Arcanjo O sol nem tinha nascido direito e eu já tava de pé. Não por obrigação, mas por intuição. Quando o morro fica quieto demais, é porque tem cobra se arrastando no mato. Acendi um cigarro. O vento batia forte, e daqui de cima dava pra ver quase tudo: o movimento na viela, os moleques descendo pra correr atrás do corre, os becos ainda dormindo. Mas tinha alguma coisa errada. O morro respirava diferente hoje. Peguei o rádio e chamei um dos meus. Arcanjo: Ô, Rick… cês tão vendo alguma movimentação estranha aí na parte de baixo? Demorou uns segundos, e a voz dele veio abafada. Rick: Negativo, chefe. Tudo normal por aqui. Só os mesmo de sempre. Arcanjo: Fica esperto. Qualquer vacilo, me avisa. Qualquer cara estranho, qualquer sombra que não seja nossa, me chama. Desliguei. Mas mi

