Máximo
Jogo a rosa despedaçada fora e volto a ler o cartão que enviaram para minha filha. Já mandei o técnico de informática tirar todas as gravações para saber quem dia*bos é esse homem... ou mulher. Essa m*aldita nota exala um perfume feminino.
— Pai! Exclama Liliana, entrando no escritório. — Queria vir me despedir antes de ir. Chris vai me levar ao aeroporto.
— Vamos sentir a sua falta. Respondo, deixando-o se acomodar nas minhas pernas.
Christopher, sem se importar com a forma como minha filha me enche o rosto de beijos, senta-se na cadeira em frente à escrivaninha.
— Meus advogados estão preparando o contrato para que o assinemos depois do casamento. Avisa o meu futuro genro, esboçando um sutil sorriso.
Assinto com indiferença, concentrando-me em Liliana. Ela é a única coisa que eu tenho, a única filha fiel a mim, e eu vou sentir falta dela. Ainda assim, não consigo evitar pensar na outra, a que está lá fora, provavelmente suspirando por aquela pessoa nojenta que lhe enviou as flores.
— Se eu fosse você, tomaria cuidado com a Cássia. Aviso Christopher, que franze a testa. — Está recebendo presentes suspeitos.
— De uma tal Silvia? Ele pergunta entre dentes. — Parecia bastante emocionada em vê-la. Mais ainda, eu diria que...
— Silvia. Revirei os olhos, pensando naquela cabeleireira a quem a minha mulher costumava ir.
Sim, deve ser a mesma Silvia. Penso com raiva.
— Você tem ideia de quem ela é, papai? Pergunta Liliana, parando de me beijar. — É que...
— Não. Minto para ela. — Não sei quem é. — De qualquer forma, você tem que evitar que ela...
— Acho que os dois estão paranoicos em relação à minha irmã. Diz Liliana, rindo. — Ela é uma adulta responsável. Além disso, se Chris e eu temos o nosso relacionamento, por que ela não poderia ter algo?
— Porque não. Respondemos Christopher e eu ao mesmo tempo.
— Vocês estão realmente muito estranhos ultimamente. Ela resmunga. — Acaso já não me querem? Por que vocês estão pensando tanto nela de repente? Cassia pode se virar sozinha.
Solto um suspiro e acaricio a sua cabeça.
— Não se preocupe, apenas concentre-se na sua campanha. Você vai triunfar não só nas passarelas, mas também quando for a imagem da nossa empresa.
— Sem dúvida. Assente Christopher, olhando-a com a mesma devoção de sempre. — A imagem de Liliana é muito atraente, juvenil, o que se espera.
— Ai, estou envergonhada. Diz ela, levando as mãos às bochechas, embora, na verdade, mantenha a mesma cor.
O seu rubor não é tão evidente quanto o de Cassia ou...
Não, os meus pensamentos não podem ir para ela de novo. Não agora, quando estou com Liliana, a única vítima nesta situação.
— Vou levar em conta o que você me diz. Promete Christopher, levantando-se.
Liliana me dá outro beijo antes de se levantar. O meu corpo sente alívio ao tirar o seu peso de cima, embora a minha consciência me castigue por pensar algo assim, por imaginar Cassia e Zulema no seu lugar.
— Cuide-se, filha. Digo a ela, esforçando-me para banir esses pensamentos tormentosos. — Ligue-me quando chegar.
— Está bem, papai, eu prometo.
Quando eles vão embora, eu volto a cheirar o bilhete. Isso não cheira a Zulema, nem a mais ninguém que eu conheça. No entanto, não vou descansar até descobrir quem dia*bos é essa tal Silvia, e se ela é o que eu penso...
— Acho que será bom nos encontrarmos de novo. Sorrio, tirando a sua fotografia da gaveta. — O uniforme de prisão te cairá melhor do que o de criada.
