ค noite foi maravilhosa, repleta de beijos e carinhos, abraços e carícias, um clima perfeito, como se estivessem em uma bolha, como se não houvesse nada além deles e do que estavam se permitindo viver.
Como se vivessem algo além deles mesmos, ambos tendo a chance de não se preocupar com o tempo, podendo se curtir até o sono e mais, se entregando ao sono juntos, dividindo a cama pela primeira vez para algo além das carícias.
Tudo parecia um sonho, ela chegou acreditar não passar disso ao acordar sozinha na cama, podia ainda sentir seu calor e seu perfume ao seu lado, mas, ao não vê-lo ali, pensou não passar de sua imaginação, uma pequena decepção a tomou, acreditando que ele sequer tinha aparecido, deixando-a sozinha até cair no sono depois de muito esperar.
Mas aquela tristeza chegou ao fim quando, depois de ficar mais algum tempo na cama, levantou, mesmo sem vontade, e notou todas as prendas de que se lembrava de ter trazido, todas em meio ao caos que seu quarto se encontrava, todas, inclusive aquele enorme gato preto de pelúcia, com um papel amarrado no laço vermelho do seu pescoço.
Deu.alguns passos rápidos até o gato e pegou-o, retirando aquele pequeno pedaço de papel, sentando junto à ele na cama para lê-lo.
"Princesa,
sei que o combinado era passarmos a noite juntos.
o que fizemos,
porém,
sinto muito por não ter acompanhado o seu despertar,
que tenho absoluta certeza de ser a coisa mais linda,
mais empolgante de se ver.
Pode acreditar que,
essa é uma coisa que almejo
e pretendo fazer muito em breve,
será mais um sonho realizado.
Espero que seu dia seja repleto de coisas agradáveis
e que o passe pensando em mim,
como eu também farei.
Ansioso por vê-la novamente.
Com muito amor de seu eterno e apaixonado namorado. "
Um sorriso, contrariado, surgiu em seus lábios, não havia como, por mais que tentasse, ficar chateada com seu gatinho, ele havia cumprido com o que ela havia pedido, ficar com ela, sem o problema da falta da magia, um segredo que ambos compartilhavam, mesmo que ele não soubesse.
Porém, em momento algum ele havia prometido ficar até amanhecer, claro que ela entendia, ele deveria ter uma família que o amava e que, certamente iria estranhar demais, ou até algo pior, não ver o filho no quarto pela manhã, pelo menos não sem antes avisar, o que ela esperava que ele fizesse logo e que pudessem ter uma noite e manhã juntos.
Lógico que também havia o fato de seus pais, por mais que eles houvessem deixado claro que só voltariam na parte da tarde, seria muito arriscado, até traumático, se eles resolvessem voltar mais cedo e vissem sua filhinha ao lado de um desconhecido, algo que ela não havia pensado no calor do momento.
Ficou algum tempo pensando em tudo aquilo, com o gato em seus braços até sentir que não dava mais para enrolar, havia muito para ser feito naquele dia e, com seus pais fora, teria que fazer tudo sozinha, mas não se importava, era bom ter algo para ocupar a mente.
Assim que levantou mais uma vez, viu que o primeiro lugar que iria organizar seria com certeza seu quarto, a bagunça da noite anterior havia sido muito maior que ela imaginava e, não queria correr o risco de que seus pais perguntassem o porquê de sua calcinha estar pendurada no lustre, ou porquê seus lençóis estavam molhados em um canto do quarto, seria embaraçoso demais dar todas essas explicações, ou inventar desculpas suficientemente boas para convencê-los.
Quarto arrumado era hora de pôr a roupa para lavar e preparar o almoço, já estava com a comida quase pronta, fora a destruição da cozinha, quando seus pais ligaram para avisar que só voltariam na manhã seguinte e que não era para ela se preocupar, além de dizer que demorariam justamente para levar uma surpresa para ela.
Respirou mais tranquila ao saber que também teria tempo de arrumar aquele cômodo, com Tikki tudo ficava mais fácil, mas a curiosidade não a abandonava um só segundo, chegando a ficar ansiosa por descobrir o que seria a tal surpresa, mesmo sabendo que precisaria esperar até o dia seguinte.
Ao final do dia ela estava exausta, mas orgulhosa de todo trabalho que tivera, nem acreditava em tudo que fizera, seu quarto parecia outro, o que deu muito, muuuito trabalho, mas dava gosto ver tudo limpo e organizado, as prendas e brinquedos cada um em seu lugar, o gato bem no meio de sua cama.
