Capítulo 9

1493 Words
Não perdemos mais tempo. A rainha Matid reúne a maior armada de todas. Todo o seu exército dos Dez Reinos do Império é convocado para ir ao esconderijo secreto dos árvomes extremistas e Rocadi é quem conduz até ao local. O Castelo está quase desprotegido, a cidade murada está com pouca guarda, a ordem é que todo mundo se esconda caso haja algum ataque. Está ficando cada vez mais escuro e as tochas foram acendidas. Ontem teve guerra sem a luz do Sol, e hoje parece que acontecerá o mesmo. Estamos todos e todas a marchar na floresta. Todos os insetos gigantes foram levados para ajudarem na possível batalha, os besouros chamados de trecornios, os bichos-paus chamados de gravetanos e as libélulas chamadas e fadonas. Eu ri tanto desses nomes. Antes de partirmos, sem demora, a Rainha Matid mandou que mensageiros entregassem cartas com pedido de socorro para os outros seis Impérios da Pangeia. Toda ajuda será bem-vinda. A Pangeia é enorme, porém, pode ser que esta guerra dure anos, mas a ajuda chegará em dias, quem sabe, semanas. Estou em cima de uma fadona/libélula, agarrada em Metrim, porque a Rainha acredita que eu serei mais útil no céu, tenho ótima visão e serei fundamental contra ataques aéreos. A p***e da libélula não está nada contente com o meu peso, mas eu não sei pilotar esta coisa sozinha, se eu estivesse em cima de um inseto voador gigante no meu mundo, estaria morrendo de medo. Aqui sou mais corajosa. Finalmente, nós chegamos à caverna depois de uma hora e meia. Nem demorou tanto quanto da primeira vez, quando saí de lá. Um guerreiro, por ordem da Rainha, colocou o Rocadi numa libélula e o levou para longe daquele lugar, daqui em diante, será por nossa conta. A enorme entrada da caverna, que parece estar vazia, está escura e silenciosa. Não sabemos se realmente tem alguém lá. A Rainha utiliza um aparelho que parece uma trombeta, mas é usado para ampliar a sua voz, ela diz: — Mandante Isiton, você está cercado pelo exército do Império de Metrimna, a decabasilis inteira está aqui. Se você estiver aí dentro, saia e renda-se, senão vamos atacar. O Mandante Isiton é um homem inteligente, mas não sei se é muito esperto. Eu imagino que ele se organizou para partir, já que o seu esconderijo foi comprometido, mas por incrível que pareça, ele não fugiu. Ele sai sozinho da caverna montado em um escorpião marrom. Até agora não sei como ele fugiu de mim ontem. Eu sinto uma ligação com ele tão forte que o meu coração acelera, não sei o porquê. E estou agarrada ao Príncipe Metrim, espero que ele não perceba, há várias fadonas agarradas nas árvores. Meu Deus, como sou s****a. Não queria, juro, mas o Mandante Isiton mexe comigo. A peste veio com o martelo enorme dele. Ah! Esse martelo, me fez esquecer de três dias convivendo com o inimigo, enjaulado como um animal. Eu percebo que o Mandante está me procurando, olha para todos os cantos até me ver na libélula que repousa no pico de uma árvore. Nossa! Estamos tão distantes. — Ele está olhando para cá? — questiona Metrim. — Miserável, ele está olhando para você, Rosy. Temi que o Metrim percebesse. De repente, Isiton estende a mão para a minha direção como se estivesse me convidando a ficar ao seu lado, só que mais ninguém entende isso. Droga, o que ele quer? Ele é louco? Eu jamais me relacionaria com ele. Ele é o vilão. Mas ele é gostosão. Que inferno! — Mandante Isiton — continua a Rainha —, esta é a sua última chance, se renda, ou atacaremos sem misericórdia. Nesta hora, Isiton para de olhar para mim e foca na Rainha. Depois lança para ela um sorriso de psicopata e abre os braços, em seguida solta um grito grave de guerra e vários homens — quase todos da raça Námda, os verdes-menta, traidores, e principalmente o tom de verde-limão, a oitava raça — de roupas pretas, armados até os dentes, saem da caverna a mostrar que ele também possui um exército. Muitos estão montados em escorpiões e a novidade, em aranhas também. Maldição, odeio aranhas, que naquele mundo são chamadas de arapresas. — Ouça-me, árvomes de Virell — grita o Mandante Isiton —, juntem-se a mim, vocês merecem possuir a vida eterna, eu sou imortal como os Árvos, eu sei como usar a Seiva da Vida. São sacrifícios a serem