—C&C—
Christopher
Ao sair do escritório de Máximo, Cassia não está em lugar nenhum. Mas Liliana me distrai com a sua voz encantadora, com aquela ilusão que destila em cada palavra.
Valeu totalmente a pena usar as minhas influências para que ela conseguisse. Aqueles m*alditos im*becis não tinham ideia do que estavam dizendo quando afirmavam que ela não era adequada, mesmo com toda a sua beleza.
— É que não consigo acreditar, não consigo. Suspira ao chegar ao aeroporto. — Se eu não tivesse o apoio dos dois homens que tanto adoro, acho que não teria conseguido.
— Não diga isso. Respondo, acariciando o seu queixo. — É você quem conseguiu.
— Odeio a ideia de não estar no casamento. Ela resmunga. — Mas não temos outra opção, certo? Você tem que se casar com ela agora. Só espero que esses dois anos passem voando.
Serão uma tortura eterna. Aquele velho m*aldito deve ter morrido agora só para me ferrar a vida. Penso com fastio.
— Vai passar. Respondo, contendo-me para não beijá-la.
— Promete que você vai se comportar bem. Ela me pede. — Bem, eu sei que você faz isso, mas...
— Sei o que realmente te preocupa, mas não precisa ter medo. Digo a ela sorrindo. — Jamais vou colocar os meus olhos em Cassia.
Não farei isso, nem que eu tenha o cabelo mais impressionante que já vi. Como ela consegue prender aquela cabeleira sem doer a cabeça? Ou será que o mau-humor dela é por causa daqueles laços horríveis? É uma teoria plausível.
— O quê? Ela franze a testa.
— Que suponho que era isso que você queria me dizer. Respondo com nervosismo.
— Na verdade, ia te pedir para não assistir à série sem mim, mas fico feliz que você tenha claro que é um casamento de mentira.
— Será. A única mulher que será minha esposa de verdade é você.
— Então vou embora muito tranquila. Ela sorri. — Só teremos que esperar com paciência.
—Muita. Se ao menos você quisesse...
— Já falamos sobre isso. Interrompe-me, ficando séria. — Não posso desistir disso.
— Está bem. Farei tudo o que você disser. Assinto. — Cuide-se.
— E você também, meu amor. Eu te amo.
— Vá com cuidado e não se distraia, sei como você é. Brinquei.
Liliana revira os olhos.
— Sim, senhor mandão, já vou.
Ao vê-la subir pela escada rolante, o leve alívio que sinto me faz sentir um pouco culpado. Uma coisa é buscar desabafar a vontade que tenho dela com outras mulheres, mas outra muito diferente é desejar saber o que aquele guarda tem a me dizer sobre a irmã que tanto a prejudicou.
— Alguma novidade? Pergunto ao guarda quando ele atende a ligação. Ao meu lado passa um homem que me parece familiar, mas não sei de onde, então descarto-o imediatamente. — Ela não estava no escritório dela, ela saiu do prédio?
— Sim, senhor, ela saiu do prédio, mas junto com o pai. Informa-me.
— E você os seguiu?
— Não, o senhor me disse...
— Bem. Se for com o pai dela, então não deve acontecer nada. Resmunguei, desconfortável por não me sentir totalmente tranquilo com isso. — Ela estava com o cabelo solto?
— O quê?
— Nada, nada, não me dê ouvidos. Ne*go com a cabeça. — Só me avise se acontecer algo fora do comum, ok?
— Sim, senhor. E se quiser que eu a siga mesmo quando estiver com o pai dela, posso fazer isso.
Não respondo imediatamente, duvidando sobre o que será o melhor. Máximo está do meu lado, pelo menos por enquanto, mas...
— Sim, quero que você a siga para todo lugar, principalmente se ela estiver sozinha. Ordeno.
— De acordo. Ah, senhor, mais uma coisa.
— O quê?
— Ela não estava com o cabelo solto.
Sem saber por quê, esse simples detalhe me faz sorrir como um idi*ota.