Depois de tudo pegou uma roupa limpa e foi tomar banho, deixava a água quente correr por seu corpo e tirar todo suor e cansaço, conseguia sentir tudo ir embora e seu corpo aquecer muito além do que o calor da água, por mais que não fosse a intenção, seu pensamento foi para muito longe dali, daquele momento, daquele lugar, lembrava de seu gatinho, de seus carinhos e de todo amor que sentia.
Ouviu um barulho vindo de seu quarto, secou o corpo e o cabelo rapidamente, se vestiu e foi ver o que poderia ser, teve uma grande surpresa ao chegar e ver sua cama coberta de rosas e um pequeno ponto preto voando ali, segurando mais uma rosa, sabia bem quem era, o chamou, ele então se virou, colocou a pequena pata sobre os "lábios" e soprou um beijo antes de sair.
Um sorriso surgiu em seu rosto, ao se jogar na cama sobre as rosas, abraçada ao gato, um sorriso verdadeiro e apaixonando, a felicidade de saber que, mesmo de longe, ele pensava e cuidava dela.
O sono veio sem ela se dar conta, os sonhos que já vinham enquanto acordada, continuavam durante seu sono, tranquilo e leve.
O dia amanheceu, o sol brilhando lindamente, ela podia ouvir os pássaros cantando, uma alegria gigantesca tomou conta do seu ser, tudo se tornara mais feliz, o mundo tinha muito mais cor desde que começaram o relacionamento, então ela se levantou e foi até a janela, mesmo sabendo que não o veria, ao menos não naquele momento.
Perto do horário do almoço, foi até a frente da padaria, estava ansiosa demais para esperar na parte de dentro, contava os minutos para a chegada dos pais, andava de um lado para o outro, igual uma formiga que se apaga o caminho a seguir, continuava andando em círculos, entrando e saindo da padaria quando não tinha clientes, até que...
- Vai furar o chão assim, baixinha.
Aquela voz...
Seu coração bateu mais forte, um sorriso gigantesco desenhando seus lábios, aquilo com certeza era um sonho, não se viam há tanto tempo, não havia motivos para ele estar ali, virou tão rápido que quase caiu no chão quando o viu, ele sendo rápido o bastante para amapará-la.
Marinette- Luka!- gritou se jogando em seus braços, ele a levantando e rodopiando no ar como uma criança.
Sabine- Eu disse que ela ia gostar da surpresa...
Tom- Você sempre tem razão, meu amor.
Marinette- Mas...como...quando...
Luka- Calma baixinha, respira, uma pergunta de cada vez.
Marinette- Baixinha é a pu...
Sabine- MARINETTE DUPAIN-CHENG!
Marinette- Desculpe mamãe...
Luka- Sempre desbocada né, baixinha...- falou rindo enquanto bagunçava seu cabelo.
Ela bufou, mas ele sabia como fazê-la rir, sempre soube, desde que ela era menor, ou melhor, mais nova, serem primos e terem passado boa parte da vida juntos ajudava e muito...
A diferença de idade entre eles, cinco anos, era algo que não atrapalhava a convivência deles, ao contrário, ajudou para que eles se aproximassem ainda mais, sendo muito mais que primos, eram como irmãos, vivendo sempre juntos, se separando apenas há alguns anos quando ele foi viajar com o pai, um grande cantor, mundialmente conhecido, o qual até aquele dia Marinette ainda era muito fã, chegou a fazer inclusive a capa de um dos seus cds.
Sim, seu pai, o qual muitos não sabiam, até Luka ter a idade adequada para ingressar no mundo da música profissional, era ninguém menos que o grande e adorado por todos, Jagged Stone, uma bomba para todos no mundo da música, um filho "perdido" como todos diziam, mas que a família sabia muito bem e os apoiou naquele segredo para que ele tivesse uma infância tranquila.
A reunião estava feliz e tranquila, ele a abraçando enquanto riam sem parar, era uma festa o que estava rolando ali, uma festa que só parou quando ouviram o toque do sino da porta, anunciando a entrada de um cliente.
Na verdade três, dois abraçados e sorridentes e um com cara de poucos amigos.
Alya- Oi Mari, viemos te fazer uma visita e...quem é esse?!- perguntou largando a mão do namorado para ir encarar o rapaz que estava abraçado à amiga.
Nino - E lá vamos nós...- falou revirando os olhos, conhecendo bem a namorada e sabendo que aquilo ia demorar.
Alya- Sem gracinha tá legal? Só tô curiosa, acho que...conheço ele...
