02

5000 Words
O dia começava devagar, o céu era lentamente tomado pelos raios do sol anunciando para as pessoas que o dia estava começando e com ele suas rotinas novamente estavam para começar. Era meio da semana, mais alguns dias e poderiam enfim descansar mesmo assim as reclamações costumeiras rondavam as bocas das pessoas um clichê que com toda certeza estaria na boca do povo é: queria que fosse sexta-feira. Esse dia era amado e odiado por alguns, pois, veja bem se você trabalha de todo jeito teria que acordar cedo nesse dia e não poderia de certa forma usufruir dele, agora se não trabalha e pode ficar em casa curtindo é um ótimo dia sem sombra de dúvidas. Apesar de uma parcela odiar acordar cedo uma outra já não odiava tanto assim ter que sair da cama pela manhã, afinal de contas sua vida e seu trabalho dependiam disso e se tudo ocorresse conforme o plano não teria mais que se preocupar com nada ao menos era isso que esperava, porém mesmo se as coisas saíssem do controle tinha vários planos reservas para salvar sua pele, sua única certeza era que a polícia nunca colocaria as mãos em seu corpo. Havia acordado sorridente, já pensando no que poderia fazer para que tudo fosse diferente do dia anterior, mesmo com as pequenas complicações que surgiram não era motivo algum para desânimo, só teria primeiro que fazer sua rotina como todos os dias. Acordar, tomar banho, comer alguma coisa e sair de casa para então começar a fazer seus afazeres em suma: tinha que limpar a bagunça feita por seus funcionários. É aquilo, se quer um serviço bem feito faça você mesmo. E não confiava em mais ninguém para fazer isso, até tentou uma vez e foi o suficiente para se arrepender. Teve que infelizmente lidar com alguns problemas depois das suas últimas duas visitas, pensar naquilo criava uma dor de cabeça que não gostaria mais de ter. Por causa de pequenos deslizes cometidos pelos subordinados agora teria que lidar com a polícia na sua cola durante um tempo, quanto não fazia porém isso não era de fato muito importante, pois, de um jeito ou de outro conseguia sempre se livrar. Não era de hoje que estava nesse meio, por causa disso meio que teve que aprender como se sobrevive nele caso contrário os resultados poderiam não ser lá muito agradáveis e a última coisa que desejava sem sombra de dúvidas era a morte. Sempre quis ter uma vida tranquila, sua família queria o contrário disso. Se pudesse voltar no tempo talvez arrumaria algumas coisa outras nem tanto assim. Nesse meio ou você é a caça ou você é o caçador, não existe meio termo entre os dois. Em suma, ou você vai cair batendo e ao menos ter a consciência limpa que tentou ou não faz nada e aceita as consequências. Não entrou por livre espontânea vontade, entrou por ser preciso afinal de contas sua sobrevivência contava com aquilo. Pensar naquelas coisas fez com que sua cabeça se movimentasse para os lados em uma negativa lenta, era engraçado como a mente humana consegue se perder tão fácil quando se deixa distrair em pensamentos. Ficou em silêncio ouvindo a música do carro ao mesmo tempo em que seus dedos batucavam de leve no volante, mais alguns minutos dirigindo e estaria no primeiro local. Era sempre assim, seus subordinados se divertiam como bem entendiam e no final daquilo tudo aparecia lá para limpar. Dessa vez tinha escolhido um lugar distante da cidade, ninguém pisava lá há anos. Um galpão abandonado no meio das docas, engolido pela parte "feia". Na entrada era fácil de ter os olhos capturados pela ferrugem das portas, várias coisas escritas que não conseguia ler muito bem e na verdade nem queria, aquele lugar lhe dava repulsa e só deixava mais claro o quanto a humanidade conseguia ser podre. Deu passos pequenos e lentos até a entrada, com os dedos capturou a chave em um dos bolsos, custou um pouco em empurrar a porta ainda assim após um longo esforço da sua parte conseguiu ter acesso. Um suspiro escapou da sua boca, a mão esquerda consequentemente foi levada até a boca e o nariz