Capítulo 12

1147 Words
Bárbara | Babi 💖 - Recife | PE 🌞 11:50Am ⏰ Observo o filme que o Everton tá assistindo e suspiro fundo querendo dar uma volta por aí, sei lá, hoje acordei meio deprê, e tudo que eu precisava era almoçar fora, já fiz almoço, já arrumei a casa inteira, dei mama a minha neném e ela já tá dormindo novamente e mesmo assim o vazio e o sentimento r**m não saiu de mim, talvez seja só falta do Emerson mesmo. Por mais que a maioria do tempo a gente só brigava, eu sabia que o tinha ali, que ele apesar de ser do jeito torto dele estava ali para nos proteger, ou não, era só uma imagem que eu quis criar sobre ele, são tantos pensamentos que eu já nem sei mais o que fazer, queria que ele aparecesse e sentasse para bater um papo reto comigo, eu juro que iria entender seja lá o que fosse que ele queria fazer em relação a tudo, mas ao contrário disso, ele simplesmente sumiu no mundo me deixando com a filha dele de bucha pra quem quiser fazer o que bem entender. __ tá de boa? - ouço a voz do Everton e olho pra ele de canto de olho assentindo com a cabeça, se eu fosse abrir minha boca pra falar, todo nó engasgado dentro da minha garganta ia sair e eu aposto que teria uma crise de choro agora.- não parece. - fala normal, sentando e pausando o filme. Ele estava deitado em uma parte e eu sentada na outra parte, a neném estava tirando o cochilo dela lá no nosso quartinho. __ desde que tu acordou que eu percebi que tinha algum bagulho errado. - cortou o silêncio que estava entre nós e eu engoli em seco sem conseguir olhar pra ele. - tu não precisa segurar o mundo inteiro nas costas Babi, tu não tá sozinha.- falou e parecia sincero, meus olhos já estavam cheios de lágrimas e eu tentava segurar de toda forma. - todo mundo tem um dia r**m, e todo mundo em algum momento precisa de alguém pra desabafar e tirar o peso que o mundo insiste em colocar na nossas costas. - as lágrimas desceu sobre meu rosto e ele se aproximou um pouco, ainda sem encostar em mim. - se não quiser, não precisa falar nada, mas aqui tu pode chorar e tirar tudo de r**m que cerca tua cabeça, vou falar mais uma vez pra ver se tu entende, tu não tá sozinha.- falou e as palavras ecoavam dentro de mim. "Tu não tá sozinha" "Aqui tu pode chorar" Eu nunca tive tempo pra isso, nem pra ficar remoendo nada, sempre foi eu mesma por mim e por minha filha, é como falei, eu tinha o Emerson do meu lado, mas era o mesmo que nada, me sentia mãe solo, mesmo casada. Com vergonha coloco as mãos em frente ao rosto e solto o primeiro soluço, eu não sabia porque estava assim, só sabia que tinha uma sensação r**m sobre mim, um aperto no peito, ou era só o peso da rotina, o peso de segurar tudo nas minhas mãos, mesmo agora sendo diferente, mesmo com o Everton cuidando e protegendo nós duas, eu ainda sentia que a responsabilidade era só minha. __ pode chorar Babi, estou aqui com tu pô, tu não é fraca por colocar pra fora os bagulhos que te deixa mal.- ouço ele falar e me puxa pra um abraço, eu nunca tive isso com o Emerson, e é f**a ficar comparando, mas é impossível não fazer. Deixo ele me abraçar e acabo abraçando ele também, talvez seja só tudo acumulado, quando meus pais morreram eu não pude chorar, tive que continuar a vida para me manter, um tempo depois casei com o Emerson e todas as coisas da casa ficavam por mim, se eu não fizesse ou não trabalhasse nem comida teríamos em casa, todo dinheiro dele, era só pra ele e pronto, eu estava tão anestesiada tentando sobreviver que nem pra isso eu ligava. Eu precisava sobreviver, meus pais iriam gostar de me ver bem e feliz, mas aí eu engravidei e tudo voltou a estaca zero novamente, quer dizer, só depois dos oito meses de gestação, porque aí eu não conseguia fazer mais nada, tentei manter a fábrica de bolos e doces, mas não tinha uma pessoa que eu confiava 100%, o Emerson até tentou me convencer de ficar lá, mas eu não quis, a fábrica é minha, quem tem que cuidar e manter sou eu. E aí eu acho que tudo acumulou, eu nunca tive um tempo de parar e pensar sobre tudo, nunca me sentir com medo como estou agora, mas ao mesmo tempo me sinto segura com o Everton. Sinto ele afastar meu cabelo do rosto e passar todo para minhas costas, com uma das mãos suspende meu rosto e enxuga as lágrimas, com o olhar cravado no meu sem dizer nada ele aproxima o rosto e beija a minha testa, solto a respiração que nem sabia que estava segurando. __ sinto pra c*****o por tu ter passado tudo que passou por conta dos outros.- sinto que ele quis falar do Emerson e engulo em seco.- tu é f**a pra c*****o Bárbara, uma mãe f**a também, batalhadora e sempre correu pelo certo, não merece um cuzão igual ao meu irmão não, ele não fecha no dez a dez contigo e isso só tu não ver. - começou a falar do Emerson e eu já quis me afastar, mas ele segurou forte em meu rosto me fazendo encarar ele. - não quero colocar coisa na tua cabeça não pô, só quero que tu enxergue que sempre foi tu e tua filha por vocês mesmo, ele não vale p***a nenhuma, se eu tiver errado, porque ele ainda não te procurou pra se desculpar ou explicar os bagulhos? - ainda calada eu penso nas coisas e isso é verdade, não teve um pedido de desculpas, uma explicação, nada. Apenas assinto com a cabeça deixando as lágrimas descer mais uma vez, e mais uma vez ele seca elas, levanto o olhar e cruzo com o dele, sentindo meu corpo inteiro arrepiar, não consigo desviar os olhos e ele também não, parecia um íma, sinto ele passar a mão por meu rosto inteiro e acabo fechando os olhos gostando do toque, com uma mão ele segura forte em minha nuca, parecia não querer que eu fugisse, mas nem se eu quisesse fugiria, com a outra mão ele pecorre meu rosto inteiro, até parar na boca, com o dedo polegar ele entre abre os meus lábios e sem mais demora junta nossas bocas. E mais uma vez eu fico sem reação, parece que perco os sentidos e quando vejo já estou por cima dele, beijando e sendo tocada de um jeito que nunca fui.
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