Caminhei atrás do bar não sabendo muito bem para onde é que ele queria que eu fosse. Ele seria confiável? Sei que tinha que o agradecer, isso eu tinha certeza. Então o segui, até ele abrir a porta de sua caminhonete e dar um leve aceno de cabeça para eu entrar.
Meio hesitante eu entrei no carro. Ainda estava limpando as lágrimas que haviam caído, eu ainda tremia não só por causa do nervoso mas também porque fazia frio e ventava forte agora. Ele deu a volta e entrou em seguida fechando a mesma com força e ligou o que parecia ser o aquecedor do carro.
- Quer ir na delegacia? Você tem a mim como testemunha, caso... você sabe, queira denunciar.
Ele mordeu o lábio inferior parecendo pensativo e desviou o olhar para a janela.
- Não. - disse apenas.
Queria ir pra casa tomar um banho. Estava desesperada por querer me lavar, sabia que isso de denunciar não ia dar em nada infelizmente. Seria difícil um cara podre de rico daquele ficar preso. E eu também tinha muito medo do que poderia acontecer depois, se caso o visse novamente. - Quero tomar um banho só e poder dormir. – respondi baixo.
Estava me sentindo suja. Com nojo...
- Vou te levar pra casa. - disse e colocou o cinto de segurança.
- Obrigada... por aquilo. - falei e ele me olhou. - E por me levar pra casa também.
Ele apenas assentiu e ligou o carro. Dirigiu o caminho todo quieto até eu ficar incomodada com o silêncio e ainda mais curiosa com esse fato. Ficar olhando para a paisagem da noite na janela já estava entediante demais. E olha que eu amava andar de carro. O que poderia soar simples, mas eu gostava da sensação de ver muitas paisagens ao longo do caminho.
- Qual o seu nome? - perguntei curiosa e ele coçou a barba por fazer.
- Brendon. - disse um pouco baixo.
- Ah então, Brendon você conhecia aquele cara?
- Não. - e soprou um sorriso amargo. - Não é muito difícil de perceber que é só um filho da p**a inútil. Filho de algum empresário rico com alguma boa grana e que merecia era apanhar mais. - disse fechando mais forte as mãos no volante, fazendo com que os nós de seus dedos ficassem assustadoramente vermelhos. - Eu iria acabar com ele. - murmurou mais baixo.
- Você me ouviu gritar? - perguntei curiosa movendo os dedos para baixo arrumando a borda do vestido.
- Não. Eu vi que você havia subido há algum tempo e estava demorando pra voltar. - disse casualmente.
- Você estava reparando em mim? - soltei sem nem parar pra pensar de repente.
Ele desviou o olhar da rua que agora estava iluminada de letreiros vermelhos e amarelos. Me encarou por alguns segundos até voltar a atenção para a sua frente.
- Estava. - disse como se fosse algo muito normal.
Tudo bem, talvez ele só tivesse me visto passar quase tropeçando entre as pessoas. E não porque estava realmente prestando atenção em mim.
- O que vamos fazer com a porta? Digo, eu não faço ideia do valor de uma porta de uma casa daquelas.... Deve ser carissímo e também não... - disse já com a mão na testa e ele me interrompeu.
- A casa é minha. Não precisa. - ele disse e eu arregalei os olhos.