Luka- Luka Couffaine, ao seu dispor- declarou beijando de leve uma das mãos da morena- Mas deve me conhecer como Luka Stone.
Alya- Couffaine...Stone...pera, você é o filho perdido do Jagged que toca com ele?!
Luka- Em carne, osso e música.
Alya- MARINETTE SUA SAFADA, POR QUE NÃO ME DISSE QUE CONHECIA ELE?!
Marinette- Como eu não ia conhecer o meu primo?
Alya- PRIMO?! COMO ASSIM?!
O escândalo que a morena fazia era algo digno de uma tiete enlouquecida, um pouco diferente da jornalista investigativa como ela sempre agia, mas todos lhe davam o espaço para que ela fizesse as centenas de perguntas que ela queria fazer, Nino, sabendo bem que aquilo ainda iria demorar, apenas pegou um doce e se sentou, esperando-a pacientemente.
Porém, nem tudo são flores e, em algum momento aquilo poderia se tornar uma guerra e foi isso que aconteceu, quando ele se aproximou do loiro que entrara junto a eles.
Luka- E você, também é amigo da baixinha?- perguntou estendendo a mão.
Adrien- Sou amigo dela há muito tempo e nunca ouvi falar de você! E quem você acha que é pra se achar no direito de ficar abraçando ela desse jeito, ou chamando ela assim? SABIA QUE ELA TEM NAMORADO?!
Todos estranharam vê-lo daquele jeito, nunca o viram agir assim com ninguém antes, ele sempre sendo visto como um garoto doce, apesar da merda que fizera com a azulada, todos ficaram calados, sem saber como agir perante àquilo, todos com exceção de Luka, que sabia reconhecer bem o ciúme, principalmente quando estava tão explícito.
Luka- É uma pena que você não tenha gostado de me conhecer, se bem que...Os namorados muitas vezes são assim mesmo.
Marinette- Você tá enganado, NÃO somos namorados, nem somos mais tão amigos assim.
Luka- Bom saber priminha e, quanto ao tal namorado misterioso, o loirinho aí pode dizer à ele que eu não sou ciumento, muito menos com algo que já é meu.
Se Marinette tivesse prestado atenção ao jeito que o loiro ficou com aquelas palavras, ao invés de se juntar ao seu primo nas risadas, teria visto como seus olhos brilhavam de ódio e como ele parecia cuspir fogo ao ver aquele desconhecido, ao menos para ele, abraçar sua namorada com tanta i********e e tocá-la sem o menor pudor, se ela tivesse prestado mais atenção teria visto que a guerra estava travada e que aquilo não iria acabar assim, ele não iria desistir antes de lutar com todas as forças.
Não demorou muito depois que eles se foram para a família fechar a padaria e subirem, já era tarde, Alya havia feito tantas perguntas que Nino chegou a dormir sentado com o rosto em cima do prato com o décimo doce, o que rendeu muitas risadas e um rapaz muito encabulado, fora outro que ainda não aceitava o relacionamento daqueles primos.
Tom e Sabine logo se recolheram, precisavam acordar cedo para organizar tudo para o dia seguinte e não tinham nada adiantado.
Luka e Marinette pelo contrário, ficaram ainda um bom tempo conversando e matando a saudade, era muito bom ter seu irmão de volta, ela sempre o vira assim e não via maldade nas aproximações um tanto invasivas que ele fazia, ele era como um irmão mais velho para ela, aquele que cuidava dela, a ajudava e a protegia, fora as vezes que a barraqueira nela resolvia dar o ar de sua graça.
Um belo filme de comédia foi a escolha que fizeram para terminar a noite, ele a esperando de braços abertos no sofá enquanto ela vinha com a tigela de pipoca, ele fazendo questão de envolvê-la com um dos braços quando ela se sentou.
Luka- E então baixinha, o negócio do namorado é sério?
Marinette- Mais do que você imagina.
Luka- E como ele é? Qual o nome dele?
Marinette- Naote.
Luka- Oi?
Marinette- Não te interessa. Você pode ser meu priminho amado mas, quem eu namoro ou deixo de namorar, aí já é problema meu.
Luka- Ai, ai...a mesma pincher de sempre...- declarou em meio às gargalhadas.
Marinette- Pois é, só que agora a pincher aprendeu a morder.
