Solto um grunhido enquanto tento me concentrar novamente no que estou lendo, mas simplesmente não consigo tirar da cabeça a ideia de Cassia beijando outra mulher. Me incomoda e me e*xcita em igual medida, não posso mais ne*gar. Espero que ele cumpra aquela cláusula de não ser visto com outra pessoa em público. Não poderei tolerar ser o motivo de riso de todos os nossos conhecidos e perder o respeito que conquistei desde que meu pai me colocou nestes escritórios quando eu era adolescente.
Naquela mesma tarde, liguei para a mesma ruiva, que me recebeu no seu apartamento com a roupa horrível que eu pedi.
— Vamos ver, querida. Você ainda gosta de mulheres? Zombo, segurando-a pelo queixo.
— Solte-me. Ofega, observando-me com aqueles enormes olhos azuis.
Quando termino, descubro com decepção que, na verdade, são escuros.
—C&C—
Cassia
Desde ontem, meu pai não me dirigiu a palavra. Sem dúvida, isso dói mais do que se ele tivesse gritado comigo, mas pelo menos agradeço que ele não tenha lançado insultos contra a mamãe. Não sei que mosca picou ela, mas pelo menos me consola pensar que amanhã ela poderá estar comigo.
— Vai continuar sem falar comigo? Pergunto a ele antes de ir almoçar. — Entendo que você esteja chateado, mas eu precisava cortar o cabelo. Por acaso tem algo de errado nisso?
— Você nunca corta o cabelo, nunca faz nada para arrumá-lo. Responde com frieza. — Por que agora você quer fazer?
— Porque vou me casar e queria me arrumar um pouco, só isso.
— E por que você queria se arrumar? Acha que com isso o Christopher vai se interessar por você? Zomba, embora não esteja rindo.
Os meus olhos ardem por um segundo. Aceitei há muito tempo que Christopher não é para mim, mas ouvir isso do meu pai é como se me atirassem uma pedra diretamente na cabeça.
— Não, não pretendo isso. Respondo com segurança. — Sei muito bem que ele só tem olhos para a Liliana. Christopher não me interessa como homem.
— Tem certeza disso? Ele estreita os olhos. — Seria uma decepção para sua irmã se você estivesse...
— Pois tenha certeza de que não estou interessada no Christopher. Jamais faria algo assim com Liliana. Garanto a ele. — Sei que ele é um homem com muitas qualidades, mas pode ficar tranquilo.
— Bem, digamos que eu acredito em você. Responde, ainda sério, mas menos irritado.
— Não entendo por que essas cláusulas sobre os filhos. Sou obrigada a dar a eles?
— Não, você não é obrigada a dar a eles. Essas foram algumas cláusulas que Christopher adicionou por causa de coisas do testamento. Ele me responde, voltando a sua atenção para o computador.
— Entendo. Murmuro, tentando disfarçar a minha decepção. — Bom, ainda bem que não terei os filhos dele. Me recuso a ser a incubadora de Liliana, não importa a forma como você me ameace...
— Jamais permitiria que alguém te engravidasse. Ele me interrompe, apertando um dos punhos. — Volte ao trabalho, Cassia.
— Sim, papai.
Volto para a minha mesa com uma sensação agridoce no peito. O meu coração bobo quer acreditar que ele não deixará ninguém me engravidar porque deseja me proteger, mas, sendo realista, o mais provável é que ele pense que não vale a pena eu me reproduzir.
Gosto de me parecer com a mamãe, embora, em dias como este, eu lamente.
Apesar do cansaço e dos nervos, continuo como se nada estivesse acontecendo, até vou à cafeteria. Não é o melhor plano para passar o meu último dia de solteira, mas pelo menos é algo fora do comum.
Ao entrar na cafeteria, percebo que está quase vazia, mas não escapo de alguns funcionários me olharem como se eu tivesse aparecido um fantasma.
— Quero está, por favor. Aponto para o último prato de salada que restava nas vitrines. — Quanto...?
— Oh, não, essa é para mim. Se quiser, eu compartilho... Diz um garoto, que se coloca ao meu lado.
— Desculpe? Rosnou, olhando-o m*al. — Eu cheguei primeiro.
— Perdoe-me, mas você não estava...
Ao reconhecer aquele homem atraente, sufoco um grito.
— Fabian? Pergunto impressionada.
— Eu mesmo. Diz com tom falsamente altaneiro. — Não é porque você é filha do dono que vou te dar minha salada.
— Tão gentil como sempre. Murmuro, revirando os olhos.
— Ou muito grosseiro para ter uma desculpa para que compartilhemos algo. Diz sorrindo. — Finalmente alcançarei o meu objetivo de me casar com a herdeira de um multimilionário e não ter que trabalhar.
— Muito engraçado. Rio do seu sarcasmo. — Sério, o que você está fazendo aqui? Quanto tempo você está aqui? E nem tente me enganar, que eu revisei a folha de pagamento há pouco.
— Hoje completo a minha primeira semana. Responde enquanto paga a salada. — Meu pai me castigou por bater o carro e agora tenho que trabalhar aqui.
— Fabian, acho que você deveria ceder. Murmura Rosa.
— Sim, fique tranquila. Ele ri. — Minha amiga não vai ficar brava, né?