cobrindo aquelas áreas para quem sabe assim pudesse evitar um pouco do cheiro horroroso que dali vinha. No teto a lâmpada balançava de leve devido ao pouco vento, com a luz fraca iluminava o ambiente deixando exposto a bagunça ali feita. Seus olhos rondaram com cuidado aquele lugar, primeiro parou em uma cama com formato de X onde aparentemente um corpo foi deixado ali. Aproximou se devagar e pode ver perfeitamente o estrago. Não era algo bonito de se ver e sim algo de embrulhar o estômago, não ficou mais tempo observando aquilo só andou pelo lugar até achar a mesa. Tinha que pegar logo aquilo, se a polícia colocasse as garras naquele objeto todos estariam ferrados. Um deslize feito por um funcionário desatento, por sorte conseguiu arrumar esse estrago a tempo antes que tudo fosse pelos ares. Colocou o objeto embrulhado no bolso, depois disso pegou ali perto um par de luvas e dois sacos de lixo. Tinha que se livrar das provas, não podia de forma alguma deixar aquilo do jeito que estava. Mesmo não gostando muito do seu trabalho acabou realizando aquela tarefa, demorou um pouco até que tudo estivesse em ordem e os corpos das vítimas embalados em sacos plásticos daquele que você normalmente vai usar em lixo. Quando acabou permitiu se sorrir um pouco, foi um trabalho árduo ainda assim foi bem feito. Pelos fundos arrastou os dois sacos, deixando um do lado do outro antes de jogar no mar. Em sua mente pelo menos não existia outra forma de acabar com as provas do que aquele jeito. Ninguém simplesmente iria pular no mar e procurar por ali, não é mesmo? Pensar isso fez um sorriso surgir involuntariamente em seu rosto, quando terminou de arrastar o segundo saco não demorou para fazer o que queria jogando os no mar e ver todas as suas preocupações e dores de cabeça sumirem. [...] Dias atuais A sala no apartamento de Elizabeth Colina parecia que tinha passado um furacão, uma bagunça feita e totalmente organizada pelas duas almas que estavam por ali. As caixas de pizza antes cheias estavam vazias, restos de comida por ali dormiam tranquilamente. Os potes de doce vazios, esquecidos pelas duas. Por falar nelas, ambas estavam deitadas no sofá do mesmo jeito que ficaram agora sem máscaras para cuidado no rosto. Ali ao lado raios de sol vinham como intrusos naquele lugar iluminava aos poucos aquela área do apartamento. Por causa disso as duas mulheres ali deitadas foram aos poucos acordando, sem pressa alguma para abrir os olhos uma vez que tanto uma como a outra tinham é mais preguiça do que outra coisa. Emma foi a primeira a colocar os pés para fora do sofá, espreguiçando se em seguida. A boca abria em formato de O, os cabelos estavam bagunçandos indicando que havia sido uma noite um tanto movimentada pelo sofá já que desde pequena Emma Torres não parava nem ao menos um único segundo quieta, algo que levou consigo desde bem novinha. Os olhos da morena foram até onde se encontrava a amiga de cabelos azulados, acabou rindo baixinho em ver a figura de Elizabeth Colins com os cabelos bagunçados e a boca um pouco aberta deixa do saliva escapar tudo isso ao mesmo tempo em que segurava uma das almofadas do sofá. Ver aquela cena fez Emma sorrir sem perceber. Ainda era cedo, não teria que sair agora para ir em algumas entrevistas de emprego por causa disso não viu m*l algum em realizar um pequeno agrado para a pessoa que havia lhe recebido muito bem. Em silêncio moveu seu corpo até o pequeno corredor, entrando no banheiro social para primeiramente - quem sabe - dar um jeito na própria cara, lavou o rosto e escovou os dentes prendendo o cabelo no final antes de se retirar daquele pequeno espaço Emma Torres lavou suas mãos secando na toalha. Quando o corpo esteve na cozinha a morena torcia os lábios de um lado pro outro, não sabia o que poderia cozinhar ou o que poderia agradar a amiga. Infelizmente iria ficar devendo em relação aos dotes culinários já que seu talento na cozinha se resumia lindamente em duas coisas: lavar os pratos e comer o