Jennie Lee Park
— Ele queria se apresentar pai. O problema era que não estava indo para casa ultimamente — disse sabendo que ele não podia me contestar afinal venho evitando voltar para casa dês que me mudei para Seul. Sua expressão suavizou.
— Hm, Bem...O chame para conhecer a família pelo menos. O que esse cara faz afinal? — ele questionou. Entendi exatamente o que ele queria saber. A real pergunta é “Qual é o trabalho dele?”, já que como um bom patriarca meu pai se preocupava apenas com um homem que conseguisse prover para a família. Um homem que me bancasse. Infelizmente, eu não tinha está informação.
— Ainda somos estudantes, pai — foi a única coisa que consegui dizer. Esperava que fosse uma resposta satisfatória.
— E como este fulano se mantem então? Não me diga que ele é mantido pelos pais — protestou indignado. Obviamente não era.
— Ele faz medicina, não tem muito tempo livre — Expliquei.
— Medicina, hum. Um doutor então. Ótimo! — ele comentou pensativo. Conseguia imaginar perfeitamente o que ele estava pensando. “Médicos ganham bastante dinheiro”.
— Então o senhor aprova? — questionei, com uma pequena torcida interna.
—Ainda preciso conhece-lo — ele disse, mas estava relativamente mais tranquilo agora. Provavelmente ainda pensando que um genro deve ter dinheiro o suficiente para o manter durante a velhice.
—Pai, estamos no meio da época de provas— ressaltei desejando profundamente que ele desistisse do assunto.
—Você não pode se casar com um desconhecido. Traga-o a nossa casa no fim de semana. Vou estar aguardando — ele disse se levantando. Indicando que não adiantava fazer nenhuma objeção. Aquela foi sua palavra final.
Respiro fundo, o acompanho a porta, lhe desejo uma boa noite e o observo desaparecer em meio a penumbra noturna. Quando retorno a sala de estar exausta o suficiente para ir diretamente para minha sou surpreendida por três mulheres encarando-me com expressões curiosas.
—Pode nos contar o que está acontecendo? — Hae-won a mais velha entre nós e grande mãe do grupo foi quem quebrou o silencio.
— VOCÊ VAI SE CASAR? COM QUEM? COMO NÃO NOS DISSE NADA — Yuna disparou elétrica. Agitada como o esperado dela.
— Gente calma, Jennie deve estar cansada devíamos deixa-la descansar primeiro e amanhã ela nos conta tudo — Min disse se pondo entre mim e elas.
—Esperar? — Yuna parecia ofendida.
— Você está certa, mas amanhã a senhorita não escapa— Hae alertou antes de deixar a sala carregando Yuna praticamente rebocada.
Min sorriu docemente para mim e fez um sinal positivo antes de voltar para seu próprio quarto. Tenho que agradece-la depois. Ainda bem que ela salvou minha pele. Não estava com o mínimo ânimo para reviver os últimos momentos. Se quer sei se devia ou não contar a verdade. Por um lado elas são minhas melhores amigas e confio plenamente nelas. Porém por outro não combinei isto com Hiro e não quero começar nosso relacionamento irritando ele. Por que estou me referindo a este acordo como um relacionamento?
Resolvi deixar toda essa história para amanhã e descansar um pouco. Quando tirei meus sapatos e entrei no chuveiro, finalmente relaxei depois da montanha russa de emoções que passei hoje.
Na manhã seguinte me sentia bem melhor. Quase como se todos os problemas desapareceram com o nascer do sol. Porém, esta sensação boa desapareceu ao entrar na cozinha e a realidade me atingir com força ao perceber os olhares curiosos sobre mim. Ok, chegou o momento de contar uma história e torcer para que ela seja convincente. Honestamente, nunca fui uma boa mentirosa.
—Então? — Hae iniciou.
— Ah corta essa! Conta tudo — Yuna exaltou-se.
—Vamos deixar ela tomar café meninas — Min disse.
— Eu já dormi m*l pensando que estava perdendo a fofoca mais quente do ano, sendo que minha melhor amiga está envolvida. Não vou esperar mais nenhum segundo — Yuna reclamou cruzando os braços.
— Ok, está bem. O que querem saber? — questionei me sentando na cadeira vaga a frente.
—TUDO — as três falaram juntas revelando como apesar de Yuna parecer mais desesperada, todas estavam curiosas.
— Calma, calma. Bem, então...eu vou me casar— disse timidamente.
— Dês de quando você namora? Quando vai ser a festa? Com quem? Por que? — as perguntas pipocaram.
—Resumindo. Vou me casar com o Hiro Satoki. Estamos em um relacionamento a pouco tempo. Porém isso é um segredo. Ele me pediu ontem então não temos uma data para a festa ainda — disse, torcendo que fosse informação suficiente.
—E não nos contou— Hae disse indignada.
— Espera! Você disse Hiro Satoki, o gênio gostoso? O rei bom demais para nos reles mortais? — Yuna pulou sobre mim e balançava meu corpo a medida que pronunciava as palavras.
—Yuna! Você está machucando ela — Min disse tirando-a de cima de mim.
—Por que você não nos disse nada antes? — Hae questionou e vi um fundo de desconfiança em seu olhar. Desculpe Hiro, mas isso vai ficar nas suas costas.
— Hiro não queria que eu contasse a ninguém— disse e na mesma hora a desconfiança se tornou indignação.
— Aquele bastardo! O que ele está pensando? — Hae emitiu.
— Será que ele não quer te assumir publicamente? — Min concluiu.
— Não faz sentido, afinal assim que o casamento ocorrer a universidade inteira só vai comentar sobre isso — Hae comentou pensativa.
— Será que ele acha que somos fofoqueiras? — Min indagou incerta.
— Nós temos que exibir o fato que você é a primeira dama Satoki — Yuna que estava esse tempo todo presa na própria mente, sem acompanhar o andamento da conversa, comentou. Demostrando que o comentário de Min fazia bastante sentido e todas nós, exceto Yuna, caímos na risada.
—O que foi? — Yuna comentou que não entendeu nada.
[...]
Com um problema a menos, estava andando pelo campus tranquilamente. Um contraste obvio com os outros alunos que estavam elétricos graças as provas de fim de semestre. Gostaria eu que esse fosse o maior problema em minha vida.
Afinal quando decidi que o melhor a fazer era contar ao Hiro que ele teria que conhecer minha família no fim de semana, percebi que se quer tenho o número de telefone dele.
Graças a isso caminho analisando tudo ao meu redor em busca de algum sinal dele. Torcendo mentalmente para encontra-lo casualmente por ai. Já que me recusava a caminhar até o prédio da medicina e chamar mais atenção para o nosso relacionamento do que realmente desejo.