Episódio 9

1050 Words
Antes que possam me explicar o tratamento que me aplicarão, as portas da estética se abrem de forma estrondosa. Por um segundo, imagino que seja um assalto, então levanto-me imediatamente para proteger a mamãe, mas o que vejo é talvez muito pior. — Então era isso que você estava planejando. Diz papai, com aquele sorriso que deixa claro que ele está extremamente furioso. — Pai, eu só ia cortar as pontas. Tento explicar, mas ele me ignora e se aproxima da minha mãe, que não foge, embora trema levemente. — Pai... — Estar na cadeia te fará melhor do que esse vestido de... empregada. Ele diz com desprezo, percorrendo-a de cima a baixo com o olhar. — Vai me colocar na cadeia por uma aproximação que você teve? Zomba mamãe, apesar de saber que está em perigo. —Não me faça rir, eu não sou boba. — Mas quem vai acreditar em você quando você argumentar isso? — Simples: há câmeras aqui. Responde ela com um sorriso desafiador. De repente, as luzes se apagam, deixando todos nós na escuridão completa. As poucas clientes do salão gritam assustadas, e a tensão aumenta, assim como as faíscas que voam entre meus pais. — Quero estar com a Cássia! Isso não me é proibido, seu filho da p*uta! Grita a mamãe. — Já me tirou a minha Liliana e a pôs contra mim, mas a minha Cassia pode decidir que... — O que você estaria disposta a fazer para ficar perto de ambas? Pergunta meu pai, segurando o seu queixo com firmeza, apesar de ter se arrepiado ao tocá-la. — Você não gostaria de estar no casamento? —Pai, solte-a. Peço a ele. — Vamos embora. Te prometo que farei o que for preciso, mas... —Minha empregada. Interrompe o meu pai. — Você será a empregada da família. — Mamãe, você não vai aceitar. Respiro fundo, mas continuo sendo ignorada. — Ela... — Por você eu faria qualquer coisa, meu amor. Suspira a mamãe. — E, honestamente, a última coisa que eu quero agora é pisar na cadeia. Você precisa de mim agora que vai viver um casamento tão miserável quanto o meu. — Mas, mãe...! — Está bem, Máximo. Concorda a minha mãe. — Quando você quer que eu comece? — Em breve você será contatada, Zulema. Diz ele com frieza antes de se virar para mim. — Vamos, Cássia. Por mais que eu proteste, ele não cede e me arrasta para fora do salão de beleza. Ele me joga no carro do motorista e dá ordens estritas para me vigiar até que eu entre no meu quarto. Por descuido dele — ou talvez por estratégia — ele não me tirou a bolsa das mãos. Embora o meu corte de cabelo tenha sido frustrado, ainda tenho esperanças de ficar bem no dia do meu casamento. ‍​ Christopher Estico e flexiono os dedos repetidamente, tentando tirar da cabeça o que aconteceu há dois dias. Só queria fazer cócegas nela para que acordasse desorientada, mas a única coisa que consegui foi perceber o quão suave é a pele dela. O que ela usa para cuidar dela? Ela usa os produtos da empresa do pai dele? Pode ser, mas Liliana também os usa e não é assim. — M*aldita seja. Murmuro, batendo na mesa com a mão. — Está tudo bem? Pergunta Berenice, minha assistente, entrando no escritório. — Senhor, aqui estão os projetos e os orçamentos. Só tem que escolher qual linha de pesquisa vamos priorizar para... — Quero priorizar a de como aquela garotinha consegue ter aquela pele tão... — O quê? — Eh... Nada. Ne*go com a cabeça. — Dê-me as pastas, por favor. — Sim, Senhor. Quando ela me entrega as pastas, a mulher volta a me observar como se eu estivesse doente. — Senhor, tem certeza de que está bem? Talvez esteja afetando você vir também aos domingos. — Afeta a mim ou afeta a você? Revirei os olhos. — Lembro-se que você teve o seu dia livre ontem e que por isso... — Não, senhor, não me afeta em nada vir aos domingos. Ela me garante. — O que noto é que você está estressado desde que a senhorita Liliana partiu. — Sim, é possível. Assinto lentamente. Essa possível explicação para o meu estresse me alivia um pouco. Com certeza estou assim porque sinto falta da Liliana. Sinto falta do seu sorriso, das suas bobagens, das suas piadas, daquela maneira tão grandiosa de ser. — Por que você não tira o dia de folga? — Não, tenho que fazer isso. Digo a ela enquanto abro a primeira pasta. — Pode ir, eu fico aqui. — Está bem, senhor Sepúlveda. Ofereço-lhe mais alguma coisa antes de eu ir? — Não, não preciso de nada, obrigado. Pode ir. Berenice não insiste mais, embora seja óbvio que ela continua preocupada. Essa mulher, que tem a mesma idade da minha mãe, está sempre preocupada com todo mundo. Para não pensar mais na minha noiva e no escândalo do salão de beleza em que ela tentou mutilar a sua impressionante cabeleira, começo a revisar os contratos que Berenice acabou de me dar. O projeto do meu futuro sogro é a prioridade agora, mas também preciso me aprofundar em outra linha de pesquisa para passar o mínimo de tempo possível em casa. O projeto sobre distrofia muscular de Duchenne chama a minha atenção imediatamente. Embora eu seja o CEO há três anos, aquele velho egoísta nunca me deu total liberdade para desenvolver nada relacionado à pesquisa de doenças raras. A assembleia de acionistas sempre votou contra mim, influenciada por ele. Mas agora que vou me casar com a mulher que ele sempre quis para mim, tenho controle total. Nem Liliana, nem Máximo precisam saber que eu descobri que posso esperar esses dois anos para me casar. A melhor decisão é fazer isso agora e depois procurar uma maneira de me divorciar daquela ruiva. — Sim, não vamos chegar a lugar nenhum. Murmuro. — Ela é lésbica. ‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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