— Calma, Rosa. Intervenho. — Não vamos tirar a comida deste troglodita. Me de algumas barras de...
— Sim, sim, a salada é sua. Grunhe Fabian. — Assim como no ensino médio, não se pode fazer uma piada com você.
— Igual que no ensino médio, você não muda. recruto com um sorriso. — Mas me agrada.
Fabian e eu compramos bebidas e sentamos numa mesa para nos atualizarmos enquanto compartilhávamos a salada.
— Acho que é a única coisa que gosto na empresa, além de você. Sorri.
— Sim, claro, você gosta de mim. Eu bufei. — Eu, e mais algumas.
— Mas pelo menos você é a única que eu realmente gosto.
Nem me ruborizo, mas escapa um risinho bobo. Socializar, mesmo que seja com um velho semiamigo, me faz bem.
— Conte-me, o que aconteceu com a sua vida desde que você trabalha aqui? Nunca mais nos falamos.
— Nada, só trabalhar, trabalhar e trabalhar.
— E você não pensa em estudar na universidade?
— Estou estudando online. Explico a ele com um sorriso. — Só preciso fazer os exames. O meu pai tem um convênio com a universidade e eu faço meus estágios aqui.
— Isso é ótimo. Serás digna de ser a herdeira de...
— Duvido muito. Murmuro antes de levar uma mordida à boca.
— Ei, aquele era meu. Resmunga enquanto fura o último tomate. — Enfim, por que você diz isso? Você é a mais qualificada para herdar o negócio. Sabe administrar desde o berço.
— Sim, mas…
Fabian acaricia o meu rosto e suspira. Logo ele faz aquela cara de bad boy que tanto derrete as mulheres, mas que só me faz rir.
— Você aceita sair comigo hoje à noite? Ele sugere. — Prometo que te levarei para casa cedo.
Embora eu saiba que não devo, embora eu saiba que assinei um contrato, tenho muita vontade de dizer sim. Seria tão ru*im ir para um lugar discreto? Não é que eu esteja planejando cometer adultério nem nada do tipo, mas...
Antes que ele termine de falar, noto aquele aroma. E antes que ele pudesse terminar a frase, alguém joga uma garrafa de água sobre a mesa, respingando em nós dois.
— Receio que ela esteja muito ocupada avaliando orçamentos. Informa Christopher. — Ah, e no nosso casamento.
Viro-me para olhar Christopher, boquiaberta. Ele acabou de dizer o que eu acho que ele disse?
— Espera, o quê? Você vai se casar com o Sepúlveda? Me interroga Fabián, que não sabe se ri ou grita. — Cássia...
— Não é o que você está pensando. Apresso-me a dizer. — É que...
— É que ela não vai te convidar. sorri o meu noivo, pegando o meu braço para me fazer levantar. — Sinto muito, só estará a família.
Fabián me olha com a testa franzida.
— Te explico depois. Resmungo. — Não é o que você pensa. Juro que não é o que...
— Cale a boca, po*rra.
Christopher cobre a minha boca e me arrasta para fora do café. Ao chegar ao corredor dos banheiros, ele me encurrala contra a parede, olhando para mim com tanta raiva que sinto que vai me bater.
— Então você joga para os dois lados. Ele ri, roçando a minha bochecha com o dedo indicador.
Não consigo evitar ofegar e tremer. Christopher dirige o olhar para meus lábios, que começam a formigar pela necessidade de beijá-lo. Nunca o tive tão perto do meu rosto e odeio não conseguir disfarçar.
— Do que você está falando? Pergunto a ele. — Jogar para os dois lados?
— Você não se lembra do que assinou? Você vai me envergonhar antes do casamento?
— Por que esse interrogatório? Grunhi. — Não estava fazendo nada de errado, só conversando.
— Compartilhando uma salada, você acha que eu não os vi?
— Sim, e daí? Você deve compartilhar muito mais coisas com Liliana.
— Não, Liliana não é como você. Solta com tom desprezível. — Ela sabe se fazer respeitar.
— Ela é uma t*ola por amar alguém como você. Espeto, empurrando-o. — Prefiro ser uma qualquer a... bem, estar interessada num pateta nojento.
— O quê? Ele solta uma risada rouca, mas não parece contente.
— Que amanhã vou assinar um termo de casamento, mas que não quero ver a sua cara odiosa a menos que seja estritamente necessário. Respondo, tirando essa força da minha mãe que eu não sabia que tinha. — Sim, serei uma esposa impecável, você nunca me verá em público com ninguém, mas eu sei sobre contratos, e em nenhuma cláusula se especifica que eu não possa ter a minha intim*idade com discrição.
— Claro, agora você me mostra sua verdadeira...
— Você sempre viu a minha verdadeira face, Christopher. Interrompo-o, sem saber que dem*ônio me possuiu. — Esta sou eu, sem mais. Nos vemos no altar.
— E na empresa. Acrescenta com um sorriso. — Já falei com seu pai sobre isso.
— De quê…?
— Você vai trabalhar para mim. Anuncia, deixando-me gelada. — A partir de hoje, você vai me ajudar com o orçamento da nova linha de pesquisa.
— Mas...
— É uma ordem. Interrompe-me, olhando-me com tanta malícia que me aperta o peito. — Nos vemos no altar, querida cunhada.