que foi feito. Suspirou, colocando suas mãos nos armários e na geladeira procurando por algum tipo de inspiração do que poderia cozinhar. Achou pão de forma, ovos e bacon o que lhe deu a ideia de fazer um típico café americano ou quase isso. Com um pouco de jeito então a dona dos cabelos morenos foi começando a preparar as coisas ao mesmo tempo também em que cuidava de arrumar a mesa, pois, queria tudo perfeitamente ajeitado quando a amiga acordasse e torcia profundamente para que o sono de Elizabeth continuasse tão pesado quanto era na época em que moravam no mesmo bairro. Os ovos fritavam em uma panela, o bacon na panela vizinha e os pães de esquentavam na torradeira. A parte boa de cozinhar em uma cozinha de uma chefe renomada era que não faltava equipamento muito menos ingredientes. Por mais que tivesse outras opções de café da manhã, Emma achou melhor algo que não corresse risco de queimar ou cometer um acidente já que era bem capaz de fazer algo assim, ela só não queria arriscar. Depois de alguns poucos minutos então a mesa estava arrumada, com ela uma jarra de suco ficava no centro e aos poucos os dois pratos estavam ficando cheios. Um pouquinho longe dali Elizabeth movia seu corpo no sofá, os olhos estavam fechados e a mente estava totalmente mergulhada nos pensamentos aleatórios que aos poucos surgia em sua cabeça, um sorriso involuntário surgiu em seu rosto ela estava pensando no auxilar de cozinha gatinho que havia começado na semana passada. Cabelos enrolados, pele morena e olhos escuros um pouco mais alto que ela - como se isso fosse algo realmente difícil já que era baixinha - um sorriso que deixava todos os membros femininos da equipe suspirando durante horas, inclusive ela. Tinha trocado poucas palavras com ele, infelizmente todas elas eram sempre voltadas para o trabalho o que a deixava um tanto triste, não conseguia falar de outra coisa com o rapaz e suas amigas do trabalho diziam que ela era louca e a outra parte dizia que a dona dos cabelos azuis não iria se casar com um homem e sim com o trabalho já que ela falava tão apaixonadamente dele para qualquer pessoa que se desse o trabalho de ouvir. A verdade era que Elizabeth durante a sua vida toda havia se dedicado a ser a filha perfeita, sempre entregando um boletim azul seja da escola ou da faculdade. Ela queria ser aquela pessoa que os pais teriam orgulho, de certa forma conseguiu isso com deus mil e um prêmios e diplomas o problema que ao fazer isso ao longo do caminho ela abriu mão de uma coisa muito importante; ela mesma. Com a agenda sempre cheia Elizabeth não tinha tempo para namoros, não ia para festas quem dirá ter encontros e para piorar nessa altura do campeonato a mulher de quase trinta e dois anos de idade não conseguia se entender perfeitamente. A Colins sentia se como uma adolescente se descobrindo, e isso de certa forma a deixava um tanto irritada. Todas as suas amigas tiveram quase a mesma vida que ela teve, a diferença entre a sua vida e a delas era que tinham alguém para quem voltar no fim do dia, isso fazia com que um grão de inveja brotasse em Eliza. Ter toda aquela glória não parecia nada se comprasse com a vida perfeita das outras pessoas, por algum tempo Elizabeth achou que o problema era com ela até perceber que não era. Quando percebeu isso, a vida tornou se mais fácil, mais ou menos. Teria um romance quando fosse para ter um romance, não iria apressar isso ou talvez seu dedo podre herdado pela genética. Sua mãe antes de conhecer seu pai não teve boas experiências, demorou muitos séculos até que finalmente encontrasse o certo. Queria ter algo especial, só não iria se apressar para ter esse algo especial. As narinas da mulher foram vítimas do cheiro do café da manhã, os olhos aos poucos foram de abrindo e por consequência acordou mesmo que de forma lenta a dona dos cabelos azuis levantou se de onde seu corpo repousava, deixando só uma parte deitada. Os braços foram para cima, ficando acima da cabeça e a boca abria um pouquinho