pagos, mas construiremos uma nova sociedade de árvomes, uma nova espécie para este mundo. Somos muito mais fortes e mais poderosos que vocês, caso não se entregarem, nós é quem não teremos misericórdia… — Já chega — grita a Rainha. — Se não for por bem, será por m*l. Ela faz uma pausa dramática antes de ordenar: Atacar! Finalmente a batalha mais esperada do Império vai começar e todo o seu exército de guerreiros avança contra o exército inimigo. Mas os inimigos possuem catapultas que foram incendiadas e várias bolas enormes de fogo atingem os nossos, queimam terra e vegetação. Enquanto isso, os nossos arqueiros atiram flechas contra os extremistas, seu foco é m***r os que manuseiam as catapultas no momento. — Metrim — grito para o Príncipe depois de um tempo para que ele me leve para o campo de batalha. — Ainda não, Rosy de Aster — ele responde. Então eu fico lá, assistindo a batalha. Muito sangue, muito fogo, muito ferro, muitas mortes. Minha agonia é tamanha que fico ofegante no pico daquela árvore. — O que está esperando, Metrim? — pergunto já impaciente. — Você é a nossa garantia de vitória, fui avisado de que te mantivesse longe da batalha para não perder energia antes do tempo. — Isso não faz o menor sentido. — É claro que faz, Rosy. Batalhas assim duram horas. Veja quantas pessoas… — Que estão morrendo? Estou vendo perfeitamente e não quero ficar aqui esperando uma deixa. A minha paciência se esgota em vinte minutos de luta. Eu desmonto da libélula e me agarro à árvore, vou descendo bem rápido para o chão, esperei até demais. Metrim grita para mim, mas eu o ignoro, sou a única mulher que está de vestido numa guerra, sou rápida e ágil, aquilo nunca vai me atrapalhar. Assim que corro pelo chão, duas aranhas correm para minha direção, estão apenas de sela, quem as montavam as deixaram sozinhas. Estava preparada para atacar, mas Metrim salta sobre uma delas e a golpeia, depois pula para a outra e as mata rapidamente. — Você é muito desobediente, humana — Metrim faz uma pausa antes de sorrir para mim —, mas é corajosa e benevolente, jamais te deixarei sozinha. O que pretende fazer? — Você sabe, quero derrotar o Mandante Isiton — respondo assim porque não quero m***r ele, mas Metrim entende. — Rosy, você precisa entender que a ordem é matá-lo, todos recebemos esta instrução. Se você chegar perto do Mandante, você precisa o m***r. — Não tem outro jeito? Eu nunca matei ninguém. Não que eu saiba. Metrim suspira. — Então, deixe ele imobilizado, o resto é comigo. Vamos lá? *** Como a campo de batalha está repleto de pessoas, não tem como eu correr bem rápido e desviar das pessoas sem me esbarrar em alguém e me atrasar, além de tudo, vou consumir mais energia. Droga, tinham razão. Pego a minha espada e invado o campo, o Mandante Isiton está bem à minha vista. Parece que ele espera por mim. Metrim me disse que se ele sabe que estou lá, ele não vai cometer o erro de permitir que eu o enfrente novamente e vacilar. Quase o derrotei, ele agora será mais cauteloso. Será que ele tem algum plano? Eu passo pelo campo de batalha, os inimigos não são um problema para mim, mas sim os insetos gigantes. Nunca me passou pela cabeça que deve haver mais insetos por aí, ou que haja animais vertebrados gigantescos. Espero que não. Ninguém falou sobre isso comigo. Eu odeio aranhas, e elas estão em toda parte, mas ainda bem que os meus golpes de espada as matam imediatamente. Não preciso brigar tanto. Para não m***r um árvome, eu mato insetos e não sinto uma gota de remorso. Eu não gosto de insetos, "desculpe-me a sinceridade". Ainda mais aranhas e escorpiões. Cruzes. Sempre estou de olho no Mandante, e ele luta de uma maneira que parece que está procurando alguém e eu sei que sou eu, até que em um momento, ele me enxerga. Culpa minha, eu chamo atenção porque saio matando vários insetos como uma louca, estas pragas matam guerreiros de Metrimna tão rápido que nem dá para contar. Eu percebo de longe que Isiton está sorrindo para mim, eu não vou esperar por mais um segundo, então começo a correr para a sua direção. Óbvio que não sou boa com obstáculos, vou atropelando todo mundo. Quem estiver na minha frente, que saia.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD