Episódio 8

1465 Words
Cassia Dois dias depois de ouvir essas cláusulas absurdas, ainda estou indignada e, ao mesmo tempo, rindo do quão estúp*idas elas são. Que a guarda dos meus filhos pertenceria a Christopher ou ao meu pai caso os tivéssemos? Para começar, nem sequer haverá aproximações entre ele e eu. Como lhes ocorre pensar em ter filhos? Não posso ne*gar que fantasiei mais de uma vez com a ideia de que Christopher começasse a me ver como uma mulher e me tocasse, mas daí a acreditar que isso pudesse realmente acontecer, há um abismo. Sempre tive os pés bem fincados no chão e sei que ele nunca me verá dessa forma. Ou será que pensam em me inseminar só para lhes dar filhos? Será que detectaram infertilidade na Liliana e não me disseram? Incorporo-me de repente na cama, ofegando. O céu já começa a clarear, o que significa que não dormi nada. Estou nervosa com o que vou fazer, mas ainda mais porque não sei como conseguirei não ser descoberta. Levanto-me e caminho de um lado para o outro, tentando acalmar essa cócega incômoda no estômago. — Tudo tem que dar certo. Sussurro enquanto abro o chuveiro. Nem mesmo a água morna consegue me relaxar. Não paro de pensar no Christopher, naquela forma como ele analisava cada uma das minhas expressões ao ouvir tantas bobagens. Por momentos senti que ele fazia de propósito só para me irritar, mas... Qual seria a sua motivação? Eu me mostrei complacente, disposta a me esforçar para não lhe causar o mínimo problema. Talvez as complicadas não sejamos nós, mas eles... Ao terminar de tomar banho, visto-me como sempre e seco o cabelo. Embora eu tenha vontade de me arrumar mais, decido me manter tão normal quanto sempre para não despertar suspeitas. — Bom dia, Estela. Meu pai está? Pergunto à governanta quando desço. — Não, senhorita, não está. Saiu muito cedo. Responde-me. — Você precisava dele para alguma coisa? — Não, não. Ne*go com a cabeça. Só estava perguntando. — Vai tomar café da manhã? — Sim, por favor. Peço, ainda imersa no meu papel de Cássia num domingo qualquer. — Claro, vou preparar para você agora. — Obrigado. Tiro o meu celular para ver as minhas mensagens e descubro que a minha mãe me enviou várias fotos de cortes de cabelo que ela sugere que eu faça. Alguns são muito extremos, mas outros eu gosto bastante. Embora mantenham o meu tom natural, sinto que poderiam me cair bem. Tomo o café da manhã com total calma, preparada para qualquer chegada inesperada, mas nada acontece, e chega a hora de ir embora sem encontrar o papai. — Vai sair, senhorita? Pergunta-me o motorista. — Posso... — Não, o táxi já está me esperando lá fora. Interrompo com um sorriso amável. — Não se preocupe. — Tudo bem. Diz com muita seriedade. — Tenha um bom dia. — Igualmente. Emocionada, mas também supremamente nervosa, corro para o táxi e subo depressa. Para minha surpresa, mamãe está me esperando lá. — Olá, meu amor. Cumprimenta com um sorriso enorme. — Você está pronta para a diversão? — Pedi para você chamar o táxi, mas não achei que você fosse pedir permissão no trabalho. Rio. — Na verdade, estou matando aula. Ele encolhe os ombros. — Mas não importa, querida. Minha chefe não está lá, e você sabe que o Íker sempre me cobre. — Não quero que você se meta em problemas. Faço beicinho. — Você demorou muito para encontrar esse trabalho. — Não se preocupe com isso, minha chefe vai entender. Ela me garante. — Senhor, já podemos ir. O motorista assente e finalmente dá partida no carro. — Isso que você está fazendo é arriscado, mãe. Se meu pai descobrir que você se aproximou da casa... — Não fique preocupada, não estou perto do seu pai nem da sua irmã. Você não disse que ela foi viajar? — Sim, mas… — Então não estou quebrando as regras. Ela sorri. — Você sabe que sei calcular cada passo. Desde que você me contou tudo, tenho planejado isso com cuidado. — Agora entendo por que te chamavam de cérebro na escola. Rio. — Você é incrível. O brilho nos olhos da mamãe se apaga