para poder bocejar ou quem sabe tentar espantar um pouco a preguiça matinal, mesmo descabelada Elizabeth levantou se e deu passos rápidos até a cozinha sorrindo com o que via. — Você fez tudo isso? — perguntou. Ao ouvir a voz feminina Emma virou se e sorriu largo de volta quando os olhos bateram na figura amiga. — Sim. — Disse a morena. Deu uma pausa entre as falas para limpar os dedos no pano ali perto, arrumou as coisas no prato e por fim os colocou na mesa. — É o mínino que eu poderia fazer, você foi gentil em me acolher eu queria retribuir de alguma forma mesmo que só com um ato pequeno desses. — E você sabe cozinhar? — questionou, a pergunta não era de má intenção ou querendo menosprezar o ato bondoso de Emma Torres, era só uma pergunta inocente sem segundas intenções ou qualquer coisa parecida. Emma a olhou com atenção, sentada em uma das cadeiras sorriu de canto quando o olhar encontrou o de Elizabeth. — Não como você é claro. — Respondeu fazendo uma pequena pausa entre as falas feitas, dizia a verdade. — Porém, eu sei cozinhar o básico para uma sobrevivência digna de um ser humano então relaxa você não vai ter nenhum dos mil e um efeitos colaterais que tá pensando nessa sua cabecinha Liz. Ela riu baixo com a resposta, antes de se sentar a mesa e fazer companhia para a mulher de cabelos escuros permitiu que seu corpo se locomove se até o banheiro para primeiro fazer suas necessidades básicas. Escovou os dentes, molhou o rosto e enfim sentiu que espantou a preguiça que vinha perseguindo a por todas as manhãs, uma pequena batalha estava vencida só faltava a guerra. Com o auxílio de um pompom prendeu os fios de cabelo em um coque desajeitado no alto da cabeça, um pouco frouxo que deixava mechas escaparem. Cada braço partiu para um lado diferente do corpo, em um auto abraço um pouco apertado durando o bastante até que o corpo voltasse para a área da cozinha. Um sorriso brotou quando o cheiro de café fresquinho atingia suas narinas, estava tudo com aparência ótima isso tinha que admitir e não seria uma megera em recusar nada daquilo. — Tá tudo muito bonito. — Disse a dona dos cabelos azuis. — Obrigada por fazer isso por mim. — Agradeceu. Emma bebia um pouco de suco, queria afastar a sensação de ter a garganta seca quando acabou de tomar um pouco do líquido deixou o copo dormir temporariamente ali ao lado. — Não sabia qual era o seu tipo de café favorito, quer dizer, não sabia se ainda continuava o mesmo então fiz um pouco de cada e você pode tomar o que achar melhor tá bom Liz? Mordiscava um pedaço generoso da torrada, ouvir aquilo fez as bochechas dela corarem. Já fazia um bom tempo que não era mimada assim e ser novamente a deixava um pouco sem jeito e um caminho sem volta para ficar muito mais muito mesmo m*l acostumada com tudo aquilo. Limpou a boca com um dos guardanapos, antes de dizer algo. — E é aí que eu nunca mais te deixo sair daqui? Veja bem, você está sendo um anjo na minha vida Emma. A castanha riu baixo com o que ouviu a cabeça movia se para os lados e ela voltou a prestar atenção na figura amiga ali ao lado soltou um riso baixo, algo morno entre os lábios. — Não. — Falou e assim que disse isso fez com que um ar triste brotasse no rosto de Elizabeth Colins, algo que durou pouco uma vez que a voz de Emma Torres voltava a ficar presente no ambiente. — Não vai precisar disso, Liz eu vou ficar aqui e eu posso te ajudar com as refeições caso precise tá? Nessa altura do campeonato pegava uma pequena fatia de bacon, colocando a entre os dedos para levar a boca e morder com vontade uma parte daquela coisa deliciosa. Não respondeu inicialmente, seus olhos estavam fechados e os lábios unidos saindo um sonoro "hmmm". Amava coisas assim, principalmente quando eram tão bem feitos assim. Elizabeth tinha pele clara e o corpo um pouquinho cheinho, se passava facilmente por um modelo pluz size. Não tinha problemas com o seu corpo, pelo contrário adorava cada partezinha de si e sempre exaltava isso sempre que tinha alguma