Convite aleatório

1705 Words
- O que?? Como? Aaaaquela casa gigante é sua? - perguntei tentando fazer a ficha cair. E tentando diminuir a minha boca aberta em espanto. - Sim é minha. - ele disse e deu um meio sorriso genuíno. Aquela foi a primeira vez que o vi ficar mais relaxado e até sorrir. O que me deixou pensativa sobre o que talvez pudesse ter acontecido com ele. E ainda curiosa. Uma casa gigante daquelas, com o que aquele cara trabalhava? - Minha nossa... - disse aliviada e surpresa. - Minha irmã a pediu emprestada. E vindo de Beatrice eu quis acompanhar de perto a tal festa. – sua voz denunciava o seu claro descontentamento. Depois de uns instantes estacionou perto de onde eu morava. Aquela kitnet era como se fosse apenas um quarto de toda aquela casa tipo mansão.  Tirei o cinto do carro e abri a porta morrendo de medo de que se ficasse mais tempo poderia quebrar algo ali. Mas me debrucei na porta do carro para agradecer. - Entendi. Humm, muito obrigada...mesmo Brendon, por ter me tirado de lá. E ter me trazido pra casa também. Você não é de todo mau. - disse e sorri de lado. Ele apenas assentiu com o olhar vago. - Sinto muito pela sua porta. - Não sinta. – e saiu. Tomei um longo banho me esfregando. Não queria de nenhuma forma me lembrar daquele ocorrido. Preferia lembrar que agora estava segura e tinha um lugar para ficar, tinha alimento no prato, cama pra dormir e isso tudo era o que me bastava. Um calafrio passava pelo meu corpo toda vez que pensava que aquele cara poderia aparecer. Ele era rico, afinal de contas. Poderia querer se vingar após ter levado aquela surra. No outro dia, já estava servindo as mesas e anotando os vários pedidos novos. Era um dia de correria, a lanchonete estava lotada e eu m*l tive tempo de parar pra ver quem estava chegando aquelas horas. Se eu parasse, poderia perder o meu ritmo. - Olha quem chegou... - Kath sussurrou quando passou perto de mim. - Atende ele. - disse e pisquei para Kath que apenas negou com a cabeça mas sorrindo. Olhei para a mesa onde Brendon havia se sentado, estava sozinho e mexia no seu celular distraído. A expressão estava neutra, diria que até continha certa calmaria. Era até estranho pensar em seu nome. Todas às vezes que ele aparecia eu sempre pensava como o “cara do bar”. E agora saber seu nome, era estranho. Eu não ia atendê-lo, não mesmo. Não estava afim de encarar seu mau humor hoje ou sua bipolaridade recorrente. Então apenas fui buscar os pedidos de outros clientes, enquanto Deisy passava feliz por mim cantarolando. Peguei os pedidos e entreguei em cada mesa, ouvindo o sininho soar anunciando mais um novo cliente. Parece que todos haviam resolvido vir na mesma hora, de uma só vez. Era sempre assim. Quando estava tranquilo, ficava muito calmo. E quando lotado era o caos na terra. Apenas respirei fundo e continuei meu trabalho. Estava agora ouvindo o burburinho entre Kath e Brendon que estavam há minutos discutindo algo. - Não, Kath. Peça que ela venha me atender. - disse Brendon do outro lado. - Olha aqui Brendon você não está na posição de escolher quem te atende, okay? Estamos com vários clientes agora e a Theresa também está servindo, ocupada, está tudo muito corrido agora. - ouvi ela parar e continuar. - Então, desembuche qual o seu pedido?  - O pedido é que a sua amiga venha me atender. - ele disse e ouvi Kath bufar. O que será que ele queria comigo? E por que tanta insistência? Balancei a cabeça em negativa e pisquei pra Kath que acenou entendendo o recado e dau de ombros em seguida. Ela sabia o que havia acontecido, afinal todos já sabiam. Até porque o maldito do tarado gritou pra todos ouvirem que eu era uma p**a antes de ir embora, caindo e tropeçando de tão machucado que estava. Ao menos foi o que a Kath me contou depois. - Boa noite, Brendon. O que deseja? - disse já esperando pela sua resposta afiada. Coloquei as mãos na cintura aguardando. - Boa noite. Parece tão agressiva hoje. - ele disse erguendo a sobrancelha. - Deve ser os clientes chatos. - eu disse com a voz baixa. - Qual o seu pedido?  Ele olhou para o cardápio abaixo parecendo pensar em algo. Mas parecia perdido quando voltou o seu olhar para mim. - s*x on the Beach... - ele falou. - Oi? - É uma bebida, vocês não fazem drinks aqui?  - Somente drinks mais simples. - digo reparando em sua feição surpresa. - Vocês estão perdendo grana então. - disse constatando e balançando a cabeça em negativa. - Provavelmente. Eu tenho outras mesas para atender, então agradeceria se me dissesse o seu pedido. - disse batendo a caneta no pequeno bloco. - Whisky e um daqueles hambúrgueres, com batata frita e essas coisas aí. - disse me encarando com um meio sorriso. - com certeza ele estava aprontando alguma coisa. Que cara estranho. Era bipolar só podia ser. Já tinha levado o pedido de alguns outros clientes, quando o pedido dele ficou pronto. Aproveitei para levar o seu pedido até a sua mesa. - Theresa, gostaria de um hambúrguer a mais. - ele disse e eu revirei os olhos. - Por que não me disse antes? – disse confusa. Tá vendo? Eu podia jurar que ele estava aprontando. O que era novo visto que ele estava sempre mau humorado e também não gostava de prolongar muito as conversas. - Porque eu me lembrei agora. - respondeu mexendo no celular. - Tudo bem, como desejar. – rebati. Saí de lá pisando firme... Se ele tá pensando que eu vou ficar a noite toda o servindo ele tá muito enganado. Uma parte de mim dizia que ele estava fazendo de propósito. Sendo infantil. Me irritando por pura falta do que fazer mesmo. Respirei fundo, tentando não levar a sério. Esperei o hambúrguer por uns minutos sentada num cantinho na despensa. Batendo os pés no chão, encarando os mesmos impacientemente. Qual era o problema dele? Ele achava isso engraçado? Que meu trabalho é algo engraçado? Bem a cara desses riquinhos imbecis. Eram quase sempre egoístas e mimados. Sabia disso porque vez ou outra sempre aparecia uns caras assim de outras cidades no bar. Eu não gostava de generalizar, era errado, mas a maioria gostava de se sentir superior. Foi quando Kath chegou na despensa quase hiperventilando ao meu lado, toda nervosa e com as bochechas ruborizadas. - Ele está aí! O cara do suco.... O i****a gostoso do amigo...- ela disse e se abanava. Mal percebendo o que tinha acabado de dizer. - Se acalme mulher. O que houve? - perguntei me levantando. - Não sei, eu só estou nervosa que ele está aqui. Ele consegue ficar ainda mais bonito com aquele boné virado pra trás... Meu Deus! - disse e eu sorri. - Eu sou trouxa né Theresa? Esse tipo de cara não olha para a gente do mesmo jeito que as garotas do "nível" deles. Eu estou me iludindo. – e choramingou. - Kath fica calma... Se você quiser a gente pode trocar. Você serve ele e eu sirvo as suas mesas. - sugeri. - Nada disso, nem a p*u. Ele ainda é um babaca apesar de ser lindo... e a gente já discutiu antes, joguei suco nele Theresa, por Deus vai você garota. - Tá bem, relaxa tá. Ele não vai te provocar, vou me certificar disso. - disse e pisquei pra ela saindo. Peguei o hambúrguer de Brendon e saí porta a fora. Os dois estavam em uma conversa até animada, cocei a garganta fazendo um barulho chamando a atenção. Dessa forma, eles me viram e voltaram a atenção para mim. - Aqui está o pedido de hambúrguer. – e entreguei para ele. - Boa noite, o senhor vai desejar o que hoje? - me dirigi ao amigo de Brendon que me encarava de uma forma diferente, olhava de mim para Brendon. - Boa noite, hey é a Theresa não é? - ele disse e continuou quando eu assenti. - Você pode informar para a gente aqui que horas a lanchonete irá fechar?  - Jonathan... - ouvi Brendon sussurrar e o encarar seriamente. Quase como se o mandasse calar a boca. De repente vi raiva em seus olhos. Ele estava fuzilando o tal Jonathan com o olhar. - Nós estamos indo para o festival, agora mesmo. Não querem ir? Digo você e sua amiga, a loira...? A gente espera vocês. - disse com um meio sorriso relaxando as pernas preguiçosamente. - Hmm eu... - eu não sabia o que dizer, eu estava estranhando aquilo. Tudo muito atípico. Por que um cara como ele nos chamaria para sair assim? Por que ele estava nos convidando? Seria algum tipo de deboche? Mas o tal Jonathan não parecia ser alguém assim. Parecia alguém bacana e descontraído. Mas Brendon não parecia aprovar aquilo. Nenhum pouco. Minha mente estava inundada de incertezas. E será que tinha algo a ver com Kath? Eu não sei se era uma boa ideia. Eu fiquei surpresa com tal convite, será que era algum tipo de piada? Armação? - A Beatrice também irá, ele está com a SUV aqui. Capaz de caber a galera toda não é Brendon?- disse afirmando. O mesmo não disse nada somente deu de ombros para o amigo ao lado. Eu estava pronta para dizer que não, que a gente estaria ocupada demais quando fechássemos as portas da lanchonete/bar. Mas quando Brendon resolveu abrir a boca eu decidi que iria sim a todo custo. - Jon esquece. Olha a cara de assustada da garota, ela é medrosa demais para aceitar isso - e deu um longo gole de seu whisky. - Está nervosa só de pensar nessa possibilidade, olha para as suas mãos. Realmente eu estava apertando os dedos o estalando abaixo enquanto pensava, mas por que nunca tinha ido a esse tipo de lugar. Era realmente tudo muito novo. Eu não sabia o que pensar. Mas estava muito disposta a descobrir esse novo mundo.
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