Ela pegou o computador.
Sua única arma tinha teclas ao invés de gatilhos e fazia barulhos suaves ao invés de estrondos, mas podia destruir mais pessoas de uma única vez do que qualquer bomba atômica já criada pelo homem.
— A rede manipula almas seu italiano de merda e você tem uma prisioneira armada
Algumas horas depois ela estava exatamente onde queria. Comemorou.
— Vou te mostrar o que mais eu faço com os dedos
Isabela tinha uma missão. Despistar os russos e limpar os rastros que levavam até Luca, no entanto nunca prometeu livrá-lo de todos.
Sabia que estava sendo vigiada e enquanto programava malwares para evitar a entrada de Mathew Volkov, estava segura.
Fez algumas pesquisas, encontrou um núcleo suspeito no Texas. Estranhou aquilo, parecia fácil demais.
— É uma ratoeira? Querem ser invadidos
Descobriu que os dados expostos pertenciam a um empresário em especial, Ivan Bianchi.
— Quem é você senhor Ivan? E por que estão te expondo
A curiosidade a levou mais fundo, e percebeu que estava certa.
— Uau! Vocês são bons
Isabela se esqueceu completamente do plano inicial. Antes tentava encontrar um parceiro, alguém capaz de desencriptar uma mensagem e levar a localização para a polícia. Agora estava encantada com o que havia encontrado.
— Um metaverso? Quem é você senhor Ivan
Isabela começou a ligar a criatura ao criador errado. O dinheiro realmente vinha do empresário que descobrira, mas o espelho que enxergava havia sido posicionado por outras pessoas, entre elas o homem que respondeu a sua mensagem.
...-oi, por que colocou um espelho em um metaverso?-
...-quem é você?-
...-estrela guia. Preciso que leve uma mensagem para a polícia-
Bem longe dali outro hacker olhava para a tela curioso, quase instigado. Aquela policial havia encontrado uma forma de se comunicar duas vezes por caminhos completamente diferentes.
Soupnazi olhou para o amigo à sua frente.
— Imagine que você tenha encontrado a sua alma gêmea em código-fonte e ela esteja insistindo muito para uma interação. O que faria Pablo
O senhor sentado do outro lado do balcão segurou uma caneca com café e tomou um longo gole antes de responder.
— Eu encontrei e ela faz o meu café todos os dias
Pablo tinha uma história que, diferente de Soupnazi, ultrapassava as telas e os códigos. E como sempre respondeu ao colega pensando na esposa e não na pergunta.
— Não estou falando de t***o físico Pablo! Eu me refiro a algo maior
— Maior? Maior do que o que eu sinto pela minha boxeadora? Se existisse acho que não poderia ser vivido. Seria como um cataclisma global
Soupnazi desistiu de conversar com o outro hacker. Pablo parecia um adolescente.
Respondeu à mensagem na tela em um código ainda mais elaborado.
...-conte a sua história e depois eu decido se ajudo ou não-
Isabela contou e Soupnazi achou incrível. A policial se tornar prisioneira de um criminoso era bastante comum, mas o que o intrigava era a agilidade com que Isabela se movia no mundo digital.
-vai me ajudar-
-é a segunda vez que fala comigo Estrela Guia. Aqui Soup-
A policial se afastou da tela quase como se precisasse ler melhor.
-Soup, acabou de ganhar minha atenção. Vai me deixar falando sozinha de novo?-
-não gosto de policiais-
-está devendo a justiça? Não estou atrás de você. Só quero ir para casa-
-e por que não manda uma mensagem para eles? A polícia-
-só havia algum cérebro lá se eu não estivesse presa-
Conversaram por muito tempo e quando Isabela se deu conta, estava rindo.
-soup, mesmo que não me ajude, fez meu dia melhor-
O hacker sorriu para a tela. Também havia gostado da companhia de Isabela, ainda que só a conhecesse por mensagens e um nome engraçado.
Soupnazi parou de conversar com ela, mas conseguiu rastrear tudo o que ela havia feito nos últimos dias. A história fechava.
Ele estava em vantagem, sabia que Isabela era uma policial. Ela, por sua vez, nem imaginava que Ivan Bianchi e sua fortuna encobriam muito mais do que apenas um hacker habilidoso.
O empresário era na verdade um dos maiores benfeitores da máfia americana.