oportunidade. Em algumas vezes acabava por ou ir comentários um tanto desnecessários vindos de outras pessoas que sempre pareciam fazer toda a questão do universo de se meterem na vida alheia. Quando ouvia ficava um pouco triste no início e no fim das contas quando estava sozinha na frente do espelho se dava conta que nenhuma daquelas pessoas sabia sua história só estavam julgando para serem maldosas ou também pelo simples fato que a mídia infelizmente colocou que o padrão de beleza é um e não pode de forma alguma ser outro Infelizmente é uma falha do ser humano, porém por mais que isso existia não era motivo algum para se abalar ou coisa parecida apesar de ser uma coisa um tanto difícil tentava não levar os comentários negativos para casa, assim ao menos não iria sentir se triste ou diminuída por outra pessoa. Ela se amava, e isso bastava. — Então... — Usou do tempo livre para limpar a boca com um guardanapo fazendo o mesmo com os dedos no fim. Uma coisa que ela acabou adquirindo quando começou a trabalhar com cozinha era sempre ter os dedos e o ambiente em que estava trabalhando sempre bem limpos, pois, isso dizia muito sobre sua comida e como trabalhava. — Vou abusar um pouco de você enquanto estiver aqui, posso até te ensinar a cozinhar algo se quiser se aprimorar um pouco mais na cozinha sabe só se você quiser claro, aprender algo novo. Emma riu baixo quando ouviu a resposta, concordando com a ideia. Seria algo divertido e também iria ajudar a mente dela a se distrair das coisas que iria enfrentar pelos próximos dias, como as várias entrevistas de emprego que teria; é um processo. Ela já tinha passado pelo processo de estágio, já tinha a tão requisitada "experiência" pedida pelos recrutadores, tinha ótimas recomendações ela só teria que enfrentar todo o processo como qualquer pessoa e por mais que tivesse um ótimo currículo não significava de forma alguma que Emma Torres estava dispensada de ouvir "não" durante essa trajetória. Saber disso a deixava um pouco tensa, mesmo assim um pouco animada para ver como se sairia. Molhou os lábios com um pouco de suco da jarra esquecida no meio da mesa, virou o rosto para o lado esquerdo se deparando com o relógio ali perto e ao fazer isso os olhos ficaram automaticamente arregalados, estava atrasada e ainda tinha que tomar banho e arrumar os cabelos em menos de dez minutos para então começar sua dinâmica de entrevistas. Pensar isso fez com que Emma se levantasse dali correndo, indo direto para o quarto. Não podia de forma alguma perder mais tempo ali sentada, gostaria muito de tomar um café completo, porém teria que ficar apenas com alguns pedaços do pão e suco até que encontrasse outra oportunidade de comer. Ficou sem entender aquele comportamento repentino, confusa foi atrás da amiga. — Emma? — chamou. — Está tudo bem? Na velocidade da luz, Emma Torres separou algumas roupas que poderiam ser uma pequena alternativa para usar em um dia cheio de entrevistas, por fim quando terminou permitiu se olhar o semblante amigo pelo menos por alguns poucos segundos. — Não. — Retrucou. — Quer dizer, está só que vou saber mesmo só depois. — Depois? — questionou Elizabeth, seu corpo estava parado no batente da porta olhando a enquanto ao mesmo tempo comia o restante da fatia de bacon. Em questão de poucos segundos tudo ali estava organizado ou quase, na bagunça achou se um pouco de organização assim como também a dona dos cabelos escuros começava então a ficar arrumada. Um terninho de cor pastel com um blazer escuro seus cabelos estavam soltos e muito bem organizados ou pelo menos era essa a intenção, caso quisesse prender depois tinha deixado um prendedor na bolsa assim como seus documentos, cópia do currículo e a chave do apartamento. Aquele dia seria um dia e tanto. Com os dedos, Emma buscou por um par de sapatos de cano médio, nem alto e nem baixo algo para deixa lá ainda melhor. Quando os colocou caminhou devagar até o espelho de corpo colocado perto no guarda-roupa, deu uma pequena