Rafaela
Dois meses depois...
Eu não entendia porque disso tudo, eu e o Dedé estávamos indo super bem, mais do nada ele começou a mudar.
Chegava aqui em casa drogado, querendo saber oque eu fiz, porque fico andando igual a uma qualquer.
Todos os dias, um número me mandava fotos dele com várias meninas, e uma delas era a Daniela.
Ele me proibia de sair, e até mesmo falar com o Marreta
E a três dias atrás aconteceu oque eu temia, ele chegou em casa, e sem falar nada veio para cima de mim.
Me bateu tanto, que eu acabei desmaiando, eu simplesmente não entendi o porquê disso.
Mas mesmo assim, não esperei suas desculpas, eu gostava dele, mas me amo muito mais.
Eu tenho pavor de homem que bate em mulher, e acha que somos suas submissas.
Ninguém merece ser saco de pancada, se outras mulheres acham normal, então fiquem elas com eles.
Mesmo ele sendo traficante, não tem esse direito sobre mim, nem meu pai me bate. E não vai ser macho escroto que vai fazer isso.
No primeiro dia a Talita ficou comigo, mas teve que ir por conta do Bê, quem ficou comigo depois foi o Marreta.
Ele me olhava e chorava, falava que tinha sido culpa dele, por ter deixado eu me envolver, mas eu sempre cortava ele.
Médico: Então senhorita Rafaela, vou ser direto com você, as lesões que você sofreu te prejudicou, mas prejudicou muito mais seu bebê. - Ele ia continuar, mas na mesma hora o interrompi.
- BEBÊ? - Dei um grito, e ele me olhou sem entender.
Médico: Sim, você está grávida de três semanas - Nessa hora senti meu corpo travar, e meus olhos se encher de lágrimas.
Ele me falava as coisas, mais eu não entendia, agradeci ele que me deu alta, e pediu para já encaminhar meu pré Natal, eu só concordei, peguei minha coisas, e fui embora.
Eu nunca pensei em ser mãe agora, mesmo amando crianças, eu queria estar estabilizada primeiro.
Bem agora que eu comecei minha faculdade, e tem o Dedé também. Todos vão me julgar.
Meu coração estava apertado, e eu agradecia mentalmente, por não ter ninguém comigo agora.
Dedé
Era ameaça atrás de ameaça, desde que eu comecei a me envolver com a Rafaela as coisas só pioraram.
Eu queria proteger ela de todos, mais o grande problema estava em mim. No começo era só discussão, ai eu vou e bato nela, acabei com tudo.
Não vou tentar me passar de coitado, pois sei que errei feio com ela, e se não quiser me perduar, também vou entender.
Não sou nenhum emocionado, arco com os meus problemas, se ela não quiser, bola para frente.
(...)
Hoje ela saiu do hospital, Vtinho me passou a visão que ela chegou em casa desabando em lágrimas. Não quis falar com ninguém, nem mesmo com a Talita.
Sabe aquela parada estranha que da no peito ? To desse mesmo jeito, engoli no seco as palavras do Marreta com os outros.
Estou me sentindo m*l pra caramba, nem pareço mais o mesmo.
Bolei um cigarro, e subi para lage de casa, de lá dava para ver a favela inteira. Muito orgulho de tudo isso, vários amigos se foram por lutar pelo morro.
Fiquei pensando um pouco na vida, até ver a Rafaela passar pelo beco aqui de trás, achei estranho.
Desci ligeiro, e fui seguindo ela até uma igreja que tem aqui perto, fazia mó cota que não aparecia por aqui. Olhei ela entrando, e fiquei esperando por ali uns trinta minuto, na hora que ela ia sair me viu.
Rafaela: Veio ver o estrago ? - Olhei para ela, e parecia que não era mais a mesma, seus olhos estavam fundos.
- Queria vim te pedir perdão pow. - Ela me olhou, e abraçou os próprios braços em forma de proteção. - Sei que errei feio, e se não quiser perdoar vou entender. - Na mesma hora ela olhou para baixo e deixou as lágrimas descerem.
Rafaela: Eu só não entendo seus motivos, você me queria só para você, e eu nunca tive nem metade. Eu até posso te desculpar, porque quem perdoa é Deus, mas vamos com calma, acho que estou destruída demais. - Meu coração já estava acelerado, olhar para ela assim, foi pior do que várias paradas que eu já passei.
- Vou ir com calma, e pode deixar que não vou ficar te procurando, se tu precisar de algo to ai. - Eu não podia mais ficar perto dela, olhar para seu rosto e ver o estrago que eu calsei, foi demais. Virei as costas e fui embora.
(...)
Era sábado, e fazia uma semana que eu não via ela, os moleques falaram que ela foi passar um tempo na casa dos pais, achei que foi o melhor a ser feito.
As ameaças deram uma sossegada, até achei estranho, parece que estão atrás dela e não de mim.
Estava na boca, quando a porta da minha sala se abriu, e a Daniela entrou com um sorrisinho no rosto.
- Ta fazendo oque aqui ? - Olhei já sério.
Daniela: Ue, não está sabendo da novidade ? - Cheguei perto dela.
- Que novidade? Solta o papo mandada. - Puxei seu cabelo para trás.
Daniela: A Rafaela está grávida Dedé. - Soltei ela na mesma hora.
- Ela tá oque, filha da p**a. - Apertei seu maxilar. - Tá tirando com a minha cara é.
Daniela: Só estou falando a verdade, se quiser, pergunte você mesmo a ela, mais vai rápido, porque ela já está pensando em se mandar. - Saiu de perto de mim, abriu a porta e foi embora.
Sentei na cadeira, não estava conseguindo decifrar tudo isso, mesmo eu sendo o cara que eu sou, ela não tem o direito de ir embora com minha cria mané.
Sei que fui um merda, mas se é filho meu, vai ficar aqui perto de mim. Ela pode até não querer nada comigo, mas vai ficar aqui no morro.
Peguei minha pistola, e sai a milhão para a casa da mandada. A mente do vagabundo estava a milhão, papo reto, só não quero fazer merda.