um pouco. Antes que eu possa me desculpar, ele recupera a sua expressão radiante e começa a me mostrar mais fotos. — Prefiro algo mais sutil. Não estou pronta para uma mudança radical. Admito. — Tudo bem, entendo. Ela concorda. — A única coisa que te peço é que se note um pouco. Você é linda, minha menina, você realmente vai brilhar quando aproveitar o seu potencial. Eu mesma vou supervisionar tudo, não se preocupe. — Eu sei, e por isso estou feliz. Respondo, encostando-me no ombro dela. — Te amo, mamãe. — Eu te amo mais, querida. Ela suspira. — Sei que falhei com você e a sua irmã, mas isso não muda o fato de que vocês são a melhor coisa que me aconteceu na vida. — Não, você não nos decepcionou. Por que você diz isso? — Agora que estão te obrigando a tudo isso, acho que talvez eu devesse ter... — Não. Você não sabia o que aconteceria, e merecia pensar na sua felicidade. Não quero que você diga algo assim de novo. — Está bem. Murmura, embora a voz dele me diga que não se sente totalmente bem. Ainda assim, não a pressiono e mudo de assunto para que estas horas que vamos passar juntas não sejam arruinadas. Embora tudo isso seja culpa da raiva que sinto em relação ao papai, quero parar de pensar nele e em Christopher por algumas horas e me concentrar apenas em aproveitar. — Chegaram! Exclama Silvia, saindo do salão de beleza. Eu estava esperando por vocês, estou ansiosa. — Sempre quis trabalhar com o seu cabelo, querida. — Ai, Deus. Digo, levando as mãos à cabeça, assustada. Mamãe solta uma gargalhada. — Não a assuste assim, Silvia, por Deus. Diz entre risos. — Você parece querer fazer experimentos. — Pois é que eu quero mesmo. Ela admite com descaramento. — É brincadeira, querida, farei o que você pedir. Será uma honra trabalhar nesse cabelo tão bonito. Mamãe me abraça pelos ombros e juntas entramos no luxuoso salão. Embora eu venha preparada para pagar, fico um pouco nervosa que o meu dinheiro em espécie não seja suficiente para qualquer coisa que me façam. Os gastos que faço com os meus cartões de crédito são algo que o papai controla, e é óbvio que ele vai perceber se eu gastar aqui. — Não trema, meu amor, que não estão cortando a sua cabeça. Ri mamãe quando me sento. — É que... — Olha, para te distrair, vou pedir para a Vicky vir te dar umas dicas de maquiagem para você aplicar, tudo bem? Assinto energicamente, ansiosa por ouvir esses conselhos. Não é que eu ame maquiagem, mas tenho curiosidade sobre como realçar o meu rosto. As pessoas me acharão atraente? Christopher...? Detenho os meus pensamentos antes que eles se desviem para caminhos perigosos. Por mais linda que eu pudesse ser, ele é só da minha irmã e jamais vai olhar para mim. Se eu fizer isso, não é para agradá-lo, mas para provar a mim mesma e aos outros que não sou uma menina boba, que eu também posso ser bonita. Apesar do nervosismo, memorizo tudo o que a Vicky me diz sobre como me maquiar para realçar as minhas características e quais produtos usar para esse fim. No final, a mamãe volta com uma sacola com esses produtos e me entregam enquanto cortam as pontas. — Não, mãe, não posso pagar isso. — E quem diz que você vai pagar? Ela bufa. — Isso corre por minha conta, e a sua parte por conta da Silvia. — O quê? Não... — Não quero ouvir mais nada. Interrompe a aludida. — Sua mãe quer te dar este presente pelo seu casamento. Forma-se um nó tão grande na garganta que dá vontade de chorar. Definitivamente, meu pai foi um idi*ota por não saber valorizar tudo o que ela é, o amor que ela tem para dar. — Não chore, que você vai ficar inchada. Diz a mamãe, embora os olhos dela também estejam marejados. — Você herdou isso de mim. Apesar de rir, as lágrimas me escapam, que ela limpa com amor. —Você é linda e única. Nunca se esqueça disso. Sussurra antes de se afastar novamente para que Silvia possa continuar trabalhando. ‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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