Episódio 7

1234 Words
Cassia — Por que você quer me comprar um vestido? Pergunto ao papai quando paramos em frente à loja de vestidos de noiva. — O vestido seria para Liliana. — Pois resulta que agora terá que ser para você. Além disso, tenho que supervisionar para que seja adequado. — Adequado? Respondo, franzindo a testa. —Desde quando você se importa com o que eu visto ou não? — Serás a esposa de um empresário importante, deve estar à altura. — Pois sou filha de um e nunca me impediu de me vestir como... — Pare de falar e vamos. Ele me interrompe, exasperado, e saiu do carro. Respiro fundo, tentando me controlar para que isso não piore. Minha mãe sempre diz que devo manter a cabeça fria para agir. Jamais serei como ela, mas pelo menos devo ser uma filha digna. — Seus óculos estão quebrando. Murmura antes de entrarmos na loja. Não dou ouvidos ao seu comentário e cumprimento a moça da loja, que me recebe com aquela gentileza exagerada. Não é que ela não seja gentil comigo quando estou sozinha, mas sei que meu pai gosta disso. Assim como centenas de outras mulheres com quem tenho a infelicidade de conviver em suas reuniões. E que ele não vai perder nenhuma oportunidade de flertar com ela. — Sim, que cubra o corpo inteiro. As palavras do papai me fazem parar de olhar os vestidos que eu estava revisando. Viro-me para ele, desconcertada. — Temos vários vestidos muito bonitos, com mangas de renda. Diz a entusiasmada senhorita. — Se quiser, pode... — Não, nada de renda. Interrompe o meu pai com tom severo. — Nada de transparências. — O quê? Quer que eu me case com o vestido da Lady Di ou algo assim? Solto sem pensar. A vendedora me observa corada, enquanto meu pai me olha com tanta intensidade que dói. Acho que acabei de lembrá-lo do sarcasmo com que a mamãe sempre costumava responder a ele. — Desculpe. Peço desculpas, acovardada. —Senhorita, mostre-me os vestidos que tiver. Renda não é uma opção, mas com certeza podemos encontrar algo bonito. — Sim, claro. Ela concorda, embora já menos segura. — Vá provar os vestidos. Ordena-me meu pai, olhando para o relógio. — E que seja rápido, que não temos o dia todo. — Está bem. Murmuro. A coleção que a mulher me apresenta não é muito variada devido às especificações do meu pai. Embora não sejam horríveis, minha cabeça grita em silêncio, e sei que mamãe também faria se os visse. — Não tem algo... mais bonito? Pergunto, nervosa. — É que isso... — Tenho certeza que ficarão bem. Ela me encoraja. — Parece que você tem um estilo simples e... Solto uma risadinha. — Que eu me vista assim não quer dizer que eu queira um vestido que me faça parecer uma freira. — Pelo menos experimente-os. Ela implora. —Por favor. — Tudo bem. Suspirei. — Vamos ver o que podemos fazer. Espero não parecer um saco de lixo, pelo menos. A mulher não ri da minha piada, mas pelo menos sorri e não me sinto tão patética. Os vestidos que estou experimentando me servem bem, mas são tão antiquados que até mulheres do século passado fugiriam deles. — Não, não gosto. — Bom, pode experimentar este. Ela aponta para o último, ainda pendurado nos ganchos. Embora no início eu não ache bonito, logo descubro as possibilidades. O corte permite fazer alguns ajustes que me farão parecer muito bem. — Sim, acho que será esse. Meu pai não desaprova o vestido, embora me observe por um longo tempo antes de decidir. — É o mais caro, mas vale a pena. Diz a senhorita. — É mesmo este o mais caro? Bufo. — É o indicado. Responde meu pai, sem se alterar por esse dado. — Nós o levaremos. Não protesto mais, mas também não sorrio. Meu pai conhece cada uma das minhas expressões, e sei que se detectar um vislumbre de alegria em mim, me fará comprar o vestido mais terrível que encontrar. — Bem, obrigado por se preocupar com o meu vestido, mas não era necessário. Digo a ele no carro. — Eu mesma poderia... — Não, você não podia fazer nada. Interrompe-me. — Não íamos arriscar que você escolhesse um vestido... pouco apropriado. — Eu não ia escolher um vestido decotado, se é isso que te preocupa. Sei que você acha que sou como a mamãe, mas não sou. — Silêncio. Ele me ordena quando a tela do carro indica uma chamada. Nos próximos minutos, tenho que ouvir Christopher avisá-lo que minha irmã já está no avião e que acabou de partir. Embora eu lhe deseje o melhor em sua carreira, não posso deixar de me perguntar como seria fazer isso também. Não tenho claro qual é o meu sonho na vida, mas tenho curiosidade sobre as passarelas e a moda, embora a minha roupa não o demonstre. Na empresa, nenhum dos dois menciona o vestido que me enviarão para casa no sábado de manhã. Em vez disso, ele exige que eu continue fazendo os registros na nova plataforma, e desta vez pouco me importa que ele se aborreça. Ele vem até mim várias vezes para garantir que eu esteja fazendo certo. Meu pai me observa com indiferença, mas pelo menos não está mais bravo e me corrige poucas vezes. — Caramba, meus olhos estão ardendo. Sussurro enquanto guardo o arquivo novamente. Fecho os olhos e me deito na mesa, depois de colocar um alarme de cinco minutos. Papai deve estar ocupado, então não acho que ele vai perceber. Em poucos segundos eu pego no sono. Em pouco tempo sinto algo que acaricia meu rosto, mas estou tão cansada que não consigo acordar. O que realmente me desperta é a vibração do meu celular, que anuncia uma mensagem. Mamãe: Nos vemos no domingo, filha. Não consigo lidar com essa emoção! Já quero te ver brilhar como você merece, meu amor. Um sorriso bobo se desenha em meu rosto, que desaparece ao perceber que alguém está me observando fixamente. — Então, ociosa no trabalho. Zomba Christopher. — Me pergunto se você fará isso no meio do se*xo. Minhas bochechas esquentam tanto que acho que ficaram mais vermelhas do que o meu próprio cabelo. — O que você está fazendo aqui? Pergunto com a voz rouca. — Você não deveria estar no seu escritório? Seu corpo se tensa e ele lambe os lábios. Normalmente eu acharia que ela está se*xy demais, mas agora estou tão atordoada que temo que ele esteja fora de si. — Fui deixar sua irmã. Não sei se você se lembra que precisamos conversar sobre as cláusulas do nosso contrato de casamento. — Eh… — Vamos. Diz meu pai, que vem da sala de reuniões. — Vamos falar os três. Temos que assinar o acordo pré-nupcial. Tudo o que ouço naquela conversa reafirma que devo encontrar Silvia no domingo para me vingar do meu pai, mas agora também por Christopher. Tenho que provar a eles que não sou a ratinha tola que eles acham que eu sou. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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