voltinha apenas para poder analisar com cuidado se estava tudo certo ou se teria que fazer alguma troca rápida de roupa e para melhorar, a jovem de cabelos escuros deixou uma muda de roupa reservada na bolsa que estava levando não sabia ao certo como era o clima de São Francisco, por conta disso queria apenas ser uma pessoa precavida para lidar com todo o tipo de coisa ou pelo menos estar prevenida caso algum acidente acontecesse ao longo do dia. Ela se conhecia, sabia que poderia ter algum caso serio com mancha na roupa e não queria parecer uma pessoa desastrada na frente de seus futuros chefes. — Tentar sobreviver sabe? — retrucou a moça respirando fundo, seu rosto exibia um sorriso nervoso mostrando que estava um pouco tensa com aquilo tudo. — Sobreviver a uma maratona de entrevistas de emprego. Ouvir aquilo fez com que Elizabeth se aproximasse da amiga, um sorriso foi lançado na direção dela que devolveu a ação com algo pequeno nos lábios. Com cuidado a dona dos cabelos azuis passos seus dedos no rosto amigo, fazendo lhe um pequeno carinho em seu rosto. — Você vai se sair bem, mesmo nas que você receba um não eu sei que vai dar o seu melhor e isso é o que importa Em. — Disse, sua voz era calma com o objetivo de tentar ao menos acalmar a amiga. — Eu vou estar aqui, esperando você com uma comidinha quentinha ou se quiser podemos sair e beber algo para quem sabe assim você tire um tempo para relaxar. — Sugeriu, ambas as ideias eram ótimas isso não negaria. — O quê acha? — perguntou a Colins. Inicialmente não teve exatamente uma resposta com palavras e sim com gestos, Emma aproximou se da amiga e abraçou lhe bem apertado até que ouvisse então uma reclamação em voz baixa o que a fez rir baixinho. Quando os corpos se separaram a morena sorriu, desta vez algo mais algo e alegre. — Eu tenho certeza que eu tenho sorte em ter você. — Disse, um fato sobre Emma era que dizia sempre o que pensava não importava a situação não escondia seus sentimentos. — E eu com toda certeza do mundo vou adorar ir dançar com você ou comer alguma coisa que você tenha feito, só preciso ver como vou me sair primeiro e como vou estar no final do dia combinado? Elizabeth limitou se apenas a confirmar com a cabeça, estava um pouquinho emocionada e se falasse tinha medo de acabar chorando um pouco. — Agora eu preciso ir. — Disse a morena já dando alguns passos para sair do comodo, pegou a bolsa e colocou em cima dos ombros dando um beijinho na bochecha direita de Elizabeth. — Não quero chegar mais atrasada ainda, e se eu for contratada te pago um jantar depois gata. Elizabeth riu baixo com as coisas que ouvia. — Vai logo, vaca. — Falou. — E boa sorte com a entrevista. — Obrigada. — Gritou Emma já longe dali. Depois de exatamente dois bondinhos lotados e algumas poucas paradas no banheiro Emma poderia dizer com tranquilidade - mais ou menos - que seu dia iria começar definidamente agora. Estava sentada no meio de outras candidatas, repassando mentalmente as coisas que teria que falar na entrevista ou possíveis perguntas que poderiam fazer no momento em que colocasse seus pés ali. O cargo era de secretaria, na discrição da vaga infelizmente não se dava muito detalhes sobre a vaga era algo vago que só dizia poucas coisas que teria que fazer em um dia de trabalho, por exemplo. Além disso, a empresa oferecia muitos benefícios e por ser a empresa numero um, no ramo de marketing não viu motivos para não tentar se candidatar a vaga caso não fizesse sabia que não iria se perdoar por ao menos não tentar fazer. Ainda iria demorar um pouco para que ela fosse entrevistada, fora a dona de cabelos escuros tinha mais oito mulheres para passar pela mesma coisa de certa forma isso lhe dava mais tempo para tentar se acalmar e não ficar nervosa na hora como também por outro lado a preocupava um pouco. Para focar em outra coisa ou pelo menos tentar, abriu a bolsa e comeu algumas bolachas do pacote que tinha pego antes de sair de casa - quando dizem que bolsa de mulher