cap 08 não é mais um

583 Words
Isabelly Narrando Eu ainda tava no mesmo canto, sentada no degrau, com o baseado já pela metade e a mente mil por hora. Tava tentando não me deixar levar, tentando colocar na cabeça que o Sombra era só mais um. Um daqueles caras bonitos, perigosos, envolventes e enrolados. Mas toda vez que eu fechava o olho, era o olhar dele que voltava. O tempo passou. Não sei quanto. Mas senti quando ele voltou. Sombra - Falei que voltava. – ele disse baixo, encostando na parede de novo, com uma garrafinha de cerveja na mão. Isabelly - Achei que tinha esquecido. Sombra - E perder o resto dessa conversa? Nem fudendo. Sorri. Ele se sentou de novo, mas dessa vez mais perto. Perto o bastante pra sentir o cheiro do perfume dele, misturado com cigarro e desodorante. Perto o bastante pra eu sentir meu coração reclamar. Sombra - Cê tá jogando com fogo, né? – ele falou. Isabelly - E você nem disfarça que gosta de queimar. – rebatí, firme, mas com aquele friozinho na barriga. Ele me olhou. E foi naquele olhar que entendi: se ele quisesse, já teria feito alguma coisa. Mas ele tava me estudando. Me lendo. Me analisando de um jeito que nenhum homem tinha feito antes. E isso... me dava medo. E desejo. Ele chegou um pouco mais perto, apoiando o braço no degrau atrás de mim, me deixando quase encurralada entre ele e a parede. Sombra - Qual é teu nome mesmo? – ele perguntou, com aquele meio sorriso malandro. Isabelly - Isabelly. Sombra - Isabelly... combina contigo. Nome de quem não abaixa a cabeça. Antes que eu pudesse responder, uma voz interrompe o clima como um balde de água gelada. Xx - Ô Sombra... vai esquecer da Beatriz, é? Tá carente agora, é? – era um dos caras da roda da frente, claramente incomodado com a presença dele ali comigo. Sombra virou devagar, sério, sem sair do lugar. Sombra - Fica na tua, Negrete. Negrete - Só tô falando, mano. Tu nem dá moral pra mina e agora quer bancar de apaixonado por qualquer novinha do Torresmo? – ele falou rindo alto, como se estivesse numa competição de ego. Eu respirei fundo, tentei não deixar transparecer o incômodo, mas o clima virou. Sombra se levantou, devagar, e caminhou até o cara. Sombra - Falei pra tu ficar na tua. – disse, firme, o tom de voz já bem mais duro. Negrete levantou as mãos em sinal de paz, mas ainda com aquele sorrisinho debochado. Negrete - Fechou, chefe. Fica com a novinha aí. Não falei mais nada. Sombra voltou pro meu lado e me olhou. Sombra - Desculpa. Tem gente que fala demais. Isabelly - Tô acostumada. – falei, tentando manter a postura. Ele se abaixou de novo, mas não tão perto dessa vez. Me olhou como se tivesse algo mais pra dizer, mas segurou. Em vez disso, estendeu a mão. Sombra - Quer voltar lá pro meio? Ou prefere ficar aqui? Olhei pra ele por um segundo que pareceu uma eternidade. Isabelly - Se eu for com você, a festa perde a graça. Se eu ficar aqui, talvez eu não queira mais voltar. Ele sorriu, como se gostasse da resposta. Depois se levantou, pegou minha mão e me puxou de leve. Sombra - Então fica aqui mais um pouco. E eu fiquei. Com o coração batendo acelerado, o cheiro dele grudado na minha pele e a certeza de que o Sombra... não era só mais um.
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