Eu aceito

1084 Words
Hiro Satoki Tinha que retornar a Corea, não sabia o que faria se perdesse provas demais. Além de tudo, me sentia abafado. Sufocado pelos pensamentos caóticos. Sim, eu queria realizar o último desejo do meu avô, honrar sua vontade, mas existia mais do que o fato de que eu já havia aberto mão dessa herança quando fui embora para me impedir de realizar sua vontade. Existia aquela clausula no contrato. — Você vai embora? Sabe que não pode fazer isso — Aiko disse me encarando enquanto fazia as malas. — Eu tenho provas. Ainda não tomei minha decisão e não posso parar minha vida por causa disso — disse. — Você sabe por que ele deixou tudo para você, não sabe? — ela perguntou. — Tenho minhas suspeitas, mas são apenas isso, suspeitas — disse. — Ele amava você, sabia que você era o mais capaz. Vamos ser honestos. Todos os outros são egoístas — Aiko disse. — Pensei que era a primeira a defender a família — disse. — E sou...mas não é sobre isso. É sobre nós contra nós— Aiko disse — Agora você só defende a família das pessoas de fora? — perguntei. — Sempre foi assim. Volte o quanto antes. Precisa resolver isso — ela disse finalmente deixando o cômodo. De volta a Corea, passei a semana pensando nas motivações do meu avô e no que poderia fazer. Foi então que a encontrei. Ela estava sozinha em um dos bancos da universidade em um feriado nascional. Como extrangeiro é normal que não comemore este tipo de data. Ainda mais levando em conta que meus familiares não estão no pais. Porém por que ela está aqui afinal? Devo confessar que Jennie me intriga. Como se sua presença fosse um imã me aproximo sem ao menos perceber. Quando me dou conta que a mesma está chorando, sinto um aperto no peito. Sem pensar muito a respeito lhe entrego um lenço. Se quer sei por que estava andando com um no bolço, mas agradeço por isso. Já que foi o motivo perfeito para puxar assunto com ela. Eu queria saber o que tinha a deixado daquele jeito. Quando Jennie me revelou seus problemas não houve como não rir. O universo tem um tipo de humor sórdido, não é possível. Pode se dizer que temos quase o mesmo problema. Porém isto me deu uma ideia. Esperava que não fosse loucura demais para ela. Para mim fazia completo sentido. Eu preciso de uma esposa e ela precisa se livrar do dela. Jennie é uma garota de família. Obviamente não quer se rebelar contra o pai, ou dar as costas a sua família. Duvido que seu pai insista em um casamento com um estranho se ela lhe disser que já tem um pretendente. — Bem, eu sei porque estou aceitando está proposta, mas você não vai me contar por que está fazendo ela em primeiro lugar? — Ela questionou-me com aquele olhos brilhantes borbulhando em curiosidade. — Digamos apenas que estou honrando o último desejo do meu avô — Informo evitando lhe dar muitos detalhes. Temia parecer um interesseiro se revelasse sobre a herança ou sobre o testamento. Definitivamente está não é a imagem que quero que ela tenha de mim. Deus sabe que está não é minha motivação de qualquer forma. — Oh, sinto muito — a voz dela sai mais baixa e distante. Aparentemente a única coisa que ela concluiu com a minha frase é que meu avô morreu. Jennie Lee Park Entre me casar com um estranho escolhido pelo meu pai e um estranho escolhido por mim, a resposta é óbvia. Não é como se as coisas estivessem dentro dos meus planos. Porém, torcia para que o destino me reservasse o melhor. Espera ser o meu dia de sorte. Já que além de tudo agora terei que comunicar ao Senhor Park as grandes novas. Honestamente, não sei se um colete a prova de balas seria suficiente. Estava pensando em ligar para ele. Entretanto as coisas mudaram de rumo quando ao voltar para casa naquele mesmo dia o encontrei em minha sala. O que ele ainda faz aqui? — Papai?! — questionei incerta, deixando minha bolsa na chapelaria disposta na entrada do apartamento. O ambiente estava m*l iluminado e pelo horário as meninas já devem estar dormindo. Estamos no período de provas e amanhã retornamos a programação normal. Quando ele levantou seu olhar em minha direção, era difícil definir sua expressão. Papai indicou o espaço vago ao seu lado no sofá. Engoli em seco antes de caminhar entre o apertado espaço. Minhas mãos estão suando. Devia falar primeiro ou deixar que ele comece a despejar seu habitual discurso sobre mim novamente? Acabei optando pela segunda opção torcendo que após o sermão ele estivesse mais relaxado e me desse algum espaço para expor minhas emoções. — Sinto muito. Fui muito duro com você, sei que as mulheres são como flores delicadas e devia ter sido mais jeitoso com as palavras — ele disse sorrindo docemente para mim. Não sabia se o respondia como estava pensando “Não há nada de errado pela forma que você disse as coisas e sim pelo conteúdo da conversa. Você devia deixar está ideia pré-histórica de que as mulheres são de vidro” mas temia que assim apenas pioraria as coisas para minha revelação. Então tentei seguir seu concelho e ser delicada. — Não pai. Não foi bem isso. A verdade é que... eu já tenho um noivo — revelei por fim avaliando sua expressão com cuidado. Demorou alguns segundos para o mesmo absorver minhas palavras então sua expressão se tornou confusa. — Como assim? Não está mentindo, esta? — questionou-me claramente descrente. — Credo! Claro que não. Eu não inventaria um noivo, apenas para me livrar do pretendente que me arrumou — verbalizei de maneira quase confessional. Esperando que a falsa ironia em minhas palavras aliviassem o clima tenso que havia se formado. — E quem é este afinal? — papai disse com uma leve irritação misturando-se a confusão. — É um colega da universidade — respondi prontamente, buscando assim deixar intrínseco que não era uma mentira. — Está se casando com um colega? — questionou irritado. — Quer dizer, nos conhecemos por que somos colegas. Porém estamos juntos a algum tempo — tentei concertar meu erro, mas a raiva se tornou ainda mais presente em sua face. — E o covarde não pediu sua mão a família — bravejou. Merda! Quando penso que estou arrumando as coisas.
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