Continuei guardando minhas expectativas, sempre acreditando que cada gesto meu poderia inspirar reciprocidade. Sempre planejei, organizei, me preparei — mesmo quando Samuel parecia indiferente. No aniversário dele, quis surpreender. Perguntei: — Então, me diz, o que você gostaria de ganhar este ano? Ele deu de ombros, distraído, mas acabou mencionando um tênis específico. Não dei muita pista, apenas anotei mentalmente o modelo, a cor, o número. Quando chegou o dia, comprei exatamente aquele tênis, do jeito que ele havia escolhido. Quando entreguei o presente, vi nos olhos dele aquela faísca de alegria. Ele sorriu, segurou o tênis como se fosse um tesouro e foi mostrar para os vizinhos e para a família. Meu coração até acelerou de felicidade. Aquela pequena vitória, aquela reação, me deu