Ele riu com a petulância daquela baixinha, lembrava bem do apelido que ele lhe dera ainda na infância, ele dizia que, assim como um pincher, ela era 10 porcento altura e 90 porcento ódio, chegou se preparar para falar algo, dar uma resposta à altura, mas as palavras morreram em sua garganta ao ouvir um barulho vindo do andar de cima, ela também ouviu, mas fingiu não ser nada, porém aquele barulho não parou, ao contrário, ele insistiu por um bom tempo, ficando cada vez mais alto.
Luka- Tem certeza que tá tudo bem? Isso tá estranho...
Marinette- Tenho sim, deve ser a janela batendo, eu com certeza esqueci ela aberta de novo...
Luka- Se você diz...bora ver o filme então?
Marinette- Vamos deixar pra outro dia, estou um pouco cansada, melhor subir senão não acordo a tempo e aí já viu né...
Luka- A tia ainda pega no seu pé por isso?
Marinette- Você nem imagina...
Luka- Insistente e corajosa ela...
Ela mostrou a língua, o que o fez rir novamente e subiu as escadas correndo, já tendo certeza de onde vinha esse barulho e quem era o seu causador.
Dito e feito.
Ao entrar, viu aquele maldito gato sentado confortavelmente em sua cama, jogando algo na parede, que só depois ela percebeu ser uma bola de tênis, que ela não tinha idéia de onde havia saído...
Marinette- Gato maldito, que p***a você pensa que tá fazendo?!
Chat- Passando um tempo enquanto você estava ocupada com aquele poste...
Marinette- Poste? Tá falando de que...pera, tá falando do Luka?!
Chat- Ah, então o poste tem nome...- falou levantando e empurrando a cadeira que caiu com um estrondo...
Marinette- Que p***a Chat, vai acordar todo mundo assim!
Chat- Contanto que aquele i****a vá embora...
Marinette- O problema vai ser se...
Sabine- Filha? Tá tudo bem? Eu ouvi um barulho...
Marinette- Tá sim mãe, eu só tropecei, nada demais.
Sabine- Tem certeza que não se machucou?- perguntou abrindo um pouco o alçapão, por sorte a azulada foi rápida o bastante para pular na cama e jogá-lo para o lado onde estavam os cobertores, cobrindo-o também.
Marinette- Não precisa se preocupar mamãe, eu tô bem, já tô até deitada, pode ir dormir.
A mãe percebeu o quanto ela estava estranha, mas resolveu dar um voto de confiança, sabia o quanto sua filha era desastrada e aquilo poderia ser verdade, até porque não havia motivos para ela mentir.
Sabine- Tudo bem minha filha, qualquer coisa você pode nos chamar.
Marinette- Sei sim mamãe, boa noite.
Sabine- Boa noite meu anjo, bons sonhos.
Ela esperou que o ruído dos passos desaparecesse por completo antes de puxar os cobertores e olhar novamente para aquele gato sem vergonha.
Marinette- Agora abre o bico, que p***a foi essa? Que bicho te mordeu?
Chat- Não aconteceu nada- respondeu desviando o olhar, pegando a bola para recomeçar a jogá-la.
Marinette- CHAT NOIR PARA COM ESSA MERDA E FALA AGORA c*****o!- brigou, segurando seu braço, fazendo-o parar- O QUE VOCÊ TEM?! SEM MENTIRAS AGORA!
Chat- Eu...não gostei do que vi quando cheguei. Não gosto de ver um homem com tanta i********e com a MINHA NAMORADA!
Marinette- Mas gatinho, ele é meu primo, crescemos juntos...
Chat- QUE SEJA, NÃO GOSTO E PRONTO!- falou mostrando os dentes como um animal ferido e pronto para o ataque, mas ela já havia entendido o problema.
Marinette- Gatinho...você está com ciúmes...- disse com um sorriso doce nos lábios, tentando tocar seu rosto, mas ele se esquivou.
Chat- Ciúmes? Isso é ridículo!- reclamou tentando se soltar, mas ela o puxou, envolvendo-o com os braços.
Marinette- Olha pra mim meu amor, você não precisa disso, você sabe que eu só tenho olhos pra você e o quanto eu te amo- continuava tentando acalmá-lo, por mais que ele se esquivasse- Escuta, ele não fez por m*l, nem eu também, sinto muito por você se sentir assim, ele não sabe de nada e...
Chat- Esse é o problema, ele não sabe e se acha nesse direito.
Marinette O que você quer dizer com isso?
Chat- Simples, seus amigos já sabem de nós, já é hora da sua família me conhecer.
Marinette Eles já te conhecem...
Chat- Como seu amigo, quero conhecê-los como seu namorado.