Episódio 3

1481 Words
Christopher — Você tem certeza de que a agência vai permitir isso? Pergunto a Liliana, a caminho de casa, quando ela me conta que acabou de pedir para cancelar o vestido da Cassia. — Temos que ter cuidado. — A agência não vai ficar sabendo. Ela me garante, pegando na minha mão. — Não suporto que minha irmã tenha uma cerimônia. Ou seja, a ideia de que seja para casar com você. Além disso, não está certo. Seria muito humilhante, não acha? — Você é sempre muito atenciosa. Respondo, beijando-lhe a mão, buscando aquele perfume que não consigo tirar da cabeça. Infelizmente, não o encontro. — Por isso, gostaria que... — Não, não posso cancelar o meu contrato com a agência. Ela me interrompe. — É o meu maior sonho, meu amor. Finalmente consegui que me aceitassem e estou prestes a me tornar modelo internacional. Que garota consegue isso com apenas dezoito anos? Além disso, não esperávamos que o seu avô morresse tão de repente. Parecia saudável. — O pior coisa que aquele velho podia fazer era morrer. Murmurou, apertando o volante com as duas mãos. — Arruinou todos os nossos planos. — Sim, eu sei, mas prometo que dentro de dois anos as coisas serão diferentes, que poderemos nos casar. — E me darás um filho. — Hum... Isso eu vou pensar um pouco. Ela diz, fazendo uma careta adorável. — Em dois anos ainda serei jovem, então não vejo pressa. — Faremos tudo o que você desejar. Respondo, ignorando a pontada de decepção que me invade. Desde que me apaixonei por ela, sei bem que quero que ela seja a mãe dos meus filhos. No entanto, aparentemente todos acham que, se ela engravidar, arruinará o corpo dela. Eu não acredito nisso. Sei que a sua figura esbelta se tornará ainda mais apetitosa. Assim que eu tiver o meu primeiro filho, tudo ficará melhor e ela não precisará voltar ao mundo dos holofotes, porque entenderá que deve estar ao meu lado. — Obrigada, você é sempre tão compreensivo comigo. Suspira, observando-me com aqueles lindos olhos azuis que são minha fraqueza. Ao parar o carro, inclino-me para beijá-la. De novo respiro fundo, desejando que ela tenha aquele perfume, mas não encontro ocasião para perguntar a ela, muito menos para perguntar à chata da minha futura esposa. — Adoro que já nos beijemos. Sorri. — Que pena que em público não possamos fazer isso para manter as aparências. — Nosso apartamento está pronto. Asseguro a ela. — Depois do casamento, poderemos nos ver lá. — Não posso esperar para que isso aconteça. Quero que façamos amor pela primeira vez. Ela suspira. Me mexo para disfarçar o efeito que isso provoca na minha virilha. Embora o meu melhor amigo insista que Liliana é muito mais nova, não me importo. Desejo tomá-la, sua pureza. Com certeza ela será desajeitado na cama, ao contrário das mulheres com quem me deito de vez em quando, mas essa é justamente a experiência que me falta viver. — Eu desejo isso mais do que você. Antes que eu pudesse beijá-la novamente, vejo passar uma figura vestida de cinza. — Sua irmã chegou. Murmuro. — Sim, ela deve estar furiosa. Eu falo com ela, sim? Não se incomode, meu amor. — Não, não quero que ela volte a te bater. Respondo, preocupado. — Me bater? Ela franze a testa. — Sim, você me disse que quando eram crianças ela te batia, ou você não se lembra? — Oh, sim. Ela concorda. — Meu Deus, Chris, você se lembra de tudo. Eu a perdoei e até esqueci. A minha irmã não fará isso comigo. — Ainda assim, será melhor que falemos com ela os dois, tudo bem? Não vou deixar você se expor a uma situação desconfortável. — Você não deveria se preocupar tanto comigo. Não quero que minha irmã seja rude com você. — Não se preocupe, ela é uma covarde. Zombo. — Nunca diz nada quando me tem por perto. — É que ela te odeia. Ela ri. — Suspeito que ela gosta de garotas. — Ela gosta de garotas? Murmurei, franzindo a testa. A imagem mental daquela ruiva beijando outra mulher me passa pela cabeça enquanto contorno o carro para abrir a porta para Liliana. Não sei se me causa repulsa ou certo morbo, mas sei que não me sinto totalmente confortável