tem tudo, realmente tem tudo. - para molhar a boca optou por água que também havia pego pelo caminho,uma garrifinha media de água sem gás para matar a sede era tudo o que queria seus lábios até aumentaram de tamanho quando os dedos tocaram o plástico e na mesma velocidade que a boca abriu em um sorriso ela também se desfez muito rápido. Estava vazia, um fato era que estava com tanta pressa durante o caminho - e isso inclui sede também - que não percebeu que a água estava acabando, soltou um suspiro baixo um tanto triste. De toda forma não adiantava de modo algum ficar ali só olhando a garrafa não iria se encher sozinha, por causa disso Emma moveu se até o banheiro - viu um bebedouro por ali, também poderia aproveitar a viagem para ir fazer suas necessidades caso assim fosse necessário - antes de ir olhou uma última vez a fila de mulheres que tinha para passar pela entrevista primeiro calculando mentalmente quanto tempo teria para ir e voltar. Com pressa Emma Torres andou até aquela área, não corria devido ao salto sapato ainda assim gostaria muito de poder usar tênis já que correr com salto era muito insuportável. Passava pelas pessoas sempre murmurando a mesma coisa: desculpas, uma vez que sempre acabava esbarrando em uma pessoa ou outra. Algo que fez a morena se questionar em voz baixa, qual o motivo de ter tantas pessoas assim andando pelo escritório? Ninguém trabalhava não? Pensou movendo a cabeça para os lados em uma lenta negativa, de toda forma aquilo não era da sua conta. Quando chegou lá suspirou um pouco aliviada, primeiro é claro encheu a garrafinha com água e molhou a garganta o que tinha bebido foi logo substituído por mais um pouco do líquido para então fechar o objeto com a tampa. Por fim, não menos importante que isso Emma deu uma pequena passadinha no banheiro. Girou a maçaneta e abriu a porta, andando com tranquilidade para dentro do comodo. Moveu seu corpo até o arranjo de pias no lado oeste do lugar, deixou a bolsa no chão e com uma das mãos prendeu os cabelos com os dedos para molhar a área um pouco abaixo dali. Quando fez isso seus olhos se fecharam e ela soltou um suspiro baixo dali, ao abrir os olhos Emma levou um susto vendo um homem ali parado há centímetros de si, arrumando sabe se lá o que em suas roupas. O susto foi tanto que foi possível até mesmo gerar um grito na garganta feminina, algo que foi tampado pelo homem as pressas. Ele não queria ser descoberto, não na sua própria empresa. Um fato um tanto interessante sobre o CEO, ele adorava ir ao banheiro feminino para auxiliar suas funcionarias; um grande galinha como diz a mídia. — Por favor, não grite. — Pediu o homem. Eles estavam perto, tão perigosamente perto que conseguia sentir a mistura de perfumes vindas do corpo um do outro. E sinceramente falando, Emma não gostou nem um pouco. Ela estava com os olhos arregalados, o coração batia forte dentro do peito e toda sua atenção estava voltada para a pessoa a sua frente. Um homem alto de cabelos escuros, pele parda com barba por fazer e olhos tão escuros que Emma sentiu se perdida em ficar olhando o por tanto tempo, constrangida com a situação a mulher moveu a cabeça para cima e para baixo em uma afirmativa. Tranquilo por perceber que ela iria cooperar foi tirando devagar os dedos dali, afastando seu corpo. Emma pegou a bolsa e as pressas saiu dali, gritando para chamar a atenção de quem estivesse por ali. — TARADO, ALGUÉM ME AJUDA POR FAVOR. — gritou a moça. Arrependido em ter feito isso Meteo se aproximou dela novamente, agora seus braços envolviam a mulher em um abraço desajeitado, tampando a boca feminina. — Eu não sou um tarado, não tem motivo para gritar. Negou com a cabeça, não acreditava nele e para provar isso a morena mordiscou um dos dedos do homem chutando onde mais doeria nele. Em resposta ele urrou de dor, olhando a como se fosse louca e de certa forma era mesmo. — Maluca. — Murmurou entre os gemidos de dor. — Com orgulho.
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