com isso. Acho que terei que falar seriamente com ela sobre isso. Não pode me envergonhar com nenhum escândalo, nem antes, nem depois do casamento. Quando isso terminar, ambos devemos continuar discretos, pelo menos por um tempo prudente. — Meu amor, de verdade posso ser eu quem fala com ela? Insiste a minha namorada. — Não precisa se incomodar. — Não se preocupe, nós dois devemos explicar a ela como as coisas vão ser. Ao entrar na casa, encontramos Cássia, que sobe as escadas. — Irmã, pode vir um momento? Chama Liliana, enquanto lhe pego na mão para protegê-la em caso de reação violenta. — Queremos falar com você sobre o... — Sim, eu sei, o vestido. Responde Cássia, girando apenas meio corpo. Observo-a de cima a baixo, com uma careta de desgosto. Acaso não tem mais roupa? Ela anda sempre pela vida com calças de moletom enormes e moletons? Sim, Liliana pode estar certa e ela gostar de mulheres. Embora... não sei que tipo de mulher gostaria de alguém que tem o rosto desbotado, usa óculos horríveis e o cabelo parece um ninho de pássaros. — Só queria te explicar que... — Entendo. Interrompe-me. — E vocês não sabem o quanto eu agradeço por isso. Não haverá cerimônia, certo? — Não, não haverá. Respondo. — Só precisa assinar a certidão de casamento. No momento, o advogado não me disse que é necessária uma cerimônia. — Então está bem. Ela sorri. — Menos m*al, fazer uma festa é ridíc*ulo, não acham? E, bem, parabéns pelo casamento simbólico de vocês. Só espero que isso não lhes traga problemas com a agência. — Não, eu te garanto que não. Diz Liliana, tão desconcertada quanto eu. — Eh... estão me ligando. Murmura Cassia, tirando o celular do bolso do seu enorme moletom. Tento espiar um pouco para ver quem está ligando para ela, mas Cássia esconde rapidamente e se despede. — Nem sequer se importou. Rio com ironia, ignorando o leve ardor no estômago, que se acalma um pouco quando volto a contemplar o rosto perfeito de Liliana. — Bem, por que ela se importaria? Ela também deve ter alguém. — E por que você não está sabendo? Acaso você não é a irmã dela? Gritei para ela. — Chris, o que está acontecendo com você? Ela pergunta, olhando para mim com espanto e recuando dois passos. Quando acaricio os braços, percebo que os apertei com força. — Perdoe-me. Suplico, envergonhado, tentando me aproximar de novo. — Não quis fazer isso, desculpe. — Sei que não poder se casar comigo te deixa m*al, mas você precisa se acalmar, meu amor. Se nós temos o nosso, ela também tem direito. — Sim, é verdade. Digo, beijando-a na testa. — Que o avô tenha morrido justo agora e nos obrigado a apressar as coisas me deixa m*al. — Tudo vai dar certo. Em dois anos nos casaremos. — Melhor eu ir. Me despeço. — Diga ao seu pai que depois irei discutir alguns detalhes sobre o casamento. — Por que não agora? Você disse que não tinha mais trabalho. — Surgiu algo, então te ligo mais tarde. Tudo bem? Obrigado por aceitar jantar comigo e com meus pais. Eles estão ansiosos para que você seja a nora deles. Sem deixá-la responder, beijo a sua testa novamente e vou embora a toda pressa. Uma vez no carro, pego o celular e ligo para minha assistente. — Senhor Sepúlveda, precisa de alguma coisa? Ela pergunta, tão diligente como sempre. — Preciso que você me arranje um guarda da agência. Que se apresente amanhã no meu escritório. — De acordo, senhor. Responde sem questionar. — Mais alguma coisa? — Não, por enquanto é só isso. Digo, antes de desligar. Fico alguns segundos com o olhar fixo na mansão. Por alguma razão, não paro de me perguntar por que Liliana não me mencionou esse detalhe até agora. — Então, lésbica. Murmuro, tamborilando os dedos no volante. — Claro, não te resta outra opção. Ligo o carro, pronto para ir embora e esquecer esse assunto até amanhã. No entanto, aquela noite terminou nos braços de uma ruiva sensual que se resiste a meu pedido. O jogo de torná-la heterossexual mexeu comigo, mais do que eu imaginava. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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